Skyfall
26 XXV
Notas iniciais
Percy fecha a porta atrás de nós dois, ainda segurando o gelo encima de sua testa. Ainda estou emburrada por ele ter arrumado uma briga no pub – o que fez com que nós fôssemos expulsos antes de Percy socar um cara até que ele desmaiasse – e ainda dizer que foi por minha causa.
Retiro a jaqueta de meu braços, observando o quarto de Percy. Igualmente o da casa de seu pai, as paredes eram azuis. Agora posso concluir que era uma fascinação por aquela cor, a mesma fascinação que eu tenho pelos seus olhos. Mas por outro lado, os pôsteres na parede denunciavam como ele gostava de bandas de rock desde que era pequeno, enquanto na casa de seu pai, o ambiente era mais sério.
— Ainda está brava? — pergunta, receoso.
— Estou.
— Porquê?
— É muito mais fácil você me beijar do que sair batendo nas pessoas quando está com ciúmes.
As palavras escapam de minha boca sem querer. A ideia de que eu e Percy estávamos ficando mais próximos do que deveríamos estava me assustando. Enquanto Percy não pretendia esconder isso, eu estava indecisa com todas as coisas que as pessoas colocavam em minha cabeça.
Eu deveria me manter afastada dele, mas estava com sua família agora.
— Você queria que eu te beijasse? — seu tom de voz é rouco.
Engulo em seco ao notar sua aproximação. Estou de costas para ele, mas logo sinto suas mãos envolverem minha cintura e me puxarem para mais perto. Seu nariz percorre a curva do meu pescoço, afastando meu cabelo daquela região.
— Queria — minha voz sai fraca, traída pelo meu próprio corpo.
— Você não sabe o que eu quis fazer com você nesse vestido — seus lábios beijam meu pescoço, começando uma trilha até chegar na minha orelha. — Você não sabe o que eu quero fazer com você nesse vestido agora.
Minhas mãos tocam as suas, que estão pousadas no meu quadril. Fecho os olhos quando ele morde meu lóbulo, aproximando ainda mais nossos corpos. Sinto sua ereção no meu bumbum, e eu gemo com seu toque.
Percy me vira de frente para ele, atacando meus lábios de forma brusca. Seus passos fazem com que eu ande para trás, até encontrar um criado mudo. Ele passa as mãos por baixo de meu joelho, me estendendo em cima do móvel, e elas rapidamente se direcionam até minhas coxas, subindo até passarem por dentro da barra do vestido, tocando o elástico de minha calcinha.
— Posso? — ele pergunta, quebrando o beijo.
Inclino o meu quadril na sua direção como se isso pudesse responder minha pergunta. Ele passa o tecido pelas minhas pernas lentamente, com os olhos grudados em mim. Os mesmos olhos verdes que agora estavam escurecidos de desejo, e mais uma vez, eu estava completamente perdida neles. O magnetismo que nos prendia conseguia tirar meu fôlego, mais do que suas mãos escorregando pela minha panturrilha até abrir minha pernas.
Seu olhar cai para meu sexo. Estava eu, de pernas abertas diante dele, coberta apenas por um vestido, sendo que ele tinha uma visão privilegiada do meu sexo por baixo do tecido. Seus olhos ficam presos no meio de minhas coxas por tempo demais, mantendo-as abertas para sua visão.
— Caralho... — ele sussurra, direcionando seus dedos para a região molhada. Agarro em seus ombros com força ao sentí-lo deslizar pela minha pele sensível, com nossas bocas próximas uma da outra. Seus dedos já estavam muito molhados por conta da minha excitação, e isso só servia de combustível para aumentar o meu tesão. — Você está tão pronta pra mim.
Colo nossos lábios para evitar um gemido ao escutar suas palavras. Meu corpo estava ardendo com seu toque, e eu provavelmente estava apertando seus ombros com mais força do que o necessário. Percy puxa meu lábio inferior com seus dentes, enfiando um dedo dentro de mim. Tento abafar um gemido, mas ele escapa mesmo assim.
