Sky
3 O sorriso mais acolhedor do mundo.
Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo, estou colocando muito amor em Sky. ♥
E me desculpem por qualquer erro.
O primeiro dia do ano letivo era realmente inspirador.
Poderia escrever uma peça mais aclamada que Romeu e Julieta, ou talvez pintar um quadro mais famoso que a Mona Lisa, ou ainda como última opção lançar um CD que venderia milhões de vezes mais que Lady Gaga, BoA e Adele juntas. Certo, dominar o mundo com seu talento bastava.
Inspiração ele tinha de sobra, criativo desde muito novo, excelente aluno durante a faculdade, surpreendendo a todos os professores, e até mesmo pessoas de fora. Seu estágio em um museu de arte moderna em Seul durante o curso fora a prova mais clara de que tinha futuro no mundo das artes, mas não só arte exposta em quadros, mas também nos palcos, na música, no cinema, na moda. Era apto para qualquer trabalho, o profissional mais completo que se poderia imaginar, e como se não bastasse estava no auge dos seus vinte e quatro anos muito bem distribuídos no corpo que ele mantinha a base de uma alimentação saudável, e vinha de uma família conhecida e rica, muito rica.
Mas naquele momento, toda sua inspiração e bom senso estavam voltados em um só objetivo.
- Eu deveria me atirar em um poço! – Gritou conforme revirava suas roupas em busca de uma adequada ao ambiente de trabalho. – Eu sou um artista! – Gritou mais uma vez enquanto abotoava a camisa que tanto procurava. – Eu, Kim Kibum dando aula para pirralhos que nem ao menos se importam com os estudos!
Revirava agora as gavetas em busca de um par de meias.
- Como minha vida se transformou em um inferno? – Voltava a falar sozinho já calçando seu par de Oxford favorito. – Ah, claro, porque eu sou um puto e resolvi dar uma orgia em casa... E fui pego com a boca no... Certo, foco Key, foco!
Enquanto se vestia e se preparava para o primeiro dia como professor em um colégio de “pirralhos idiotas”, o ex-filho de um dos homens mais influentes de toda Coreia lamentava sua vida deprimente. Ele tinha tudo para ser um sucesso, seja na área que escolhesse atuar, mas não, tinha que promover uma “festinha” em casa e ser pego pelos pais com dois homens na cama, em um momento digamos... Íntimo demais. Um escândalo, que provocou sua expulsão de casa e muitas, mas muitas capas de revistas, afinal, sua família era nobre, seu nome era nobre e ele jogou tudo fora por causa de sexo!
“Pelo menos foi prazeroso”, lembrou enquanto arrumava o material da primeira aula. Deveria agradecer aos céus pela oportunidade, porque depois de ficar conhecido como “o-garoto-que-deu” e o “garoto deserdado” aquele emprego de professor era sua única salvação. Claro, se não fosse pelo fato de conhecer o diretor jamais teria sido aceito em qualquer ambiente de respeito. Mas por sorte o escândalo na família Kim já tinha passado, e talvez seus alunos não se lembrassem do seu rosto estampado nas revistas sensacionalistas do país.
Olhou-se mais uma vez no espelho, conferiu seu material, respirou fundo e saiu do apartamento onde morava, que comparado à mansão que vivia era minúsculo. Só que justo aquele cubículo era o único bem que possuía, pois sua mãe por mais que tentasse o ajudar as escondidas não conseguiu algo melhor que aquilo.
Pela primeira vez em toda sua vida andaria de ônibus.
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Sua mãe estava radiante, parecia que era ela indo para o colégio, ajeitava o seu uniforme várias e várias vezes, dava conselhos, e uma lista de obrigações e deveres como estudante. O blábláblá de sempre que ele conhecia de ponta a ponta. E ainda repetia o mesmo para seu primo “mosca-morta” que ao contrário dele ouvia tudo atentamente. Baro apenas concordava com a cabeça, estava morrendo de sono é claro, mas de certa forma empolgado, pois veria seus amigos e principalmente sua namorada. Não via a hora de enche-la de beijos, era jovem e seus hormônios gritavam para serem libertados, sorriu com o pensamento que ir para o colégio seria mais divertido dessa vez.
