Skyfall
15 XIV
Notas iniciais
Meu estômago estava embrulhado desde as últimas horas.
Sentia um leve desconforto, como se a qualquer momento eu pudesse vomitar nos meus próprios sapatos. Uma ardência na minha barriga que incomodava cada minuto mais, e eu jurava que estava suando frio cada minuto.
Óbvio que depois de umas cantadas de Triton até consegui dar alguma risadas da sua cara de pau. Até o momento que Percy o chamou de canto e eu jurei que aquilo não sairia bem. No entanto, nada mais me incomodou. Eu apenas soava frio por estar ali.
Não se comentou mais nada sobre minha mãe na mesa. Eu não fazia ideia de como eles a conheciam e de como esse caminho me levou até ali... Eu até preferia assim: um silêncio, e não tocavam no nome de Atena Chase. Eu não conseguiria controlar a curiosidade caso isso acontecesse.
De qualquer forma, eu sabia que precisava de resposta. Mas também sabia que elas não sairiam da boca de minha mãe nem por 1 milhão de euros. Ainda que, perguntar para Poseidon, também seria inconveniente demais, e eu implorava para não o encontrar novamente. Os olhares distantes, centralizados em um ponto do horizonte, e o ar misterioso que rondava a sua volta, me faziam sentir um pouco de medo de estar na sua presença.
Algumas comidas chiques, taças de champanhe e alguns cigarros (quando eu e Percy escapamos da mesa em uma tentativa de aliviar o estresse), fez com que a noite terminasse "tranquila". Havia agradecido por não ter passado por nenhum vexame, e estar sã e salva, rindo das coisas absurdas que seus tios diziam, fazendo-me rir hora ou outra.
No fim de tudo, Percy disse que me levaria para casa. Entro em seu carro, do qual passamos longos minutos em silêncio. Quero dizer, às vezes nem se passou tanto tempo quanto achamos, no entanto, nossa mente trabalhe para que a função conativa entre em pratica, dando início aquele desconfortável silêncio.
Eu havia pensado muito sobre Percy nas últimas horas. Desde que Triton me disse sobre Rachel, seu antigo amor, aquilo permaneceu na minha cabeça de uma forma fenomenal. Quero dizer, eu não deveria estar pensando nesse tipo de coisa, certo? Rachel já se foi há muito tempo, e certamente não deveria ser uma preocupação... Mesmo que os garotos tenham dito para "não comentar sobre o assunto proibido".
A verdade é que eu estava pouco me fodendo para essa palhaçada. A figura da ruiva permaneceu na minha cabeça durante o dia inteiro, até mesmo quando minha mente estava concentrada em descobrir sobre minha própria família. Eram absolutamente mil maneiras de onde ela está agora, e como Percy se sente sobre isso...
E também estava me fodendo para toda essa história de não comentar sobre o assunto proibido. Seria tão grande o amor de Percy por Rachel por ele estar tão destruído? A ponto de não poder tocar no nome dela?
Eram tantas perguntas que não conseguia contar nos dedos. Faço um esforço para me recordar de míseros detalhes, e assim, sempre acabo me lembrando de cada vez mais partes da história, o que gera ainda mais perguntas... Será que ele seria capaz de ter qualquer coisa comigo mesmo com essa tal ruiva na cabeça?
Olho para o lado, observando sua expressão misteriosa enquanto dirige tranquilamente por uma avenida aleatória de Londres. Ele não parecia mau. Digo, uma pessoa ruim. Na verdade, era tão reservado na maior parte do tempo que eu nunca conseguiria decifrar suas verdadeiras intenções. Seus olhos verdes, sendo iluminados hora ou outra pelos postes de luz de tons amarelados, denunciavam um pouco da sua essência, mas mesmo assim, eu ainda não conseguia descobrí-lo por inteiro.
Não consegui conter a curiosidade que cresce dentro de mim. Imploro cada vez mais por respostas, e ainda sim, formulo novas perguntas a serem feitas... Sei que deveria permanecer em silêncio e aquela era a melhor escolha, mas simplesmente não consigo. Aquele lado curioso de sempre está me perturbando agora, tentando cavar cada vez mas fundo até o meu subconsciente.
