Notas iniciais
Oi, gente! Eu to muito triste, sério. Primeiro, esse capitulo saiu todo quebrado, não ficou do jeito que eu queria, e eu tava super desmotivada pra escrever ele. Ué, Kydd, porque você tá desmotivada? Simples, a quantidade de reviews no último capítulo me desanimou pra caramba, e sinceramente, eu demorei todo esse tempo pra postar por causa disso. Não conseguia nem digitar mais de um parágrafo que eu já perdia a vontade de escrever. Já aviso, isso daqui não tá um dos melhores. Nos vemos lá embaixo ❤️

— Eu não acredito que ela se coroou! — Thalia bate as duas mãos na sua coxa, fechando os olhos com força. — Ela tomou o Trono de Ferro por poder, não é justo!

— É claro que é justo! Ela explodiu o Septo, agora ela tem todo o poder.

— De qualquer jeito, a Daenerys tem que tomar isso dela o mais rápido possível. Você viu a cara que o Jaime fez quando ela sentou?

— Bem, se a Daenerys conquistar Westeros também vai tirar o trono por poder.

Thalia fica alguns segundos em silêncio, observando o óbvio.

— Bom ponto. Me deixou sem argumentos.

Assistimos o último episódio da sexta temporada de Game of Thrones juntas, ponderando os finais de todos os núcleos e criando expectativas para a próxima temporada. Eu deveria esperar o restante de meus amigos para assistirmos todos juntos, mas eu e Thalia somos curiosas incontestáveis, e quando se trata de um dia de puro tédio e um episódio para assistirmos, conseguimos dar muito bem conta do recado.

— Jon Snow poderia me comer sem problemas — ela diz, após um tempo olhando para a tela.

— Realmente. O cara é um gato.

— De qualquer forma, agora descobrimos que o Jon é filho da–

— Quem é a mãe do Jon Snow? — uma terceira voz é adicionada a nossa conversa, e quando viro-me para trás, vejo minha avó com os olhos um pouco pregados por causa do sono. Ela veste exatamente a mesma roupa de ontem, e então eu me lembro que ajudamos Thalia a levá-la para cima quando estava em um sono profundo. Eu já havia a perdoado por isso.

— Não! Você não pode saber, ainda está na quarta temporada! — tapo a boca de Thalia rapidamente, antes que ela diga uma das maiores revelações da série.

— Deus! Vocês esperaram seis anos para descobrir quem é a mãe do cabeludo? — minha avó passa a mão nos cabelos, ajeitando-os e sentando no sofá conosco.

— Na verdade, tínhamos teorias. Agora tudo faz sentido — Thalia justifica.

— Eu não consigo esperar. Vou ter que pesquisar na internet... — vovó balança os cabelos loiros e depois fica em silêncio por alguns segundos, como se tivesse lembrado de alguma coisa. — O quê aconteceu ontem que eu acordei no meu quarto?

Meu corpo congela exatamente onde estou, esquecendo de como é respirar. É claro que Thalia disse que tinha um plano, e nele incluía drogar minha avó com seus remédios para dormir e depois levá-la para seu quarto. No entanto, acho que não contávamos com uma explicação plausível para Margareth caso ela perguntasse o que de fato aconteceu.

— A senhora tomou muito uísque. Tivemos que levá-la para o quarto. Mas não se preocupe, cuidamos bem da casa — Thalia abre um sorriso convincente, passando a mão pelos pelos de Eddy deitado no sofá preguiçosamente.

Fico aliviada ao perceber que a desculpa caiu facilmente. Minha avó foi em direção à cozinha, preparar o café da manhã. Thalia experimentou panquecas pela primeira vez, o que foi um pouco estranho. Após tudo isso, a morena arrumou suas coisas e se despediu, dizendo que iria embora. Me mandou uma piscadela antes de passar pela porta da frente, como se quisesse dizer que estava ali para todos os momentos. Eu confiava nela de um jeito que não sabia explicar, mesmo a conhecendo em tão pouco tempo.

— Muito boa essa garota, divertida — minha avó ponderou, acendendo um cigarro nos seus lábios.

— Sabe quem ela é? — minha avó deu de ombros, balançando a cabeça com um "não". — Ela é Thalia Grace. Isso. Grace. Sei que você conhece esse sobrenome. — me limito a dizer assim que seus olhos me encaram quando digo "Grace" com determinação. — Eles certamente não são o pesadelo que vocês fazem, e a senhora mesmo disse que Thalia era divertida. Não ligo pro que aconteceu com nossas famílias no passado, mas eu vou descobrir. E hoje vou sair com Percy. Minha mãe e a senhora gostando ou não.

