Roxanne se levantou e foi se arrumar. Foi para o banheiro dos monitores e, como tinha acordado cedo, demorou bastante lá.

Saiu da banheira e secou-se com calma. Quando pegou seu uniforme para se vestir, viu que tinha esquecido a blusa.

Mas não seria problema, sua primeira aula seria Poções, que ficava nas masmorras, assim como a sala comunal da Sonserina.

Roxanne foi para fora e desceu as escadarias. Imagine a surpresa quando ela viu quatro garotos instalando alguma coisa em frente à parede que levava a sua sala comunal.

— o que vocês estão fazendo? – perguntou ela cruzando os braços.

Os quatro grifinórios levantaram-se em um pulo.

— Roxanne! – exclamou James forçando um sorriso angelical.

— o que é isso? – perguntou ela se referindo ao que eles tinham escondido atrás das costas.

— você não devia estar dormindo? – perguntou Sirius com o melhor sorriso angelical que podia.

— o que vocês estão escondendo? – perguntou ela novamente.

— nada. – respondeu Peter, mas o que quer que tivesse escondido, acabou derrubando e a coisa explodiu e o empurrou para frente.

Cada um dos outros garotos deu um tapa na própria testa ao mesmo tempo.

Roxanne sentiu o cheiro repulsivo e pegou a varinha.

— bombas de bosta. – falou conjurando um pergaminho e uma pena. – Que original.

— foi mal. – falou Peter para os amigos.

Roxanne começou a escrever no pergaminho.

— menos dez pontos para cada. – falou escrevendo.

— o quê? – exclamou Peter com a voz aguda. – Você não pode fazer isso. Pode?

— pode. – respondeu Remus. – Ela é monitora, Rabicho.

Roxanne fez o pergaminho e a pena desaparecerem.

— desinstalem essas bombas – mandou. – E como Lupin disse, Pettigrew, sou monitora. É obvio que posso.

— na verdade você precisa mostrar pro Slughorn, primeiro – resmungou James alto.

Roxanne arqueou uma sobrancelha.

— e você acha que ele vai discordar? – retrucou ela. – Quando anotei um bom motivo?

James ergueu as mãos.

— eu não disse isso.

— desinstalem as bombas. – mandou de novo.

Cada um deles puxou a varinha e fez um gesto rápido no qual as bombas sumiram.

— seria muito difícil que você fosse agradável por alguns minutos? – reclamou Sirius.

— impossível. – respondeu Roxanne. – Principalmente com idiotas que querem aprontar com minha Casa. Agora saiam daqui.

— ora, não somos proibidos de ficar aqui – falou Sirius com um sorriso maldoso. – Somos?

James abriu o mesmo sorriso.

— não – respondeu Roxanne irritada. – Não são.

— então vamos ficar. – decidiu James e os três concordaram.

Roxanne revirou os olhos.

— fazendo o quê?

— ora, nada demais. – respondeu Sirius. – Apenas conversando.

— exatamente. – concordou James com o sorriso diabólico. – Conversando.

Roxanne bufou e conjurou o pergaminho de novo. Ao ver as sobrancelhas arqueadas dos garotos, explicou:

— ficarei aqui. Se vocês aprontarem qualquer coisa, mínima que seja, serão anotados.

Eles deram de ombros e começaram a conversar, enquanto Roxanne sentou-se em um nicho e prestou o mínimo de atenção necessária nos garotos.

Depois de um tempo, os sonserinos começaram a sair para o corredor. A maioria dos garotos franzia o cenho em desgosto para os marotos, alguns murmuravam com os colegas comentários mal educados. Já as garotas, em uma grande parte, lançavam olhares sedutores a Sirius e James e passavam rebolando por eles, algumas chegavam a parar para flertar. Bellatrix e Narcisa apenas os olharam com desprezo e passaram sem dirigir-lhes nem uma palavra.

— o que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Mulciber furioso para os marotos.

Roxanne só observou a cena atentamente.

— nada. – respondeu James dando de ombros.

— e aí, Ranhoso? – cumprimentou Sirius abrindo um sorriso arrogante para Severus, que estava acompanhando Mulciber.

