Sky
2 Talvez ele não seja um bad boy.
Notas iniciais
Mais personagens aparecem nesse capítulo, ainda é uma introdução ao círculo de amizades que serão explorados. Espero que gostem.
A mulher andava de um lado para o outro em sinal de nervosismo, o salto fino contra o piso de madeira fazia um barulho irritante para aquele que ouvia e aguardava uma explicação. Já tinha se acalmado, ou melhor, a raiva já estava contida, o que não significava que ela fora extinta, apenas um bom motivo colocaria fim nela, e vendo sua mãe perambulando pelo quarto não ajudava.
“Ela deve estar arrumando uma desculpa”, pensou. Estava pensando muito nos últimos minutos, tinha um cara no quarto dele, um desconhecido, e isso assim do nada o preocupava. E se fosse um filho bastardo do seu pai? Uma mancha suja fora do casamento? Jamais aceitaria um irmão nessa altura do campeonato, e pior, sua mãe aceitaria aquilo? Era um absurdo! Talvez por isso ela pensasse tanto e aquele sapato batesse tanto contra o piso.
- O papai te traiu, é isso? – Não aguentou de curiosidade e concluiu o óbvio. – Olha mãe, pensei que a senhora fosse mais independente, mas não se preocupe, eu expulso aquele garoto do nosso apartamento. – Admirou-se devido a sua coragem e a sua postura como novo homem da casa.
- Não Baro, não é nada disso! – Repreendeu antes que ele dissesse mais alguma bobagem. – Aquele garoto que você tratou tão mal é seu primo. – Suspirou encarando o filho que pareceu surpreso com a descoberta. — E sinceramente não esperava isso de você, Sandeul perdeu a mãe em um acidente de carro, ele estava junto! Pense no sofrimento desse garoto, por um minuto tente não ser tão egoísta.
- Eu não poderia adivinhar, ok? – Comentou irritado, esse priminho mal chegou e já estava colocando sua mãe contra ele? – Eu nunca ouvi falar desse primo, não tinha como saber. – Pelo menos nisso estava sendo sincero.
- Eu sei filho, eu sei. – Suspirou mais uma vez, domar a fera não seria tarefa fácil. – Mas a forma como você reagiu foi horrível, precisava me ligar alterado daquela forma? Eu estava trabalhando! – Passou a mão pelos cabelos. – Ele chegou ontem, e a partir de agora morará conosco, entendeu? – Viu o filho abrir a boca em protesto, mas continuou antes que ele falasse alguma coisa. – E não tem nenhum “mas”, vai ser assim e acabou.
- Isso é injusto comigo sabia? – Olhou para baixo tentando não liberar a raiva que sentia na frente da sua mãe. – Desde quando viramos um lar que adota órfãos desamparados? O problema é dele se perdeu a mãe, não nosso.
- Não acredito que ouvi isso. – Indignou-se com a opinião mesquinha do filho, claro, mimou demais e agora sofria as consequências. – E só um quarto, não consegue entender isso em meio a tanto egoísmo, SunWoo?
- Ih, para me chamar assim deve estar brava comigo. – Cruzou os braços, bufando impaciente.
- Não estou brava, estou decepcionada. – Confessou. – Ele é filho da irmã do seu pai, aquela das fotos que você sempre perguntou onde estava. – Tentou novamente explicar. – Ele precisa da nossa ajuda agora, quase não fala e comeu pouco desde que chegou. – Conferiu o relógio que indicava 4:15 da tarde. – A loja disse que enviava a cama dele hoje, mas se não chegar já aviso. – Olhou séria mais uma vez para o filho. – Você dorme no sofá!
Baro resolveu não protestar mais, não na frente de sua mãe, claro. Viu ela sair do quarto nervosa, com certeza foi acalmar a donzela que estava em posse de sua cama naquele momento. Sua vida estava perfeita demais para ser verdade, dezesseis anos usufruindo da felicidade um dia ela teria que se esgotar, e o motivo da sua desgraça tinha nome: Sandeul.
