Sinister

1 Conto 01 - Estranhos


Notas iniciais
Uma família decide passar o fim de semana em sua luxuosa casa de campo perto de um lago, ao chegar no local, eles descobrem que a casa esteve sendo usada na ausência deles e que os invasores ainda estão por perto.

Phoenix, Arizona, 23 de outubro de 2013, Quinze e dezessete.

Logan Richmond, advogado de sucesso da Justice, dirigia calmamente para casa pela Sky Avenue, estava extremamente animado com a ideia de passar um fim de semana inteiro apenas com a família, era a primeira vez em meses que eles viajavam juntos.
Ao virar a esquina da Mason com a avenida, ele pode ver, como sempre, sua casa, grande e luxuosa, a última da rua sem saída. Dirigiu mais um pouco, estacionou na frente do portão da garagem e finalmente entrou em casa, deparando-se com Aidan, seu filho de quatro anos, jogando vídeo game na sala de estar.

- E aí, campeão – Ele diz, tirando seu casaco e jogando as chaves em cima da mesa.
- Oi pai – Ele responde, sem tirar os olhos da TV, onde matava zumbis com uma habilidade incrível.
- Sua mãe não quer você jogando esses jogos violentos.
- Ela deixou, é só um pouco, depois eu paro – Seus olhos ainda estavam fixos na TV.
- Arrume-se e fique pronto, sairemos em uma hora, tá?
- Tá bom.

Logan subiu as escadas e andou pelo corredor, incomodado pela música alta que vinha do quarto ao lado. Era Brent, acabara de completar 17 anos. Ele continuou andando e entrou em seu quarto, Vivien, sua esposa, estava deitada sobre a cama, lendo um livro.

- Como foi no escritório? – Ela perguntou, levantando-se da cama, ao vê-lo entrar.
- Normal, resolvi o caso dos Hampsen.
- Hum, caso complicado. Tessa e Brent já estão prontos pra ir, mas o Aidan não quer largar o vídeo game.
- Disse que ele ficaria sozinho com o Jack-salto-de-molas se não saísse?
- Nossa, você é mau – Os dois gargalharam.
- Deixa comigo.

Dentro de seu quarto, Tessa arrumava sua mala, apesar de não gostar muito de ficar isolada em um lugar sem internet, ela estava animada por passar um fim de semana com os pais. Após ter que sentar em cima da mala para fechá-la, ela foi até o quarto dos pais.

- Pai, mãe? – Ela não precisou bater, a porta estava aberta.
- Oi filha – Vivien disse – Finalmente saiu daquele quarto.
- O que queres, criatura? – Logan perguntou, sorrindo.
- Estava arrumando a mala e... Errh... Eu queria perguntar, já que o Brent vai levar a namorada dele, eu posso levar...
- Seu namorado? – Ele brincou e ela fez uma careta.
- Não, a Violet, palhacinho – Ela riu.
- É claro!
- Valeu! – Ela pegou seu celular, animada, para comunicar à amiga.

O som do rock n’roll que vinha do quarto de Brent subitamente parou e ele saiu de seu quarto, indo até o de seus pais.

- Estou pronto – Disse ele – E a Alicia já está chegando.
- Sua mãe está no banheiro, coloque as malas dentro carro – Ele pegou a chave do Cadillac e jogou para ele.
- Beleza – Ele disse, segurando a chave rapidamente e depois sumiu.

Com um leve ruído, o porta-malas do carro abriu-se e Brent colocou duas malas grandes, logo em seguida, Tessa colocou mais duas e neste momento, ela viu o carro do pai de Violet estacionar na frente da casa. Ela foi cumprimentá-lo.

- Oi Sr. Kipke – Ela disse, enquanto Violet descia do carro.
- Oi Tessa – Ele sorriu e acenou.
- Tchau pai – Violet disse.
- Cuide bem da minha garota, tá bom?
- Ah pai – Ela revirou os olhos.
- Pode deixar!

O pai de Violet foi embora e elas se abraçaram.

- Que legal seu pai ter me deixado ir!
- Vai ser divertido.

Logan se aproximou de Violet e Tessa.

- Oi Violet!
- Oi Sr. Richmond, obrigada por me deixar ir também.
- Ah, que nada, mana!

As duas começaram a rir.

- Ele vai fazer palhaçadas o fim de semana inteiro, prepare-se – Tessa avisou.
- Eu? Imagina! – Ele sorriu.
- Pai! – Aidan gritou, correndo até ele.
- O que? O que foi? – Logan perguntou.
- Onde está meu Megatron?
- Sua mãe em uma das malas, quando chegarmos você procura.

Alicia, a namorada de Brent, chegou no momento em que Vivien fechava a porta da frente, todos já estavam dentro do carro, menos ele, que a esperava.

- Oi amor – Ele disse, dando um beijo nela.
- Oi querido, desculpa o atraso.

Eles entraram no carro e Vivien também.

- Todos aí? – Logan perguntou – Brent?
- Aqui!
- Aidan?
- Aqui!
- Estamos todos aqui, pai – Tessa disse.
- Então já que você diz, vamos nessa!

