Sirius Black e Roxanne Malfoy
10 Clube de Slug
— sinto muito por isso. – disse Greengrass.
— falou algo que não devia? – perguntou Roxanne levemente entediada.
— não. – respondeu ele. – Disse que estava procurando a gata, eles perguntaram um pouco e você já apareceu.
— ok.
Eles caminharam mais um pouco em silêncio, até Greengrass perguntar:
— então… você ainda tem aquela gata? – Roxanne assentiu com a cabeça. – Faz tempo que não a vejo, ela está bem?
— provavelmente.
Greengrass abriu a boca novamente, Roxanne previu a mesma conversa que tiveram sobre sua tia, então se preparou para cortá-lo.
Mas ouviu um barulho muito baixo de passos com uma cadência que ela passara a reconhecer, então simplesmente parou, e Greengrass fez o mesmo e a encarou:
— que foi?
— vá na frente. – mandou e não esperou uma resposta, apenas deu meia volta e o deixou.
Ela andou vagarosamente pelos corredores, ouvindo os passos de Sirius aproximarem-se cada vez mais, até poder finalmente vê-lo. Ele por um momento pareceu surpreso, mas logo deu um pequeno sorriso.
— sentiu minha falta?
— seus intervalos só servem para me dar a falsa esperança que vai parar de me aborrecer, Black, nada mais.
— quanto otimismo – ele replicou ignorando o desdém dela.
Ela revirou os olhos.
— que você quer?
— o de sempre. – respondeu dando de ombros.
— me aborrecer.
— ou te conquistar.
— improvável.
— melhor que impossível, não?
Ela franziu as sobrancelhas, revisando a conversa e percebendo a brecha que deixara. Ela despertou em um segundo, revirou os olhos.
— como você é idiota.
— você não parece muito centrada hoje – observou Sirius. – Já é a segunda brecha em apenas duas frases.
— é o efeito de passar tanto tempo com alguém tão estúpido. – ela retrucou secamente.
— e não está na mesma Casa que o Ranhoso há sete anos?
Ela sorriu de má vontade.
— esqueci esse detalhe – ela respondeu começando a andar.
Sirius a acompanhou.
— por sorte tem a mim para lembrá-la.
Roxanne imaginou que logo se arrependeria de ter ido encontrá-lo, mas naquele momento tudo o que precisava era ocupar sua mente, mesmo que fosse com xingamentos ou formas de ferir o rapaz ao seu lado.
Ela não teve noção de quando aconteceu, mas em algum momento ele conseguiu puxá-la em uma conversa que lhe pareceu realmente interessante, visto que não envolvia aquele interrogatório ou as acusações que ela antecipara. Ele tinha comentado algo sobre Slughorn, pelo que ela lembrava…
— você está se aproveitando da sua superioridade em Poções para me enganar, se fosse Transfiguração essa conversa estaria bem diferente – ele reclamava.
Ela deu uma risada de zombaria.
— se fosse Transfiguração talvez seus argumentos fossem mais sólidos, mas continuaria estando errado – ela retrucou.
— você tem muita coragem ou arrogância para me desafiar assim em Transfiguração.
Por pouco ela controlou um sorriso.
Assustada, ela se viu ali, encostada na parede quase casualmente, de frente para Sirius, sem qualquer filtro na conversa, com quase toda rispidez e frieza amenizadas… levou longos segundos para se encontrar.
— ei? – Sirius franziu as sobrancelhas, confuso com a repentina mudança na postura dela. – Você está bem?
Ela limpou a garganta. Descruzou os braços fazendo um gesto displicente com a mão e desencostou da parede.
— boa noite – disse e se afastou.
*
Greengrass riu quando acordou e viu o frasco com um líquido azulado sobre o criado mudo. Mesmo antes de reconhecer a caligrafia elegante de Roxanne na etiqueta com a função da poção ele já sabia quem enviara.
Ora, ora, parece que não me odeia tanto assim, não é, Rô? Pensou presunçoso. Não me chame de Rô! Sua Roxanne respondeu, fazendo-o revirar os olhos.