Pela primeira vez vejo minha avó se sentir contrariada. Claro que se fosse a mesma reação com minha mãe, eu me sentiria uma vitoriosa. Mas naquele momento, pude perceber minha avó contradizendo sua opinião sobre sua família. Arrisquei comentando o sobrenome de Thalia, para ver se a briga se estendia entre os outros dois irmãos de Poseidon, e pelo que pude ver, era verdade.

Dou as costas para minha avó, subindo os degraus das escadas e indo em direção ao meu quarto.

•••

Era a maior frustração que já tive em minha vida na hora de escolher uma roupa para sair.

De fato, eu nunca fui à um encontro antes. Não sabia com essas coisas funcionavam, e tive que ligar para Silena no Skype, para que assim ela me ajudasse a vestir algo apropriado. Estava começando a escurecer, e Percy estaria aqui por volta das 19 horas. Por sorte, eu já havia arrumado os cabelos e feito minha maquiagem. Optei por não usar tons muitos escuros, e sim nêutros, e deixei meus cabelos secarem naturalmente, com alguns cachos se formando na altura da minha cintura.

Vocês vão sair para jantar ou alguma coisa? — ela pergunta, com os cabelos e maquiagem em perfeito estado do outro lado da webcam. Me admirava como em qualquer hora do dia, Silena sempre estaria bem arrumada.

— Eu não sei, ele não deixou claro.

Como ele te convidou, exatamente?

— "Só te empresto a chave mestra se você sair amanhã comigo" — faço uma imitação barata e charmosa de Percy, me limitando a dizer os detalhes da nossa conversa para Silena.

Pelo que você me diz o cara é um gato. Está aceitando sair com ele só por causa de uma chave mestra? — Silena questiona, com o seu típico olhar de que me conhecia muito bem.

— Eu realmente preciso dessa chave — argumento, mesmo sabendo que talvez não fosse só isso.

Você não me engana. Se ele te chamar para transar eu sei que não vai recusar... — disse, saboreando a palavra "transar" em seus lábios como se fosse ofensivo demais. E de fato era para a sua personalidade romântica. — De qualquer jeito, o cara não faz o tipo de um jantar em um restaurante super chique. Acho que vocês vão sair para beber. É assim que a maioria dos caras fazem.

— Acredite, Silena, mas Percy não é como a maioria dos outros caras — digo, dobrando algumas roupas que minha melhor amiga achou desnecessário para um "encontro". Vejo ela arquear a sobrancelha como se questionasse disso, e conhecendo como me conhece, poderia dizer que eu apenas estava exagerando. — Eu falo sério. O cara é um mistério. Eu nunca consigo saber o que ele está pensando ou quais são as intenções dele. Isso me assusta e me excita ao mesmo tempo.

Tem certeza de que por ser esse "mistério" não está apenas te iludindo? — faz aspas com os dedos.

— Não acho que seja dessa forma. Ele é confiante, mas diferente dos caras do nosso colégio. É como se ele que fosse o experiente, e você se sente intimidada. Mas não ao ponto de ser subjugada e se sentir inferior. Ele faz você se sentir... Mais, entende?

Não. Eu não entendo.

— Droga, Silena. Você dificulta as coisas. Estamos aqui para falar de roupas.

Ah, sim, as roupas... — ela arregala os olhos grandes como se lembrasse de algo. — Vista algo casual e bonito. E ah, use saltos.

— Aqui é um frio do caralho, Si.

Sei que é um frio do baralho aí, mas você precisa usar saltos. Se usar tênis vai ser como sair com um amigo! — aconselha, evitando dizer palavrões. Eu sentia mais saudades do que imaginava da sua personalidade.

Visto uma calça jeans escura e uma blusa cinza dos Smiths. Coloco brincos, colares e pulseiras para compensar a simplicidade da roupa. É claro que Silena fez questão de me obrigar a usar os saltos e fazer uma promessa – que injustamente fiz – para mantê-la feliz.

Alguns minutos depois das sete, sou obrigada a desligar a chamada de vídeo com Silena, porque a campainha tocou. Não me preocupo em correr para abrir a porta, já que sabia que minha avó não seria capaz disso, e minha mãe ainda está em Nova York. Desço tranquilamente pelas escadas até chegar na porta da frente, abrindo-a e me deparando com Percy encostado no batente da porta casualmente.