Ele ligou o carro e eles partiram.
Duas horas depois, depois de passar pelo centro de Salt Lake, estavam em uma estrada deserta rodeada por árvores, em direção a um bairro pequeno perto do lago, onde ficava a casa.

- Acho que estamos chegando – Vivien disse, Aidan jogava em seu vídeo game portátil, Tessa e Violet conversavam sobre cinema e Brent e Alicia permaneciam calados, abraçados.
- É, acho que estamos perto.

Algum tempo depois, eles chegaram à Ravens Fair, a pequena cidade onde ficava a casa, e Logan abaixou a janela da frente e acenava para algumas pessoas conhecidas, então, minutos depois, as casas sumiram e eles entraram em uma estrada de terra no meio das árvores, e depois de dirigir por dois minutos, chegaram em frente a um grande portão de ferro.

- Chegamos! – Logan exclamou e parou o carro.
- Eu abro o portão – Vivien disse, descendo com as chaves logo em seguida. Todos ficaram no carro.

Ela caminhou até o portão e enfiou a chave no cadeado que prendia a corrente, mas ao rodá-la, não percebeu nenhuma mudança, o cadeado estava do mesmo jeito, não se abrira, tentou rodar novamente, e também não ouviu sequer o ruído que aquele cadeado velho costumava fazer ao ser aberto, foi quando percebeu algo, o cadeado estava semiaberto.

- Ah, que droga – Ela disse baixinho.

Quando abriu o portão, voltou para o carro e dirigiram pela estradinha de terra até a casa, alguns segundos depois, todos estavam descendo do carro e admirando o lago ao lado da casa e a própria casa, uma gigante e moderna mansão, com paredes de vidro e um design que, pelo fato de não combinar com a natureza a sua volta, era chamativo.

- Nossa, que casa incrível! – Violet exclamou, maravilhada.
- É incrível mesmo – Alicia concordou.
- Vamos entrar? – Vivien perguntou.
- Vamos – Aidan disse e se preparava para subir as escadinhas até a porta quando foi barrado por ela.
- Não, eu e nossas convidadas vamos entrar, Logan, Brent, Tess e Aidan, vocês pegam as malas.
- Ah não, mãe – Tessa reclamou, mas acabou fazendo o que ela havia mandado.

Vivien entrou na casa com Alicia e Violet, lá dentro era mais incrível ainda, uma bela sala de estar, com uma mobília moderna e aconchegante, iluminada pela luz do sol do fim da tarde, que entrava pela parede de vidro que se erguia até o teto.

Depois de colocar todas as malas na sala, se reuniram e sentaram no sofá.

- A casa de vocês é incrível – Alicia disse.
- Obrigada Alicia – Vivien sorriu.
- Violet e Alicia, vamos subir? Vou mostrar os quartos – Tessa disse.
- Vamos – Elas responderam ao mesmo tempo e as três subiram as escadas e sumiram lá em cima.
- Brent, Aidan, vocês já sabem onde são os quartos – Logan disse – Levem suas malas lá pra cima, porque tudo o que eu preciso agora é um banho quente.
- Eu já vou subir – Vivien disse e foi até a cozinha, pegou um suco de laranja de dentro de uma grande caixa térmica e começou a beber. Se assustou por um momento, pois pensou ter visto alguém do lado de fora da janela. Bobagem, pensou, É apenas um animal.

***

Todos já estavam na cama, e antes de dormir, Logan e Vivien conversavam.

- Precisamos de um novo cadeado – Ela disse.
- O que?
- O cadeado do portão está quebrado.
- Como assim?
- Ele estava aberto quando chegamos, e não fecha.
- Que estranho... Amanhã eu dou uma olhada.
- Tá bom, boa noite.
- Boa noite.

***

No dia seguinte, ao acordar, Vivien, ao não encontrar Logan na cama, desceu as escadas até a sala e de longe, viu que ele estava limpando a piscina, junto com Aidan. Ela foi até lá.

- Bom dia – Disse, pegando os dois de surpresa.
- Bom dia – Logan disse.
- Oi mãe!
- Acordaram cedo né?
- É, estamos preparando a casa para os garotos.
- Papai disse que quando eles acordarem, nós vamos pro lago.
- É? E eu posso ir também?
- Pode sim!

Algumas horas depois, todos já estavam acordados e prontos para ir pro lago. Aidan e seu pai foram os primeiros a correr pra água fria, em seguida, os outros.

***

Passaram toda a tarde se divertindo, mas já estava escurecendo e eles precisavam entrar.
Dentro de casa, Aidan estava jogando vídeo game na sala de estar e Tessa e Violet, sentadas no sofá, conversando e tentando conectar internet em seus celulares.

- Eu vou descansar um pouco – Vivien disse, dando um beijo em Logan.
- Pode ir, eu acho que vou checar se está tudo bem na casa e depois eu subo, não tive tempo ontem.
- Tá bom.

