Skyfall
23 XXII
Notas iniciais
Puxo toda a fumaça para dentro dos meus pulmões, sentido o gosto amargo e forte da nicotina invadir meu sistema respiratório. Assopro a fumaça pra longe, e a vejo se dissipar no ar junto com o vento que bagunça meus cabelos, dificultando minha visão.
A nicotina faz o trabalho de afastar a tensão presente em meu corpo logo que eu solto a fumaça. Continuo a observar seu caminho, se misturando com as nuvens do céu nublado a minha frente. Hoje estava fazendo mais frio do que o habitual naquela manhã, e minha jaqueta de couro e as coturnos não estavam me esquentando o suficiente.
Levo o cigarro novamente até meus lábios, comprimindo-os e puxando a fumaça. A sensação de tragar é quase triunfante, me proporcionando um alívio instantâneo dos problemas. Minha mente estava conturbada, disparando pensamentos e me impedindo de dormir na noite passada. Quero dizer, eu mal havia dormido, e as olheiras em meus olhos estavam muito evidentes.
Solto a fumaça com os lábios entreabertos e sigo seu caminho até que lado em um carro, que por algum motivo, eu o reconheço. Estava na frente da lanchonete que minha avó havia recomendado no meu segundo dia de aula, e acho que seria normal que muitas pessoas que eu conhecesse viessem ali. Mas em nenhum momento, eu iria pensar nele.
Quase tomo um susto quando vejo seu corpo sair pela porta do passageiro, e aquela sensação nostálgica de o ver me invade. Seus cabelos estão no caos habitual, e seus olhos verdes intensos rapidamente se prendem nos meus. Um sorriso gentil se forma em seu rosto, e eu tento manter a tranquilidade.
Eu estava fugindo dele há dois dias.
Ao ver que eu estou fumando, ele retira um cigarro e seu zippo do bolso, acendendo o mesmo que estava comprimido em seus lábios. A fumaça escapa de seus lábios, e agora eu percebo o quão perto ele está de mim.
— Hey — o fio cinza é assoprado para fora de seu corpo assim que ele fala comigo. Minha cabeça gira instantaneamente para frente, deixando Percy ao meu lado.
— Hey — respondo sem entusiasmo, levando o cigarro até meus lábios e puxando o máximo que consigo. É quase impossível a ideia dele estar ao meu lado agora, e a nicotina não estava conseguindo fazer seu trabalho agora. Estava me sentindo mais tensa do que há alguns minutos atrás.
— Finalmente consegui falar com você... — murmura, e eu sinto seus olhos presos em mim. Sabia que deveria evitar o contato visual. Mas Percy estava insatisfeito, passeando por todo o meu rosto até encontrar uma falha visível. Ele iria descobrir que eu estava o evitando. — Aconteceu alguma coisa?
Minhas pernas parecem fraquejar. Solto a fumaça do cigarro com dificuldade, com meu olhar preso em uma das nuvens do céu. O que eu deveria dizer, exatamente? Deveria dizer toda a verdade que minha mãe me disse, ou deveria continuar escondendo, com medo de isso acabar magoando alguém? O que Percy pensaria de mim, ou de Atena?
Tudo seria muito mais fácil se ela não tivesse dito para eu tentar descobrir sozinha o motivo de me querer afastada dos Jackson. Ela sabia que eu não faria isso, e que eu não seria capaz de acreditar nela. No entanto, sabia que aquela dúvida iria me perseguir, e que era uma proposta tentadora me manter longe de Percy. Atena sabia que eu estaria nos meus limites toda vez que o encontrasse, e que como ela mesma disse, eu sentiria o medo de descobrir a verdade.
— Sim. Aconteceu.
Estou mais surpresa do que Percy com minha resposta. Eu não poderia ficar escondendo isso dele, simplesmente porque ele não merecia que sumisse do mapa tão de repente. Não importa o que aconteça, eu iria descobrir a verdade, e se me manter longe dele seria necessário, eu faria isso.
