Skin & Bones

1 Relembrando o passado.


Notas iniciais
A história está atualizada.

Um dia, meus pais estavam comemorando o meu aniversário de oito anos, — e por incrível que pareça o aniversário até que foi divertido. — nesse mesmo dia, alguém bateu na porta, e meus pais, claro, atenderam.

Eu como era — ou ainda sou — curiosíssima, fui até a porta para ver quem era. Pude ver uma miúda de cabelos loiros — que por mim, dizia que eram brancos. — e olhos tão claros, azuis e brilhantes. A menina estava vestida apenas com um vestido branco e um sapatinho preto, simples.

Meus pais, preocupados, procurou os pais da menina em todos os lugares, chamaram a polícia, eles queriam levar a menina para o orfanato. Eu, claro, não deixei. Criei uma grande amizade com ela, para mim a mesma era uma irmã.

Anos se passaram, Elsa — vulgo a menina abandonada que virou minha irmã. — cresceu, e eu também. Tenho dezasseis anos e minha irmã tem dezassete anos.

Somos muito opostas uma da outra. Eu tenho um gato, e ela tem um cachorro. Sou vegetariana, e ela devora um hambúrguer. Ela é a mais divertida e escandalosa da universidade, diferente de mim, sou tímida e estudiosa, como diz Elsa; Uma completa Nerd de cabelos cor morango. Estilo? Fala sério, a garota vive de calças, blusões, boné, gorro. Eu? Vestido, sapatilha, tiara e bolsas.

— Anna, cadê o Neatts? — e falando na abandonada.

— Você que é a dona daquele pulguento não sabe, imagina eu. — reviro os olhos. Elsa é apaixonada pelo cachorro, o mesmo faz muita bagunça e um dia quase matou meu gato.

E falando naquele dia… Eu corria atrás da Elsa, a mesma corria atrás do cachorro, e o cachorro atrás do gato. Meu gatinho quebrou o vaso favorito da minha irmã, ela gritou e o cachorro latiu, logo saiu correndo atrás da minha gata. Foi uma completa bagunça, meus pais chegaram horas depois e brigaram com a minha irmã, como se ela fosse culpada de tudo.

— Anna! Você não escutou o que eu disse? Levante-se e vá se arrumar, daqui pouco vamos sair.

— Certo, certo. Já estou indo.

Ah, me lembrei. A história dela e um garoto. Me lembro das palavras dele, e ela.

Jack, vulgo o garoto bad boy vida louca que falou que gostava da minha irmã, disse: “Algo mudou em você. Em relação a mim. Você está distante, fria. Eu não sei o que eu fiz, mas vou te deixar sozinha a partir de agora se é o que você quer. É isso o que você quer? Sabe porque eu te deixaria? Porque eu me importo mais com os seus sentimentos do que com os meus. Eu te amo. Pronto, eu disse. E não só um quadro-negro. Eu nunca deixaria alguém ou algo te machucar. Eu nunca senti isso por alguém.“

Eu? Quase gritei, mas minha irmã não o perdoou, porque ela é cabeça dura. Mas também, o Jack foi um completo otário, ele deveria ser mais forte e lutar pela minha irmã.

A Elsa suspirou, eu me lembro de cada detalhe que ela disse naquele dia: “Eu me libertei, me libertei de você. E desse sentimento imenso. Quer dizer, eu o guardei, tão fundo que nem eu consigo achá-lo. Eu não sei como você conseguiu estragar tudo á esse ponto, mas chegamos nisso, nisso de acabar com o sentimento. Você desperdiçou tudo que eu tentei e eu cansei, simplesmente cansei de ser a única a ser forte no relacionamento. E agora, depois de muitas noites de choros, depois de um ano tentando me recuperar, eu finalmente me recuperei. As coisas más ficaram maiores do que as boas em todo o tempo em que ficamos juntos, e agora eu consigo ver que o melhor que eu fiz foi seguir em frente. Depois de tanto me doar a você me reservo ao direito de ser apenas minha, não por egoísmo mas por uma questão de amor próprio, já que você nunca me deu amor algum. Eu disse que uma hora iria me cansar e te deixaria, mas tu nunca acreditou e talvez esse tenha sido apenas um dos inúmeros erros que cometeu comigo. Você nunca acreditou nas minhas palavras, enquanto eu acreditei em qualquer mentira que a sua voz rouca pronunciou. Não se atreva a me querer agora que eu descobri o quão libertador é acordar pela manhã sem ter que lidar com o seu temperamento mesquinho e prepotente de ser. Não se atreva a voltar quando eu consegui me reerguer e ser forte de novo. Não se atreva a bagunçar o que eu já arrumei. Você não tem mais nenhum crédito comigo, e eu não estou disposta a te dar segundas chances. Você não merecia nem a primeira. Vou tentar não me deixar abalar pelo fato de ter demonstrado meus sentimentos pra quem não soube valorizar. O que importa é que eu soube assumi-los sem medo, e um dia você irá ver o quanto perdeu. Às vezes, construímos pequenos sonhos em cima de grandes pessoas, mas com o tempo, percebemos que grande mesmo eram os sonhos, e as pessoas, pequenas demais para eles.”

Acho que irei contar a história desde o começo, porque até eu gostei, mesmo que a mesma não tenha acabado tão.... Bem.

Bom, tudo começou quando Elsa andava na rua me xingando, pelo fato que eu derramei um copo de milkshake nela. Do nada, um garoto surgiu e esbarrou logo na minha irmã, fazendo o outro copo derramar na mesma. Me lembro muito bem da situação, foi hilário.

Mas bom, acho que falei um pouco rápido demais.

Já sei!

— ELSA! — berro chamando minha irmã. Dois minutos depois ela aparece e cruza os braços.

— Você ainda não se arrumou?

— Tanto faz. Me conta sobre aquele dia em que você esbarrou no Jack.

— É melhor não Anna. Arrume-se. — bufo irritada e cruzo os braços. — Por que quer ouvir essa história? Foi passado, esqueça.

— Por favor Elsa, só um pouquinho. — faço bico.

— Okay, mas depois você irá se arrumar, entendeu? Porque daqui a pouco temos que ir, e não estou afim de pegar um transito enorme. — assenti sorrindo, minha irmã bufou e sentou-se ao meu lado. — Bom, foi assim: