Sirius Black e Roxanne Malfoy
9 Espírito natalino
Os grifinórios saíram do Salão depois do café da manhã, iam abrir os presentes assim que chegassem à sala comunal, mas Lilian não parecia nem estava focada nisso.
— Lara tem estado bem para baixo ultimamente – ela disse preocupada para os amigos.
— talvez tenha se arrependido de ficar em Hogwarts – respondeu James. – Só ficou ela e aquele outro quintanista na casa dela.
— bem, então ela pode ficar na nossa mesa no jantar – sugeriu Remus. – O diretor não vai ligar e ela não fica sozinha.
Lilian assentiu e suspirou.
— mas queria saber o que aconteceu com ela de verdade. Ela não quer me falar e não acho que seja saudade de casa… – ela parou de falar e olhou para Sirius franzindo uma sobrancelha. – Você está tão quieto, Almofadinhas, nenhum comentário irônico ou inteligente para fazer?
— ou uma piada de mau gosto?
Sirius deu de ombros.
— ela pode só estar frustrada com alguma coisa. – ele disse displicente. – Isso é bem comum. Ou TPM, nem todas saem correndo atrás do namorado para agredi-los, sabe, Evans?
Lilian corou enquanto James e Remus riam.
— bem, pode ser, mas… nem todos os namorados… são o James.
— ruivinha, te amo, mas não se defenda me atacando, por favor.
Ela arregalou os olhos.
— não, não é isso! Ah meu Deus, desculpa, amor. – ela o abraçou e deu um beijo rápido nos lábios. Amarrou a cara para Sirius. – Você é um saco, Almofadinhas.
Ele riu.
— me esforço.
Eles ouviram as portas do Salão se abrirem e os passos de alguém apressado se aproximar.
— ei, pessoal! – era uma garota quem os chamava. Eles pararam e se viraram para Lara Miller. – Lily, garotos, oi.
— oi, Lara. – eles cumprimentaram surpresos.
Ela passou a mão pela nuca.
— bem… Eu queria saber se… posso passar o Natal com vocês? E-eu não achei que fosse me sentir tão sozinha, mas pelo jeito… – ela deu uma risada sem graça. – Apenas se for possível…
— claro que é! – concordou Lilian na mesma hora. – Ninguém merece passar o natal sozinho.
— vamos subir e abrir os presentes agora – James disse. – Tem problema em ficar na nossa sala comunal?
Ela sorriu.
— não, nenhum. Muito obrigada.
Continuaram seu caminho, agora acompanhados da lufana.
— já abriu todos os seus presentes? – perguntou Remus.
Ela riu.
— pois é, fiquei um pouco ansiosa… Mas me arrependi, confesso que faria de tudo para ver aquele balão estourar balas em mim de novo.
Ele riu.
— gostou do globo com os fantasmas?
— você quem mandou?! Merlin, foi o meu favorito!
— tive medo que achasse estúpido – confessou ele rindo sem graça.
Sirius os olhou franzindo a sobrancelha.
— com licença, Srta. Miller – ele disse cavalheiro e puxou Remus para trás.
— que foi?
— desde quando é a fim da Lara? – questionou sussurrando.
— quê? Não sou a fim dela, só estava conversando.
— não tente me enganar, a última vez que te vi assim você quase agarrou a Dorcas.
— não estou a fim da Lara! – repetiu Remus enfaticamente.
— melhor pra você que seja verdade – ele replicou ainda sussurrando.
— o que quer dizer?
— nada, continue andando.
Remus o olhou desconfiado, mas seguiram o caminho mudando o assunto.
— estrela de natal – disseram à Mulher Gorda e entraram.
Depois de reunirem os presentes, começaram a desembrulhá-los, e como era de costume, os rapazes ficaram fazendo piadas e zoando com o que podiam, enquanto Lilian e Lara gargalhavam daquela algazarra.
— esse é do sogrão, Pontas – Sirius jogou um pacote grande para o amigo. Ele abriu e era um boné escrito “Pontas é o melhor”, com duas galhas grudadas no topo. Lilian riu.
— Merlin, não acredito!
Lara se desatentou deles quando uma coruja se empoleirou na janela e bicou o vidro. Ela tomou a liberdade de abrir e viu que o pacote era endereçado para ela mesmo.
Todos a olharam quando ela abriu animadamente a carta. O embrulho começou a se dissolver e eles viram um pequeno boneco de neve mal-humorado; segurava uma cartola numa mão e a outra tamborilava a aba.
— feliz natal – ela leu em voz alta e uma neve artificial foi jogada para fora da cartola em cima dela pelo boneco ranzinza. Ela deu uma risada gostosa e abraçou o papel. – Obrigada.
— quem mandou? – perguntaram todos em uníssono, assuntando-a.
— e-eu não sei, provavelmente meus pais.
*
Roxanne lia o Profeta enquanto perdia a pouca paciência que lhe restava com Greengrass. As notícias não a agradavam nem um pouco, nem a insistência do colega.
— faça o que quiser, Greengrass. Se quiser envie o maldito presente, se não guarde, ou o destrua. Não dou a mínima.
— o que você faria?
— não me envolveria com uma sangue-ruim. – respondeu simples e fria.
— e se se envolvesse?
— não envolveria terceiros na minha relação.
— qual a dificuldade em você me ajudar?
— qual a dificuldade em você resolver as suas confusões? – ela retrucou rispidamente. – Seus problemas, Greengrass, apenas seus.
Ele percebeu no tom dela que se aproximava demais de seu limite, então mudou drasticamente o tom implicante e baixou a voz.
— Roxanne… eu preciso de ajuda, não posso voltar com o que disse para ela, mas não posso deixá-la também.
Ela cerrou os punhos.