— Isso, linda, mostra pra mim como você está gostando — acho que nunca vi esse lado de Percy antes, mas estou gostando das sacanagens que ele fala no meu ouvido.
Um súbito de sanidade volta para meu corpo assim que os sons que saiam de minha boca acabam sendo alto demais, conforme ele movimentava seu dedo dentro de mim.
— Percy, seus pais... — alerto, meu rosto ganha tons de vermelho quando me lembro que não estamos sozinhos na casa. — Eles podem nos escutar.
Sei que naquele momento eu era a única que estava gemendo com os nossos toques, mas com a tortura que ele me causava, estava disposta a fazê-lo sofrer na mesma intensidade.
— Então é melhor você ficar bem quietinha — ele ri contra meus lábios, entrando com dois dedos dentro de mim dessa vez. Beijo sua boca abafando o meu gemido ao vê-lo apertar os olhos enquanto me toca.
Minhas mãos buscam a barra da sua camisa, puxando-a para cima com brutalidade. Eu precisava muito dele, e mesmo com seus dedos sendo afastados da minha intimidade para que ele se livrasse da peça de roupa, isso não diminuiu meu desejo por ele, que volta a me pegar no colo, deixando-me de pé novamente.
Percy caminha para trás, sentando na cama e me deixando de pé em sua frente. Seus olhos verdes passeiam pelo meu corpo, criando expectativa, e eu entendo o que ele quer que eu faça.
Meus dedos encontram o zíper do vestido que estava em minhas costas, abaixando-o até o tecido se afrouxar em meu corpo. Levo minhas mãos até o ponto mais alto do vestido, em seguida o levando para baixo até que esteja sobre meus pés. Sally me emprestou roupas íntimas, mas Percy já havia retirado minha calcinha, e como estava de vestido que deixava meus ombros livres, ignorei o uso do sutiã; sem mais floreios, estava completamente nua na sua frente.
O desejo em mim só parece aumentar assim que seus olhos rodam meu corpo. Eu nunca iria me cansar do verde das suas íris, já que toda vez vez que nossos tons se misturavam, um arrepio passava pelo meu corpo. Seu olhar traça um caminho pelos meus seio rijos, minha barriga e cintura, até parar no meio de minhas pernas. Eu estava totalmente exposta, totalmente entregue para o seu prazer.
Aproveitando o tempo que ele passou me encarando e averiguando meu corpo, faço o mesmo, analisando seus ombros largos e seu torso definido. Meu corpo se arrepia só de pensar nos seus braços fortes envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto. No entanto, deixo um suspiro escapar pelos meus lábios assim que noto o volume em suas calças, mostrando o quanto ele estava duro.
Subo encima do seu colo, explorando com as unhas seus ombros. Nossas bocas se encontram com mais naturalidade do que respirar. Tento controlar os gemidos sôfregos assim que ele desliza as mãos pelas minhas coxas, explorando toda a região. Cada simples toque seu me levava a loucura, e o fato de ter que controlar meus gemidos por causa de seus pais só tornava tudo mais excitante.
Minhas mãos tateiam suas calças, abrindo o zíper e levando sua boxer preta junto. Com dificuldade, Percy consegue se livrar de todas as roupas que vestia, deixando-nos ambos nus, comigo montada em seu colo com uma perna de cada lado do seu corpo. Não conseguíamos esperar mais um minuto, e eu sabia disso, graças a forma selvagem que nos beijávamos como se nossa vida dependesse disso.
Sinto uma de suas mãos sair da minha cintura para alcançar a calça jeans jogada na cama. O impeço antes de prever o que ele estava fazendo: procurando o preservativo.
— Não — o detenho, rebolando contra sua ereção. Era bom sentí-lo sem nada nos impedindo. — Eu tomo anticoncepcional. Quero te sentir.
— Eu não estou saindo com mais ninguém além de você — beija meu pescoço, talvez tentando se certificar de que estaria tudo bem se transássemos sem camisinha.