Já o “zumbi-sonso-mosca-morta-peso-de-papel” parecia mesmo prestar atenção na sua mãe, não era apenas impressão de sua parte. Sandeul era bem tímido pelo pouco que conhecia dele, e talvez precisasse daquelas dicas, deu de ombros deixando os dois na cozinha e rumou para o quarto em busca de sua mochila.
- Filho, já pegou suas coisas? – SunDong entrou no quarto no mesmo instante que Baro guardava o celular no bolso. – Sua mãe só falta escovar os dentes do Sandeul, coitado!
- Coitado nada, aposto que está adorando essa vida de rei. – Disparou azedo.
- Aish, não fale assim dele. – O homem não entendia essa implicância que o filho tinha com seu sobrinho. – Vamos logo que hoje sou eu quem vai leva-los.
Baro assentiu e seguiu seu pai até a cozinha, Sandeul já os esperava enquanto MinKi ainda falava.
- Fique de olho no seu primo, se ele voltar com um arranhão você vai ver só! – Alertou quando Baro passou por ela. Rindo da cara feia que recebeu em troca. – Se cuide, e cuide dele. – Depositou um pequeno beijo em sua testa como fazia todos os dias desde que ele começou a frequentar o colégio.
- Não ousaria te desobedecer. – Respondeu brincalhão.
No carro seu mau humor matinal já tinha se dissipado, a música do rádio ecoava pelo carro, seu pai em vez de ouvir as primeiras notícias do dia preferia um bom CD de hip-hop, e Baro o seguia cantando o rap de uma de suas músicas favoritas. Sandeul no banco de trás apenas observava a cena dos dois rappers profissionais, certo, era uma tragédia, porém com toda sua educação jamais falaria aquilo em voz alta.
O colégio era um pouco longe de onde moravam, por isso seu tio já avisava que quando não tivessem carona iriam de ônibus ou metrô para casa, o que não era um problema para Baro já acostumado a voltar sozinho, mas para o mais novo habitante de Seul era como desbravar terras desconhecidas.
- Sandeul, como você mal conhece a cidade terá que ir e voltar com o Baro. – Disse ao sobrinho que apenas olhou para o banco do passageiro onde o primo estava alheio a conversa. – Eu e ele já conversamos então não se preocupe, não irá se perder. Não é mesmo Baro?
- O que? – O garoto realmente não prestava atenção.
- Eu estou falando sobre a nossa conversa de ontem. — Suspirou.
- Ah, sim. – Pareceu lembrar. – Já entendi que vou ter que bancar a babá, ok? – Olhou para Sandeul, que se encolheu no banco de trás ao ser encarado. – Qualquer coisa eu amarro você na minha mochila. – Disse irônico.
- Não será preciso. – Pela primeira vez não teve medo de responder o outro.
Os dois se encararam por alguns segundos, antes de Baro se virar e livrar-se do cinto de segurança, eles haviam chegado.
-
Assim que pisou na calçada pode ter uma noção de como o lugar era grande, o colégio era constituído de duas construções onde se localizavam as salas de aula, cantina, enfermaria e diretoria, um estacionamento, um campo de futebol e uma quadra coberta. O muro alto parecia guardar uma fortaleza, e o grande portão aguardava a entrada dos alunos, que iam chegando em grupinhos animados.
- Ah, já vou deixar avisado. – Baro o puxou de repente atrás de um carro. – Aqui também é o meu território, e você é alguém que não deveria ao menos existir. Então se perguntarem qualquer coisa sobre mim, você não sabe, você não me conhece. Fui claro? – Sorriu irônico.
- Sim. – Disse simples. Seria querer demais ter a ajuda do primo pelo menos no primeiro dia, teria que se virar e encontrar a sala sozinho. – Não se preocupe. – Olhou para baixo, não sabia o motivo, mas encarar Baro o assustava.
O mais velho não respondeu, quando se deu conta ele não estava mais ali. Então ajeitou sua mochila, atravessou o portão e se surpreendeu com o número de estudantes. Se queria uma prova que aquele lugar era mil vezes maior que seu antigo colégio, a prova estava bem diante dos seus olhos. Os alunos já se aglomeravam em frente a um pequeno palanque onde com certeza o diretor daria as boas-vindas aos antigos e novos alunos, e provavelmente faria um discurso que ocuparia pelo menos uma aula.