Logan foi até a cozinha, bebeu água, andou de um lado para outro, tudo parecia estar como antes, então viu algo pela janela, parecia uma pessoa, mas sumiu depressa, ele pensou ter sido um animal, então ignorou. Depois de checar tudo, lembrou-se que havia um lugar onde ele ainda não havia estado. O porão. Então foi até lá com uma lanterna na mão, dificilmente a lâmpada acenderia. Ao chegar, abriu a porta e apertou o interruptor, nenhuma resposta.

- Droga!

Ele acendeu a lanterna e começou a descer as escadas, um cheiro acobreado de sangue invadiu seu nariz.

- Ah! – Ele exclamou, sabendo que aquilo não poderia ser nada bom.

Continuou descendo as escadas, com medo do que podia encontrar ali embaixo, e levou um grande susto com algo que viu rapidamente. Um rosto. Posicionou a luz da lanterna de volta ali e percebeu, era um rosto realmente, mas não um rosto humano, um boneco, todo ensanguentado, então ele apontou para o chão e viu algo que parecia ser um pentagrama, aparentemente feito com sangue, a lâmpada fazia um estalo e de repente acendeu aos poucos, então Logan pôde perceber outros objetos, como velas apagadas, facas, tigelas sujas de sangue e um livro. Um livro satânico.

- Ah merda! O que é isso? – Ele ficou desesperado. Estavam realizando rituais satânicos. Estavam realizando rituais satânicos em sua casa.

Logan foi correndo até o quarto.

- Vivien! Vivien!

Ele chegou ao quarto e se deparou com sua esposa, assustada, levantando-se da cama.

- O que houve?
- Temos que ir embora daqui agora!
- O que? Por quê?
- Alguém invadiu nossa casa, tenho certeza de que ainda está aqui!
- Como assim, Logan?
- Eles deixaram coisas no porão, satânicos, faziam rituais aqui!
- Oh meu deus – Ela ficou surpresa e saiu do quarto para acordar os outros, Tessa e Violet, que estavam na sala, estavam confusas na porta do quarto.
- Pai? O que aconteceu?
- Pegue seus irmãos, as malas e vamos sair daqui agora!
- Por quê?
- Apenas faça o que pedi!
- Tá bom.

Com as malas nas mãos, todos desceram as escadas e abriram a porta e correram até o carro, ao ver que os pneus estavam totalmente destruídos, Logan deixou cair as malas no chão.

- Voltem pra dentro! Agora!

Todos obedeceram e em alguns segundos estavam dentro da casa, com a porta trancada. Logan estava em frente à parede envidraçada, observando o movimento fora da casa, estava aparentemente vazio ali fora.

- O que vamos fazer? – Tessa chorava desesperada, andando de um lado para o outro.
- Calma Tess, vamos chamar a policia – Vivien disse.
- Não há como chamar a policia, não tem sinal aqui.
- Onde vocês estão, desgraçados? – Logan falava sozinho, procurando algum sinal na grande floresta que rodeava a casa.
- Mamãe, estou com sono – Aidan esfregou os olhos, sentado no colo da mãe.
- Vou te pôr na cama – Ela disse.
- Nós não podemos dormir, talvez haja um criminoso ai fora ou até mesmo aqui dentro! Não podemos! – Tessa exclamou.
- Não Tess, é melhor vocês dormirem – Logan parecia calmo e pensativo, como se bolasse um plano – Eu vou ficar acordado, vigiando.
- Eu fico com você pai – Brent finalmente falou.
- Não precisa, Brent, vá dormir.
- Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria dormir, eu fico vigiando também.

Ele não respondeu nada, apenas voltou a observar a floresta.

Alguns minutos depois, Violet, Tessa e Alicia tinham ido dormir no mesmo quarto, Vivien dormiu com seu filho e Logan e Brent, permaneciam na sala, em silêncio, observando.

- Que tipo de gente é essa? – Logan perguntou, sem tirar os olhos da floresta ali fora – Rituais satânicos?
- Eu não sei, mas com certeza são perigosos, o que vamos fazer?
- Nós temos que chamar a policia.
- Como?
- Eu ainda não sei.
- Eu poderia ir até a cidade e chamar a policia – Brent sugeriu.
- Não, é muito perigoso, não posso deixa-lo se arriscar assim.

Brent não insistiu, ao contrário do que Logan pensava, apenas balançou a cabeça e disse:

- Então eu não sei o que vamos fazer.
- Espera, o que é aquilo? – Logan apontou para algo negro do outro lado da cerca, escondido na floresta.
- É um carro? – Brent perguntou.
- Com certeza é um carro. Escute-me, eu quero que proteja os outros, tome isso – Logan tirou uma pistola da calça e deu a ele – Você acha que pode fazer isso?
- Posso, mas por quê? Aonde você vai?
- Eu vou até a cidade, chamar a policia. Você tem certeza de que pode proteger a casa?
- Sim.
- Então tá, eu volto em pouco tempo, tenha cuidado e não tenha medo de usar essa arma, se tentarem algo, atire.
- Tá.