E iria resolver aquilo.
Esperou alguns minutos, quinze parar ser exato até ouvir a porta do apartamento bater, indicando que sua mãe voltou para o consultório, suspirou aliviado, ela bem que poderia ter voltado e dado mais uma bronca, por sorte ele tinha escapado de outra lição de moral. No seu pensamento aquele era o seu território, e como um leão iria defendê-lo! Não assistia documentários por nada, ok, ele via porque gostava, e colocaria em prática tudo que aprendeu.
“Aposto que a vida dos pinguins também me ajudará um dia”, pensou andando lentamente para o chão não ranger a cada passo que dava, olhou o corredor e se deparou com ele vazio, conferiu seu quarto e ele também se encontrava vazio.
- Onde aquele garoto está? – Pensou alto coçando a cabeça em confusão.
- Estou aqui. – Sandeul respondeu baixo no corredor, se arrependendo no segundo seguinte, pois Baro o encarou com um olhar felino e disparou em uma corrida onde ele era a presa.
- Não adianta fugir, quando eu te pegar eu vou te matar! – O mais velho grunhiu em raiva, tentando alcançar Sandeul que se escondia atrás do sofá. – Correr em círculos não salvará a sua pele.
- Mas... Mas o que eu te fiz? – Perguntou aflito. Sua tia tinha lhe garantido que o filho não faria mais nada de estúpido com ele, claro, ela não estava ali pra ver.
- Você invadiu a minha casa, invadiu a minha vida. – Bufou impaciente, cansado de correr em círculos pelo sofá, atravessando ele e dando de cara com o primo.
Sem pensar duas vezes o segurou pelo pulso impondo força demais, porque escolhera justo o pulso machucado, o que fez Sandeul gemer de dor. O menor não entendia aquele ódio, não era algo visível como um objeto, mas poderia sentir como se uma faca atravessasse seu corpo milhões de vezes, e naquele momento teve medo do garoto quebrar seu pulso.
- Por favor... Por favor, me solta. – Suplicou, a dor se multiplicava, pequenas lágrimas se formavam em seus olhos, mas nem com todo nervosismo que demonstrava sentir Baro o soltou.
- Eu não estou colocando sequer metade da minha força. – Riu, apertando ainda mais. – O que foi, é tão frouxo assim?
Sandeul apenas o encarou quase chorando por piedade, e ao encará-lo de volta Baro pareceu retornar a realidade pois o soltou no mesmo instante, assustando-se quando o primo caiu contra o chão da sala, ainda gemendo de dor e puxando o moletom que vestia.
Expondo assim o pulso enfaixado.
Droga! Aquele infeliz estava machucado, por isso praticamente chorava jogado no chão. Ele não tinha como adivinhar, tinha?
“Não, mas poderia ter sido menos estúpido”, repreendeu-se mentalmente. Porém voltou a rir em seguida, estava com pena do órfão? Jamais, aquele garoto merecia a dor que sentia, afinal não era qualquer um que revirava sua vida daquela forma. Sandeul tinha que pagar pelo simples fato de existir.
- Certo, agora você pode parar com o showzinho e me ouvir? – Perguntou, não obtendo resposta do outro que ainda encarava o pulso enfaixado. – Bom, se não responde, eu sei que surdo você não é, então me escute. – Abaixou-se ficando na altura do ouvinte, que se encolheu com a aproximação. – Minha casa, minhas regras... Eu não esperava um hospede indesejado, ou seja, eu não esperava por você. Então, eu quero que ignore a minha existência, e principalmente espero não notar a sua.
Sandeul não respondeu, o que o irritou.
- Ficou claro? – Insistiu segurando o queixo do mais novo, o obrigando a encará-lo.
- S-sim. – Sua voz tremeu.
Ouvindo o que queria, o deixou ali, jogado. Tinha algumas coisas para arrumar, mala para desfazer, e claro tiraria uma soneca, aquele garoto o estressou demais.
