Lilian encarou Sirius com as sobrancelhas franzidas, sem entender o que ele tanto folheava e se recusando a criar expectativas de que ele estaria estudando.

— oi, meu amor. – James sentou ao seu lado e lhe deu um beijo rápido nos lábios, depois voltando-se para o melhor amigo e dando um sorriso provocativo. – Ora, Almofadinhas, não sabia que você tinha um diário. – zombou.

Marlene ergueu os olhos de seu livro e olhou de soslaio para o garoto. Sirius riu e olhou para o amigo.

— onde mais eu expressaria tudo que sinto, caro Pontas? – brincou e James riu. – É da Roxanne. – explicou e o olhar tanto de Lilian e James, quanto de Marlene e Remus ficou confuso.

— por que você está com isso? – perguntou Marlene tentando falhamente parecer indiferente.

Sirius deu de ombros.

— a vi escrever aqui e fiquei curioso. Quem não ficaria que atire a primeira pedra.

Em resposta, todos se aproximaram para ler o caderno.

As anotações de Roxanne eram confusas. Enquanto folheavam o caderno, viram dicas para poções, feitiços que ela provavelmente criara, desenhos… pararam em um desenho de uma garota.

— céus – murmurou Remus.

A garota era a prima de Sirius, Bellatrix. Perfeitamente desenhada, dos ombros para cima. Era visível que Roxanne tinha talento, conseguira até retratar o brilho de insanidade nos olhos da bruxa.

Passaram mais algumas paginas e o próximo desenho que surgiu perturbou a todos: a marca negra.

Marlene grunhiu.

— bem, sabemos que essa garota é perturbada. Isso não é novidade. – Sirius fechou o caderno e ergueu os olhos lentamente da capa simples preta. – O que quero saber, que realmente é uma questão sem resposta, é por que você está interessado naquela… bruxa.

Sirius revirou os olhos e voltou-se para os amigos.

— quem quer testar esses feitiços?

James e Remus obviamente se animaram, então subiram para os dormitórios para "testar" os feitiços de Roxanne.

Marlene começou a andar para lá e para cá pela sala, quase arrancando os cabelos de raiva.

— argh, como eu o odeio… Como eu a odeio!

Lilian ficou com pena, mas nada poderia dizer para consolar a amiga, então apenas se levantou e atravessou a sala. Quando pisou no primeiro degrau, virou-se para a amiga.

— sinto muito, Lene – então subiu.

*

Quando Lilian desceu com Marlene para a sala comunal, não esperava James e Sirius a esperando no sofá.

James a cumprimentou com um beijo demorado e Sirius com um sorriso de canto.

— e aí, ruivinha? – ele queria alguma coisa, pelo jeito.

— que foi, Almofadinhas? – perguntou ela sorrindo.

Ele riu e pegou o caderno de notas de Roxanne na mochila.

— pode entregar a ela? – pediu.

Lilian fez uma careta de desagrado, mas pegou o caderno mesmo assim. Se fosse outra pessoa, de bom grado ela faria, mas Roxanne…

— valeu.

Depois que foram tomar café, Lilian foi procurar Roxanne, a encontrou junto com as amigas: Bellatrix e Daphne, esta estava encolhida em um nicho, cabisbaixa.

Bellatrix deu uma gargalhada malvada.

— como você é estúpida, Daphne. – falou em tom bastante ofensivo.

Daphne parecia pronta para chorar. Roxanne a olhava com notável indiferença, com os braços cruzados e apoiando o corpo na parede.

Lilian se aproximou.

— com licença – falou e as garotas a olharam.

Os olhos de Bellatrix faiscaram, já os de Roxanne continuaram tão frios quanto sempre eram.

— que você quer, Evans? – perguntou Daphne com lágrimas nos olhos.

Lilian não gostava dela, mas seu coração de manteiga derretida a obrigou sentir compaixão.

— o que aconteceu com você? – perguntou docemente.

— “o que aconteceu com você?” – imitou Bellatrix com sua voz irritante. – Não é da sua conta, sangue-ruim – Lilian cerrou o maxilar –, saia daqui!

Daphne finalmente desabou no choro.

— Sirius! – respondeu. – O idiota do Sirius!

— ah… sinto muito – falou Lilian com certa sinceridade. Conhecia Sirius, e por mais que agora fossem amigos, ainda se desagradava com seu jeito com as garotas.