Logan pegou o bastão de ferro pontudo da lareira e abriu a porta. Saiu de casa. O vento estava gelado e a noite estava silenciosa, nenhum ruído, apenas o som do vento balançando as árvores. Ele não tirava os olhos daquele carro escondido na floresta. Chegou até o portão e o abriu, ainda sem tirar os olhos do carro, depois que abriu o portão e colocou os pés na estrada, esperou por alguma reação do carro, mas não houve nenhuma. Estava sem motorista. Ele suspirou aliviado e começou a andar. Andou apenas dois metros e então ouviu a reação que esperava, o motor do carro ligou, os faróis também, e ele começou a andar. Tinha um motorista. Logan começou a correr pela estrada, mas o carro era mais rápido. Ele corria e olhava para trás, o automóvel se aproximava rapidamente, seu motor furioso parecia debochar dele em um ruído alto e nervoso, então, para despistá-lo, entrou na floresta. O motor do carro rapidamente morreu e ele ouviu o som das portas abrindo e fechando, não ousou olhar para trás, adentrou ainda mais aquela floresta, mas tinha certeza de que eles estavam atrás dele, bem atrás. Logan não diminuiu a velocidade, e nem o perseguidor, era uma pessoa alta e usava um casaco com um capuz longo, seu rosto era uma escuridão, escondido pelo capuz, ele estava com um machado na mão e corria como se não fosse cansar, Logan, por outro lado, estava começando a sentir dores na perna e perdia as esperanças, e tudo piorou quando se lembrou de que o único modo de sair era pela ponte, o resto – incluindo a direção em que ele estava correndo – era água. Observou enquanto corria, a floresta acaba a alguns metros, e depois era água, apenas água. Ele olhou para trás por um instante e viu que o perseguidor havia sumido, então parou de correr, a velocidade em que ele corria era tão alta que ao parar de correr, tropeçou nos próprios pés e então caiu, em cima das folhas e pedras da floresta, estava a pelo menos dez metros do – não tão grande – penhasco que dava no rio. Então correu até a ponta, onde não havia árvores e ele pode ter uma vista da floresta, um pouco longe dali, ele pôde ver, não estava a salvo, o perseguidor andava calmamente, sabia que não ele não tinha saída.

- Droga! – Logan exclamou, então olhou para baixo, o penhasco era alto, e havia algumas pedras embaixo, sobreviver seria difícil, mas não impossível. O perseguidor se aproximava. Ele pensou em como sairia dali se pulasse. O perseguidor se aproximava. Ele estava com medo, mas não podia ficar ali e ser morto, havia perdido única arma e estava sentindo muita dor no corpo pela queda, não havia chances de sobreviver se aquele homem fosse um assassino. O perseguidor finalmente estava a 10 metros dele, parado, encarando-o sem mostrar o rosto. Então resolveu avançar, levantou o machado e correu até Logan para mata-lo, mas não obteve sucesso. Logan jogou-se do penhasco, mergulhando no ar frio da noite. Caiu na água e sumiu no rio, o perseguidor ficou alguns segundos olhando para a água, para ter certeza de que ele morrera e ao perceber que Logan não iria voltar, ele constatou. Logan Richmond estava morto.

***

Dentro de casa, Brent estava desesperado. Seu pai podia estar morto agora. Aquele homem já poderia tê-lo matado, mas ele não podia sair da casa, precisava proteger sua família, essa responsabilidade estava em suas mãos agora, porém, também não podia deixar seu pai ser morto, então decidiu ir até a floresta, afinal, se o perseguidor estava lá, não poderia pegar sua família ali dentro. Ele colocou a arma em punhos e saiu da casa. Estava tremendo de medo, mas ainda assim poderia matar a primeira pessoa que aparecesse na sua frente.

Cruzou o portão de entrada, o carro estava ali, parado no meio da estrada com a porta do motorista aberta. Brent analisou o local, estava limpo, não havia ninguém por perto, o perseguidor podia estar no final da floresta, lutando com seu pai, e Brent iria ajuda-lo. Adentrou a floresta e caminhou cuidadosamente no escuro da noite, nenhum sinal de pessoa alguma. Caminhou por mais alguns metros, o silêncio era agonizante ali, mas era algo bom, significava que não havia ninguém, ou podia significar também que se houvesse alguém, queria pegá-lo de surpresa. Foi com esse pensamento que ele começou a caminhar mais rápido até chegar à beira do penhasco, onde não havia ninguém, estava absolutamente vazio. Ele olhou para baixo, para o rio e não havia nada. Quase suspirou de alivio, mas os batimentos do seu coração aumentaram de ritmo quando ele olhou para trás e viu alguém nas árvores, estava escuro e ele não enxergou direito.

- Eu tenho uma arma! – Ele exclamou, tremendo de medo – Pare agora ou eu atiro.

A pessoa continuou se aproximando.

- Pare agora mesmo, eu vou atirar!

Quando a pessoa se aproximou mais um pouco, ele ficou um pouco mais calmo ao perceber que não era o perseguidor, era Logan.

- Pai! – Ele foi ajuda-lo, seu pai estava fraco e havia um ferimento no seu peito – O que aconteceu?
- Eu... – Ele fez uma pausa, colocando a mão no ferimento – Pulei.
- Você o que?!
- Ele iria me matar, eu tive que pular.
- Venha, eu vou te levar para casa.