- Hey. – Alguém lhe cutucou, chamando sua atenção. – Hm, uniforme impecável, olhinhos curiosos... Aluno novo, estou certo? – O garoto analisou, sorrindo em seguida. Se Sandeul reparasse na fisionomia das pessoas, diria que era um rapaz bonito. Mas não era de ligar muito para isso.
- S-sim. – Respondeu já corando de vergonha. Não estava acostumado a falar com pessoas estranhas tão informalmente.
- Hm... – O garoto loiro voltou a analisa-lo. – Pela estatura, hm... – Pensou. – Segundo ano?
- Sim. – Surpreendeu-se, estava diante de um vidente ou era tão óbvio assim?
- Vejo que já está irritando alguém, MinWoo. – Outro garoto surgiu de repente se pendurando nos ombros do primeiro garoto. Ria abertamente, o que indicava que eram amigos. – Aposto que esse mal educado aqui não se apresentou. – Cutucou a bochecha do amigo. – Prazer, meu nome é HyungShik. – Estendeu a mão que foi apertada por Sandeul. – E o “chato” é o MinWoo, ambos estamos no segundo ano, e você quem é?
- É o que eu iria perguntar caso você não tenha notado HyungShik. – O loiro, que Sandeul já sabia que se chamava MinWoo tentava a todo custo se soltar do outro.
- Me chamo Lee JungHwan, mas podem me chamar de Sandeul. – Respondeu, observando o comportamento dos dois.
- Ah, Sandeul... – MinWoo coçou o queixo o encarando. – Gostei! – Concluiu sorrindo.
- Estamos na mesma sala Sandeul? – Dessa vez era HyungShik quem perguntava.
- Não sei. – Enfiou a mãos nos bolsos a procura de algo. – “Segundo ano, turma A.” – Leu em um papel que a tia lhe entregara.
- Iremos estudar juntos. – HyungShik conclui. – Eu e o MinWoo também caímos na turma A, espero que nossos outros amigos também.
- Você irá gostar deles, garanto. – MinWoo já passava um braço por seus ombros, o arrastando até ficarem mais próximos ao palanque. – Os discursos do diretor são ótimos. – Informou, não notando que Sandeul se encontrava surpreso com todo aquele contato.
Sandeul apenas sorriu fraco, não sabendo ao certo o que responder. Olhou em volta e viu que o número de alunos aumentava, o tal discurso deveria estar prestes a começar, e por incrível que pareça tinha gostado da dupla de amigos que o tratavam como se ele estudasse ali desde o primeiro ano. Quando ia voltar sua atenção ao palco avistou seu primo e um grupinho relativamente grande de pessoas em torno de uma árvore, eles conversavam como bons amigos, principalmente seu primo sentado em uma das mesas ao lado de um garoto loiro, e de um garoto de dreads. Nunca tinha visto alguém com aquele tipo de cabelo pessoalmente.
- O grupinho dos populares. – MinWoo pareceu notar sua curiosidade. – Se é amigo deles está com a vida feita aqui no colégio, se não é... Não arrume confusão com eles.
- São perigosos? – Preocupou-se, Baro era estressado, mas será que também era um marginal do colégio?
- Depende. – Outro garoto se aproximou, mais tarde ele ficou sabendo que seu nome era ChunJi. – É melhor não provoca-los sabe? Zico, o de dreads pode realmente implicar com você caso te escolha.
- Me escolha? Pra que? – Ficou curioso.
- Para ser um dos “perseguidos” do grupo. – MinWoo completou. – Aquelas coisas chatas de sempre, te empurram contra os armários, implicam com o seu jeito, criam apelidos... Ele implica um pouco comigo. – Confessou.
- Por que? – Sandeul ficou preocupado.
- Ah, sei lá, eles são uns otários. – Disse baixo. – Alguns se salvam.
- O JinYoung é um cara legal. – HyungShik apontou discretamente para um garoto de cabelos castanhos, que conversava com uma garota morena muito bonita.