— não nego que meu priminho seja idiota – falou Bellatrix com aquele sorriso perverso. – Mas você é mais. Bem feito.

Roxanne olhou para a mão de Lilian e franziu as sobrancelhas em irritação.

— o que você está fazendo com isso?

Lilian pôs um pé atrás, mas esticou o braço e entregou a Roxanne o caderno dela.

— encontrei ontem – mentiu – Na sala de Poções.

Roxanne cerrou as unhas na capa do caderno, fazendo marcas de meia lua.

— espero que não tenha fuçado, sangue-ruim. – falou irritada.

Duas vezes era demais. Lilian colocou a mão nas vestes e agarrou a varinha.

— o que pensa que vai fazer, Evans? – falou Bellatrix com desprezo. – Nos azarar? – deu uma risada de deboche e num movimento muito mais rápido que o de Lilian, apanhou sua varinha. – Três contra uma? Você sequer é boa em duelos, garota imunda.

Antes que Lilian pudesse processar o tom ameaçador de Bellatrix, ou esta proferir qualquer maldição contra a grifina, Roxanne interrompeu, com uma expressão indecifrável em seu semblante e a voz um tanto arrastada:

— deixe ela, Bella. Estamos a poucos corredores da sala do Prof.º Slughorn. Não vale a pena perdermos pontos por causa dessa garota.

Lilian e Bellatrix se encaravam com ferocidade, mas depois de um tempo, a sonserina baixou a varinha e a outra soltou a mão ao lado do corpo.

— Lily! – Alice apareceu. – Oi… o que está acontecendo aqui?

Roxanne deu um ultimo olhar frio às garotas e virou-se, seguindo o corredor de cabeça erguida.

— vamos embora, Lice. – falou Lilian.

— e ela nem te agradeceu? – perguntou Alice indignada. – E te chamou daquilo ainda?!

Lilian se esforçava para não chorar. Agora que não estava mais diante das sonserinas, a raiva junto à mágoa martirizava em sua cabeça e fazia com que ela sentisse um calor atrás dos olhos.

Ela piscou repetidas vezes, mas os olhos continuaram ardendo.

— bem, não esperava que ela agradecesse. Nesses últimos sete anos todas as vezes que ouvi um “obrigada” vindo dela podem ser contados em uma mão… Mas eu apenas estava tentando… tentando, não sei, ser um pouco legal…

— para variar. – acrescentou Alice. – Lily… Roxanne e Bellatrix são duas vadias. Uma frígida e outra louca. Não esquente com elas, está bem?

James e Sirius desciam as escadas.

— Lily… – começou James animado, mas viu a expressão triste de Lilian e franziu as sobrancelhas, preocupado. – O que aconteceu? – perguntou sentando ao seu lado.

— nada. – respondeu Lilian com a voz um pouco abafada. Ela não gostava de chorar perto do namorado, mesmo ele não falando nada ela sentia que ele pensava que sua namorada era uma fraca chorona.

— nada? – repetiu James com ironia. – Lily, não minta para mim.

Lilian apenas balançou a cabeça e encostou-se no ombro dele.

Alice bufou.

— aquelas duas. – disse irritada. Lilian se empertigou e olhou a amiga de cara feia. – Bellatrix e Roxanne.

— o que elas fizeram? – perguntou James.

Sirius sentou na poltrona.

— Lice, não tem problema… – falou Lilian.

Alice contou o que tinha acontecido mesmo assim. Quando terminou, James quase espumava pela boca de tanta raiva.

— James, deixe isso para lá. – falou Lilian com veemência.

— você sabe que não vou deixar. – respondeu James. – Sabe o quanto chamar alguém disso é desprezível.

— e preconceituoso. – complementou Alice. – Sirius? – chamou, pois o garoto estava muito quieto.

Normalmente, Sirius seria o primeiro a sugerir fazer alguma coisa, mas dessa vez ficara calado, com uma clara expressão de desagrado, mas sentindo-se culpado. Ele quem pedira para Lilian entregar o caderno a Roxanne, mesmo sabendo que elas não se davam bem.

— temos que pensar no que vamos fazer – disse por fim. – Mas não hoje. Vocês têm um encontro, não?

James assentiu com um curto sorriso.

— é. – olhou para a namorada. – A não ser que não queira.

Lilian balançou a cabeça imediatamente.

— é claro que quero ir, James. – falou. Não queria que ele a achasse ainda mais fraca; fora que evitaria que ele fizesse uma besteira mais tarde, a encrenca seria adiada.

