Skin & Bones
2 Milkshake
Notas iniciais
Foi assim...
— Garota louca, eu hein. — reviro os olhos. Burrice existe e ela se chama Anna.
— Eu? Louca? Você que fica gritando no meio da rua! — minha irmã arqueia a sobrancelha. — Por causa de um copo de milkshake! — dou de ombros, se ela acha que vou pedir desculpa, tá enganada.
Murmuro uns palavrões, xingo pessoas que nem sequer está envolvida na minha raiva. Tecnicamente eu sou um pouco agressiva, grossa ou talvez chata, mas tenho bom coração — só com pessoas certas -, tenho mesmo.
— Porra menina, é cega?! — olho pra cima, caramba, o cara parece um armário de tão alto.
— Eu? Cega? Ta louco! — reviro os olhos. Peraí, por que eu tô no chão e o cara sujo de milkshake de chocolate (?) — Hey, já ouviu falar de máquina de lavar roupa?
— Olha aqui menina...
— Desculpa, minha irmã é um pouco distraída. — Anna não se intromete.
— Que desculpa o que, o cara já veio de xingamento e a culpa é minha? — bufo indignada.
— Você esbarrou no garoto e derrubou milkshake nele! Queria o que? — Epa, sabia dessa não.
— Que seja (lê-se Foda-se) — me levanto e cambaleio para trás. — Cara, você é muito duro, e alto. — arregalo os olhos. A pronto, agora minha bunda ta doendo, valeu ai.
— Olha loura, vai se foder. — ui estressadinho. Dou o dedo do meio quando o garoto sai pisando duro, de raiva.
— Olha o que você fez!
— O que eu fiz? Mas eu não fiz nada. — reviro os olhos novamente e saiu andando, ou na verdade, mancando. — O cara pesado, cê é louco.
A treta foi besta, vou chamar o cara pra brigamos de puxa-cabelo, briga de mulher pra mulher.
[...]
Point of view Annabeth Winter
— Sério que você pensou nisso mesmo Elsa? Naquele dia você parecia uma louca, com bunda suja e mancando. — ri descontroladamente fazendo minha irmã revirar os olhos. — Mas e aí, continua.
— Ah não Anna, esqueceu que precisamos ir? Arrume-se! — Elsa levanta da minha cama e vai até a porta, abre a mesma e suspira — talvez eu conte o resto — e sai.
Talvez eu conte o resto, ela disse isso mesmo? Ela vai contar mais? Pensei que ela queria se esquecer do Jack.
Vocês devem está pensando, por que ela não quer saber do Jack? Nem eu sei, ainda.
[...]
— Peraí, mamãe não disse que a tal Patrícia iria chegar as sete? — pergunto e a garota, vulgo loira platinada assente. — Já são oito horas!
— E o que eu tenho aver com isso? Quer que eu faça o que? — perguntas e perguntas. Odeio na Elsa é isso, ela pergunta uma coisa e logo pergunta outra.
— Sei lá, liga pra mulher ou pra mamãe — fico roendo as unhas — NÃO SEI! — berro e todo mundo me olha, merda.
— Fala baixo, quer ver eu pagando mico? — eu sei que a vingança não é plena e sei lá mais o que, mais rir por último é rir melhor. — tá rindo do quê ô filha da cabra?
— Olha como fala da nossa mãe...
— Corrigindo, sua mãe. — me calei. Okay, essa dor dela doeu em mim. — Aliás, vou embora, não vou esperar uma filha da...
— Mãe! — Corto a praga antes que a mesma terminasse de xingar a dona Patrícia, e corro até onde minha mãe está. — vocês demoraram. — comprimento a tal Patricia.
— Ah, o trânsito está péssimo. Mas então, vamos nos sentar. — minha mãe me puxa de volta à mesa e me solta, Patrícia se senta ao lado da Elsa e a mesma bufa disfarçando o incômodo de uma estranha se sentar ao seu lado. — Então minha amiga, o que acha das minhas filhas? — Minha irmã arqueia a sobrancelha, e não é de menos, normalmente minha mãe, quando apresenta eu e Elsa para alguém, ela diz "Essa é minha filha e essa é a Elsa."
— São lindas, licença, qual é seu nome? — Patricia olha minha irmã curiosa. Vai dar merda.
— Elisabeth. — Elsa falar o nome e não apelido? Não tô dizendo que vai dar merda.
— Elisabeth? Estranho, sua mãe falou que era Elsa. — What?
— Porra, se a Eliete falou que era Elsa, então por que perguntou? Bixa louca. — Minha irmã se levanta estressada e sai de perto da gente, indo até a porta do restaurante.
— Desculpa, Elsa é um pouco rebelde. — minha mãe parecia um pimentão de tanta vergonha.
— Ãn, meu nome é Anna. Gosta desse restaurante? — tento puxar assunto com a tal amiga da minha mãe, vulgo Patricia patética.
Point of view Elisabeth Charlotte Winter
Passamos dias acordados imaginando uma paixão, uma pessoa, um sentimento. Os opostos se atraem, já ouvi isso, porém não sou de imaginar eu com alguém — alguém com minha irmã talvez, comigo não. -, acho que o amor me odeia, tecnicamente é estranho o "amor" me "odiar" mas eu tenho certeza que me odeia, e eu sinto da mesma forma, eu odeio o amor.
Eu já amei como qualquer outra pessoa, porém, me machucaram tão forte, tão doloroso. O amor acha que eu não mereço ninguém, e ele tem razão, não mereço ninguém.
Meu destino é passar minha vida toda sozinha, sem ninguém, sem amor, o meu único sentimento é ódio, de pessoas, das coisas, de tudo. Eu sei que sou errada, eu fiz coisas erradas, mas todos erram, e ninguém me deu outra chance. Um garoto uma vez me disse que, todos temos nossos defeitos, mas mesmo assim podemos consertar; só precisamos de uma chance.
E disse garoto fez merdas, eu dei uma chance, uma segunda chance, terceira e quarta, mas depois cansei de ser a burra da história, então me afastei.
O que eu sou? O que eu tenho além de negatividade?” Porque não consigo explicar a forma que todo mundo olha para mim? Não tenho nada a perder, nada a ganhar, vazia e sozinha e a culpa é minha, é o que as pessoas dizem, e acho que elas estão cheias de razões.
Não presto, sempre a culpa é minha, não faço nada de bom, nada pra ajudar, sempre atrapalhou tudo. Meus sonhos? Ainda tenho, claro, mas fico pensando todos os dias a mesma coisa: Às vezes, construímos pequenos sonhos em cima de grandes pessoas, mas com o tempo, percebemos que grande mesmo eram os sonhos, e as pessoas, pequenas demais para eles.
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