Eu realmente deveria fazer com que meu corpo parasse de se sentir dessa forma toda vez que o via. Ela sempre aquele mesmo frio na barriga e uma tensão espalhada pelo corpo. Eu já deveria ter me acostumado com isso, no entanto parece a tarefa mais difícil que sou capaz de cumprir. Nunca conseguiria agir normalmente. Não enquanto eu estiver ao seu lado.

Ele vestia uma camisa preta justa e jaqueta de couro, com calça jeans e tênis. Chegava a ser engraçado como ele ficava estupidamente lindo com uma roupa casual. Seus cabelos estavam bagunçados, com alguns fios imperceptíveis ainda molhados. Seus lábios se curvaram em um sorriso quando me viu, passeando o olhar por mim com seus olhos esverdeados.

Meus olhos chegam até suas mãos, onde cada uma delas carrega uma garrafa de cerveja.

— Não. Eu não vou te levar no McDonald's, mas lembro que fiquei te devendo umas cervejas de lá — ponderou, assim que percebeu que eu estava olhando para as cervejas. Ele estendeu um delas para mim, e eu ri quando me lembrei da nossa conversa no telefone. Ele de fato estava me devendo algumas cervejas de lá.

— Vamos? — pergunto.

— Vamos.

Fecho a porta atrás de mim, indo até seu carro estacionado. Agradeço por Percy não ter aquelas formalidades de abrir a porta do carro para mim, já que eu odiava esse tipo de coisa. Eu realmente ficaria muito puta se ele aparecesse com um buquê de rosas vermelhas, já que sou alérgica a flores. De verdade. Então, para concluir, pude perceber que também não me sentiria confortável se fossemos apenas jantar em um restaurante a luz de velas... Aquilo não era nada parecido comigo.

— Você não precisou levar pontos... — digo, analisando o corte na sua festa enquanto ele dava partida no veículo.

— Mas tenho que limpá-lo cinquenta mil vezes ao dia. Não é uma vantagem.

Ele ri assim que percebe que estou rindo.

— É — sussurro, me recuperando. — Pelo menos eu acredito que você e Luke não vão mais brigar.

— Não garanto isso.

— Ele conseguiu o que queria. Espero que ele nunca mais nos incomode.

Percy olha para mim de soslaio, e eu percebo seus lábios gentilmente estendendo um sorriso na minha direção. Sorrio de volta, tentando parecer mais simpática do que eu sou, só para não estragar aquele "encontro". No fim das contas, pode ser que aquilo seja mais do que ganhar apenas uma chave mestra.

•••

Percy deu um gole em sua cerveja, controlando um sorriso. Simplesmente não tinha como ele ficar mais lindo, e eu tentava controlar meu corpo ao sentir aquelas coisas. Estava ali para uma chave mestra, não para me iludir facilmente.

— Arquitetura? Você tem certeza disso? — ele pergunta, ao terminar de beber sua cerveja.

Estávamos sentados lado a lado nas mesas do pub St. George's. O lugar que nos conhecemos, e minha primeira saída após chegar em Londres. Não havia nenhuma diferença no pub em si, apenas nas novas vadias que o frenquentavam. Eu tinha total direito de chamá-las assim, já que era quase impossível evitar os olhares na nossa mesa. Percy era um tipo de isca, mas não há nada que eu possa fazer para que isso pare, ele nem é minha propriedade.

— Claro que eu tenho certeza! — ralho, cruzando minhas pernas enquanto ele ria da minha expressão. — O que vocês têm com pessoas de exatas?

Sinto a ponta de seus dedos tocarem os fios ao lado de minha bochecha. Seu braço estava atravessando meus ombros, se encostando na parede atrás de nós. Ao contrário da última vez, não estávamos no balcão, e sim em uma das mesas ao lado da parede, fazendo com que tivéssemos uma visão privilegiada do pub... Mas esse não era o pensamento mais importante, e sim que ele estava tentando flertar comigo enquanto dedilhava os fios loiros ao redor de meus olhos.

— Não tem nada de errado com você, se é o que quer saber... — disse, com seu hálito de nicotina e canela perigosamente perto do meu rosto. Eu já estava completamente viciada nas chamas verdes de seus olhos. — Mas pessoas de exatas geralmente querem uma única solução, sem "talvez".

— Eu realmente prefiro ser mais prática — admito, sem tentar me desvencilhar das suas carícias e nem da nossa proximidade. — E você, o que pretende fazer?