— está bem – falou James dando um beijo em sua bochecha. – amanhã a gente vê o que faz.

O sinal tocou e eles foram a aula.

Enquanto a professora McGonagall não chegava, Sirius e James brincavam com uma bola que eles tinham enfeitiçado e que agora agia como um balaço. Remus ficava alertando de que eles iam quebrar alguma coisa, mas só deram ouvidos quando quebraram a janela e ele falou “eu avisei”.

— puta que pariu. – falou James.

— relaxa, Pontas – falou Sirius pegando a varinha. – Reparo.

O vidro da janela começou a consertar, mas nesse instante Minerva McGonagall chegou.

— mas o que significa isso, Sr. Black?

Sirius guardou a varinha imediatamente.

— ah, eu quebrei a janela. – respondeu como se não fosse óbvio.

— como? – perguntou severa.

Sirius olhou para James pelo canto do olho, mas não ia falar que estavam brincando e estragar o encontro do amigo.

— bem, eu estava testando um feitiço em uma bola de papel, deu errado e ela acabou voando contra a janela.

Minerva arqueou uma sobrancelha.

— queria transformar a bola em um outro material – acrescentou.

McGonagall foi para sua mesa.

— bem, não foi um fracasso completo, visto que uma bola de papel não quebraria o vidro desse jeito.

Sirius assentiu seriamente com a cabeça.

— mas ainda terá uma punição – continuou a professora. – Ficará em detenção esta noite, sob vigilância da Srta. Evans.

— o quê? – não podia ser mais inconveniente.

Minerva o olhou.

— o que não ficou claro, Sr. Black?

— é… nada.

Lilian pareceu frustrada, mas Alice se pronunciou:

— professora – chamou e a mulher a olhou – é que a Lily ia nos ajudar a estudar… é que com os NIEM’ s chegando, algumas dúvidas podem causar um estrago nas notas – olhou para Marlene – né?

— sim, diretora – concordou na mesma hora.

Os sonserinos chegaram. Roxanne sentou-se a frente.

Minerva pensou um segundo antes de decidir:

— Srta. Malfoy, o Sr. Black ficará em detenção esta noite, tem algum problema em garantir que ele não desvie seu objetivo?

Nem Roxanne nem Sirius pareceram contentes, mas a sonserina sabia que o pedido de Minerva não era exatamente um pedido, então apenas falou, no tom de sempre:

— sem problemas, professora.

— muito bem, então. Ao fim da aula discutiremos sua detenção, Sr. Black – falou para ele, depois para a turma toda. – Abram seus livros na pagina vinte e nove.

*

Sirius e Roxanne caminhavam lado a lado sem conversarem a caminho da Sala de Troféus.

Um corvino chamou Roxanne.

— que foi? – perguntou ela rispidamente.

O garoto sorriu.

— sou o Luke, lembra?

— e por que isso me interessaria? – Roxanne já apresentava sinais de impaciência.

Luke riu.

— então, queria saber se você gostaria de sair comigo…

— não. – cortou ela, fazendo menção a continuar seu caminho, mas ele esticou as mãos com as palmas estendidas, “espere”.

— por que não? Está saindo com ele? – indicou Sirius.

Os olhos de Roxanne definitivamente eram assustadores.

— não, ele vai cumprir detenção e eu vou ficar de babá. Mas em qualquer caso, eu recusaria sair com você.

Sirius revirou os olhos.

— parece que nesse ponto tenho que concordar com a McKinnon – resmungou.

Luke limpou a garganta.

— bem, não precisa responder agora…

— tchau. – interrompeu Roxanne e passou por ele.

Depois disso o caminho não foi tão silencioso quanto antes, já que Sirius resmungava algumas coisas que Roxanne não entendia direito.

Chegaram ao Salão de Troféus.

— o que foi, Black? – perguntou ela aborrecida.

— o que foi o que, Malfoy?

— o que você está resmungando esse tempo todo?

— importa?

— se vou ter que passar o resto da noite com você, prefiro que seja em silêncio, então sim, importa!

Sirius grunhiu.

— você é exatamente como Marlene a descreve, Malfoy…

Roxanne deu uma risada fria.

— e quando você percebeu?

— que tal você tentar ser um pouco mais calorosa por um instante, hein? Menos como uma geleira e mais para um iceberg? – Roxanne cruzou os braços. – Por que você chamou a Lily daquilo?

