Notas iniciais
HELLOOOO GRANDES AMORES. Não reclamem, não joguem pedras, não gritem comigo e não digam uma palavra muito feia porque EU NÃO DEMOREI. Ok, pra mim, uma semana é um tempo razoável, lembrando q todos nós estudamos... Quer dizer, EU estudo e não tenho muita vida social no ensino médio. Eu até fiquei triste por causa dos comentários do último capítulo. Eu sei q postei em véspera de feriado e tudo mais, até iria dar mais um tempinho pro pessoal comentar PORÉM eu recebi uma recomendação MARAVILHOSA da scarlettohara (q me acompanhava desde BD❤️) e fiquei chorando de felicidade. Mesmo Q esse capítulo não esteja LÁ AQUELAS COISAS, eu dedico a você pq temos percabeth e uma visita especial no fim do capítulo. Yeyyyy! Muito obrigada!!! Nos vemos lá embaixo ❤️

Estava acostumada com meu despertador diário em Nova York. Geralmente, eu procurava colocar musicas que não fossem as minhas favoritas, por medo de acabar enjoando-as. Mas aqui em Londres, tudo mudou radicalmente quando eu escolho as melhores musicas para tocar na manhã... Talvez isso fosse só uma forma de eu tentar fazer com que gostasse mais dali.

Depois de que This Charming Man chega no refrão, me levando preguiçosamente até que estivesse sentada em minha cama. Dou um tapa no desesperador, como venho fazendo todos os dias, e me levanto.

Minha rotina matinal sempre foi a mesma. Não sou daquelas pessoas que levantam com um mau-humor notável. Caminho até o chuveiro, levemente preguiçosa, e me desfaço de todo tecido em meu corpo, para logo depois, ligar o registro e me afundar no chuveiro.

Como sempre, a preguiça foi maior do que eu imaginava, então prendi os cabelos em um coque mal-feito, e deixei para lavá-los quando voltasse da escola. A água quente livrava meu corpo de todo o cansaço e horas passadas em pura insônia. Todavia, eu não poderia perder mais um dia de escola. Por mais que eu quisesse.

Pego a toalha felpuda que larguei sobre a pia, e me enrolo nela até que meu corpo esteja aquecido, depois de dezenas de óleos relaxantes que eu passei. Fora as massagens com sabonete líquido.

Encaro meu reflexo no espelho, e preciso de mais tempo do que eu achava para cobrir as enormes olheiras que jaziam debaixo de meus olhos. Primeiro, escovo meus dentes, para depois uniformizar meu rosto com algum produto que neutralize poros e oscilações na pele. Aplico corretivo em todas a aérea abaixo de meus olhos, e quando vejo que estou com uma aparência melhor, passo duas camadas de rímel e blush, para me deixar menos pálida e mais corada.

Odeio usar batom pela contínua mania de lamber os lábios há cada 5 segundos. E era exatamente o que estava fazendo agora, lembrando-me de quão sortuda eu era por ter ido "dormir" antes que minha mãe chegasse do trabalho. Bem, isso pareceu me inibir de uma provável discussão.

Saio do banheiro quente, encontrando o clima frio do quarto graças à janelas aberta. Rumo até meu armário, retirando de lá qualquer moletom suficientemente confortável para um longo dia na escola – já que incrivelmente, eles não faziam uso obrigatório de uniforme —, e um all star que por mais que a tonalidade original fosse similar a branca, já estava encardido. Coloco minha mochila nos ombros e encaro o resto do quarto.

Bocejei, enquanto fiz o novo caminho periódico de sair do quarto, enfrentar três passos no corredor até chegar na escada. Talvez eu tenha cochilado no meio do caminho, e não tenha percebido o pastor-alemão, Eddy – ou seja lá qual for seu nome –, deitado no fim da escada, no último degrau.

Localizo o espelho perto da sala de estar e solto meus cabelos ainda presos em um coque. Milagrosamente, eles não estavam o desastre de sempre, e caindo em algumas ondas no fim de seu comprimento. Eu até que estava mais agradável do que o normal para ir pra escola – talvez por conta das maquiagens que usei.

Checo no bolso de meu casaco, cujo tamanho era o dobro do meu, se estou com dinheiro para o café da manhã. Abro as duas palmas de minha mão e agradeço pela tinta permanente tenha feito efeito e se fixado. Eu havia desenhado ontem à noite um mapa que me levasse, desde minha rua, até a lanchonete mais próxima, e de acordo com minha avó, mais famosa e receptiva.