Olhou para o outro presente no criado. Já havia dado o de Roxanne, então aquele era de Lara… Ele suspirou melancólico e se sentou na cama.
— entrego ou não entrego? – perguntou jogando o embrulho de uma mão para outra. –… Bem que você podia ajudar, Rô, mas nãããão!
Antes que tivesse aquela discussão de novo, ele se vestiu com roupas comuns e saiu do quarto, guardando o presente no bolso, caso se decidisse naquele tempo.
Roxanne já tinha acordado e já estava em pé diante da estante de livros no canto da sala comunal. Estava com as vestimentas adequadas para o frio, com um casaco comprido por cima de um vestido que, como a maioria das roupas, lhe caia muito bem, além das botas. Considerou tentar assustá-la, mas antes que sequer pudesse levar a ideia mais para frente, ela se virou.
— que cara é essa, Greengrass? – ela perguntou franzindo o cenho.
Ele piscou.
— ahn… nenhuma. – ele respondeu depois de alguns segundos.
Ela o avaliou da cabeça aos pés com aquela expressão fria e distante.
— não vou voltar com você quando quiser se vestir mais apropriadamente – avisou se encaminhando para a parede de saída.
— acha que está tão frio assim? – questionou seguindo-a.
— não, Greengrass, eu adoro como essa quantidade de roupas dificulta meus movimentos. Por isso estou vestida assim.
Ele já estava acostumado com a rispidez dela, então não se importou com o tom intolerante usado.
— te encontro no Salão?
— se demorar, não.
A parede se abriu quando ela se aproximou e um vento gelado penetrou nos ossos dele. Óbvio que Roxanne estava certa. Simplesmente óbvio.
— até – ele disse voltando e ela se foi.
Lilian tentava controlar o receio de que Sirius estivesse realmente apaixonado por Roxanne. Odiaria vê-lo se decepcionar com a garota, e sabia que aconteceria.
— está guardando no lugar errado, Lily – ele avisou quando ela fez menção de guardar um livro de Transfiguração na prateleira de Feitiços. Ela pestanejou. – Em que está pensando?
— como?
— está preocupada com alguma coisa. – ele afirmou. – Se é relacionado ao Pontas, te ajudo até certo ponto… não venha me perguntar sobre potência porque com certeza eu vou zoar.
O rosto dela ficou escarlate.
— é claro que eu não te perguntaria uma coisa dessas! – ela brigou e ele riu.
— está bem. Então, o que é?
— é sobre você…
— não estou gostando da sua ousadia…
Ela deu um tapa no braço dele.
— deixe de ser idiota! – ele deu aquela gargalhada parecida com um latido, mas depois fez silêncio para que ela continuasse. – Estou falando da Roxanne.
Ele sorriu.
— que tem ela?
Os dois mudaram de corredor.
— eu sei que não temos nada a ver com seus relacionamentos, não diretamente. Mas a gente se importa, Almofadinhas. E a Roxanne… – ela pensou um pouco em como desenvolver suas preocupações – Não é que ela não seja, ahn, conquistável… Só não é boa pra você. Você não tem nada pelo que se agarrar nela. Ela o odeia. Está no lado ruim da guerra…
— Evans – ela se calou. – Sei que estão preocupados, mas sou bem responsável pelas minhas escolhas, não precisa tentar me proteger. – ele colocou a mão no ombro dela. – Além disso, sinceramente, você é mais capaz de enxergar coisas boas nos outros que qualquer um de nós. Apenas tente com ela, sim?
Lilian comprimiu os lábios.
— está bem. – respondeu num suspiro.
— foi esse que você obrigou o Pontas a ler? – ele perguntou abrindo um livro que ela ia guardar.
— não obriguei. Só… recomendei.
— mesma coisa – ele replicou guardando na prateleira. – Vamos.
Ela assentiu.
— bem… voltando na Roxanne, vocês estão avançando?
Sirius coçou a sobrancelha.
— não sei. Conversamos ontem, mas ela foi embora do nada.
— conversaram, é? – ela tentou parecer incentivadora. – Sobre o quê?
— nada demais – ele respondeu querendo encerrar o assunto. – Será que a Miller já terminou, quero sair logo daqui.