Neste mesmo momento, o perseguidor andava no corredor principal da casa, onde ficavam os quartos, todas as portas estavam fechadas. Ele abriu a porta do quarto das garotas. Tessa, Violet e Alicia dormiam tranquilamente. Abriu a porta do quarto de Aidan, estava dormindo também. Por fim, abriu a porta do quarto de Vivien e entrou. Com um machado na mão esquerda, ele observou-a dormir.

Brent e Logan entraram pela porta da frente e Brent colocou seu pai no sofá, logo em seguida, abriu sua camiseta e viu que o ferimento era grande, então foi até a cozinha e voltou com algumas gazes. Após fazer o curativo, ouviu algo.

- Ouviu isso? – Ele perguntou.
- Não, o que?
- Não sei, escutei algo lá em cima, será que alguém acordou?
- Melhor eu ir dar uma olhada.
- Não, você fica, está muito ferido

Ele subiu as escadas cuidadosamente e colocou a arma em punho, passou pelos quartos, todos estavam com as portas fechadas, abriu cada um e verificou, o das garotas, o de sua mãe, estavam todas lá, mas ao chegar no quarto de Aidan, ficou surpreso, a porta estava trancada.

- Aidan? – Ele perguntou, girando a maçaneta – Aidan?

Não houve resposta. Neste momento, seu pai já estava no topo da escada, com a mão sobre o curativo.

- O que houve?
- A porta está trancada.
- O quê? – Ele se aproximou e forçou a porta, mas ela não abria. – Aidan!
- Será que ele está dormindo? – Brent perguntou.
- Se ele estivesse, já teria acordado – Logan começou a se afastar da porta.
- O que vai fazer?
- Vou arrombar.
- O que? Não, você está machucado, deixa que eu faço isso.
- Tá, tá bom.

Brent se afastou um pouco da porta e avançou, com um chute violento, a porta se escancarou. O que viram lá dentro deixou-os desesperados, ou melhor, o que não viram lá dentro. Aidan sumira.

- Oh meu deus! Aidan! – Logan procurou embaixo da cama, dentro do armário em todos os lugares, mas não o encontrou.
- Pai? – Tessa estava parada na porta escancarada do quarto, esfregando os olhos – O que houve?
- Volte para o quarto querida, e tranque a porta.
- Por quê? O que houve?
- Faça o que ele pediu Tess! – Brent exclamou.
- Cadê o Aidan?
- Vai para o seu quarto querida, por favor.
- Pai, onde ele está? – Ela começava a ficar preocupada.
- Nós vamos encontra-lo filha, tranque-se no seu quarto, agora.

Ela voltou para o quarto, estava chorando.

- O que vamos fazer? – Brent perguntou, esfregando a testa, estava pálido.
- Eu vou matar esse desgraçado! Se ele encostar no meu filho, eu vou mata-lo! – Ele pegou a arma da mão de Brent e saiu do quarto.
- Eu vou com você!
- Não, você fica, cuide dos outros, e haja o que houver, não saia de dentro da casa!
- Você tem alguma ideia de onde ele possa estar.
- Eu acho que sim.

Brent sentou-se na cama e deu um longo suspiro, nunca sentiu tanto medo.

Logan, com ódio e medo, descia as escadas, pensava em ir para o porão. Ele só pode estar lá, me esperando, pronto para me matar. Quando chegou ao corredor que terminava na porta para o porão, ele diminuiu a velocidade dos passos, e ao perceber que havia algum tipo de luz saindo pelas brechas da porta, seu coração acelerou. Ao se aproximar da porta, ele girou a maçaneta e quando a porta se abriu, ele apontou a arma para... Ninguém. Não havia ninguém, desceu as escadas e encontrou várias velas acesas. Na parede, havia algumas palavras escritas com um líquido vermelho – provavelmente tinta.

Deveria ter ficado quieto.

Como assim quieto? O que está acontecendo? Algumas das perguntas que martelavam sua cabeça naquele momento, nem percebeu que havia algo de errado na sua sombra, projetada pela luz fraca do porão, pois havia algo diferente, ela não era sua. Não era sua sombra. Quando percebeu isso, virou-se, era tarde, a última coisa que viu foi alguém de capuz preto acertando sua têmpora com o lado oposto de uma picareta.

***

Agora, Logan lentamente abria seus olhos, sua testa doía incessantemente, seus olhos se acostumavam com a lamparina pendurada no teto por um fio de aço, estava em um lugar que não conhecia. Estou na casa? Ainda estou na casa?

Dor de cabeça.

Olhou para os lados, e pôde perceber em um canto da sala, apagada e amarrada por várias cordas, uma garota, aparentava ter 17 ou 18 anos. O que? Quem é essa? Oh meu deus, mais uma vítima, quem é esse cara? Por que escolheu minha casa? Por quê? Por quê?

- Ei! – Ele chamou, mas ela não acordou – Ei! – Chamou mais uma vez, ela começava a acordar – Garota!

Dor de cabeça.