- A JiYeon não desiste né? – ChunJi comentou ao ver com quem JinYoung conversava. – Ela é louca por ele desde o semestre passado.
- Desde que ela entrou aqui, você quer dizer. – MinWoo riu. – JiYeon era da nossa sala, pode ser de novo caso tenha pego a mesma turma.
Sandeul assimilou as informações, então o primo era popular? E pior, tinha mesmo influência no colégio? Sentiu vergonha de perguntar sobre ele, e também não queria dar muito na cara, se lembrava do aviso do mais velho, que agora se assemelhava mais como uma ameaça. Logo o diretor apareceu, e recebeu uma salva de palmas dos alunos, pelo jeito o homem era querido por todos, e quando ele começou a falar Sandeul teve uma noção do motivo.
O homem era realmente engraçado, fazia comparações ridículas e infundadas, chamava os alunos de “flores do meu jardim”, o cara era uma figura, ficava sério quando necessário, mas logo depois passava a língua pelos lábios em um gesto provocativo. As garotas davam pequenos gritos, ainda mais pelo fato dele usar uma cartola e gesticular muito a cada frase. Era bastante novo para um diretor.
“Nesse lugar só tem maluco”, pensou. Não se referindo apenas ao diretor, mas também aos professores que estavam sentados no palanque e também acompanhavam o discurso enérgico do homem responsável pelo enorme colégio.
E antes de acompanhar MinWoo e os outros garotos até a quadra quando a comissão de boas-vindas terminou, olhou para trás pela última vez.
Encarando Baro, e percebendo que ele também o encarava. Corou com a situação e tratou logo de seguir seus “novos amigos”, antes que se perdesse.
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Não imaginava que aquele lugar fosse tão grande, uma pessoa normal se perderia ali. Mas ele não era normal, e se vangloriar por ser diferente dos demais era algo de sua rotina, precisava dessa dose extra de confiança, precisava estar seguro de si e saber que era o melhor dali. E mesmo que aceitar o trabalho de professor fosse sua última saída, o faria bem. E já tinha diversos projetos, todos encaminhados para o diretor e aprovados.
Kim Kibum seria apenas Kim Kibum.
Com a conta bancária no zero, mas mantendo a pose. Sempre.
Agradeceu pelo tempo ter cooperado, não queria se encher de roupas logo em sua estreia, o inverno em seu país era rigoroso, mas por sorte naquele dia não nevava, e até o cachecol era dispensável. “Você está lindo, você é lindo”, disse para si mesmo enquanto aguardava a secretária enxerida permitir sua entrada na sala do diretor, que após o discurso enérgico se trancou lá.
- Lamento fazê-lo esperar, meu caro amigo. – A porta finalmente era aberta, revelando o aclamado diretor. – Pode entrar, estou a suas ordens. – Sorriu.
- Ai, HeeChul, me poupe desse seu lado informal. – Riu acompanhado do amigo, já se sentando em uma confortável cadeira na sala do diretor. – Só gostaria de saber se o teatro já está a minha disposição.
- Sim, mandei trocarem as cortinas e os camarins foram reformados. – Informou. – E a sala ao lado está reservada para reuniões.
- Ótimo, espero que muitos se inscrevam para o clube. – Disse esperançoso. – Quero dar vida aquele lugar. – Suspirou. – Mais uma vez... Obrigado pelo voto de confiança.
- Além de um ótimo amigo, você também é muito competente Key. – Respondeu sincero. – Aquele escândalo... Bom, foi um inconveniente. – Sorriu abafado, afinal estava na “festinha” no dia, mas conseguiu sair sem ser visto. Ou ficaria mal para um diretor participar daquelas reuniões.
- Um inconveniente que me tirou até o último won. – Lembrou-se, mas logo retomando sua postura e levantando-se, afinal tinha aula dali alguns minutos. – Não sei mesmo como lhe agradecer pela chance.
- Não precisa, sei que fará bem o seu trabalho. – Concluiu simples, dando um leve aperto no ombro do mais novo em sinal de apoio.
Key saiu da sala um pouco melhor com a sua atual situação de professor, realmente seu plano de reviver o antigo clube de teatro estava a pleno vapor, só esperava ter um bom retorno dos alunos. Apertou sua maleta e rumou para a sala onde daria sua primeira aula.