— O quê aconteceu?
— Minha mãe.
— É... Não quer falar sobre isso? — Percy leva o cigarro até a boca, e eu imito seu gesto. Conforme ele fala, camadas de fumaça escapam pelos seus lábios convidativos. — É sobre o quê?
Fico indignada com a preocupação de Percy. Não sabia ao certo o que tínhamos, nem se era tão sério assim, mas algo me dizia que ele não fazia o tipo que se importa tanto assim com as pessoas. Talvez ele só estivesse tentando ajudar ao ver minhas enormes olheiras, incapaz de serem cobertas com boas camadas de corretivo.
— É sobre você, Percy.
Não tenho coragem de virar o rosto. Meus olhos enchem de lágrimas, que eu tento a todo custo esconder do garoto ao meu lado. Mesmo assim, acho que ele não repara. Posso observar de soslaio seu cenho franzido, e suas sobrancelhas arqueando em minha direção. Eu entendia suas expressões, ele não fazia a mínima ideia do que eu poderia estar falando.
— Desculpe, Anns, mas como eu deveria estar envolvido nisso? — seu tom de voz é gentil, tentando esconder a preocupação em suas feições.
— O seu pai... — viro meu rosto levemente em sua direção, e percebo seu olhar ficar preocupado. — O seu pai e minha mãe se conhecem há bastante tempo.
— É, deu para perceber isso naquele jantar... — seu olhar vacila por um segundo, encarando seus próprios sapatos.
— Não é desse jeito — engulo em seco, e pela primeira vez, ele repara na quantidade de lágrimas que se aglomeram em meus olhos. Levo o cigarro aos lábios, tragando e soltando a fumaça. — Mas eu ainda não posso te contar o que houve.
— Ok, tudo bem — sua mão toca meu braço coberto pela jaqueta. Nossos olhos estão fixos, e eu vejo a expressão em seu rosto se contorcer em algo que eu não consegui identificar, com Percy unindo as sobrancelhas e me puxando contra seu corpo. Fecho meus olhos, impedindo que as lágrimas caiam. Seus dedos gelados acariciam meus fios loiros, atrás de minha orelha. — Não fica assim, linda. Tudo vai ficar bem. Tem alguém que você possa desabafar?
— Silena... — murmuro contra seu peito, que me aconchega em um abraço. — É minha amiga de Nova York. Nós nos falamos por Skype, mas quando tentei falar ontem, ela simplesmente sumiu.
— Não se preocupe, ela deve estar ocupada. Quero dizer, são horas de diferença, ela poderia estar dormindo, não é?
— É. Pode ser.
A frustração de me manter calada era pior ainda. Não havia alguém certo o suficiente para que eu pudesse desabafar, certo? Silena era uma exceção, mas qual seria a reação de Malcolm se eu o contasse a verdade? Ele mesmo disse que não gostava da ideia de tentar buscar informações.
Talvez minha mãe estivesse certa, talvez eu pudesse me arrepender... Contudo, eu tinha um plano em minha mente.
— Percy? Annie? — escuto uma voz familiar atrás de mim, e eu me afasto bruscamente de Percy como se ele tivesse alguma doença contagiosa. Limpo meus olhos vermelhos com as costas da minha mão, com meu olhar se focando aos poucos em Thalia, Nico e Leo, observando a cena há poucos metros longe de nós. — Deus, você está péssima. Se Percy não tivesse com a mão em sua bunda eu não iria te reconhecer.
— Obrigada, Thals... — murmuro, cruzando meus braços. — Você também não está nada mal.
— Eu sei, meu amor. Parece que eu saí de um filme dos anos 90, de preferência beijando o Tom Cruise.
— Ok, Thalia, é o suficiente — Nico coloca a mão em seu ombro, e eu sei que sou a única a perceber que aquilo foi um indício de ciúmes, mas como sempre, não posso dizer nada. — Yo, temos negócios a tratar.