Já Sandeul vendo o primo sair, levantou-se como pode e andou até a varanda observando a cidade de Seul triunfante no horizonte. O que aquela cidade lhe reservava? O que o céu sobre ela lhe mostraria?
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"Apenas o céu era testemunha do quanto Baro me odiava, e de tudo que ele faria daqui pra frente para transformar a minha vida em um inferno."
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Na sexta-feira a cama de Sandeul finalmente chegou, e para o azar do entregador quem abriu a porta do apartamento foi um garoto moreno muito, mas muito estressado, a cama foi montada a base de ameaças do cliente, que jurava processar a loja e chamar o Papa para ser seu advogado de acusação, pois só Deus era testemunha do sofrimento que foi dormir no sofá por alguns dias, e pior, ver outra pessoa dormindo em seu leito divino.
Mas a palhaçada finalmente iria acabar, e como as coisas do “sonso-morto-vivo”, apelido carinhoso dado a Sandeul, chegaram na quinta-feira, agora ele teria seus pertences de volta, porque até seus mangás ele teve que emprestar para o primo ler. Ah, porque seus pais falaram que seria bom pro “sonso-morto-vivo” se distrair um pouco, e claro, sua mãe disponibilizou sua coleção ao “peso-de-papel-inútil-aka-seu-primo”, sim, outro apelido carinhoso.
Seu sorriso se estendeu ao ver a cama lá, montada, prontinha para o “SMV” (sigla criada por ele para “sonso-morto-vivo”) descansar e quem sabe dormir o sono da morte.
- Não Baro, infelizmente sua vida não é mais perfeita e o garoto não morreria tão fácil. – Comentou para si mesmo, se espreguiçando indo em direção a cozinha, templo sagrado e habitat do zumbi do apartamento. – Boa tarde, priminho. – Saudou, ácido.
- Er, boa tarde. – Sandeul cumprimentou desconfiado. Pela primeira vez o humor do outro não era nível “sai da minha frente ou eu te mato”.
- Hm, vejo que está cozinhando. – Olhou de canto para os ingredientes do balcão, e por eles deduziu que o “garoto-prodígio-mas-ainda-assim-sonso” estava fazendo um bolo.
- Sim, bolo de chocolate... Quer experimentar? – Tentou pela primeira vez interagir com Baro, lhe indicando a massa que mexia.
- Argh, não! Você deve ter colocado veneno nessa mistura aí. – Recusou. Bom, seria milagre demais ele aceitar alguma coisa vindo de Sandeul. – Mas depois que estiver pronto, e você comer o primeiro pedaço mostrando que é seguro, traga uma fatia para mim na sala, estarei vendo televisão.
Sandeul riu vendo o primo se afastar, quem sabe eles se entenderiam.
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Após comer três fatias de bolo, Baro julgava-se satisfeito, mesmo não admitindo estava uma delícia, obviamente não foi isso que disse ao “Zumbideul”. Nunca admitiria que o garoto era bom cozinhando, deu a desculpa que o bolo estava tão sem gosto, que precisou comer três pedaços pra fazer efeito.
Sandeul não acreditou.
No finalzinho do dia seus pais chegaram juntos e rindo como dois apaixonados. Apenas acenou quando lhe cumprimentaram e continuou checando suas redes sociais pelo celular, ainda se encontrava completamente jogado no sofá fazendo a digestão, e o tédio lhe consumindo cada vez mais.
- Eu e seu pai estávamos pensando em sair para jantar, o que você acha? – Sua mãe perguntou sentando-se no outro sofá.
- Ah, só aceito se for pizza. – Murmurou mimado.
Porém, quando sua mãe iria responder, seu celular tocou indicando uma nova chamada, no visor um nome conhecido brilhava, o que o fez pular do sofá totalmente animado.
- Fala Bro! – Cumprimentou o amigo do outro lado da linha, sabendo de quem se tratava.