A garota acordou lentamente, e ao ver que estava amarrada, ficou desesperada, seus olhos encontraram Logan e ela disse:

- Oh meu deus, quem é você? Onde estou? – Ela estava desesperada, seus olhos arregalados de medo brilhavam.
- Eu sou Logan, quem é você?

Ela olhou para ele por alguns segundos, estava desconfiada, mas ao ver que ele também estava amarrado, resolveu falar.

- Meu nome é Perrie – Ela disse – Onde estou?
- Na minha casa, eu acho – Ele olhou para cima, analisando o local, nunca havia visto.
- Na sua casa? Onde fica?
- Ravens Fair, Arizona.
- Oh não.
- O que?
- Ele disse que ia me trazer aqui – Ela abaixou a cabeça e começou a chorar.
- Quem? Por quê?

Perrie levantou a cabeça e olhou para Logan.

- Você tem que sair daqui.

Eu quero ir, é tudo o que eu quero, mas não posso, ele pensou, mas disse outra coisa.

- Por quê? O que está acontecendo?
- Ele é louco, insano.
- Como assim?
- Aquele homem, ele tem um propósito para trazer todas as vítimas para cá, eu acho que descobri – Ela chorava.
- O que? Como assim todas as vítimas? Há outras com você?
- Oh, você não sabe – Ela deu um sorriso forçado e depois voltou a chorar.
- Diga!
- Você não conhece a história desse lugar, conhece?
- Eu nã... Não.
- Havia um cemitério em Ravens Fair, construído perto do lago, um cemitério indígena, pelo que ele conversou com o outro rapaz, eles fazem rituais – Ela arregalou os olhos – Eles são loucos.

Logan estremeceu por dentro. Minha casa. Construída em cima de um cemitério indígena. Assassinos. Rituais. Era muita coisa para pensar, tudo o que ele queria era salvar sua família.

- Mas por quê? O que querem? – Perguntou.
- É aí que a coisa fica assustadora.

Ela parecia querer que Logan perguntasse algo, mas ele ficou em silêncio, então ela continuou.

- Pelo que eu ouvi – Ela abaixou a voz – Eles procuram um túmulo.
- Um túmulo? De quem?
- Eles querem invocar Kinusha.
- Ki- o que?
- Kinusha, uma deusa pagã.
- Isso é loucura.
- Não é não, é verdade.
- Eles são loucos.
- Eu não acho.
- Então tá, mas por que eles iriam querer invoca-la? – Logan se pegou perguntando, não podia acreditar que estava entrando naquela loucura.
- A história diz que Kinusha foi presa em uma jaula em um lugar abaixo do inferno, e o único jeito de libertá-la é com sacrifício.
- Sacrifício?
- Sim, eles precisam da alma de sete virgens para usar no ritual.
- O que?
- É, e estão quase chegando à última.
- Como assim?
- Eles já mataram cinco garotas. Estão matando para invocar Kinusha, e eu sou a última vítima – Ela começou a chorar.
- Oh meu deus, mas por que escolheram esse lugar? Por que não em qualquer cemitério?
- Cemitério indígena. Kinusha precisa do berço de almas puras, como diz a história.
- Mas... – Ele ficou sem palavras, achava tudo aquilo uma loucura, mas era perturbador assim mesmo – E se Kinusha retornar, o que acontece?
- Seria o fim do mundo. O apocalipse. Temos que impedi-los.
- Não, não precisamos, isso não existe, não há como ser verdade.
- Sendo verdade ou não, eles irão matar a próxima garota, e me matar também!
- Temos que impedi-los.
- Sim, caso contrário, Tessa será morta.

Logan estava se debatendo na cadeira, mas parou ao ouvir a última frase que ela disse. Tessa será morta.

- Espere, você disse Tessa? – Ele ficou assustado.
- Sim, esse é o nome da última garota, eles disseram.
- O que? – Logan estremeceu por dentro, estava em choque – Como assim eles sabem quem é a última garota?
- Eles a observam a muito tempo, assim como a mim, de algum modo fomos escolhidas.
- Não – Ele abaixou a cabeça, queria chorar, mas se segurava, agora precisava ainda mais se esforçar para sair dali, a vida de todos corriam perigo, por um motivo tão insano como aquele, com pessoas tão insanas com aquelas.
- O que houve?

Não se segurou, chorou.

- Tessa – Ele disse – É minha filha.
- Oh não – Ela ficou perplexa – Sinto muito.
- Não, não precisa, ela não morreu, e não vai.

Logan se debatia loucamente na cadeira. Precisava se soltar. Precisava salvar sua filha e todos os outros, o pensamento de que Tessa era a última vítima daqueles loucos apenas acendia ainda mais esse desejo. Liberdade. Olhou em volta da sala escura, não havia nada que pudesse ajuda-lo a se soltar, apenas... apenas... Uma faca jogada no chão.

- Uma faca – Ele disse, esperançoso – Acha que consegue pegar? – Perguntou a Perrie.

Ela se remexeu um pouco mas não saiu do lugar.

- Não, estou amarrada a um cano aqui.
- Droga!

Ele pensou por algum instante e então teve uma ideia.

- Já sei.
- O que? O que vai fazer?
- Espere um pouco e verá.