— Yo? — Percy pergunta, se referindo a gíria de Nico. — Que porra é essa?
— Não liguem pra ele. Nico fumou um baseado antes de vir para cá — Thalia empurrou os ombros de Nico e Leo em direção à porta de entrada, que se esgueiraram para não se machucarem. — Entrem logo. Nós realmente temos negocia a tratar.
Olho de canto para Percy que assente com a cabeça, seguindo pela mesma porta. Eu o acompanho, sendo seguida por Thalia, que é a ultima a adentrar o lugar. O sino que anuncia nossa chegada me faz despertar de meus pensamentos, e eu localizo os dois garotos já sentados em uma mesa encostada com o vidro do estabelecimento, dando uma vista privilegiada para a rua do lado de fora.
Me sento no banco, encostando minha cabeça nesse mesmo vidro e esperando Percy se aconchegar ao meu lado, passando o braço pelos meus ombros. Se aquilo era uma tentativa de flerte, eu sequer havia percebido. Estava desconcentrada demais para prestar atenção em qualquer coisa ao meu redor.
— Vocês sabem, depois de amanhã é o meu aniversário — Thalia abre um sorriso forçado, fazendo todos da mesa rirem, e até consegue arrancar um riso forçado meu. — Dezoito é um grande objetivo para mim, e por isso, Nico e Leo deram a ideia de acamparmos hoje à noite.
— Sem maconha, por favor — Leo adverte, olhando de canto para Nico.
— E a escola? — pergunto, sendo a grande trouxa que sempre sou quando se trata de assuntos escolares. Quatro pares de olhos me encaram como se eu estivesse brincando, ou houvesse falado a maior besteira que já escutaram.
— Foda-se a escola, lá é um inferno — Thalia resmunga, retirando um cigarro do bolso e levando até os lábios.
— Thals, você não pode fumar aqui — avisa Percy.
— Eu posso fumar onde eu quiser — Thalia dá de ombros, acendendo seu cigarro e tragando. A fumaça escapa de seus lábios e eu sinto o cheiro de cigarros preencher o lugar. — Quero ver quem irá me tirar daqui.
•••
— Eu disse que era uma péssima ideia — Percy comenta, ajeitando a manga de seu casaco.
— Vadia! — Thalia grita, batendo contra o vidro da lanchonete e chamando a atenção da garçonete que veio nos atender e viu Thalia fumando um cigarro.
Após esse incidente, a garçonete perguntou respeitosamente se ela poderia apagá-lo, e Thalia discordou. Isso fez com que o gerente do estabelecimento aparecesse na mesa com mais dois seguranças, fazendo o mesmo procedimento que a garçonete fez, e após Thalia ter negado novamente, fomos expulsos do local.
— Você estava errada, Thals. Não adianta muito reclamar.
— Leo Valdez não tem o direito de falar se estava errada ou não. Você agitou para que eu continuasse a fumar!
— Ele só estava brincando, Thalia — coloco a mão em seu ombro gentilmente, e me aproximo do seu ouvido para que nenhum dos garotos escutasse o que tinha para falar. — Podemos conversar?
Thalia me encara de soslaio, adotando outra postura ao escutar a frase talvez mais assombrosa de sua vida. Seus olhos azulados olham para os garotos atrás de nós, e ela retira as chaves do bolso, girando a cabeça para trás.
— Vou dar uma volta com Annie. Se comportem.
— Como vamos embora? — Nico pergunta.
— Vocês que pediram carona para mim. Dezoito anos é foda.
Lanço um último sorriso para Percy antes de entrar no carro negro de Thalia. Sinto uma pitada de culpa em sua expressão, e talvez seja pela nossa conversa, a qual eu disse que minha discussão e de minha mãe teria a ver com ele. Não sabia ao certo como agir em relação a ele, muito menos após termos transado. Tudo estava completamente confuso em minha cabeça, com dezenas de pensamentos que me alertavam para manter distância de Percy e de meus amigos.