- “Onde estão seus modos SunWoo? Nem ao menos pergunta se está tudo bem com seu pobre amigo que acaba de chegar de viagem.” – A voz fingiu estar triste.
- Hyung, para você estar me ligando no hospital é que não está. – Riu, se afastando um pouco para sua mãe não ouvir a conversa. – E pra você me ligar deve ser algo bom.
- “Bom? Ótimo meu caro amigo... Os caras vão trazer umas bebidas aqui em casa, sabe como é, não pude passar a semana com vocês lá no JinYoung, então nada mais justo que uma comemoração.” – Avisou, não precisando confirmar a presença do amigo.
- É, eu “tô” precisando mesmo descontrair. – Avaliou ao lembrar-se do Zumbideul. – Ok, você sabe que eu não perderia por nada, que horas eu chego aí?
- “Ah, lá pelas nove, pode ser?”
- É só a gente e os caras? – Perguntou curioso pra saber se certa pessoa iria.
- “Claro né Bro, diversão entre nós mesmo, sem papo de menininha. Já sei que você tá amarrado, então aproveita antes das aulas começarem, porque a Sulli vai ficar no seu pé.”
- Certo, certo. – Assentiu, e desligou.
Sorriu olhando o display do celular se apagar, precisava se libertar um pouco daquele apartamento, e nada melhor do que beber com os amigos, afinal não exageraram na bebida na semana passada, porque estavam na casa de campo dos pais de um amigo, e porque as garotas da sala estavam lá também. Mesmo algumas bebendo mais do que eles.
- Quem era? – Sua mãe perguntou assim que voltou pra sala.
- O Zico, ele não foi com a turma pra casa do JinYoung, viajou com os pais, aí me convidou para ir no apartamento dele, jogar, conversar um pouco, coisa de homem. – Respondeu óbvio.
- Hm, certo pode ir. – Concordou, afinal conhecia os pais do garoto. – Mas leve Sandeul junto, ok? É bom que ele socialize com seus amigos. – A mulher alertou. – E sem um “a” da sua parte, ou você fica aqui essa noite.
- Mas mãe! – Não, não era possível que por causa do sonso ele iria ficar em casa, porque levá-lo não era uma opção.
- Acho que está na hora da sua implicância com seu primo parar, não acha? – Cruzou os braços esperando outra reação do filho, que não veio. – Leve ele e ponto final.
Baro jogou o celular contra o sofá quando sua mãe foi para o quarto.
Aquilo só poderia ser pegadinha!
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Caminhavam na noite fria de Seul protegidos pela roupa quentinha que usavam, Baro mais a frente torcendo para o primo se perder no caminho, e lamentando ele não ser tão burro para tal pensamento acontecer. O “SMV” vinha logo atrás, com as mãos no bolso único da frente do agasalho, tentando se esquentar de alguma forma, já que a tia avisara que aonde o primo iria não era muito longe da casa deles.
Mas o silêncio entre os dois, fazia o caminho se alongar.
Passaram por uma loja de conveniência, e logo em seguida por uma praça que na visão de Sandeul era igualzinha a de filmes de terror. E para ficar ainda mais parecido, Baro parou de andar, o que o fez pausar também.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou baixo, esperando que o primo respondesse. – Você não estava atrasado pra chegar na casa do seu amigo?
- Estava. – Respondeu frio. – Mas o caminho pra você termina aqui.
- O quê? – Perguntou incrédulo, Baro não era capaz de deixá-lo ali... Ou era?
- Você achou mesmo que iria apresentar meus amigos? – O garoto riu. – Só sendo muito burro pra acreditar nisso. – O encarou. – Você fica aqui até eu voltar. – Apontou para um prédio do outro lado da rua. – Meu amigo mora ali, e até eu voltar é bom que me espere sentadinho e obediente, entendeu?
- Mas Baro, eu mal conheço a cidade, e se... – Tentou argumentar, mas era em vão, o primo já atravessava a rua indo em direção ao prédio indicado.