Ele se remexeu um pouco, parecia querer posicionar a cadeira e então, depois de ajustá-la, balançou-se, seu corpo bateu contra o chão em um baque surdo e com as mãos amarradas atrás da cadeira, ele tentou pegar o alicate que estava a uns vinte centímetros de distância. Depois de tentar e tentar, ele conseguiu. Logan cortou a corda e soltou Perrie.

- O que vamos fazer agora? Eu nem sei onde estamos! – Ela disse, a expressão que seu rosto adquiria era de medo, horror.
- Mas eu sei.

Ao olhar para os lados ali dentro, Logan percebeu algo que não havia nem notado enquanto estava preso. Não havia saída.

- Sem saída – Ele disse – O que? Como entramos aqui?
- Acho que sei – Perrie apontou para um grande armário na parede – Me ajude a empurrar.

Os dois empurraram o armário para o lado e constataram que ela estava certa. Havia uma saída ali, uma espécie de túnel.

- Vamos! – Logan disse, indo na frente. Perrie o seguiu.

No fim do túnel, havia uma espécie de alçapão, eles se entreolharam e Logan abriu, acabaram parando no meio da floresta.

- Onde estamos? – Perrie perguntou.
- Eu sei – Logan respondeu, avistando de longe, a casa.

Os dois seguiram mata adentro, até chegar em frente à casa.

- Nossa – Perrie ficou encantada – É a sua casa?
- Sim.
- É linda.
- Obrigado, mas vamos rápido, a essa altura, ele já pode ter pegado a Tess – Ele odiava lembrar.

Os dois entraram na casa. Logan analisou a sala, não havia nada, a não ser... A não ser por um corpo caído no chão, de barriga para o chão. Logan rezou para ser um dos assassinos, mas não era. Era Brent.

- Oh meu deus – Ele se abaixou e virou o corpo dele, estava vivo – Você está bem?
- Pai – Ele estava com vários cortes no rosto, marcas de socos, seu nariz sangrava e a cabeça também sangrava.
- Cadê os outros?
- Eles os apagaram e levaram para o porão, não é um assassino, são dois.
- Eu já sei filho, eu já sei.
- Aidan está vivo, um deles mandou soltar o garoto.
- Onde ele está?
- No porão, com os outros.

Brent começou a chorar.

- Não chore, você vai ficar bem.
- Eles levaram a Tess, eles a levaram.
- O que?
- Eu tentei lutar, eu tentei salvá-la – Ele continuava chorando.
- Oh não – Logan o ajudou a se levantar
- Ei – Perrie disse.
- Eles a levaram – Seus olhos começavam a lacrimejar.
- Eu acho que sei onde estão.

Minutos depois, Brent havia ido até o porão e libertado os outros, a pedido de seu pai, os deixou sem informações do que estava acontecendo. Estavam em um quarto, preocupados, mas não tanto quando Brent, que estava ciente de tudo o que estava acontecendo. Ele pensava que Tess pudesse não voltar com eles.

Logan e Perrie saíram correndo pela porta dos fundos, e no quintal, onde, de acordo com ela, ficava o cemitério em si, eles encontraram dois homens, perto da floresta. Tessa estava com eles.

- Ei! – Logan correu, mas quando um dos homens virou-se, apontou uma arma.
- Pare ai mesmo – Ele disse, com a pistola em punho.
- Solte-a, por favor!
- O que? – Ele sorriu – Não, não posso, desculpa, sua garota aqui é parte disso tudo, não podemos deixa-la ir. Perrie já deve ter lhe contado o que nós três planejamos né?

Logan levou um choque. Nós três. Aquilo só podia significar uma coisa.

Perrie.

Ela era parte disso também. Droga! Como pude ser tão estúpido. Ele virou-se e deparou-se com ela, sorrindo maliciosamente. Antes que Logan pudesse fazer algo, ela acertou um soco na sua cara e depois um chute na sua barriga. Logan ajoelhou-se, colocando a mão sobre a barriga. Sentia tanta dor.

- Pai! – Tessa gritou, tentando escapar das mãos de um dos assassinos.
- Isso mesmo, querido, nós três – Perrie começou a falar – Oliver, Joel e eu.
- Vocês são loucos.

Ela deu mais um chute.

- Loucos? Imagina, só queremos vingança.
- Vingança?
- Sim, vingança.
- Por muito tempo fomos injustiçados e renegados – Um dos homens começou a falar – Você já deve ter percebido que o mundo é bem cruel não? Bem, acho que não, tem uma vida boa, uma bela casa, uma bela família, não conhece o lado negro do universo.
- Sabe o que nós temos em comum?
- A insanidade.
- Estou falando sério – Ela sorriu e deu outro chute – Bobinho.

Ela andou até o outro lado, onde um dos homens segurava Tessa e tapava sua boca.

- Você conhece Patrick e Vera Simpson?

Patrick Simpson. O nome trouxe um turbilhão de memórias, memórias que Logan queria esquecer. Ele sabia muito bem quem era aquele homem.

- Não.
- Não conhece?! – Ela gritou, dando outro chute nele. Logan gemeu de dor – Ah, é claro que você conhece!

