Notas iniciais
HEY PEOPLE! Eu to orgulhosa de mim mesma, sério. Mesmo com uma pancada de provas e mil coisas pra fazer no final de semana, eu escrevi o capitulo UM POUCO RAPIDINHO. E sei lá, depois dos reviews de vcs no capítulo passado, me incentivando a postar, eu to com a criatividade no pico, então muito obrigada a todo mundo ❤️ Quero ver vcs mais por aqui. CHEGA DE ENROLAÇÃO, FLW

Era completamente tudo feito de gelo. Eu enxergava a imensidão branca, mais clara que a porcelana mais brilhante que eu já havia visto. Tudo ao meu redor se resumia em uma imensidão branca, até meus próprios olhos conseguirem se ajustar a luz do ambiente, adequando até encontrar a iluminação correta.

Aos poucos, percebi os mínimos detalhes da onde eu realmente estava. Meu corpo tremia incansavelmente, clamando por calor. Cheguei a um ponto que não conseguia sentir meu próprio nariz, testa e queixo. O frio tomou conta do meu corpo em um instante. Um instante tão rápido que não pude nem perceber o intervalo entre um corpo quente, aquecido, e o choque térmico que trouxe o frio com ele.

A imensidão branca havia se dissipado, e agora eu me encontrava em um lugar escuro, ainda sim com neve aos meus arredores, porém ela não estava iluminada como antes. Estava escurecida, e eu sabia que era neve apenas por tocar na sua superfície fina e gelada. Não sabia de onde a única luz fraca estava vindo, mas ela iluminava o local de uma forma tão fraca que eu mal reconheceria alguma iluminação ali. Para mim, tudo estava apenas uma escuridão frágil.

No entanto, a luz iluminava o suficiente dali para você reconhecer os detalhes do local, e talvez identificar e reconhecer onde você estava. Não foi o meu caso. Era um salão grande, feito de ferro. Ou pelo menos, aquilo parecia ser ferro. De qualquer forma, o material era escuro. Grandes pilastras se erguiam desde o chão, até o teto, tão alto que você mal conseguia enxergar onde ele terminava. A coisa mais estranha, era que a neve branca e pálida caia do teto, sem nenhum motivo científico é comprovado que isso era capaz de acontecer.

O salão se estendia por longos metros quadrados, até chegar em um palco enorme, e também de ferro. Meus passos deixam uma marca registrada no solo, se afundando na neve enquanto deixam o formato de pegadas na camada macia. Meu corpo estremece cada vez que chego mais perto dali, como se momentaneamente ficasse mais frio a cada segundo...

Subo as escadas, mas elas não estão tão cobertas de neve como o resto do local. Eu posso ouvir minhas coturnos se chocando contra o chão, provocando um barulho ruidoso. Está tão frio que tenho que cruzar os braços, e apertar meus próprios dedos dentro de minhas luvas, e então, me deparo com um grande trono, bem a minha frente, encima do palco como se fosse um símbolo de poder absoluto.

Ele também é de ferro. É tão grande que eu não seria capaz de ao menos tentar subir ali. Reconheço onde eu estou. Este cômodo, provavelmente, é uma sala do trono, daquelas da Idade Média, ou coisa assim. Era grande, lustrosa, misteriosa e realmente mostrava o símbolo do poder absoluto.

Mas o que realmente chamou mais a atenção, estava atrás do trono. Erguia-se uma grande parede de gelo, maior que o trono, maior que o teto. Esta, eu não conseguia determinar onde ela realmente acabava. Imaginei que todo o frio, estava saindo dali, porque cada vez que eu me aproximava, sentia ainda mais aquela temperatura tomar conta do meu corpo. Também acreditei que a luz que iluminava de forma fraca o cômodo, vinha dali. A parede de gelo era tão cintilante, brilhante, chamativa, quase em um branco lúcido, que eu imaginei que aquilo seria capaz de iluminar a sala do trono.

Mas, quando você se aproximava o suficiente, via uma rosa vermelha. Presa ali. Naquelas condições, ela certamente não seria capaz de florescer, mas estava ali, no seu apogeu. A grande luz vinha dali, eu sabia. Ela era tão vermelha quanto o sangue, e em meio a imensidão branca, ela era capaz de se destacar, com a cor chamativa que fazia qualquer atenção voltar-se para si.

Porém, o mais impressionante, é que mesmo em um lugar onde todas as coisas parecem estar mortas, onde ela não seria capaz de ser plantada, ela estava ali. Viva.

Acordo simultaneamente, de um sonho que eu mal lembrava onde tinha começado. Procuro meu celular no meio das cobertas e fico feliz quando vejo que são 9 horas da manhã. Mesmo assim, me limito a passar alguns minutos debaixo da coberta, tentando me acostumar com a ideia de acordar.