Estou no abismo, no fundo das coisas, e sei que preciso saber de mais.
— Quem era ela?
As palavras saem de minha boca tão rapidamente que nem me dou conta do que havia acabado de dizer. Sou controlada por impulso à não tapar minha própria boca. Percebo que aquilo saiu tão automático que nem consegui especificar do que estava realmente falando. Droga.
Percy ao meu lado ri, tentando procurar pelos cantos e fora da janela do carro de quem eu estava falando. Percebo o grande ponto de interrogação formado em sua testa. Ele realmente não fazia ideia do que eu estava falando, ou até mesmo onde eu pretendia chegar com essa conversa estranha.
— Ela... Quem? — ele finalmente responde, em tom que não representava nem um pouco a clareza do assunto.
Mordo meu lábio inferior. Droga, penso, quase dizendo aquilo em voz alta... A verdade é que eu não deveria nem ter começado a falar.
Prendo uma grande quantidade de ar em meus pulmões. Eu sabia que o silencio predominante no carro não duraria por muito tempo. Logo eu estaria em uma incessante fala, que se transformaria em uma grande tensão pendente, e provavelmente uma discussão... Esse tipo de assunto não era o que deveríamos ter depois de um jantar em família.
— Rachel...
Não preciso nem dizer seu sobrenome para perceber que Percy entendeu o que eu estava dizendo. E dito e feito, eu consigo perceber aos poucos a tensão que vai se formando. E diferentemente das outras vezes que isso aconteceu, era uma tensão boa, uma tensão sexual. Agora eu só conseguia pressentir que algo estava errado, e que poderia ser jogada para fora do veículo à qualquer momento.
Só o que consigo escutar são os barulhos dos carros passando ao nosso lado. Subitamente, Percy pisa mais fundo no acelerador, e agora consigo escutar auto o bastante o seu motor cada vez mais forte. Seu pescoço se mexe ao meu lado, e reparo que ele estrala mesmo sem querer. Sua pele estava mais pálida do que antes, e mesmo no escuro consigo perceber suas sobrancelhas negras cerradas.
— Como diabos você sabe quem é Rachel? — grunhe, jogando o carro bruscamente para a esquerda, tendo acesso a outra avenida movimentada que recordava-me minha vizinhança.
Nunca havia visto Percy agir dessa forma. Não pelo menos comigo. Já o vi em quesito de raiva diversas vezes, todas elas envolvendo Luke. Mas dessa vez, mesmo demonstrando estar furioso com a pergunta, eu sentia como se seu estado fosse até um pouco pior do que eu havia visto dessas outras vezes. Eu conseguia sentir a enorme tensão que nos envolvia, e minhas mãos começam a soar frio.
Passo a questionar-me se deveria ou não continuar o assunto. O meu interior clamava para que eu prosseguisse, mesmo estando à beira de um colapso. O outro dizia que deveria deixar o nervosismo e a curiosidade para uma outra ocasião que nem mesmo sabia se a arranjaria.
— Triton... — as palavras fogem de minha boca deliberadamente. — Eu acordei um pouco mais cedo de manhã. Achei uma fotografia dela e seu irmão me pegou no flagra.
Percy bateu com as duas mãos no volante de forma brusca. Me remexo no banco após levar um puta susto diante dessa atitude. Senti a fina camada de suor gélido se formar em minha nuca e eu rapidamente esfrego a palma de minha mão ali, limpando qualquer sinal de nervosismo.
Eu definitivamente não o conhecia nesse estado. Aliás, em estado algum, falando a verdade. Eu não sabia nada sobre Percy. O nome de sua mãe, o seu primeiro animal de estimação, o que gosta de fazer no tempo livre... Era completamente estranho dizer que estar envolvida de uma forma diferente com alguém, mesmo sem saber detalhes simples sobre ela.
E o vendo dessa forma, posso tirar todas as conclusões plausíveis sobre quem ele realmente era. Porque ficar tão irritado apenas por tocar no assunto de uma garota? Percy era um explosivo, e dos piores. Conteúdo sobre pressão que deveria ser carregado com um manual de instruções junto.