— de sangue-ruim? Porque é o que ela é; porque não sou uma traidora de sangue como você; porque fiquei com raiva… Quer mais motivos, Black?

— não, Malfoy, já está claro que você é como qualquer sangue-puro estúpido e inflexível da Sonserina.

— ora, muito obrigada.

— ah, então você sabe o significado da palavra.

Roxanne descruzou os braços.

— ah, e você queria que eu agradecesse Evans também, suponho.

— parece que é muito difícil.

— aquela idiota que deveria agradecer, imbecil.

— é, por que não, né? Por que eu não a chamo de sangue-ruim também? Ela vai adorar!

— ela queria duelar com Bellatrix, idiota!

— e daí? Considerando meu afeto por Bellatrix, eu certamente ficaria muito infeliz se Lilian a azarasse.

Roxanne deu uma risada de puro deboche.

— e você acredita mesmo que ela conseguiria? Ela não sabe duelar, Black. Bellatrix poderia deixá-la em um coma com apenas um feitiço simples e rápido. É o que você queria?

Sirius perdeu a fala por um instante.

— não diga que você estava protegendo ela, Malfoy. Não seja tão…

— tão o quê? – cortou com gelidez. – Black, se sua amiga for tão inteligente quanto suas notas indicam, ela ficará fora do caminho de Bellatrix. Você não conhece sua prima tanto quanto pensa, ela criou feitiços que não devem ser praticados.

Sirius, sem ter o que dizer, resmungou alto:

— bem, se forem como os seus não são tão ruins.

Roxanne franziu as sobrancelhas.

— como é?!

Sirius fez uma careta de “falei de mais”.

— então… cadê a vassoura?

Roxanne começou a ficar vermelha de raiva.

— você leu meu caderno? – disse no tom mais alto que Sirius já ouvira dela, mas ainda não gritava. – Usou um dos meus feitiços em alguém?

Sirius colocou a mão na nuca.

— no Rabicho. – respondeu. – Fez o braço nele ficar vermelho só.

Roxanne arregalou os olhos.

— seu idiota! – sibilou. – Onde ele está?

— na sala comunal…

— onde fica?

Sirius ficou quieto um minuto.

— pra que você quer saber, Roxanne?

— você quer que o feitiço comece a fazer efeito?

Logo os dois já disparavam para o sétimo andar, deixando a Sala dos Troféus vazia, limpando-se sozinha com magia.

Pararam em frente à Mulher Gorda.

— cabeça de abóbora. – falou Sirius.

— essa garota também? – perguntou a Mulher desconfiada.

— é!

De má vontade, a Mulher os deixou entrar. Tinha alguns alunos na Sala Comunal, inclusive Marlene e Alice, que se levantaram quando viram Roxanne.

— O QUE ELA ESTÁ FAZENDO AQUI? – gritou Marlene apontando para a sonserina.

— não enche, McKinnon. – respondeu Sirius e atravessou a sala, seguido por Roxanne.

Marlene ficou vermelha de cólera.

— Sirius Black, se você subir para o seu quarto com essa vadia…

Roxanne lançou um feitiço que fez Marlene se silenciar.

Por um momento, Sirius considerou brigar com Roxanne, mas deu de ombros e subiram para seu quarto.

— o que aconteceu? – perguntou Remus preocupado. Ele estava sentado em sua cama lendo um livro.

— é-é… o que aconteceu? – Peter tinha medo de Roxanne, então imagine como ficou quando a garota se aproximou dele e pediu que se levantasse.

— lembra aquele feitiço que a gente jogou em você? – começou Sirius.

— s-sim! – a voz de Peter subiu uma oitava.

— não era tão inofensivo. – quando Sirius disse isso, Peter ficou branco como papel.

— abra a boca. – mandou Roxanne. Peter balançou a cabeça bem rápido. – Agora, Pettigrew!

Peter abriu a boca e Roxanne iluminou um pouco a ponta de sua varinha.

— mas Rabicho não devia ter sentido alguma coisa? – perguntou Remus. – Lançamos o feitiço ontem à noite.

— muita estupidez de sua parte – ponderou Roxanne. – Mas não, não devia. Só sentiria quando o feitiço finalizasse, daqui a uma semana, no mínimo.

— e o que ia acontecer? – quis saber Remus, receando que ela desse uma resposta específica.