Saio de casa recebendo alguns latidos de Gutemberg em resposta por eu estar saindo. O ar gélido choca-se contra meu corpo relativamente quente. O moletom preto era o que mais me aquecia no momento. Aperto a mochila contra os ombros, checando mais uma vez a palma de minha mão para conferir o caminho. Solto um longo suspiro, quando os mesmos pensamentos que atormentaram a minha última noite, voltam à tona.

Fora um dia inteiro pensando em Percy Jackson. E não só nas coisas boas que o faziam interessante, sexy e atraente. Bem, ele era fodidamente atraente, e não tinha como negar... Por um momento, considerei a opção de Nico não estar mentindo quando disse que o sonho das garotas, era ir para sua cama.

Mas não era apenas isso que me atormentava. E sim, que mesmo depois de contar uma porcentagem da história para minha avó, por algum motivo, sua personalidade mudou drasticamente. E não era algo parecido com "esse garoto não parece ser confiável", mas algo como se ela realmente o conhecesse. Conhecesse mais do que eu poderia imaginar.

A família dele, ela dissera. E eu me lembro muito bem, caso contrário, não esqueceria... E talvez fosse aquela frase que me fez acreditar de que Percy, em particular, não fizera nada de errado.

Eu até poderia colocar isso na minha cabeça sem muito esforço, mas seria pura ilusão. Ilusão, porque estava criando uma nova imagem dele mesmo, na minha cabeça. Sem, de fato, saber que tudo era real.

A verdade é que estava uma grande confusão. Todo o papo de me afastar não fez o menor sentindo, e ignorar seria a melhor forma de lidar com isso... Entretanto, eu não conseguia simplesmente parar de pensar, e em tudo que ela disse. Poderia criar milhares de versões da história, mas mesmo assim, elas não seriam verdadeiras.

E eu não poderia nem me arriscar de perguntar isso à ele... Mas também, não poderia me manter longe.

Perambulando o caminho até a lanchonete, finalmente a encontro, fazendo meu pensamentos se cessarem imediatamente. Atravesso a porta vermelha, localizado entre a fachada com dois pinheiros. Um de cada lado. O sino que toca quando a porta é aberta, anuncia minha chegada... E eu achando que isso era coisa de americano.

O piso lustrado da lanchonete é invertido entre branco e preto, simulando um jogo de xadrez. O lugar bem frequentado, está quase cheio, rodeado de mesas alinhadas por toda sua extensão. Isso me leva à única alternativa, da qual é me sentar no balcão.

Cruzo os braços em uma tentativa das mangas do moletom me confortarem, caminhando tranquilamente até lá. Me sento em um dos bancos com o estofado vinho, e apoio as duas mãos em cima da bancada de mármore. Deixo minha mochila no meu colo, e volto minha atenção para uma garçonete que perambula o balcão com um bloco de notas e canetas em mãos.

Ela continua assim até perceber que havia uma nova pessoa esperando para ser atendida. Ela caminha até mim, colocando a caneta em mãos e encarando-me com grandes olhos esverdeados. Uma quantidade absurda de sardas completa boa parte do seu rosto, combinando estrategicamente com os cabelos da cor castanho escuro.

— Posso ajudar?

Franzo o cenho, tentando encontrar algum cardápio jogado pela bancada, mas não encontro nada.

— Vocês têm alguma coisa com ovos, bacon, salsichas...? — pergunto receosa, apenas tentando encontrar algo que fosse mais adaptável naquela cidade. E que também me lembrasse o lugar da onde vinha.

A garçonete abre um sorriso, reconhecendo de imediato a minha nacionalidade.

— Temos o tradicional da casa, que consiste em ovos, bacon, pão frito, feijão cozido e cogumelos.

Meus olhos se arregalam em alegria, quase esbanjando lágrimas de felicidades.

— Eu quero um desse, por favor. E... Vocês têm panquecas?

— Com muito chantilly se quiser. — ela assente, apontando para um grande quadro acima do balcão, com panquecas cobertas de morango, frutas vermelhas, roxas, e muito chantilly.

— Ah, Deus... Muito obrigada! — junto as mãos em uma benção, fechando os olhos e agradecendo. Ouço uma curta risada da garçonete enquanto ela anota o pedido. E então, ela sai e corre em direção à cozinha.

Eu achei que encontraria algo totalmente diferente do acostumado. Quer dizer, em casa, vovó aprendeu a fazer as melhores panquecas para agradar a mim e minha mãe. Mesmo que Atena tenha a nacionalidade britânica, e se mudou para Nova York por causa da faculdade. De qualquer forma, achei que a única refeição do dia, seriam chás dos mais variados sabores.