— É claro que ele falou... — sussurrou, mais para si mesmo do que para mim. De qualquer jeito, não era como se ele quisesse que eu escutasse. Era apenas imparcial a isso.
— O quê houve entre você e Rachel?
Eu detestava o modo com o qual dizia seu nome. Eu não a conhecia e já a odiava completamente, com cada osso do meu corpo, com cada ardência presente no meu metabolismo. E o pior de tudo isso é que eu não conseguia controlar o provável ciúmes que estava sentindo.
Percy entra em uma rua que aparenta ser a de minha nova casa. Não demoro muito para notar que estava na minha própria vizinhança. Agradeço mentalmente por acorda ter uma desculpa plausível para desvencilhar-me desta conversa.
— Não houve nada entre eu e Rachel. — ralha, de forma firme. Eu odiava muito mais o modo com que ele dizia seu nome do que como eu o fazia. Soava infinitamente pior dessa forma.
Percy aproxima-se cada vez mais da calçada pavimentada, pronto para estacionar o carro em frente à casa da minha avó. Solto um muxoxo quando percebo que as luzes estão acesas e eu provavelmente teria que enfrentar a fúria dos titãs quando adentrasse a casa. Não tinha outra escolha. Ou participava de uma tortura enquanto Percy falava sobre outra mulher, ou me auto-torturava enquanto escutava um discurso preparado de minha mãe.
— Não tente me enganar, Percy. — murmuro, apertando entre os dedos minha bolsa e com a outra mão a maçaneta do quarto. — Você guarda uma foto dela no seu quarto e diz que não foi nada demais. O mais estranho é que um pouco antes de transar comigo, diz que pretendia começar algo entre nós dois.
— E pra que porra uma foto dela entra em questão?! — resmunga, gesticulando.
O olho de cima a baixo antes de deixar que toda a raiva entre em meu corpo gradativamente. Invés de esmurrar seu maxilar dos deuses, tudo o que faço é levantar ambas sobrancelhas em sua direção.
— Esquece o que eu disse... — digo, abrindo a porta do carro. Vejo sua expressão se suavizar aos poucos quando percebe o que havia dito. No entanto, era tarde demais.
— Annie, espera. Me desculpa, não foi o que eu quis d–
Tudo o que consigo escutar é isso, antes de bater a porta do passageiro com força assim que já estou no meio-fio. Contorno o carro sem ao menos olhar em seus olhos através do espelho. Quando já estou longe o bastante do veículo, posso escutá-lo resmungando um "merda" antes de sair cantando pneu.
Deixo que o vento gelado bata em meus fios loiros que quase tampam minha visão na hora de adentrar em casa. Tenho dificuldade em girar as chaves por causa da ventania, e quando finalmente concluo minha tarefa, desejo não ter feito-a.
Minha mãe e minha avó estão sentadas no sofá da sala, assistindo ao jornal da noite com uma tranquilidade de dar inveja. Era uma das poucas vezes que eu via minha mãe de pijama: ou eu simplesmente não a via, ou quando via ela estava com sua cotidiana roupa de trabalho e logo entrava em seu quarto ou escritório e não a encontrava pelo resto do dia.
Era estranho o fato de terem sumido durante um dia inteiro e quando finalmente chegam em casa, – por mais tarde que parecesse – estão relaxadas como se aquilo fosse um tipo de programa em família. Era também totalmente estranho perceber que minha mãe não estava trabalhando ou tagarelando, como sempre costumava a fazer durante minha vida inteira, onde seus assuntos giravam em um único tópico: trabalho.
A calmaria das duas dava-me inveja. O que eu mais odeio na face da Terra são discussões... Qualquer tipo, eu simplesmente detestava brigar quando realmente não era necessário. E agora, sentia meu corpo ferver por conta da adrenalina que havia passado há alguns segundos atrás. Simplesmente não conseguia vê-las tão concentradas na televisão enquanto meus pensamentos bombardeavam de um lado para o outro em meu cérebro.