— Eu também não — confesso, deixando que seus lábios percorram pelo meu pescoço livremente. Sinto seus lábios se repuxarem em um sorriso.
Apoio minhas mãos em seu peitoral, sentindo Percy colocar seu membro em minha entrada. De fato, só aquele toque, já era o bastante para me fazer delirar. A sensação de sentí-lo, carne com carne, sem nada nos impedir. Isso serve de combustível para que eu deslizasse sobre ele, sentindo-o me penetrar sem barreiras.
Nossas bocas se abrem em um perfeito "O", gemendo em uníssono. Seus olhos verdes se fecham no momento que entra dentro de mim, jogando a cabeça para trás por conta da sensação. Sinto-o me preencher deliciosamente, em uma reação quente e molhada, pela primeira vez tendo a impressão de que éramos apenas um só.
— Porra, Annie... Isso... — me levanto, sentindo centímetro por centímetro do seu membro, e volto a me sentar por conta própria, repetindo a ação e beijando seus lábios para abafar meus gemidos. Nosso beijo é desajeitado por causa de meus movimentos, portanto finas quantidades de ar escapam por nossos lábios. Me alegro ao ver que Percy está apertando os olhos, sua expressão revirada no prazer. — Minha nossa, você é muito gostosa.
Aumento mais meus movimentos, sentando em seu colo em tempos irregulares. Sua boca quente chupa a pele exposta de meu pescoço, ciente de que ficaria uma marca ali. Jogo meus braços envolta de seus pescoço, entrelaçando meus dedos em seus fios negros e molhados por conta do suor. Percy me ajuda com os movimentos, apertando minha cintura com mais força assim que repito periodicamente o encontro entre nossos quadris, sentindo-o entrar e sair dentro de mim freneticamente.
Quando sinto que já estou próxima o suficiente do meu limite, Percy abraça minha cintura com uma mão e inverte nossas posições na cama, apoiando seu antebraço na altura de minha cabeça. Minhas pernas rodeiam seu quadril, sentido-o entrar dentro de mim, lento e duro. Aperto os olhos de prazer, me surpreendendo com o gemido que escapa de minha garganta.
— Percy — gemi, enquanto ele segura minhas coxas para estocar em mim lentamente. Eu conseguia o sentir por inteiro, entrando tão vagarosamente que seria possível morrer de tanto prazer.
Ele deixa seu corpo na horizontal, colando nossas testas. Nossas cinturas se movem em conjunto, criando o ritmo mais gostoso do mundo. Percy trava o maxilar, fechando os olhos com força, gemendo em meus lábios assim que aumenta a velocidade das estocadas. Seu rosto se contorce em uma expressão de prazer, puxando meu lábio inferior com os dentes. Estávamos tentando não fazer barulho, mas estava sendo impossível. Conseguia escutar o ofegar de Percy toda vez que entrava dentro de mim, seus músculos se retesando toda vez que eram tocados pelos meus dedos, cada centímetro exposto de minha pele explorado pelas suas mãos fortes, apertando minhas coxas sem nenhum pudor.
Minhas unhas fazem o trabalho de arranhar toda extensão de suas costas, sem me importar com as marcas que apareceriam no dia seguinte. Percy começa uma trilha de beijos no meu maxilar, para abafar seus gemidos. Sei que não vou aguentar muito tempo. Aquela sensação conhecida começa a invadir meu corpo, transbordando prazer. Minhas unhas fincam em seus ombros e eu aperto ainda mais minhas pernas no seu quadril, sentindo as sensações de estar chegando cada vez mais próxima do meu orgasmo.
— Isso, linda... goza pra mim — sussurra no meu ouvido, mordendo o meu lóbulo, e é exatamente isso o que eu faço.
Como se meu corpo obedecesse as palavras de Percy, solto um último gemido manhoso ao alcançar meu ápice, apertando seus ombros com força. Em questão de algumas estocadas, Percy goza dentro de mim, cerrando os dentes para conter um urro.