Estou adormecendo no balcão enquanto aguardo meu pedido, quando a porta de entrada é aberta a alguns metros atrás de mim. Sei disso, pois o mesmo sino que anunciou minha chegada, fez o mesmo com o indivíduo que acabou de entrar.

Giro o corpo na cadeira o suficiente para enxergar por cima dos ombros quem entrou, apenas por curiosidade. No entanto, meus olhos parecem apreciar a vista mais do que eu gostaria.

Percy Jackson atravessa a porta, lançando um breve olhar com suas íris esverdeadas para todo o estabelecimento. Então, eles chegam no balcão, e eu engulo em seco. É claro que ele me viu. E me reconheceu. Ele abre um sorriso, olha para seus sapatos, e depois começa a caminhar até mim de forma com que tudo ao seu redor, se moldasse ao seu corpo.

Ele vestia calça jeans, uma blusa de alguma banda antiga como Pink Floyd, e sua inseparável jaqueta de couro. Seu sorriso se arquitetou em algo malicioso conforme ele chegava perto. Até que estávamos próximos demais, e ele se senta no banco ao meu lado, sem quebrar o contato visual.

— O quê faz aqui?

Solto todo o ar preso em meus pulmões ao notar a frequência de meus batimentos cardíacos quando ele falou comigo. Eu não havia notado o nervosismo que tomou conta de meu corpo quando ele apareceu.

— Estou tomando café. É a lanchonete que minha avó recomendou. — respondo, tentando evitar seu olhar flamejante pelo meu rosto. — E você?

— Estou tomando café. É a lanchonete que minha família inteira e o restante de Londres recomendou. — ele me imita, abrindo um sorriso de mostrar os dentes e solta uma curta risada. Permito-me rir um pouco também, apenas para não mostrar meu nervosismo. — Suas bochechas estão coradas porque você está falando comigo, ou porque se lembrou de que dormiu na minha casa há algumas noites atrás pois exagerou na bebida?

Se a frequência dos meus batimentos cardíacos já estava alta, então agora fora um infarte. Meu coração pulou para a boca, como se quisesse sair para fora, e depois voltou para onde é o seu lugar. Se antes eu parecia estar nervosa, agora ele teve certeza.

As duas opções, provavelmente.

— A segunda opção. Não seja tão convencido, Percy Jackson.

— Convencido?

— Ninguém nunca te disse isso? — pergunto, me ajeitando na cadeira. Ele estava trajando algo tão bem, que combinasse com ele, enquanto eu estava apenas com aquela droga de moletom velho. — As garotas com quem você transa não dizem isso?

— Na verdade, eu recebo muito mais elogios. Então acho que vou levar isso como um.

— Eu não levaria. — solto uma risada nasal, encarando seu rosto por um breve instante. Ele estava com aquele maldito sorriso no rosto. — Porque eu não sou exatamente parecida com essas garotas.

— Não se preocupe — ele bufa, apoiando os cotovelos na bancada. — Você não faz o meu tipo.

— Inteligente?

— Solteira.

Minha voz se perde no meio do caminho da reposta e se transforma em uma estrondosa gargalhada, com direito a olhares alheios e tudo mais. Percy me acompanha, mas a partir do momento em que ele o faz, eu pareço uma idiota, comparando sua risada que poderia ser facilmente música para meus ouvido.

— Você sabe que estou brincando, certo? — ele diz, recuperando-se das risadas.

— Na verdade, não.

Sua feição se fecha, e ele volta a ter a expressão com sorriso com segundas intenções fixo no rosto.

— Bem, então saiba que eu estou falando sério. Por que você definitivamente, faz o meu tipo.

Talvez aquela hora fosse a hora da qual todas as garotas desmaiam em uma lanchonete qualquer, e ficam ali até que uma ambulância chegue. Não porque estou completamente lisonjeada, mas porque ele faz me sentir nervosa a ponto dos meus pulmões quererem explodir. E, maldito seja, mas ele sempre sabe o que dizer para uma garota.

— Acho que eu vou levar isso como um elogio... — acrescento, tentando parecer mais confiante do que eu estava.

— Ao contrário do conselho que me deu, eu também levaria.

Abro a boca para responder alguma coisa, mas minha voz se perde quando a garçonete deposita meus dois pedidos sobre a bancada. Meus olhos se voltam para ela, e eu agradeço, apreciando o cheiro da comida. Mas ela está muito mais ocupada em sorrir para Percy, do que olhar para mim.