Só não esperava um empecilho no caminho.
Um empecilho em forma de músculos e sorriso fácil.
- Hm, vejo que o corpo docente ficou mais “encorpado” esse ano. – Aquele homem estava lhe cantando? Pelo sorriso malicioso e a forma como o comia com os olhos. Sim. Ele estava.
- Perdão, eu por acaso te conheço? – Fingiu-se de desentendido. Parando e devolvendo o olhar do mais velho, mas no lugar da malícia abusava da ironia.
- Não, mas podemos nos conhecer muito bem ao longo desse ano. – Realmente era muito cara de pau. – Eu adoraria te mostrar cada canto do colégio. – Inclinou-se sem um pingo de pudor e sussurrou próximo a sua orelha.
- E eu adoraria que a partir de hoje o senhor se mantenha bem longe de mim! – Respondeu quase gritando, mas ainda mantendo a pose. – Hm, calça esportiva, regata em pleno inverno, agasalho por cima de alguma marca de tênis... – Analisou. – O típico professor de Educação Física com cérebro de ervilha.
- E você é o típico cara difícil que eu vou adorar amolecer. – Riu debochado olhando diretamente nos olhos do outro. – Aliás, você não me é estranho. – Disse pensativo, realmente parecia ter o visto em algum lugar.
- Você deve ter me visto em seus sonhos, e será o único lugar que irá me ver. – Respondeu rápido, era só o que faltava ser reconhecido por aquele tarado fortão. – E ao contrário de você eu tenho uma aula para dar... Então adeus! – Virou as costas e caminhou o mais rápido que pode.
- Me chamo JongHyun, Kim JongHyun! – Ouviu o outro gritar antes de virar o corredor.
“Que carinha mais escorregadio”, pensou Jjong antes de sair correndo, também estava atrasado para sua aula.
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Aguardava com seus colegas de classe a chegada do professor, o grupinho antes composto por MinWoo, HyungShik e Chunji havia aumentado e muito. Nunca se imaginou rodeado de tantas pessoas falando ao mesmo tempo, estava acostumado com um ou dois garotos conversando consigo no antigo colégio, e também mal falava com garotas, era tímido demais pra isso e nenhuma realmente se interessava por ele. Mas ao contrário de alguns meses atrás agora se via rodeado delas, todas curiosas a respeito do aluno novo, e MinWoo se gabando por ter falado com ele primeiro.
- Acalmem-se, acalmem-se tem Sandeul para todas! – O loiro falava como se vendesse algum produto na feira.
- Ah, para de ser tonto MinWoo. Não está vendo que ele tem vergonha? – Qri uma garota muito bonita e sensata tentava acalmar os ânimos do colega. – Não é mesmo, Sandeul?
- Não é isso, é que... – Tentava se explicar, em vão. Apenas rezava internamente para o professor chegar logo, não aguentava mais esperar do lado de fora da quadra.
- Aish, o professor está atrasado logo no primeiro dia! – ChangJo notando o desconforto do recém chegado, mudou de assunto.
- Ele deve estar passando óleo naquele corpo dos deuses. – MinWoo comentou descarado, o que fez todos rirem.
- Por falar em deuses, vocês ficaram sabendo? – JiYeon se juntava ao grupo, acenando em um cumprimento a todos.
- Então a senhorita caiu na nossa turma? Que azar. – MinWoo mais uma vez fazia um de seus comentários. – É brincadeira, é brincadeira. – Choramingou quando recebeu alguns tapas em troca.
- Continuando... – Pausou. – A vaca da Sulli conseguiu! – Pronunciou o “vaca” com bastante ódio. – Ela está namorando um dos populares.
- Ai JiYeon, mas você é popular. – HwaYoung lembrou.
- Ninguém é mais popular que o terceiro ano. – Disse amarga. – Enfim, aquelazinha conseguiu o Baro pra ela, estão namorando faz algumas semanas. E eu... – Apontou para os olhos. – Com esses olhinhos lindos vi os dois aos beijos hoje de manhã!