Mas sabia que Thalia poderia me ajudar a esclarecer as coisas.
— Vocês vão passar na minha casa para irmos à floresta? — pergunto, para cortar o silêncio. Thalia acelera o veículo, dando partida e seguindo em direção à avenida.
— É, parece que Nico está com uma super-van, eu não sei... — admite, e depois vira sua cabeça para o banco do passageiro. — Onde você quer ir?
— Minha casa — sugiro, balançando a cabeça em concordância. — Se quiser esperar lá até Nico chegar...
— Está louca? — ela ri. — Eu preciso fazer as malas.
— Nossa, verdade! — levo uma mão até minha testa, piscando os olhos com força, como se isso fosse me ajudar. — Eu estou viajando hoje, desculpe.
— Não se preocupe... Você não parecia nada bem quando eu cheguei. O quê aconteceu?
— É sobre isso que eu gostaria de falar.
— Estou ouvindo.
— Odeio conversar no carro, ou andar de carros. Minha casa estará vazia — coloco alguns fios de meu cabelo rebelde atrás de minha orelha. Eu havia desistido momentaneamente de tentar ajeitar o que eu chamava de selva. — Talvez apenas minha avó, mas ela não irá se incomodar.
— Eu adorei sua avó — seu tom de voz é animado, e Thalia abre um sorriso cúmplice ao tocar naquele assunto.
Passamos o resto do curto caminho conversando sobre minha avó, "meu" cachorro e sobre como é ser vizinha de Valdez. Thalia realmente fez fortes laços com Margareth, já que me contou coisas que eu sabia brevemente, ou até sobre assuntos que eu era imparcial, mas as duas pareciam ter uma opinião formada. De acordo com Thalia, o nome de Eddy é o melhor. Quero dizer, o verdadeiro nome, não o seu pseudônimo carinhosamente dado por mim. Eu não conseguia entender o que as pessoas viam de tão interessante naquele nome, ou até mesmo naquele cachorro, que mesmo sendo companheiro, ainda sim era carente.
Jogamos conversa fora até chegar na porta de minha casa. Com muito esforço, consegui colocar Thalia para dentro da residência, já que a morena queria tocar a campanha de Valdez e sair correndo, o que não seria uma boa ideia dado os fatos de que ele não morava sozinho. Minha avó pareceu mais alegre do que o usual ao ver Thalia, e eu quase interrompo a conversa para constrastar o seu sobrenome. De certa forma, fico feliz por minha avó não ter o mesmo tipo de preconceito que minha mãe. Não com Thalia, pelo menos.
Subimos até meu quarto depois de muito tempo de insistência. Thalia se joga na minha cama como se fosse o seu próprio quarto, mas aquilo não me incomoda. Eu já havia me acostumado com seu jeito mesmo que se eu não quisesse. Era quase como impossível não gostar de alguém como Thalia. Com poucas palavras, ela já era capaz de me fazer rir, até em um dos piores dias.
Hoje seria um deles.
— Então, o que eu vou te pedir pode parecer um pouco estranho... — engulo em seco, sentindo minha voz fraquejar. Thalia se endireita na cama, deixando a postura ereta e seus olhos azuis elétricos fixos em mim. — Mas... Bem... Eu preciso que você me passe o número de Poseidon.
Seus olhos continuam me encarando durante um bom tempo, e se eu não a conhecesse tão bem, aquilo poderia ser capaz de me assustar. Eles eram tão intensos quanto os de Percy, no entanto, não me deixavam no mesmo tipo de tensão. Com ele, era algo mais parecido com tensão sexual, como o seu maior atrativo. Com ela, me sentia intimidada, quase que com tanta pressão, que seria capaz de contar toda a verdade apenas com aquele olhar... Eu tinha certeza que a cor dos olhos era coisa de família.