Olhou ao redor e viu que a praça estava deserta, era iluminada, mas mesmo assim, a sensação de frio somada ao medo não ajudava em nada. Tateou os bolsos da calça em busca de algum dinheiro, encontrando o suficiente para um refrigerante, olhou o caminho que fizeram e resolveu ir até a loja de conveniência, ele não era obrigado a obedecer o primo.
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Assim que chegou foi recebido por Zico que já tinha uma bebida em mãos, o garoto ria e contava que a semana com os pais foi um saco, e por isso ele voltou antes e sozinho, o que significava que o apartamento estava livre. Viu que a maioria de seus amigos estava ali, cumprimentou todos no típico jeito masculino de fazer as coisas, ou seja, quase quebrando um osso daquele que você considera seu amigo.
L.Joe e ShinWoo em frente a televisão de plasma jogavam enquanto ouviam as dicas de HimChan de como matar o oponente mais rápido, JinYoung apenas assistia enquanto bebia em pequenos goles um refrigerante, o amigo não bebia nada que continha álcool, ao contrário de Baro que preparava uma batida de frutas na cozinha, com P.O já bem alegre comentando da última garota que ficou.
- Por falar em garota, ficaram sabendo da última? – YongGuk entrava na cozinha em busca de algo para comer. – Nosso querido TaeMin nos orgulhando de novo.
- Sério, o que o garoto fez dessa vez? – Baro perguntou curioso, olhando em volta e vendo que o amigo citado ainda não tinha chegado.
- Vocês se lembram da minha vizinha gostosa? – YongGuk perguntou vendo Baro e um P.O muito animadinho assentirem. – Então, nosso prodígio simplesmente pegou ela.
- Ah, mas esse menino é nosso herói. – Zico entrava na cozinha para conferir o estoque de bebidas. – Juro que se eu pegasse a Yuri, iria me guardar um ano pelo milagre! – Riu acompanhado dos outros.
- Tô falando sério, vi ele na frente da casa dela cheio dos “papinho” pra cima dela. – Contou. – Depois ele entrou com ela, e eu sei que eles estavam sozinhos.
- Ele tem o pau de ouro. – CAP comentou assim que entrou na cozinha ao ver a reuniãozinha que se formava ali.
- Já pegou pra saber, meu caro MinSoo? – Zico não perderia a oportunidade de irritá-lo.
- Não amorzinho, pau só o seu. – Respondeu, fazendo corações com as mãos.
- Por que estão falando de sal? – Mais uma vez P.O não entendia nada de tão bêbado que estava.
- É melhor eu levar ele para o quarto. – Zico preocupou-se ao ver o amigo já muito animado, não queria ninguém entrando em coma alcoólico ali. – Eu preciso que alguém compre mais bebidas, nosso JiHoon aqui já acabou com tudo.
- Ah, eu vou. – Baro se prontificou, o relógio digital em seu pulso marcava 22:46, era bom ele ir dar uma olhada em Sandeul. – Guk, entrega essa batida pro Kyung, foi ele quem pediu. – Indicou para o amigo que foi logo bebendo um gole.
JinYoung vendo que ele ia sair se ofereceu para ir junto, mas ele recusou, não era bom alguém saber que ele tinha mais coisas a fazer além de comprar a bebida.
Assim que alcançou a rua olhou em volta não avistando Sandeul onde o deixou, atravessou em direção a praça também não o encontrando. “Onde ele se meteu?”, perguntou a si mesmo já preocupado, caso não o encontrasse já poderia ir encomendando sua vaga no céu, pois era um garoto morto, e tudo por culpa daquele infeliz.
- Sandeul! – Gritou o nome do primo, não obtendo resposta. Andou um pouco mais pela praça, e quando ouviu um choramingo, sabia que estava encrencado.
Seu coração quase pulava pela boca, o medo percorria cada célula do seu corpo, sua mente pensava nas piores formas de se morrer. E o homem a sua frente parecia sentir isso, parecia sentir o medo, o choro preso na garganta, o desespero.