Lilian riu.
— ela e Remus ficam fofos, não acha? – ela disse no que Sirius ficou desconfortável. – Só fiquei com pena do James segurando vela…
— não acho que os dois combinam. – ele respondeu em tom displicente.
Lilian arqueou as sobrancelhas.
— bem, claro que não são um casal, mas talvez daqui um tempo…
— pensei que ele e Dorcas ainda tivessem chance.
Ela balançou a cabeça.
— não sei… eles não conversaram muito depois do término… – ela se interrompeu franzindo as sobrancelhas. – O que Greengrass está fazendo ali?
Eles já podiam ver seus amigos à distância, mas só naquele momento puderam identificar o sonserino no grupo. Aproximaram-se.
— não estou desacreditando das suas boas intenções – mentia James descaradamente. – Mas deixar Lara sozinha com um idiota como você quando ela está visivelmente desconfortável não me parece uma proposta muito tentadora, sabe?
Greengrass estava prestes a responder, mas se calou quando Lara falou, em tom baixo e nervoso.
— podem deixar, garotos. Posso me cuidar.
Lara, mesmo sendo monitora-chefe, não era lá muito boa em se defender de qualquer tipo de ataque. Sendo assim, a relutância dos garotos era justificável.
— Lara…
— vocês não ouviram? Caiam fora.
Lilian se colocou ao lado da amiga.
— já ontem, agora de novo… você está sendo bastante suspeito, Greengrass.
— Lily, tudo bem…
— por Merlin! – Madame Pince derrubou uma pilha de livros detrás do seu balcão. – Ah, obrigada, senhorita. – Todos olharam naquela direção, e só então perceberam a presença de Roxanne, que agora continuava seu caminho e se aproximava de grupo.
Lilian olhou de relance para Sirius, seu receio foi imediatamente confirmado. Ela suspirou e virou-se para a rainha do gelo à sua frente. Lara deu um sorrisinho.
— Malfoy, o que está fazendo aqui?
— Slughorn os convidou para uma reunião em sua sala, às 19h. – ela respondeu entregando os pergaminhos do Clube de Slug. – Todos, incluindo aquele garoto. – acrescentou dando a Lara o convite sobrando.
— você vai? – perguntou Sirius interessado.
— não.
— por que não? – perguntou Greengrass antes de Sirius.
— Grifinória demais.
— sorte a nossa, uma cobra a menos – replicou James num sussurro alto. Roxanne o ignorou.
Sirius a olhava.
— Slughorn sabe que não vai?
— saberá quando eu não aparecer.
— mas se ele souber antes vai insistir – Lara deu uma piscadela para Sirius. – Né?
— vai ser uma pena quando deixarmos escapar – complementou Sirius com um sorriso provocativo.
O olhar de Roxanne pareceu queimar. Ela deu um suspiro irritado.
— é melhor cuidarem com suas bebidas – disse e lhes deu as costas.
— vai ser um pesadelo – disse James num suspiro.
Remus repuxou o canto dos lábios.
— bem… talvez não fácil… – contrapôs não muito convincente.
— nem um pouco.
— como vocês são pessimistas! – Lara censurou. – Pode ser uma chance pro Sirius, ora.
Lilian, que estava decidida a apoiar o amigo, concordou.
— exato,…
— como é? – interrompeu Greengrass ligeiramente confuso. – Chance para ele o que?
Lara ficou um pouco boquiaberta.
— ah… bem… o Sirius gosta da Roxanne…
— quê? – ele exclamou. – Da Roxanne? Da minha Roxanne?
Sirius fechou a cara.
— sua? – perguntou tom de advertência.
— minha… Minha amiga – ele acrescentou sob um olhar de Lara. – Amiga! Achei que tinha parado com isso de dar em cima dela.
— e por quê?
— ela não me falou nada.
— e qual a novidade nisso? – replicou Lara com frieza. – Ela não parece ser muito aberta com você, não é?
Greengrass a olhou surpreso.
— Lara, eu…
— você já nos fez perder bastante tempo – ela cortou duramente. – O que quer que tivesse para falar já devia ter falado.