— Posso ajudar? — se antes eu achava ela educada, agora estava parecendo uma mordomia em cima dele, apoiando a caneta nos lábios e sorrindo maliciosamente.

— Uma tigela com cereais e um suco de laranja, por favor.

Ela anotou o seu pedido ainda sorrindo, e se virou com o olhar ainda sobre ele. Era evidente que todo os seus sorrisos e olhares, e toda a tensão sexual que ela queria criar, não eram por acaso.

Arqueio uma sobrancelha.

— Sério?

Percy se vira para mim, com um sorriso no rosto.

— Ciúmes?

— Estou falando do seu pedido. Cereais e um suco de laranja? Você é a porra de um comunista?

Ele solta uma risada.

— Vocês, americanos...

— Eu estou falando sério. Não faço o tipo de garota que morre de ciúmes, e eu estou realmente preocupada com sua refeição. Que porra foi essa que você pediu?

— Isso é um café da manhã normal, no Reino Unido... — ele gesticula, e então, aponta para o meu prato ainda intacto — Nós só comemos essas coisas gordurosas e pegajosas nos sábados.

Agarro os talheres em meus dedos e os mergulho no meu prato repleto de coisas "gordurosas" e "pegajosas", levando-as direto para minha boca. Meu estômago agradeceu por uma refeição como aquela, que eu não me acabava há tempos.

— Essas coisas gordurosas e pegajosas são o que alimentam meu estômago todos os dias. Não permito que você fale mal delas.

Percy ri, e no segundo seguinte, a garçonete oferecida aparece com os seus cereais e o copo de suco de laranja. Mil vezes mais rápido do que comigo, por mais que o atendimento fosse ótimo.

Os minutos seguintes foram basicamente feitos por um silêncio absurdo que dominou nossos corpos. Não que eu quisesse ficar nesse clima constrangedor, e ainda por cima, aturar todas as garotas que passavam o olhando. Mas a comida estava realmente deliciosa, e se eu fizesse algum comentário, esse era algo parecido com "hmmmm, que delícia!".

Depois de ter acabado com os ovos, bacon, salsichas, feijões cozidos e cogumelos, meu corpo involuntariamente voltou-se para a sobremesa me esperando. Ofereci para Percy, que já tinha acabado seu café, e ele apenas recusou, mantendo um sorriso no rosto enquanto observava-me devorar o restante da refeição.

Pago minha conta para a garçonete oferecida, e Percy a sua. Ela faz questão de conferir o seu troco detalhadamente, mas ao contrário dela, ele não exibe nenhuma parcela de interesse na mesma. Por mais que ela até fosse bonitinha.

— Onde você está indo agora? — ele pergunta, guardando seus euros na carteira, e depois volta o olhar penetrante para mim.

— Para a escola, é claro.

— Bem, eu só perguntei para ter certeza antes de te oferecer uma carona.

— Hoje é seu dia de sorte, Percy Jackson. Vou aceitar sua carona mais uma vez, e arranjar um jeito de retribuir. — respondo, caminhando em direção à porta de saída.

Senti sua voz logo atrás de mim, com a respiração batendo nos fios desajeitados do meu cabelo.

— Já está me devendo duas, Anns...

Ignoro seu comentário, saindo pela porta junto com ele e procurando pelo seu carro pelo estacionamento na nossa frente. Seu corpo passa despercebido até o meu, e então ele aperta as chaves. No mesmo momento, o farol de um dos carros acendo, e eu o reconheço. Caminho até lá, já acostumando com o contorno do carro até chegar na porta do passageiro, cujo fica no lado esquerdo.

Entro no carro, me espatifando em pedaços no banco de couro do carro, depois de uma bela refeição. Minha barriga estava pesada, mas eu não ligava. Quer dizer, eu até poderia ganhar uns quilos a mais, porém comida é comida.

Percy entra no banco do motorista e agarra o volante com ambas mãos. Gira as chaves, e o motor é ligado. Eu detestava andar de carro, mas aquela visão até me fazia apreciar um pouco o momento.

— Eu pensei que estava suspenso... — comento, enquanto ele olha por cima do ombro quando retira o carro vagarosamente da vaga estacionada.

— Estava. As suspensões duram três dias. Hoje é meu dia de volta.

— Bem, pelo menos Luke está com o rosto um pouco destruído invés de suspenso.