- O que foi, ein garotinho? – Perguntou o homem rude, o segurando pelo agasalho, quase o imprensando em uma árvore. – Você cheira a gente rica, deve ter algum dinheiro, não tem? Ou quer que eu machuque esse rostinho de bebê? – Ameaçou tirando uma faca de seu bolso e mostrando ao garoto, quem sabe isso facilitaria as coisas.
Sandeul suava frio, não tinha dinheiro algum! O homem o seguira desde a loja, não deveria ter saído de onde estava! Mas agora, encarando o brilho da lâmina próxima ao seu pescoço, sorrio fraco. Não era isso que queria? Morrer não era sua súplica nos últimos dias? Seu pedido seria atendido, não deveria estar chorando, deveria agradecer aquele homem nojento por cada gota de sangue que tiraria do seu corpo. Quando estava prestes a responder o assaltante, com a frase “me mate” ecoando na sua mente, aquele que menos esperava surgiu no seu campo de visão.
- Acho melhor você soltá-lo. – Baro alertou assim que se deparou com a cena. – E é melhor você largar essa faca. – Ameaçou.
- E quem é você, baixinho? – O homem riu da audácia daquela criança. – Sou eu quem faço as ameaças aqui.
- Você? – Riu incrédulo se aproximando, tomado de uma paciência sem igual. – Eu só vejo um merda ameaçado um coelhinho indefeso. – Provocou. – Quero ver você me enfrentar.
- Ah, seu moleque. – O marginal cedeu às provocações, soltando Sandeul e partindo para cima do garoto metido a valentão. – Eu vou te mostrar quem é o merda daqui.
Baro riu mais uma vez, segurando o pulso do homem quase o quebrando ao fazê-lo, o que o fez gritar de dor e soltar a faca.
Sandeul apenas olhava a cena sem reação, o mais velho em alguns golpes derrubou o homem como se ele fosse feito de pano, em um piscar de olhos Baro simplesmente o derrotou! Correu até ele para verificar se tudo estava bem, sendo empurrado assim que se aproximou.
- Taekwondo. – Disse simples. – Anos de treino. – Levantou-se puxando Sandeul pela mão. — Agora vem que logo esse infeliz acorda. Eu não posso te deixar um tempo sozinho que você já me arruma confusão! – Bufou irritado, mas ainda mantendo o aperto firme e guiando o mais novo pela calçada.
Quando estavam quase chegando ao prédio onde moravam Baro o soltou irritado, falando novamente do quanto ele era inútil, que nem ao menos se defender sabia, e que por culpa dele tinha deixado a festa com os amigos. Sandeul apenas assentiu calado, mas no fundo se sentia agradecido.
Observou o mais velho ligando pros amigos, avisando que não iria voltar, inventando uma desculpa qualquer por sua causa.
- Você está bem? – Baro perguntou ao finalizar a ligação, aparentemente o primo não estava ferido.
- Estou. – Disse baixinho. – Er, obrigado.
- Tente não arrumar mais nenhuma encrenca desse tipo. – Forçou o riso. – Era só o que me faltava ser babá de um garoto quase da minha idade. – Olhou Sandeul mais uma vez, conferindo se estava tudo certo. – Ok, vamos entrar e não quero nenhum comentário sobre o que aconteceu, entendido?
Sandeul assentiu novamente, e suspirou aliviado. Ainda surpreso com o acontecido, entrou no prédio com o mais velho.
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Naquela noite, já em sua cama, observava Baro dormir tranquilamente. A respiração calma e a face serena contrastavam com seu temperamento forte, e ao lembrar-se dele o defendendo sorriu se aninhando mais nas cobertas.
“Talvez ele não seja um bad boy”, pensou antes de fechar os olhos e finalmente dormir.
-
“Em uma noite sem estrelas, pela primeira vez eu dormi em paz. Meus olhos iam se fechando conforme o sono me dominava e o rosto dele desaparecia entre minhas pálpebras.”
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