— Black. – rosnou Severus. – Vocês não podem ficar aqui, se não sabem.

— na verdade podemos. – respondeu Sirius ainda sorrindo.

Remus encarou Roxanne.

— podem, Snape. – concordou ela. Não era necessário que se pronunciasse, mas não gostava de Severus e sempre que pudesse contrariá-lo, faria, simplesmente para ver o desgosto estampado em seu rosto.

Mulciber franziu o cenho.

— o que isso significa, Malfoy? – perguntou num rosnado, querendo satisfação por ela concordar com um grifinório.

Roxanne arqueou uma sobrancelha.

— que esse local não é proibido, Mulciber. – respondeu como se fosse óbvio. – Não podemos reclamar a nenhum professor, a não ser que eles aprontem algo.

Sirius sorriu.

— ora, Ranhoso, se você se esforçar um pouco mais vai explodir em gordura para todo lado.

Severus rugiu e puxou a varinha das vestes, ao mesmo tempo que Sirius, mas antes que qualquer feitiço fosse proferido, Roxanne falou:

— não recomendo que façam isso comigo aqui. Principalmente você, Snape. Não quero ter que descontar pontos da Sonserina por você.

Severus a olhou com fúria transparente, mas devolveu a varinha ao bolso. Sirius a girou entre os dedos e a pôs na manga.

Mulciber e Severus seguiram furiosos pelo corredor, olhando para trás vez ou outra e amaldiçoando os marotos.

A essa altura, os sonserinos todos já estavam à mesa da Sonserina, tomando café. Roxanne ouviu um barulho alto vindo de Peter, mais especificamente de sua barriga.

Os garotos riram e James falou:

— vá tomar café, Rabicho. – Peter balançou a cabeça repetidas vezes, embora tivesse colocado as mãos na enorme barriga. – Não poderá se manter em forma se pular refeições. Pode ir.

— t-tá bom. – falou e saiu correndo para as escadarias.

Os outros três pareciam obstinados a manter-se ali pelo resto de seu tempo vago, o que fez Roxanne lamentar muito, pois ainda estava sem sua blusa e o frio agora a estava fazendo desejar muito deixá-los sozinhos e se aquecer na lareira em sua sala comunal.

Roxanne concentrava-se intensamente no calor, para que seu corpo não tremesse e os outros não vissem o quanto sentia frio.

Ela soltou o ar pela boca e o viu se condensar a sua frente. Estremeceu.

Viu Sirius fazer menção a tirar sua blusa e falou rispidamente:

— nem ouse me oferecer sua blusa, Black. Perda de tempo.

Sirius deu uma risada de deboche.

— ah, então você vai morrer de frio por ser orgulhosa?

Roxanne cerrou o maxilar.

— parece interessante.

Sirius revirou os olhos e James riu.

— por que você não entra para pegar sua blusa? – sugeriu já esperando a resposta.

— e deixá-los aqui aprontando? – retrucou ela com uma risada fria. – Vá sonhando.

— pode ir. – insistiu Remus.

— nos comportaremos até você voltar. – acrescentou Sirius.

— ah, claro – debochou – Pela pura bondade do seu coração, não é?

— vá logo, Malfoy – falou Sirius. – Antes que eu mesmo entre lá.

Roxanne comprimiu os lábios em uma linha fina, considerando fortemente sair dali, mas ficou sentada e ignorou o desejo.

O sinal para a primeira aula tocou e Roxanne levantou-se do nicho.

— andem logo – falou abraçando-se.

A primeira aula deles seria Poções, junto com a Corvinal também.

Roxanne seguiu atrás dos garotos, mantendo-se a postura o mais correta possível, embora o frio a fizesse arquear-se um pouco.

Descruzou os braços e olhou para as mãos; as pontas dos dedos finos estavam roxas. Ela apenas voltou a cruzar os braços e entrou na sala fria de Poções.

— Srta. Malfoy – cumprimentou Horace Slughorn quando ela sentou à primeira carteira. – Não está com frio?