Ele ri, dando partida no carro e seguindo em direção à rua.

— Eu prefiro muito mais ficar em casa do que um nariz quebrado... Por outro lado, eu poderia ser expulso.

— Seus pais ficariam irritados?

— Não sei. Não é como se realmente se importassem. Mas pro meu pai, a formação escolar é tudo para que eu assuma sua empresa no futuro. Então, ele acabaria fazendo um inferno na minha vida.

— Argh, minha mãe não é muito diferente de seu pai. Ela não liga pros meu sentimentos, e tem um orgasmo quando me vê no buraco.

— Acho que deveríamos apresentá-los... — Ele riu, e eu engatei na sua risada rouca junto.

— Eu sentiria pena do seu pai. — rio, dando de ombros continuamente. Meus olhos se fixam na fachada da lanchonete enquanto prolongo a conversa. — Você tem problemas com seus pais?

— Se eu dissesse que não, eu seria um idiota, não é?

— Você seria um idiota de qualquer jeito, mas se dissesse que não, seria um mentiroso também.

Ambos rimos e Percy assente com a cabeça, respondendo vagamente a pergunta. Talvez, o problema não fosse exatamente com seu pai, e sim, com a a mãe.

As risadas se cessaram alguns segundos depois, e o resto do caminho foi um silêncio cotidiano. Eu não sabia porque falava abertamente da minha vida pra ele. Talvez tudo só estivesse tão entalado, que uma hora teria que despejar tudo pra fora.

Com certeza, se eu julgasse a possibilidade de falar para Malcoml da nossa mãe, ele apoiaria, mas não seria uma nova opinião. Ele sempre dizia as mesmas coisas, sobre ter que aceitá-la e tudo mais. Antes do divórcio, eu tinha meu pai para me esconder, e agora, eu só tenho olhos para enxergá-la como a megera que acredito que ela seja.

Eu não deveria pensar assim. Mas ela não poderia fazer isso. Eu sabia que se quisesse entrar na justiça sobre passar a guarda para meu pai, eu jamais conseguiria. Porque 1) meu pai jamais apoiaria essa decisão, mesmo que ele sinta um ódio absurdo, ou não 2) minha mãe gastaria todo o seu dinheiro no melhor advogado e 3) eu não teria dinheiro o suficiente para pagar um.

Quando chegamos na escola, Percy estacionou seu carro em uma vaga aleatória do estacionamento, e resmungou algo como "chegamos". É mesmo que esse fosse, tecnicamente, meu segundo dia na Goode, meu coração estava tão acelerado e disparado quanto.

Encarei aquela arquitetura antiga e ultrapassada como se fosse a última coisa que visse em minha vida. Percy meneou com sua cabeça para que eu o seguisse, e então eu o fiz... Se minha avó visse uma cena dessas, ela provavelmente morreria.

Mesmo com todo o papo de me afastar de Percy, eu não via motivos para tal. Eu não conseguia o enxergar dessa forma. E mesmo assim, se minha mãe tivesse algo contra ele e suas linhagens também, eu poderia usar isso como uma forma de voltar para Nova York.

Mas uma parte bem pequenininha de mim não queria voltar.

Enquanto subíamos as escadarias, não pude notar os olhares que se fixavam na cena. É claro que eles não estavam em mim, e sim, totalmente penetrantes em Percy Jackson ao meu lado, andando despreocupadamente até o topo da escadaria.

Não sei se tudo foi por causa da sua volta após a suspensão, ou porque ele literalmente seria o sucesso daquele colégio. De fato, estava me sentindo estranhamente diferente naquela manhã.

Enquanto ele ignorava todos os olhares a cada degrau que subia, resolvi fazer o mesmo. Nossos corpos estavam perto, de forma que podia esbarrar meu braço no seu, colocado casualmente no bolso da jaqueta de couro. Ele se vira para mim, e estende um sorriso torto, e então, aponta para a nossa frente, encostado em uma das pilastras da porta de entrada da escola.

Lá estava Thalia Grace, fumando um cigarro despreocupada com quem pudesse estar enxergando. Caso se alguém denunciasse, essa pessoa já poderia ser considerada morta. Leo estava abaixado, com fones de ouvido que estavam escondidos entre seus cachos. Nico estava com o mesmo cabelo comprido de antes, que conseguia chamar a atenção de longe, enquanto tagarelava algo para sua prima que hora ou outra respondia algo. Fora os fios compridos – e provavelmente mais sedosos que os meus –, o que chamava-me atenção era a grande bola roxa que circulava seu olho.