Sandeul congelou, então o primo tinha uma namorada? Mas seus tios não sabiam disso, sabiam? De repente ficou curioso em relação a garota, mas não podia perguntar nada, ou seria descoberto. E a última coisa que queria era Baro descontente com ele, ainda mais depois de saber que ele não era nada amigável ali também. Observou que os outros ficaram surpresos, MinWoo como sempre disse que já imaginava.
- Também, já repararam na bunda dele? É perfeita. – Soltou mais uma frase que quase fez Sandeul desmaiar. Aquela boca não tinha limites? Os outros apenas riram, deviam estar acostumados.
- Bom dia alunos! – O professor finalmente chegava, o que causou um alvoroço na turma. Em pleno inverno ele usava uma regata, o agasalho amarado na cintura e um sorriso malicioso nos lábios. – Vejo que chegaram cedo. – Riu abafado tirando as chaves do bolso e abrindo a quadra.
- É o senhor que chega quase na hora do intervalo. – SiWan se pronunciava assim que entraram na quadra e se sentaram nas arquibancadas, levando um soco de HyungShik em seguida.
- O trânsito caótico dessa cidade me impediu de chegar mais cedo. – Mentiu, todos os alunos tinham o visto no palanque mais cedo. – Enfim, SiWan já que está animadinho, monte a rede de vôlei. E ChunJi ajude ele. – Ordenou apontando para a quadra. – E vejo que temos um aluno novo. – Subiu um lance da arquibancada, onde a turma estava sentada e se inclinou ao chegar em seu alvo. – Seja bem-vindo. – Sussurrou contra o rosto de Sandeul, que ficou mais vermelho que um pimentão em questão de segundos.
- O professor gostou de você. – HyungShik comentou quando JongHyun se afastou, o que fez todos rirem. – Calma que é só o jeito dele, mas há boatos que ele adora garotinhos inocentes como assistentes pessoais dele. – De vermelho, Sandeul passou a ficar branco igual papel.
- Ele está mentindo. – JiYeon cortou a graça do outro.
Logo foram para a quadra também, mesmo não sabendo jogar Sandeul conseguiu acompanhar a turma, e o professor bonitão garantiu que logo ele estaria dominando aquela quadra. O garoto apenas engoliu seco, com medo de sofrer um abuso ali mesmo.
Porém aquele era apenas o jeito irreverente de JongHyun.
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Saíram da quadra rindo e comentando da aula, como era o primeiro dia o professor pegara leve com a turma, e ninguém saiu suado e pegajoso. Aquela era a única aula de educação física durante a manhã, na quinta teriam mais duas aulas no período da tarde já que as aulas na maioria dos dias eram em período integral. Trocaram-se rapidamente no vestiário e teriam um pequeno intervalo de cinco minutos antes da próxima aula, então Sandeul adiantou-se e com as orientações de ChunJi chegou primeiro na sala.
Que não estava vazia.
Na última carteira um aluno dormia em cima da mochila, por um momento teve receio de acordá-lo, mas e se o professor chegasse e o pegasse ali dormindo? E pelo jeito ele tinha matado a aula anterior, porque com certeza na quadra ele não estava. Em passos lentos Sandeul se aproximou, notando melhor o outro, seus cabelos escuros e lisos cobriam parte de seu rosto, os lábios entreabertos deixavam o ar escapar pouco a pouco de seus pulmões. Se não fosse pelo fato de não ter asas, diria que era um anjo repousando ali.
Com cuidado tocou em seu ombro, o chamando para despertar. Os olhos se abriram lentamente, assimilando o cenário ao seu redor, piscando algumas vezes até se acostumarem com a claridade. Os mesmos olhos encararam Sandeul, e por alguns segundos achou que sua alma fora varrida por eles, como se cada fragmento dela fosse captado pelo garoto sem nome da turma A.
-
“E então ele me olhou, e por um momento não soube o que era respirar. Talvez pela intensidade, talvez porque ele realmente conseguia me ver além da carne, tragando a minha alma pouco a pouco... Quando estava prestes a falar alguma coisa, perguntar o seu nome, ele esticou seus lábios em um sorriso. O sorriso mais acolhedor do mundo.”
Notas finais
Estão gostando de Sky? Algum couple favorito entre os grupos presentes na fic?
HAHA, até o próximo.
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