Caminho tranquilamente atrás do sofá, em uma tentativa falha de dizer que não estava nem aí, ou até mesmo que preferia não perguntar que porra estavam fazendo assistindo televisão uma hora dessas. O plano teria ocorrido tranquilamente se o barulho de meus saltos não tivesse anunciado a minha lustrosa chegada. Ambas cabeças viram-se para trás simultaneamente. Posso sentir os olhares queimando sobre mim enquanto tento caminhar tranquilamente até a escada.
Com se nada tivesse errado.
— Por onde esteve?
É a voz de Atena. Aquilo imobiliza meus passos quando estou prestes a subir os degraus das escadas. Penso apenas em continuar andando e deixá-la falando sozinha, porém, uma parte relativamente inútil do meu cérebro inclina a cabeça para o lado, pensando em uma boa resposta para sua pergunta tão retórica.
— Deveria eu devolver sua pergunta? — digo, sem virar para trás. Minha mãe permanece alguns segundos em silêncio, tentando formular minha pergunta em seu cérebro. Quando percebo que já havia demorado tempo demais, volto a percorrer meu trajeto, subindo cada degrau da escada.
— Você não sabe onde está se metendo... — sua voz, mesmo baixa, ainda causa grande impacto em mim. Como se toda frase sua repercutisse um efeito diferente.
Ela... Quem?, escuto a voz de Percy em minha cabeça. Subitamente, um choque percorre meu corpo e eu estremeço, tentando afastar as últimas memórias que tinha dele. Aos poucos, a raiva acabou voltando mais forte conforme pequenas cenas passavam pela minha mente. Quanto mais eu tentava afastar aquilo, acabava por pensar ainda mais.
Mais um degrau. Como diabos você sabe quem é Rachel?. Chacoalho minha cabeça. Posso pressentir a sombra de minha mãe atrás de mim. Eu precisa formular uma resposta à ela antes que fosse tarde demais. Não houve nada entre eu e Rachel.
— Você tem razão. Eu não tenho a mínima ideia.
Outros degraus, sucessivamente. Como está sua mãe?, e dessa vez é a voz do irmão mais velho de Poseidon, Zeus. Ainda nítida e fresca, conseguia distinguir facilmente que era o pai de Thalia. Mexo meu pescoço em busca de um pouco de tranquilidade, mas ela não vem. Tudo que ganho são mais cenas repercutindo pelo meu cérebro, como se fosse uma forma prazeirosa de relembrar o passado.
— Se você quiser fazer isso... Faça. Quando você descobrir do que eu estou falando, nunca mais terá direito de nada.
No último degrau da escada, sinto a pior das cenas se reproduzindo em minha cabeça. A esse ponto, não consigo me concentrar entre responder minha mãe ou reviver a mesma tortura duas vezes. E pra que porra uma foto dela entra em questão?!.
— Eu entendi! — berro, de forma descontrolada, dessa vez virando meu corpo bruscamente para o começo da escada, onde minha mãe estava posicionada desde que comecei meu trajeto.
Só então dei conta que grito bestial que havia ecoado pela minha nova casa, veio de minha garganta. Meio peito sobe e desce conforme minha respiração aumenta. Deveria estar parecendo uma pimenta por conta da ardência em meu rosto. Estava começando a sentir os primeiros fios de suor formando-se em minha testa, e isso nunca foi um bom sinal.
Reparo na expressão de minha mãe abalada. Não, é óbvio que ela não estava com tal face de forma que deixasse a mostra isso. O fato dela carregar a expressão de deboche até então só mostrava ainda mais como ela fingia o tempo todo.
Ficamos alguns longos segundos encarando uma a outra. Atena, sem mostrar um requisito de raiva ou tristeza, e eu, com uma expressão claramente visível de que algo ruim havia acontecido.
Antes que ela vira-se as costas para a escada, um fino sorriso forma-se em seus lábios. Eles se esticam deliberadamente para o lado esquerdo, sem mostrar os dentes, e suas sobrancelhas negras franzem, dando ênfase nos olhos cor de tempestade. Aquela era sua típica face de vitória, com o rosto sarcástico.
E após isso, após perceber que algo de ruim havia acontecido comigo e com os Jacksons, ela deu as costas antes que pudesse fazer isso primeiro.