Ele ainda está por cima de mim quando abrimos os olhos, juntos. Encaro o verde de sua íris sabendo que ele é o verdadeiro Percy. Era como se agora, tão exposto para mim, sem suas armaduras, eu enxergasse quem ele realmente é. Sou fascinada por aquele olhar. Sou fascinada por ele, e sei disso.
Seu corpo cai ao meu lado, olhando para o teto assim como eu. Meus olhos encontram algo muito fascinante no nada, até me deitar encima do corpo de Percy e ele envolver minha cintura com um dos braços.
Estamos de frente para o outro, mantendo o contato visual. Nossos narizes estão quase juntos e nossas respirações se misturam. Não acho palavras boas o suficiente para definir este momento. Não quero que ele acabe nunca.
— Não quero sair nunca dessa cama, Percy Jackson.
Me surpreendo com minhas palavras. Talvez isso seja o mais íntimo que disse para ele ou para outros caras com quem transei. Sei que nunca me senti dessa forma antes, e por mais que isso me assustasse, eu me sentia completa de alguma forma.
Seus olhos não vacilam por nenhum minuto. Muito pelo contrário. Ele parece que está disposto a escutar mais do que eu tenho para falar. Seus dedos acariciam a curva do meu pescoço, sem desviar seus olhos verdes de mim. Quando percebe que não vou falar mais nada, sinto sua respiração se misturar com a minha quando diz:
— Você sabe que eu sou louco por você, não sabe?
Não sei o que dizer. Talvez seja esse o momento de dizer o que sentíamos? Eu não fazia ideia de como explicar a complicação que estava em minha mente, e não duvido muito que com ele seja diferente.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. Um dia saberíamos o que dizer, não importa quanto tempo isso demore, nós iríamos perceber.
Beijo seus lábios antes de virar de costas para ele, que abraça minha cintura e coloca a cabeça no meu pescoço. Sinto sua respiração se regular ali, e eu sinto uma sensação de paz invadir meu corpo.
Até me lembrar o que estava na minha cabeça há tanto tempo.
Antes de morar em Londres, Percy morava aqui, em Bristol. Me lembro de quando nos conhecemos e ele comentou isso. No entanto, o assunto voltou à tona no dia anterior, o qual Thalia me diz que Percy não é quem eu acho que é.
— Por que se mudou de Bristol?
Novamente, as palavras escapam de minha boca. Odeio minha curiosidade persistente, que nunca me deixa em paz. Odeio o fato de sempre querer descobrir as coisas, mesmo as que não são de meu interesse.
A resposta não vem de imediato, e por um momento, penso que ele está dormindo, até sentir sua respiração desregular e seus dedos tremerem na base de minha cintura. Não parecia estar com raiva, mas sim se preparando psicologicamente para me contar o que eu tanto queria saber.
— Eu matei alguém.
Por um momento, me esqueço de respirar. Não sei quem está no controle de meu corpo, mas toda a sensação boa que sentia antes vai embora. Tudo que conseguia sentir era um pressentimento ruim, como se eu não conhecesse a pessoa que estava do meu lado.
Não tenho coragem de olhá-lo nos olhos. Tento absorver a informação em silêncio, aguardando que Percy terminasse a história. Mas eu queria mesmo saber o final?
— O ex-marido de minha mãe era um filho da puta. Você pode imaginar as coisas que ele fazia com ela, eu não preciso dizer. Gabe era seu nome. Estava sempre vivendo sobre nossas custas e a maltratando. Um dia, eu o vi bater incansavelmente nela, então fiz o mesmo com ele. Eu tinha quinze anos.
É só o que ele diz.
Não peço para que ele detalhe a história e nem me diga o porquê. Sinto a raiva no modo que ele conta os acontecimentos. Sinto o peso de suas palavras me invadir e me deixar sem ar. É incrível como algumas frases são capazes de mudar completamente o ambiente do lugar. Meu pescoço está molhado, e eu imagino o porque. Talvez ele esteja chorando, talvez não. Nunca vou saber, porque não vou olhar para trás.
O pior de tudo é que todos me avisam. E eu decidi não escutar ninguém.
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