Meus olhos permanecem fechados por alguns minutos, tentando absorver calmamente os momentos da noite passada. Quando acordamos nossa mente é um borrão branco. Um feliz vazio. Então você acorda e lembra exatamente aquilo que você quer esquecer, e porquê. No meu caso, minha noite estava infinitamente tranquila até Percy resolver mudar de humor momentaneamente. E depois, como se não pudesse ser pior, minha mãe aparece para finalizar meu dia.

Quando meu cérebro parece se adequar ao meu estado péssimo, eu decido que é hora de levantar. Embora a cama estivesse quente e o quarto permanecesse escuro, eu não aguentaria mais nenhum segundo me remoendo nas horríveis lembranças da noite passada.

Vou em direção ao meu banheiro, lutando a ducha e permanecendo bons 20 minutos dentro do chuveiro. Mesmo quente, a água conseguiu me despertar, e também relaxar meus músculos de qualquer "pesadelo". Não como se o sonho esquisito fosse um, embora ainda fosse esquisito. Eu detestava ter de decifrar enigmas e encarar múltiplas verdades. Eu gostava de pensar que apenas uma única coisa era o suficiente. Não haviam milhares de possibilidades, apenas uma, e era a correta. E com bastante lógica e raciocínio, você conseguiria chegar lá.

Acho que o fato de não encarar múltiplas opções fez com que eu gostasse das matérias de exatas.

Desligo o registro do chuveiro e me enrolo na toalha felpuda. Saio do banheiro, caminhando até meu guarda-roupa em busca de algo casual e quente para vestir. Não me importaria em usar um simples conjunto de moletom para apenas ficar em casa. E foi o que eu fiz, vestindo a roupa mais quente que encontrei, e depois, desci as escadas.

Conforme meus passos anunciam minha chegada triunfante, percebo duas silhuetas paradas em frente a porta da sala de estar. Minha avó está com a feição mais tranquila que eu havia visto, conversando amigavelmente com minha mãe, em tom baixo. Mas não foi isso que me chamou a atenção. Fora o mau humor notável de Atena, com a típica cara de deboche, ela carregava nas mãos uma das maiores malas de viagem que eu havia visto. A mesma que ela viajou para Londres após a separação. Seria um eufemismo dizer que a mala era imensa.

— Onde você está indo? — deixo as palavras escaparem de minha boca, atraindo os seus olhares até mim. A expressão de deboche continua presente em seu rosto, mas desta vez, ela insinua um sorriso malicioso em minha direção.

Eu compreendo a situação antes mesmo que ela possa abrir a boca.

— Estou indo para Nova York assinar o divórcio.

Minha cabeça encontra a resposta esperada para as perguntas do dia anterior. Ela havia sumido durante uma tarde inteira, é apenas a noite que eu consigo vê-la. Mas agora eu compreendia o motivo do seu sumiço. Ela marcou a viagem para hoje, e ontem apenas acertou a passagem no aeroporto.

Fora o fato de minha mãe estar indo para Nova York sem me avisar, eu sabia que ela fez tudo de propósito, porque a) ela fez com que nos mudássemos o mais rápido possível para Londres, o que me leva à b) para não me deixar aproveitar os últimos minutos nos Estados Unidos, com as pessoas que eu realmente amava. E apenas conclui que c) ela marcou a viagem para causar um tipo de "inveja" em mim, mantendo-me longe do meu pai e do meu irmão, fazendo questão de deixar bem claro que apenas ela iria nessa viagem.

Engulo em seco enquanto entendo sua estratégia, ainda encarando fixamente seu olhar de deboche, tentando esconder as minhas verdadeira intenções. Esse é um dos momentos que eu penso em arranjar uma arma de fogo e apontar para a sua cabeça, ou até para a minha própria cabeça. Talvez não tenha conseguido maquiar meus sentimentos, mas não liguei. Ela deu as costas antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa, carregando sua mala até a porta entreaberta, onde um táxi a esperava no lado de fora.

Também viro as costas, revirando os olhos quando a escuto dizer que ela estaria em casa amanhã à noite. Vou à cozinha, sentando-me no meu lugar pronto na mesa, com um prato de paqueras esperando por mim. Tenho que admitir: minha avó aprendeu recentemente a fazer uma boa panqueca, e olhando aquilo que estava a minha frente, era capaz de consertar qualquer problema com um pouco de açúcar.

— Parece que somos só eu e você agora. — sua voz é suave, andando com passos sutis até a outra ponta da mesa, carregando seu habitual cigarro entre os dedos indicador e médio. Engulo em seco quando penso que seria bom ter um desses agora.

— Que maravilha.