Droga! Corro para o meu quarto o mais rápido possível, ignorando o fato de que deveria me manter estável até que a convencesse que estava tudo bem. O problema é que eu não conseguia simplesmente "ficar bem". Os últimos momentos estavam sendo revividos na minha cabeça como um sonho, e no momento, não havia nada que eu pudesse fazer para parar isso.
Na verdade, havia... Eu precisava de respostas.
Fecho a porta do meu quarto atrás de mim. Minha mãe ou minha avó não poderiam nem ter a ideia de escutar-me neste momento. Corro para o meu notebook ligando o Skype e procurando nas conversas o nome de Silena. Clico no pequeno ícone que indicava o começo de uma conversa em vídeo chamada, e aguardo.
O barulho que era emitido enquanto eu esperava que Silena atendesse, foi capaz de trazer mais raiva ainda. Procuro meu celular dentro da minha bolsa e desbloqueio a tela, abrindo o ícone de mensagens e prontamente digitando "Malcolm".
Eu tenho um problema, você precisa me ajudar.
— Oie! — escuto um som saindo do notebook. Minha atenção volta para a sua tela, onde uma Silena de cabelos lisos e maquiagem impecável me aguardava com um sorriso no rosto e um aceno em minha direção.
— Silena! — praticamente berro, chegando mais perto da tela do notebook. — Você precisa me ajudar.
Sua expressão muda repentinamente quando percebe o estado em que estou. Provavelmente, minha maquiagem estava um pouco borrada, e meus cabelos despenteados. Se não fosse uma ocasião séria, Silena provavelmente teria me dado alguma lição de moral.
— Annie? O quê aconteceu?
— Se lembra quando eu te disse que minha mãe não me deixava ver Percy Jackson? — a garota balançou a cabeça em concordância. — Eu estou quase descobrindo o porquê.
— Deus, Annie! Você fala como se fosse alguma coisa muito séria...
— É algo muito sério, Silena! — berro, e talvez ela tenha levado um susto com minha reação. Meu celular vibra encima da minha escrivaninha, e eu rapidamente o pego em minhas mãos. É uma mensagem de Malcolm. — A família de Percy sabe mais sobre o passado da minha família do que eu mesma.
— Espera! Você acha então que sua mãe estava certa o tempo todo?
— Não... — respondo, fitando seu rosto através da tela do notebook por alguns segundos. — Eu acho que tudo é uma farsa.
Abro a mensagem de Malcolm e deixo Silena se auto questionando por alguns segundos. Meu coração está batendo mais forte dessa vez, a raiva bombeando pelo meu coração sem um sentindo certo para tal. Sinto que estou fervendo, que minha pele irá derreter, que tudo será transformado em chamas. Mas nada acontece.
Que tipo de problema eu estaria disposto ao seu favor?
O tipo de problema começa com M de mentira. Eu preciso descobrir a verdade sobre a mamãe.
— Annie! — viro minha cabeça em sua direção quando me recordo que deixei Silena a sós por um tempo. — O quê você está pensando em fazer agora?
— Descobrir algo que seja verídico. Mas eu não tenho ideia por onde começar...
Meu celular vibra e faço um gesto para que Silena aguarde alguns segundos. Abro a mensagem que está em destaque no meu visor.
Você está se metendo em uma bela merda gigante. Jamais tente fazer o contrário do que ela diz...
Onde posso procurar?
Annie...
Porra, Malcolm! Diz logo.
— Hey, Annie... Você disse que quer descobrir a verdade sobre sua mãe? — murmuro um sim, enquanto espero uma resposta de Malcolm, porém Silena diz exatamente o que eu preciso ouvir. — Você dizia que o escritório de sua mãe era um lugar "intocável" e que ninguém poderia entrar lá....
Meus olhos brilham. É como se uma lâmpada se acendesse no topo de minha cabeça. Milhares de planos arquitetaram-se em minha cabeça conforme as ideias iam pouco a pouco aparecendo. Meu celular vibra, o que é suficiente para fazer minha atenção ser atraída para o celular.
Olhe no escritório. Ela guarda todos os arquivos lá.
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