Logan sabia quem eram Patrick e Vera Simpson. Eram as pessoas que por muito tempo ficaram na sua cabeça. Como alguém pôde fazer aquilo com eles?

- Bem, Patrick e Vera eram nossos pais, você não se lembra? Foram assassinados, há alguns anos, foram brutalmente torturados e assassinados! Ainda não superamos, pensamos que um dia isso iria passar, mas pelo menos nós teríamos justiça, mas não foi o que aconteceu né Dr. Richmond?
- Mas você disse que eles estavam tentando invocar Kanu... Kinu...
- Kinusha? – Ela perguntou, achando estranho e começou a gargalhar – Você acha mesmo que era verdade? Isso não existe, Deus não existe, tudo o que existe é o ser humano e a sua crueldade e ambição, mas sim, eu sou boa atriz, mas vamos voltar ao que importa, certo? Nós estamos aqui para vinga-los. Eles foram torturados e mortos, tudo isso e ainda assim, você fez o que fez e ainda está aqui, não é assim, você precisa pagar pelos seus pecados.
- Mas...
- Cale a boca! Você não tem o direito de falar nada, você errou e agora vai pagar por eles. Aqueles assassinos deveriam estar apodrecendo na cadeia agora, mas não, você e seu sistema corrupto deixou-o ir, tudo isso em troca de dinheiro. O que é justiça para você? O que é justiça para você, seu desgraçado?!
- Deixe minha filha ir, deixe minha família fora disso, eu imploro.
- Não, Logan, não, você precisa sentir o que sentimos.
- Mas eles não fizeram nada – Logan abaixou a cabeça.
- Sinto muito, mas às vezes, sacrifícios são necessários. Joel, traga a garota.

Antes que ele levasse Tessa até Perrie, houve um barulho muito alto – Um tiro – E Joel caiu no chão, um buraco imenso na sua cabeça.

- Joel! – Perrie gritou.
- Corra filha, corra!!! – Logan gritou em seguida e Tessa o obedeceu, correu para dentro da casa. Oliver correu para pegá-la, enquanto Perrie chutava ainda mais forte a barriga de Logan, mas parou na metade do caminho e caiu no chão, logo após o outro barulho alto, o outro tiro.

- Não! – Perrie disse.
- Como você disse, Perrie, às vezes sacrifícios são necessários.

Logan levantou-se rapidamente e antes que Tessa pudesse soca-lo mais uma vez, ele abaixou-se e pegou a arma de Joel.

- Pode parar aí mesmo! – Ele disse, apontando a arma. Brent saiu de dentro da floresta com um rifle em mãos – Obrigado, filho.
- O que fazemos com ela? – Brent perguntou, apontando a arma para a cabeça de Perrie.
- Vão me matar? Vão me matar também?! – Ela gritou – Você é cruel não? – Ela começou a rir, de um jeito psicótico – Depois de tudo o que ouviu, ainda pensa em mortes?

Brent a acertou com uma coronhada na testa.

- Cale a boca, vadia.

***

Algumas horas depois, Logan e Vivien estavam abraçados na varanda da casa, observavam Perrie ser levada até a viatura da policia. Antes de entrar, ela olhou para eles e deu um sorriso, um sorriso malicioso, ameaçador.

- Você está bem? – Vivien perguntou.
- Sim.
- Você precisava ver o modo como eles nos trataram, eles olhavam e parece que sentiam pena de nós.
- Loucos, é isso que eles são.
- Não sei, eles pareciam tão tristes.
- Vamos esquecer sobre isso, vamos voltar para casa e esquecer tudo isso. As crianças estão bem?
- Sim.

***

No dia seguinte, foram para casa, desde então não voltaram mais ali.

Um ano depois

Logan entrou em casa, estava feliz, havia resolvido mais um caso. Seu filho estava jogando vídeo game como sempre.

- Oi filho – Ele disse.
- Oi pai – Aidan não desgrudou os olhos da TV para cumprimenta-lo.

Subiu as escadas e encontrou Vivien provando sapatos novos no quarto.

- Oi amor – Ele disse, jogando a maleta em cima da cama.
- Ah, oi querido. Chegou uma correspondência pra você no meio das contas – Ela estendeu a mão e mostrou o envelope. Não havia nome escrito
- De quem?
- Não sei, não tem nome algum.
- Ah, uma carta? – Ele disse, pegando o envelope branco – Quem usa isso hoje em dia?

Logan abriu o envelope e dentro, havia outro papel, folha de caderno, ele desdobrou e começou a ler.

Oi Dr. Richmond, não preciso dizer meu nome, você deve se lembrar de mim, só queria te informar que, todos os dias a justiça é feita, é claro que alguns casos ficam pendentes, mas isso não é um problema, pois se você tem dinheiro e perspicácia, consegue qualquer coisa dentro dos tribunais, inclusive a liberdade. Queria agradecer por me mostrar isso, e dizer que desejo muita paz a você e sua família, é claro, enquanto eu não estiver por perto.

Ass. P.S.

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Notas finais
Divirtam-se!