— Eu odeio seu mau humor. Trate de melhorar a autoestima, não vou passar um dia inteiro com uma neta mal educada. Podemos assistir Game of Thrones se você quiser. Eu sempre achei o Tywin Lannister um coroa charmoso.

Ri com o pensamento de minha avó não se submeter ao meu mau humor, até me alegrando um pouco ao comentar sobre assistir séries. Era um passatempo ótimo de nós duas, enquanto minha mãe simplesmente detestava o tema de mortes, estupro, sexo, nudez e violência. Eu não ligava para a sua opinião, e nem mesmo deixava de assistir Game of Thrones por sua culpa.

No bolso da minha calça de moletom, sinto meu celular vibrar. Pelo visor, o nome de Percy está talhado em letras grandes. Me assusto com a possibilidade. Poderia ser qualquer um, mas invés disso, era ele. A mesma pessoa que mudou drasticamente de personalidade, de uma hora para a outra. E consequentemente a mesma que eu achei que jamais manteria contato. Eu até poderia fazer essa vontade de minha mãe.

Pedi licença para minha avó e caminhei até a porta dos fundos. Quando estou no jardim, me arrependo de vestir apenas um casaco. Meu queixo tende a tremer periodicamente, de forma involuntária assim que coloco meus pés no lugar.

Clico na bolinha verde ao lado de seu nome, colocando meu celular no ouvido.

— Alô?

Annie? — sua voz é grave, e eu sinto meus pelos se arrepiarem assim que a escuto. Sei que não é por causa do frio.

— Eu mesma.

Suspiro, pensando na besteira que acabara de dizer. Poderia ser simpática e dizer "tudo bem?", mas não, meu subconsciente insiste em dizer-me que ele não merece minha atenção. Não agora. Mesmo depois de transar com ele no seu carro, – que embora tenha sido maravilhoso – eu não deveria agir como se estivesse tudo bem após ele se estressar por causa de uma garota da qual ele nem tem notícias. Então, definitivamente, eu não deveria dizer "Oi, Percy? Tudo bem? Estou com muita vontade de transar com você de novo, mas é uma pena que você seja um idiota incontestável. Aproveite seu orgulho com uma boneca inflável!"

Eu liguei para te pedir desculpas. — minha respiração aparece inabalável no telefone, escuto atentamente o que ele tem a dizer. Percy faz uma pausa, talvez esperando uma resposta minha, que não veio. — Eu fui idiota ontem à noite.

— Que bom que você sabe.

Percy suspira do outro lado da linha.

Annabeth, é a primeira vez que eu faço isso na minha vida.

— O quê? Pedir desculpas ou agir como um idiota?

Pedir desculpas.

— Ah, nossa! Deveria me sentir honrada por isso?! — digo, em tom de ironia.

Annabeth, eu realmente estou arrependido. Eu sei que sou um idiota às vezes, e você realmente merece uma satisfação. Você estava certa. Mas por favor, não torne as coisas mais difíceis do que já estão.

Meu peito relaxa quando escuto as famosas palavras "você", "estava" e "certa" na mesma frase. Eu adorava sentir a sensação de orgulho inabalável invadindo meu corpo. Adorava quando as pessoas admitissem quando eu tinha razão. Adorava mostrar que não era eu a teimosa.

Eu estava pensando em te ver hoje à noite, e então podemos conversar. Tudo bem por você?.

— Minha mãe viajou para Nova York hoje. Estou sozinha com a minha avó. Porque não chama Thalia e o resto para uma festa aqui em casa?

Ok, Annie. — sua voz sai rouca do outro lado da linha. — Te vejo de noite.

Desligo o telefone e entro rapidamente para a cozinha. Eu apenas pedi para que ele chamasse nossos amigos para não causar aquele clima entre nós dois. Embora Percy fosse muito bom com as palavras, uma pontinha de raiva ainda sentia toda vez que me lembrava da noite passada. De fato, não era uma boa maneira de nos despedirmos.

Minha avó ainda está parada no mesmo lugar desde que sai. O cigarro já estava pela metade, pendurado em seus dedos.

— O que a senhora acha de conhecer meus amigos hoje, vovô?

Notas finais
O capitulo ficou um pouco curtinho, eu sei. Talvez não tenha sido um dos melhores e tenha mil erros, mas pelo menos eu postei... Ele é tipo uma passagem de águas pro próximo, pra não deixar as coisas um pouco sem acontecimento e tal. EU ESPERO QUE VCS TENHAM GOSTADO E MSM COM MINHA DEMORA AINDA CONTINUEM CMG, UHUL compartilhem a tristeza cmg que got tá acabando :( Vejo vcs nos reviews ❤️ Xoxo, kydd