— se você cede a mim, por que não cede a ela? – ele não respondeu. Ela se levantou e deixou o jornal de lado. – Todos têm limites, retroceda antes que se arrependa.
Ele soltou um muxoxo. Ela atravessou a sala, para a parede de saída.
— aonde você vai?
— tenho mais o que fazer. – respondeu e saiu.
Roxanne não apareceu no jantar, mas Greengrass conversou com sua Roxanne interior tão acaloradamente que no fim ela acabou lhe batendo e ele agradeceu por não ter sido a verdadeira.
Depois de um longo tempo decidiu que deveria ao menos tentar falar com Lara para convencê-la de que não estava tão errado quanto ela acreditava, mas quando chegou na sala comunal da Lufa-lufa, viu que ela não estava lá, e pensou que ainda devia estar com os amigos estúpidos.
Ele começou a voltar pelos corredores das masmorras, mas ouviu passos de um grupo se aproximar e por pouco não conseguiu escapar deles.
— Greengrass, o que faz aqui? – perguntou James franzindo as sobrancelhas.
Lara o encarou perplexa, mas desviou os olhos para o chão e ficou escondida atrás dos colegas. Greengrass recompôs sua postura e os olhou com altivez.
— não é da sua conta – respondeu incorporando sua Roxanne.
— já passou do toque de recolher e o único lugar onde pode estar é acerca de sua sala comunal, há muitos corredores daqui.
Greengrass franziu as sobrancelhas.
— bem, essa regra se aplica a vocês também.
— nós estamos acompanhando Lara – respondeu Lilian. – não é nada grave, mas e você?
Ele comprimiu o maxilar.
— estou… procurando a gata da Roxanne.
Sirius semicerrou os olhos.
— como?
Greengrass assentiu com a cabeça, seguro.
— a gata dela sumiu e ela está estressada. Só estou procurando pra aliviar um pouco… todos sabemos que a Roxanne já é um pouco temperamental – James deu um riso debochado. – Pois é.
— e como é essa gata? – questionou Sirius.
— branca – respondeu ele na mesma hora. – Com umas manchas pretas na orelha direita.
— ah, é dela? – perguntou Lara entrando na conversa. – Há dias que não a vejo, mas deve estar bem.
Os garotos se olharam um pouco e depois deram de ombros.
— bem, se a acharmos avisamos – disse Remus enfim.
— é, valeu.
— como é o nome? – perguntou Lilian.
Greengrass abriu a boca, mas a voz demorou a sair.
— é… Gata.
— o nome da gata… é Gata? – James começou a sorrir.
— é – confirmou Greengrass coçando a nuca. – Na verdade, não sei. Roxanne chama de gata, então…
Alguém desceu as escadas.
— o que está acontecendo aqui? – perguntou Roxanne gelidamente.
Todos a olharam. Greengrass ficou movendo os lábios para tentar informá-la, mas ela se manteve tão inexpressiva que parecia não estar prestando atenção.
— Malfoy – James a olhou com a cara amarrada – Estava procurando algo?
O olhar dela faiscou.
— não é da sua conta. – disse com uma frieza muito mais impactante que a de Greengrass.
— é uma frase combinada de vocês?
— não, é uma frase para deixar claro que o que faço ou deixo de fazer não te envolve e nem lhe dá direito de questionar.
Greengrass interveio:
— não achei sua gata!
Ela cerrou o maxilar.
— não importa. Ela sabe muito bem se virar sozinha, já deixei isso bem claro.
Antes que James replicasse, Lara uniu as mãos batendo uma palma alta e se pronunciou:
— bem, estamos todos errados de certa forma, mas é Natal! Então vamos deixar passar pelo espírito, né?
Roxanne revirou os olhos e seguiu seu caminho sem falar mais nada, Greengrass a acompanhou.
— juro que nem quando terminou com a McKinnon eu fiquei tão aliviado quanto quando decidiu desistir dessa aí – disse James desviando o olhar dos sonserinos para Sirius.
Lara os encarou.
— como é?
— parece que esqueci de falar – disse Sirius apoiando-se no ombro de Remus. – Não desisti.
Lilian e Remus pareceram surpresos.
— como é? – perguntaram Lara e James juntos. – Você está dando em cima da Rô… xanne?
— cara, achei que tinha percebido que ela não presta…
— por que está dando em cima dela? – perguntou Lara séria. – É algum tipo de brincadeira?
— pensei que todos nós concordávamos que ela não valia a pena. Até a Lily!
Sirius revirou os olhos.
— quando meus relacionamentos se tornaram uma decisão do grupo, exatamente?
— pelo amor de Deus, Almofadinhas, pense! – disse James inconformado. – É a Roxanne! Ela é igual a toda a sua família e pior… Lily, Lara, por Merlin me ajudem aqui, quantas vezes ela já não as xingou e ameaçou?
Lilian cruzou os braços.
— é verdade, Almofadinhas.
— desde quando gosta dela? – perguntou Lara.
— isso não importa, Lara. – interrompeu James. – A questão é a Roxanne ser a Roxanne!
A lufana ficou quieta um pouco.
— bem… acho que todos merecem se apaixonar – respondeu ela cruzando os braços. – Mas se for pra você traí-la como fez com a McKinnon, não perca seu tempo, vai acabar se ferrando.
Sirius riu da expressão confusa dos amigos com a preocupação de Lara parecer se direcionar mais à Roxanne do que a ele.
— ela o mataria, no mínimo! – ela se justificou. – Qual é! Vocês não acham que ela ficaria de boa se acontecesse, né?
— ah, com certeza não. – concordou Remus.
— bem, exceto pelo fato de que não traí a McKinnon, você está certa, mas não será um problema, de qualquer forma… Encontro vocês lá em cima. Boa noite, Miller.
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