Todos a olharam confusos, exceto Sirius, que ficou satisfeito com a expressão frustrada do sonserino. Lara continuou, agora para os amigos:
— vou encontrar o Alex e entregar o convite. Até.
Ela se foi antes que dissessem qualquer coisa. Quando saiu da vista começou a soluçar e saiu correndo pelos corredores. Entrou em uma sala destrancada e se permitiu chorar à vontade.
*
— agora me deem licença alguns minutos, sim? Parece que Lily está me chamando…
Slughorn se afastou, então imediatamente a expressão de Roxanne se tornou mais sombria e assustadora.
— o que falou para Lara?
— oi?
— por que discutiram?
— achei que não quisesse se envolver nos meus problemas.
— não estou nem um pouco a fim de entrar nos seus dramas, mas mais cedo tive que ouvi-la chorar por quase uma hora enquanto tentava quebrar meus ossos.
— e nesse tempo ela não explicou?
— provavelmente aquelas palavras entre os soluços foram uma tentativa. – ela respondeu impaciente. – Algo como você ser uma “Maria vai com as outras” e um idiota. O importante é que aquilo não se repita, então fale logo.
Greengrass segurou um sorriso.
— okay. Então, estávamos, ahn, “conversando” – começou enfatizando bem as aspas e fazendo Roxanne revirar os olhos. – e alguns alunos passaram pelo corredor em que “conversávamos”, aí nos escondemos…
— seja o mais objetivo possível, Greengrass. – ela interrompeu com leve aborrecimento.
— tá, tá. Então começamos a conversar de verdade e surgiu um assunto do que queríamos fazer depois de Hogwarts. Eu acabei mencionando meus planos de ser Comensal, sabe, aí…
— você o quê?
— pois é, parece que ela não sabia, não que eu tenha contado, mas…
Ele se calou sob o olhar fulminante da amiga.
— desde quando você planeja isso?
— ora… desde sempre. Todos vocês vão, por que eu não iria?
Ela contou até dez mentalmente, depois questionou num tom calmo extremamente suspeito:
— e como planeja ficar com uma sangue-ruim e ser Comensal?
Ele arqueou as sobrancelhas.
— então, ela perguntou a mesma coisa…
— ah, por que será?
— e tenho uma resposta – completou com orgulho. – Política dos Greengrass: casa é casa, trabalho é trabalho.
Roxanne entrelaçou os dedos das mãos na frente do corpo, reunindo todo autocontrole que tinha para não estapeá-lo. Fisicamente não o fez, mas suas palavras produziram o mesmo efeito:
— me perdoe, tinha me esquecido de quão bem funcionou. Sua mãe faleceu por… qual foi mesmo o motivo? Ah sim! Escorregou e bateu a cabeça no concreto, depois se arrastou por quilômetros até sua casa e conjurou a marca negra.
Ele fechou a cara.
— isso não é assunto seu, Roxanne. – disse com rispidez, mas não a intimidou. Pelo contrário, a fez continuar com mais mordacidade:
— seu cérebro atrofiou, Greengrass? Como vai ser? Você chega em casa: “Oh, querida, aonde vai?”, “Vou visitar a Maria, volto daqui a pouco”, então de novo você: “Ah, não perca seu tempo, acabei de matá-la, já já informam no Profeta, tá?” – ela interrompeu sua imitação e o olhou, ele estava com cara de sonso, então ela continuou: – Ou melhor: “Querida, cheguei! Vai fazendo o jantar, Avery virá mais tarde”, ela: “Quê? Avery? Não, ele tentou me matar mais cedo!”, você vai dar um sorriso estúpido e dizer: “Aaaah, que isso? Ele prometeu fazer uma trégua, mas só se a sobremesa for boa, hein? He, he”.
Greengrass estava estremecendo e chiando, depois de alguns segundos Roxanne percebeu ser sua tentativa de conter uma gargalhada. Não teve muito sucesso, logo desistiu e desatou a rir descontroladamente:
— he, he… – repetiu se dobrando e abraçando a barriga. – Sobremesa…
— pare com isso, idiota – ela brigou quando viu que os demais na sala os olhavam. Ele perdeu o fôlego e sentou ainda rindo. – Por Merlin, pare com isso!