— ele não ia morrer. – disse, pois compreendeu o olhar do garoto. – Ia ter hemorragias, febre, sentiria o interior queimar… bem, depois ia ficar apagado por um tempo.

Ora, o feitiço tinha um efeito pior do que parecia. Senão Roxanne não teria vindo.

— por que você criou um feitiço assim? – questionou Sirius aborrecido.

— porque não sou boa. – respondeu Roxanne com rispidez. Apagou a varinha e o encarou. – Preciso de alguns ingredientes, ele já está com ulceras.

Peter guinchou.

— do que você precisa? – perguntou Remus.

Roxanne listou os ingredientes, e, por sorte, tinham tudo ali – não por acaso, na verdade, os garotos tinham um bom estoque considerando as peças que tinham que pregar.

— coma isto. – mandou Roxanne, entregando uma folha de Acanto para Peter. – Mastigue três vezes e não engula.

Peter obedeceu e Roxanne entregou outros ingredientes, dando instruções. Remus sentiu-se tentado a anotá-las, como se fosse uma aula.

Quando a sonserina permitiu que Peter engolisse tudo, ela puxou sua varinha e lançou nele um feitiço com lampejo azul.

— pronto? – perguntou Remus.

— se houver uma próxima vez, vou apenas assistir vocês agonizarem. – respondeu ela.

— e os outros feitiços? – perguntou Remus.

O olhar de Roxanne relampejou.

— quais outros feitiços? – perguntou com uma perigosa lentidão.

Remus pôs a mão na nuca.

— tinham vários feitiços no seu caderno… quais são perigosos?

— todos. – respondeu a garota irritada. – E vocês não têm os ingredientes.

Sirius arqueou uma sobrancelha.

Roxanne afastou uma mecha dos cabelos esbranquiçados atrás da orelha, pensativa.

— comam dois benzoares, cada um. – falou olhando para a parede e de repente sentindo-se extremamente desconfortável por estar ali. – Amanhã de manhã e de noite.

— isso vai bastar? – perguntou Remus surpreso. O antídoto de Peter era muito complicado, principalmente em comparação.

— não, mas vai adiar os efeitos. Vou preparar os antídotos mais tarde.

— obrigado. – falou Remus e Peter concordou com a cabeça.

Roxanne pegou a varinha e se virou para a porta, mas quando foi abri-la, girou sobre os calcanhares e disse a Peter:

— é melhor que não coma doces, não fará bem. – então virou e saiu.

Sirius suspirou.

— tenho que ir com ela. – e saiu atrás da garota.

Na sala comunal, Marlene já podia falar de novo e agora tirava satisfação com Roxanne.

— O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO LÁ EM CIMA?

— ora, me livrando do Black, por que acha que ele não está aqui? – disse Roxanne irritada e em tom sarcástico.

Sirius apareceu na escada nesse instante.

— Sirius, ótimo, você está aqui, pode…

— não intacto – ponderou Sirius. – Agora sou um Inferi.

Marlene ficou vermelha e Roxanne soltou uma curta risada fria, antes de voltar para o túnel que levava para fora da Torre.

— a essa hora a Sala de Troféus já está arrumada. – falou Roxanne quando Sirius a alcançou.

— eu sei, mas preciso ir mesmo assim. Se a diretora aparecer.

Roxanne não falou nada, e seguiram em silêncio por um tempo.

— você devia colocar mais instruções nos seus feitiços – falou Sirius, querendo romper o silêncio. – ou fazer antídotos menos complicados.

— e você não devia furtar minhas coisas. – retrucou Roxanne com frieza. – E se eu por acaso usar aquele feitiço em alguém, não vou me arrepender depois.

— em quem você usaria?

— em você, se não calar a boca agora.

Sirius riu com diversão.

— não seria de grande utilidade. Já sei o antídoto.

Roxanne fez um barulho de ceticismo.

Sirius deu um sorriso maldoso e começou a listar os ingredientes e as instruções que Roxanne dera, demorando um pouco entre um ou outro ingrediente, mas estava falando certo, quase como se tivesse anotado, como Remus queria.

Roxanne tentou não parecer surpresa.

— bem, pelo menos não é um burro por completo.

Sirius riu.

— obrigado, senhorita.

O canto dos lábios de Roxanne repuxou-se no mais curto sorriso, que por pouco não passou despercebido por Sirius, que deu um largo sorriso mas nada comentou sobre isso.