— não, senhor. – respondeu Roxanne, embora seus pulsos cerrados em seu abraço e a voz levemente trêmula indicassem o contrário.

Slughorn franziu as sobrancelhas.

— acho que dentro dela é tão mais frio que ela se sente aquecida em comparação. – murmurou Marlene para Lilian, sentando-se a frente de seu caldeirão.

— muito bem então – falou Slughorn sem ouvir o comentário de Marlene. – Mas creio que a senhorita devesse se vestir mais adequadamente a estação, Roxanne. Esta sala é particularmente fria, como sabe, mesmo com os caldeirões acesos.

Slughorn gostava de Roxanne. Ela, assim como Lilian, era uma de suas favoritas. Embora a tratasse com mais formalidade do que com a grifina, isso se dava ao fato de Roxanne ser mais séria e – que mal faz assumir? – um tanto mais fria.

— esqueci minha blusa no quarto, professor – explicou Roxanne aprontando o caldeirão. Ergueu os olhos para o homem. – Não tive tempo de voltar para pegá-lo, infelizmente.

Slughorn ponderou sobre a situação.

— pode voltar para pegá-lo, rapidamente. – permitiu ele.

Roxanne deu o sorriso mais franco que conseguia, que consistia em um pequeno traço no canto dos lábios retorcido para cima e os olhos menos gélidos que de costume.

— agradeço, mas o pegarei no intervalo entre o fim dessa e início da próxima aula.

Slughorn decidiu que não adiantaria insistir, então voltou sua atenção para o fundo da sala.

— Sr. Black, sente-se aqui na frente hoje. – Sirius arqueou uma sobrancelha. – Depressa rapaz, não quero distribuir detenções por conta de uma explosão causada por você e o Sr. Potter.

James deu uma risadinha orgulhosa.

Sirius pegou suas coisas e foi para frente. Uma garota da Corvinal foi discretamente mais para o lado para dar espaço para o garoto, mas este fez questão de se virar para Roxanne com um sorriso provocativo.

— nem vem. – silvou ela por entre os dentes.

— obrigado. – respondeu sentando ao seu lado mesmo assim.

Slughorn então deu inicio à sua aula, fazendo uma explicação na primeira metade e depois pedindo que todos produzissem da melhor forma a poção ensinada.

Roxanne não seguiu as instruções do quadro negro completamente. Ela observou suas anotações e formulou um novo modo de preparo, obtendo sucesso em pouco tempo.

Acabou terminando a poção antes dos demais, então pegou em sua mochila um frasco e anotou seu nome em um papel que anexou à tampa de rolha. Encheu com a poção o vidrinho e o tampou.

— dez minutos! – avisou Slughorn.

Sirius terminou assim que ele terminou de falar isso. Fez o mesmo que Roxanne e viu que esta estava escrevendo alguma coisa em seu pequeno caderno de notas.

Quando Slughorn pediu que guardassem os materiais e colocassem suas poções em um frasquinho em cima da mesa, Roxanne se virou para pegar sua mochila e Sirius puxou o caderno dela para o lado dele.

Roxanne separou cuidadosamente seus materiais dentro da mochila e por sorte não sentiu falta do caderno, que Sirius guardou discretamente junto com suas coisas.

O sinal tocou.

— podem sair. – permitiu Slughorn.

Roxanne conjurou o pergaminho e, enquanto todos saiam, foi conversar com o professor.

— professor.

— Srta. Malfoy – disse Slughorn com um sorriso.

— anotei quatro alunos hoje – falou ela. – Creio que eu deva mostrar ao senhor, sim?

— ho ho, mas é claro, claro – respondeu. – traga aqui.

Roxanne entregou ao professor o pergaminho e esperou que ele lesse os nomes.

— nenhuma novidade, não é mesmo? – falou lendo. – Os mesmos de sempre. Menos dez pontos para cada? Sim, me parece muito justo.

Roxanne estremeceu.

— obrigado, Srta. Malfoy – falou Horace – Pode ir. Vá buscar sua blusa.

Roxanne assentiu com a cabeça e saiu da sala.