— Quero dar aula de História... Ou Sociologia, ainda não me decidi.

— Deus, somos completos opostos. Karl Marx e essas coisas?

— Exato.

— Não tenho paciência para assuntos da esquerda. Não tenho paciência para nenhum desses assuntos na verdade, na verdade. Prefiro mexer com números, formas geométricas e tal...

Percy ri, se aproximando ainda mais do meu rosto. Nossos narizes estavam perigosamente perto.

— Tem razão, somos opostos... — ele para por um segundo, fazendo uma pausa. Seus olhos esverdeados descem estrategicamente para meus lábios inchados, e eu consigo pressentir o que está por vir. Meu coração acelera em resposta, e eu faço o que qualquer garota de 17 anos faria.

— O quê foi?

Me refiro ao modo o qual ele me olha. As pontas dos meus dedos estão gélidas, e um calafrio percorre meu corpo quando percebo seu olhar em mim de forma tão... intensa. Não era mais capaz de conseguir fugir disso, não importa o quanto eu negasse, eu sempre saberia que no fundo, mesmo sendo perigoso, ainda era excitante. Eu não me importaria se meu coração fosse quebrado por ele, mas ao mesmo tempo, não poderia deixar isso acontecer. Ainda que fosse impossível negar a atração entre nossos corpos, e ter ideia do exato efeito que ele provoca em mim.

— Nada — ele sussurra de forma rouca, balançando os ombros. — Só estou feliz de ter te conhecido.

Meu corpo todo parece emanar o calor que sai do seu. Por um momento, esqueço todos a nossa volta, todas as garotas que estão prendendo o olhar nas costas de Percy, todas os motivos que tinham na minha cabeça. Escuto o som da sua risada chocar contra meu rosto. A única coisa que conseguia enxergar, eram seus grandes olhos verdes.

— Por que você está rindo? — pergunto, acabando por rir também.

— Eu rio quando fico nervoso — ele se aproxima mais alguns centímetro.

— E porque você está nervoso? — sinto a ponta de nossos narizes se encostar.

— Estou nervoso porque vou beijar você.

— Acho que não tenho mais nenhuma objeção.

— Posso? — ele pergunta, encaixando uma mão em meu rosto, com a ponta de seus dedos afastando os fios loiros perto dos meus olhos.

— Pode.

Fecho meus olhos assim que sinto seus lábios se encaixando perfeitamente com os meus. Sem duvida, beijar Percy era uma das melhores experiências que eu poderia experimentar na minha vida. Nossas bocas tinham uma conexão que chegava a ser engraçada. Nossas línguas simplesmente se encaixavam uma na outra de um jeito inexplicável, indescritível, sem ensaio. Tudo que eu pensava quando nos beijávamos, era que eu poderia ficar ali durante um dia inteiro. Não havia nenhum motivo que me fizesse querer sair dali.

Até me lembrar dele.

Me afasto gentilmente de seu rosto, partindo o beijo. Meus olhos ainda estão fechados, e quando os abro, percebo uma nítida imensidão verde me olhar de volta. Sim, eu já deveria ter me acostumado, mas era quase como uma fascinação para mim.

Sabia que não deveria sentir o que quer que eu estivesse sentindo. Sabia que aquela atração poderia ter consequências devastadoras. Mas ao mesmo tempo, eu estava disposta a arcar com os riscos.

Notas finais
Bom, é isso. Era pra ter muito mais coisa nesse capítulo, mas eu resolvi ficar por aqui mesmo. Eu realmente queria ter tido mais motivação, ter postado mais rápido, mas infelizmente não consegui. Eu to muito chateada com o número de reviews da fic. Eu quase nunca reclamo deles aqui, até porque no geral eu fico MUITO contente com vocês. Cada comentário, cada favorito, cada recomendação... Eles são muito importantes pra mim, é só por causa deles que eu continuo a história, e com muito amor dos meus leitores. Fantasmas, eu não mordo ok? Não mesmo. Muito pelo contrário, eu amo conversar com meus leitores, amo quando me mandam MP pra conversar, todas essas coisas. Por favor, apareçam, de verdade ❤️ EU COMECEI UMA SHORT NOVA! FICARIA MUUUUUITO FELIZ SE VOCÊS LESSEM! https://fanfiction.com.br/historia/701251/Beautiful_Bastard/ Vejo vocês nos reviews Xoxo, Kydd ❤️