Ela bufou e puxou a corrente do colar embaixo do casaco. Xingou o garoto enquanto virava o pingente com a poção numa taça.
— beba. – mandou entregando a taça. Ele obedeceu e imediatamente se acalmou.
— bela imitação – ele elogiou sorrindo. Viu o prisma brilhante na mão dela. – Ah, gostou? Achei que usaria.
— já passou dos limites, Greengrass. Vá atrás dela, acabou de sair.
— quê? Ah, acho que você está certa… Tchau!
Ele saiu. Roxanne guardou o prisma embaixo das roupas novamente e foi até Slughorn, planejando se despedir e voltar para sua sala comunal. Infelizmente o homem tinha percebido o que ela tinha feito para acalmar o colega.
— sempre preparada para tudo, não é? – ele comentou rindo-se. – Não me surpreenderia se dissesse que trouxe mais poções em sua bolsa.
Roxanne deu um sorriso quase humano.
— o prisma comporta dez poções diferentes, senhor – ela respondeu simplesmente.
Slughorn riu.
— foi um presente bem pensado o de Greengrass, não? Mas tenho certeza que o seu não foi menos útil.
Sirius revirou os olhos e resmungou alguma coisa. Roxanne sentiu uma pequena vontade de provocá-lo, mas não viu nenhuma razão para fazê-lo. Só estaria sendo implicante.
— bem, talvez ele confirme isso um dia. Não posso falar por ele. – ela respondeu voltando-se para Slughorn.
Ele riu novamente.
— sim, sim, lhe perguntarei em outra oportunidade… Aonde ele foi com tanta pressa?
— ele não disse, senhor… – os garotos riram de algo que Sirius falou. Lilian não pareceu achar graça. – Mas aparentemente os três sabem.
Slughorn os olhou com seriedade.
— então?
Remus se controlou e desviou os olhos. James pegou a mão de Lilian e segurou próxima a sua boca, fingindo beijá-la para esconder o sorriso.
— só comentei que está muito bonita hoje, Roxanne – Sirius respondeu em tom displicente. Não deixava de ser uma verdade. – Nenhuma novidade, não é?
Slughorn enrugou a testa surpreso.
— claro que foi isso – disse Roxanne cética. – Afinal é sempre tão educado.
Ele sorriu.
— uma das minhas maiores virtudes, não?
Ela revirou os olhos.
— lógico, Black. Lógico.
Slughorn buscou apoio em Lilian, mas ela não parecia muito mais esclarecida do que ele. Depois de um muito curto ou muito longo silêncio Roxanne se pronunciou:
— bem, obviamente já fiquei mais do que devia. Até amanhã, diretor.
Slughorn assentiu, ainda um pouco confuso.
— boa noite, senhorita.
Sirius colocou sua taça na mesa.
— te acompanho.
— não, obrigada. – ela recusou com acidez.
Sirius sustentou seu olhar fulminante.
— vamos lá, eu já estava indo embora também.
Roxanne cerrou os dentes e saiu. Sirius a acompanhou.
— definitivamente em alguns dias você é mais fácil – ele disse quando cruzaram a porta para o corredor.
— fácil?
Ele revirou os olhos.
— é, fácil não é a palavra. – concordou. – Tolerável.
— você não precisa me tolerar, Black – ela respondeu estressada. – Não quero que me tolere.
Ele riu.
— quero ficar com você quando for tolerável. Como você não vai fazer o favor de me avisar, tenho que estar com você todo dia, entendeu?
— você é muito idiota.
— por quê?
— por que quer ficar comigo? – questionou. – Não entende que é simplesmente impossível funcionar?
— você não sabe.
Ela podia responder que sabia sim, que planejava ser Comensal desde os doze anos e que ele não mudaria aquilo, mas decidiu apenas se calar e não discutir. Sirius viu sua expressão e não tentou conversar mais.
Chegaram ao corredor que levava a sala comunal dela.
— boa noite, Roxanne.
Ela descruzou os braços para dar um aceno curto e frio e o deixou.
— Wiggenweld.
Fale com o autor