Skin & Bones

3 Aprendendo palavrão.


Notas iniciais
Hello and Bye.

“Nestas promessas quebradas, lá no fundo cada palavra se perde no eco. Assim, uma última mentira, transparente.”

Point of view Elisabeth Charlotte Winter

Memórias consomem, como feridas abertas. Eu estou me isolando de novo. Eu não sei pelo que vale lutar ou porque eu tenho que gritar, eu não sei porque eu insisto. Tentando respirar de novo, dói muito mais, como nunca antes. Eu não tenho mais opções de novo.

Tenho lembranças ruins, outras boas. Me lembro até mesmo de pesadelos, de sonhos e de pessoas. Sempre sonho com um homem brincando comigo e com um garoto ao seu lado rindo, não consigo ver os rostos deles, mas suas risadas... Suas risadas... É como se eu os conhecesse.

Paranóia. Paranóia é tudo o que me resta, eu não sei o que me estressou hoje ou como a pressão foi sustentada, mas eu sei como é sentir ter uma voz atrás de minha cabeça. É como um rosto que guardo no interior, um rosto que me acorda quando fecho os olhos, um rosto que me observa toda vez que minto, um rosto que ri cada vez que eu caio, e assiste tudo. Eu sei quando é a hora de afundar ou estar bem. Esse rosto interior está me assistindo, bem por baixo da pele. É como se eu estivesse paranoica olhando para trás, é como um furacão dentro da minha cabeça. É como se eu não pudesse parar o que ouço por dentro. Eu sei, eu tenho um rosto em mim, ele mostra todos os meu erros. Todos tem um rosto por dentro também e paranóias provavelmente piores. Eu não sei o que me atormentou primeiro, mas sei que não posso agüentar. Todos agem como se o fato do acontecimento é que, eu não posso acrescentar o que todos podem. Todos temos uma face que guardam no interior, um rosto que acorda quando fecham os olhos, um rosto que observa toda vez que eles mentem, um rosto que ri cada vez que eles caem. Esse rosto está te assistindo também, bem por dentro da sua pele.


Balanço minha cabeça expulsando esses pensamentos, pego meu celular e meus fones, sento-me na minha cama e começo a procurar uma música boa. Sorrio ao ler "Nothing Like Us" do Justin Bieber, uma das minhas músicas favoritas. As vezes eu acho que ele está cantando para mim, literalmente. Quando a música termina, suspiro e tiro meus fones. Desligo a música e me levanto colocando meu celular no bolso da calça. Saio do quarto deixando a porta aberta, ninguém vai entrar.



— Elsa! Onde estava? Eliete está quase fazendo macumba lá na sala. — fodeu.

— Não tenho culpa, aquela amiga dela que é uma pé do saco. — reviro os olhos e desço as escadas normalmente.

— Elisabeth! Você viu a cara da Patrícia? Ela ficou bastante chateada. — lá vem o sermão.

Todos os dias é sermão, antes eu considerava essa mulher como mãe, mas agora... – ELSA! — pisco rapidamente e arqueio a sobrancelha logo em seguida. — você ouviu o que eu disse?! — Não.

— Sim. — vou até a cozinha e abro a geladeira. Batata, tomate e um Danone. Pego o tomate, sim o tomate, eu pegaria o Danone mas o mesmo foi comprado no ano passado, literalmente.

Mordo o mesmo sem lavar e volto pra sala, Eliete parecia uma bruxa fazendo aquelas magias loucas em cima da Anna. Coitada.

— Macumba ê-ê. — rio vendo a careta da minha irmã, épico.

— Crendeuspai. — murmura Anna se afastando da minha m...Eliete. — Elsa, fala mais do Jack. — M-e-r-e-ç-o.

— Psiu, eu tive um tomate de almoço e arroz de café da manhã, okay? — faço bico me jogando no sofá. Mordo o tomate e mastigo o resto. Isso aqui acabou igual Nutella perto da minha irmã.

— Por favor, eu compro um hambúrguer para você, pls. — exagerada.

— Okay, Okay. Mas primeiro vamos comprar meu hambúrguer. — Anna xinga baixo e se levanta preguiçosa.

— Vou ficar falida. — murmura a mesma e solto uma gargalhada alta.

Saímos de casa com as mãos na cabeça, fingindo estar sendo presa, literalmente. Rimos e saímos correndo até o MCDonald's.

— Esse makdonotos não é muito longe não? — Pergunta Anna me fazendo rir que nem uma bêbada engasgada.

— MCDonald's Anna. — tento parar de rir e o resultado é: Sem sucesso.

— Me confundi tá legal? — assenti irônica e olha a placa. — Chegamos. — Ah claro, sou cega e nem vi.

— Vamos. — puxo minha irmã fala-merda até um balcão de atendimento que não sei o nome daquele bagulho (??)

— O que deseja?

— Comer. — sorrio cínica e cruzo os braços.

— Claro Srtª, deseja comer o que?

— Hambúrguer.

— De que tipo?

— De carne de hambúrguer horas. — faço careta, sinto alguém me puxar para trás, Anna.

— Olá, desejo um hambúrguer com bastante queijo por favor. — a mesma faz o pedido e a mulher-pergunta assentiu saindo. Ótimo. — Já ouviu falar em: Educação? — Claro.

— Já ouviu falar em: Foda-se? — reviro os olhos e cruzo os braços impaciente.

[...]

Bufo irritada saindo daquela MC. Acho que eles estão fazendo uma mansão, ou são alguns répteis, porque ô demora.

— Para de reclamar, recebeu, pronto. — Anna repete pela quinta vez a mesma frase. Dou de ombros e continuo xingando aquela garçonete de merda. (Nada contra as garçonetes ou o Donalds.)

Depois de horas e horas caminhando, chegamos em casa bufando irritadas. Preciso de um carro, por favor.

— Pronto, agora continua o que começou. — arqueio a sobrancelha confusa. — Jack, Elsa, continua falando de você e o Jack. — Aaaaah tá.

— Deixa eu comer primeiro, valeu?! — Não tô enrolando, magina.

— Para de enrolar, fala comendo horas.

“- Olá, desejo um hambúrguer com bastante queijo por favor. — a mesma faz o pedido e a mulher-pergunta assentiu saindo. Ótimo. — Já ouviu falar em: Educação?”

Avá.

— Já ouviu falar em: Educação? — rio sarcástica e mordo o hambúrguer.

— Okay, Okay.. Apressa, vamos. — reviro os olhos e bebo um pouco da minha água. Anna é uma irmã tão boa que pegou até o catchup e a mostarda.

— Valeu amorzito. — pisco e coloco o catchup no meu bebê.

— Vamos caramba.

— Aprende comigo: Não é caramba, é porra. — passo a língua nos meus lábios.

— Tanto Faz

— Foda-se. — corrijo.

— Para.

— Caralho. — corrijo novamente rindo.

[...]

— Agora conta. — diz Anna e suspiro.

— Tudo bem, logo depois...