— Ok, eu te dou o número dele... — ela retira seu celular do bolso com a postura mais calma, desacelerando seus movimentos. — Mas posso ao menos saber o porquê?
Uma mensagem chega no meu celular, e eu o sinto vibrar em meu bolso. Olhando pelo visor, posso enxergar o nome de Thalia seguido de algum número que eu desconhecia. Sorrio ao perceber que ela era mais eficiente do que eu imaginava, e eu poderia evitar uma conversa pessoalmente se esse for o caso... Se eu não precisasse de respostas o suficiente.
— Digamos que Poseidon e minha mãe tiveram um caso quando tinham nossa idade, e então fugiram para Nova York — Thali arqueia as sobrancelhas, em um pedido mudo para que eu continuasse minha história. — Eles terminam após minha mãe se apaixonar pelo meu pai, e alguns quatro anos depois, eu nasci... Enfim, isso não vem ao caso, mas eu sei que tem algo a mais, e eu preciso falar com Poseidon para descobrir isso.
— Nossa, isso é definitivamente muito estranho... — diz, após um breve silêncio. — E muita coincidência. Digo, anos depois, é como se a história tivesse se repetindo.
— Esse não é o ponto — reviro os olhos. — Ela disse para eu me manter afastada da sua família. De Percy.
A pele pálida de Thalia parece se esbranquiçar ainda mais. Por um momento, acho que ela havia parado de respirar, no entanto, seus lábios puxam uma quantidade grande de ar para dentro de seus pulmões. Ela definitivamente sabia de algo que eu precisava saber. Era quase como uma obrigação.
— Você sabe que ele não morava em Londres, certo? Ele morava em Bristol. É onde sua mãe mora.
Me lembro do dia em que o conheci e do momento em que ele me disse a mesma coisa que Thalia estava me contando agora. Foi por aquele motivo que me afeiçoei tanto a ele. Ambos saímos de algum lugar – gostando ou não – para vir à Londres.
— Por Deus, Thalia, continue.
— Eu não posso te contar. Se algum dia você tiver que saber sobre isso, ele mesmo irá te contar — seu tom de voz é o mais frio que eu já ouvi em toda a minha visa. Em nenhum momento, eu havia visto Thalia de forma tão séria quanto essa. — Só quero que você saiba que apesar de tudo, Percy não é quem você acha que ele realmente é.
Engulo em seco diante daquela informação, tentando interpretar aquela frase de diferentes motivos. Não conseguia enxergar Percy como esse monstro que todos insistem em me passar. Para mim, o máximo que ele poderia fazer, seria quebrar meu coração. Apesar disso, não existia nenhuma outra opinião ruim sobre aquele garoto. Percy Jackson era apenas mais um cara com alguns defeitos, e mesmo assim, todos tentavam intensificar as coisas ruins que ele poderia ter feito algum dia.
Antes que pudesse revidar o que Thalia disse, a porta de meu quarto é aberta. Fecho os olhos, ensaiando um discurso para minha avó não interromper minhas conversas, e nem abrir a porta quando ela está fechada. O que seria de mim se ela ou minha mãe escutassem o que eu estaria falando com Thalia?
No entanto, meu coração quase pula da boca quando reconheço a silhueta feminina na minha frente. Como sempre, a maquiagem impecável, os fios de seu cabelo devidamente alinhados em seu lugar, sua pele de porcelana, o excesso de roupas com cores quentes ou pasteis, e um enorme sorriso no seu rosto com suas unhas pintadas de vermelho carregando malas gigantes. Mesmo após milhares de anos, eu conseguiria reconhecer minha melhor amiga patricinha em qualquer lugar. Mesmo tão diferentes, ela me conhecia melhor do que ninguém, e vice-versa.
Silena Beauregard estava em minha porta, soltando um gritinho escandaloso assim que me viu, correndo em minha direção para um abraço. Eu não conseguia estar mais feliz.
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