Enquanto caminha tranquilamente até eles, tudo que poderia pensar era onde é que eu estava me metendo.

•••

A única salvação era a grande porta pintada de nuances de vinho e tabaco logo a minha frente. Depois do longo dia de escola, embora divertidos por causa das novas amizades, era também cansativo. Tudo o que eu queria era apenas voltar para minha nova casa, deitar na minha nova cama, e ter mais uma nova noite de insônia enquanto finjo que estou dormindo para minha mãe.

Era só atravessar por aquela porta como se sua vida dependesse disso. Por mais que eu seja estúpida o suficiente para pedir uma carona para Leo, estava com vergonha. E pedir algo para Percy seria abusar da sua serventia... Por mais que fosse isso que eu quisesse.

Eu só precisava passar por ali, sentir o sol do fim de tarde batendo contra o meu rosto, e uma leve brisa que traga o clima frio cotidiano, certo?

Errado. Eu não poderia estar mais errada.

Tudo começa com meu nome sendo reproduzido audivelmente alto, para que todo o corredor do colégio escutasse. Viro-me para trás e me deparo com Thalia apressando o passo até que chegue em minha direção. Eu sabia que nada havia acontecido em cinco minutos que saímos da aula de História. No entanto, seu rosto mostrava que algo havia acontecido, e ela estava sendo sufocada para contar.

— Annie, eu... — ela recupera o fôlego quando chega ao meu lado. Aproveito que algum garoto abre a porta de saída da escola e me esgueiro por ali, levando Thalia junto. — Eu queria agradecer por ter tirado Percy do pub na noite passada.

— Agradeça ele por ter cuidado de mim depois disso.

Ela solta uma gargalhada, um pouco ofegante por causa da má recuperação de oxigênio.

— Bem, eu falo sério, Ann... Percy fica meio estressado sem tanta necessidade, e ontem Luke passou da conta. Provavelmente, eles estariam no hospital agora se não fosse por você. — ela levanta seus olhos azuis na minha direção, e eu solto uma risada nasal. — Por mais que Nico esteja com um puta de um roxo no olho por causa de um soco.

— Daqui alguns dias Nico estará bem. Eu não fiz nada demais... — justifico.

— Na verdade, eu te chamei porque preciso planejar algo para dar o troco em Luke. E eu não sou muito boa quando se fala de planos. Apenas de vingança.

— Thalia Grace, eu mal te conheço. Muito menos Luke. Mas, eu já te consi–

Minha voz se prende na garganta diante daquela visão. Engulo em seco, tentando recuperar a fala, mas nada consegue sair. Pareço perder todos os sentidos, e a única coisa que posso ver, é a imagem de Atena Chase encostada em seu lustroso carro, olhando-me com aquele olhar que queima como inferno, e faz meus batimentos cardíacos acelerarem, como se eu tivesse feito uma das piores travessuras do mundo.

— Eu preciso ir. Conversamos mais tarde.

Dou meia volta, dando os primeiros passos na direção dela. O carro estava parado a metros de mim, mas eu sentia como se fosse um caminho interminável. De qualquer forma, era o mesmo olhar que eu julgava abominante, eu tinha em mim. Os mesmos olhos acinzentados como uma tempestade nos dias chuvosos.

De alguma forma, dentro de mim – e por mais repulsivo que admitir fosse –, eu tinha um pouco dela.

Notas finais
Quem aqui quase leu um "mal te conheço mas já te considero... (Pakas)" que foi cortado por causa de treta MZKCDHDIFJ tá, não precisam rir das minhas piadas ruins (tipo a da Annabeth perguntando se o Percy era comunista e afins, vcs n são obrigados, mas sou uma capitalista icorrigivel). PORÉM, o que vocês acharam do capítulo? Legal? Razoável? Maravilhoso? Mereço pedras e ser queimada viva? Sua opinião é muito importante pra mim, é só comentar na caixinha aqui embaixo que você vai fazer meu dia❤️ DICA DA KYDD PARCEIRA: se vcs comentarem rápido, eu posto o capítulo rápido. Vcs sabem Q eu tenho todos eles prontos ncisdhdudh N se esqueça de favoritar a história se estiver gostando e deixar seu review. Quem quiser seguir o exemplo da linda da scarlettohara e deixar uma recomendação VCS SÃO SUPER BEM VINDOS, AMAREI VCS PRA SMP Acredito q é só isso (sempre esqueço o que falar nas notas, não desistam de mim...) Xoxo, Kydd ❤️