Sin City

19 Minha, por pelo menos essa noite.


Notas iniciais
Olá queridos leitores!!!
Acharam que não teria cap essa semana,né?? Tcharam!!! Sim, capitulo novinho...rsrs
Bom pessoal, muito obrigada a todos pelos reviews pelo capitulo passado, adorei cada um. E vou responde-los com toda certeza.
Capitulo de hoje, tenso, com discussões, lembranças (trecho em itálico) e um reencontro que eu espero que gostem.
Boa leitura!

Não passava do meio dia, e Rukia já desembarcava no aeroporto de Karakuka. Ao seu encontro vinha Shuuhei, seu motorista já tomando a mala das mãos dela. Por sorte havia conseguido trocar a passagem, que estava marcada para o fim do dia. Foi melhor assim, depois de todo o ocorrido ontem, definitivamente não estava nem um pouco a fim de olhar na cara de seu irmão. Havia acabado de entrar no carro e seu celular toca. Era Ishida, que parecia um tanto preocupado, já que tinha conseguido falar com o pai de Ichigo, e esse disse que levou o filho ao aeroporto e ele pegou sim o avião no horário previsto. É claro que o velho Isshin tinha lhe contado também sobre o tal acontecimento envolvendo seu filho e a tal loira, porém ele não repassou isso a Rukia, apenas lhe disse que ligaria caso tivesse mais alguma noticia.

Aflita e agoniada, era assim que a pequena Kuchiki se sentia. Já havia se passado dois dias e nenhuma noticia de Ichigo. O que teria acontecido afinal?



No aeroporto de Nova York, um jovem de cabelos laranja praticamente corria a fim de não perder o vôo que o levaria para casa. Praguejava por dentro por tudo aquilo, principalmente por aquele tal chefe da segurança, que simplesmente lhe devolveu os documentos e sua mala e disse ter havido um engano. Sequer deu maiores explicações e se quer se desculpou também. Não via a hora de chegar em casa, infelizmente varias horas ainda o separavam de lá, a única coisa que poderia tirar proveito nesse meio tempo era tentar descansar um pouco e dormir também, já que nesses três dias não tinha conseguido pregar os olhos.



Depois de longas horas dentro daquele avião, havia enfim chegado ao seu apartamento. Estressado, afoito e extremamente cansado, não sabia o que fazer primeiro. Sentia uma fome que quase o matava, também passar três dias a base de pão e água, não foi fácil. E precisava de um banho, urgente. Três dias sem tomar banho era algo desesperador. Preferiu a segunda opção primeiro, já que se achava tão sujo, que era capaz de comer e vomitar devido cheiro que ele dizia exalar. E assim o fez, tomou um demorado banho e depois se fartou da maravilhosa comida preparada por sua emprega, Nemu. Mas sua cabeça ainda doía e aqueles malditos analgésicos pareciam não mais surtir efeito, mas mesmo assim os tomou, quem sabe funcionassem enquanto ele dormia. E era exatamente isso que pretendia fazer quando escutou um barulho de porta se fechando, e mal tinha chegado ao quarto, quando alguém chegou junto dele. Se virou e deparou-se com aquele par de olhos violáceos que não soube definir o que realmente eles expressavam.


_ Ah, é você Rukia. – virou-se dando as costas para ela.

_ É, sou eu sim. E posso saber porque não me ligou? – indagou séria.

_ Ai, foi o Ishida né? – observou a morena de canto, que afirmava positivamente com a cabeça. _ Aquele nerd retardado. Eu disse a ele que eu não queria falar com ninguém agora. – expressando um pouco de tédio em sua voz, adentrou no banheiro e saiu passando uma toalha nos cabelos.

_ Isso é uma indireta para que eu vá embora? – estreitou os olhos sobre ele.

_ Olha Rukia, aconteceram tantas coisas nessa viagem e eu vou contar para você, eu prometo. – se aproximou dela, segurando suas duas mãos e as levando junto ao proprio peito. _ Só que agora eu não estou com cabeça para isso. Eu preciso realmente descansar agora.

_Descansar? – desvencilhou-se ríspida das mãos dele. _ Você some, não dá noticias, quase mata meio mundo aqui de preocupação e vem me dizer que só pode explicar depois? Quando você achar que deve explicar? _ Não achei que você fosse tão egoísta assim Ichigo.

_ Olha aqui nanica, tudo bem você quer saber, então tá. – começou a caminhar exaltado pelo quarto. _ Eu passei três dias preso em uma saleta minúscula de um aeroporto. – pegava algumas coisas que tinha tirado da mala e espalhado pela cama, as socando novamente na mala. _ Três dias sem dormir, três dias sem comer direito e três dias sem banho. – aumentou o tom de voz apontando três dedos para aquela figura feminina, que embora séria já se recriminava por dentro pelas palavras ditas antes. _ Se eu não entrei em contato antes foi porque não deu, realmente não deu. – exaltou-se mais, levantando o tom de voz.

_ Ichigo, é que eu fiquei preocupada e com medo de que tivesse acontecido alguma coisa, então eu achei que...

_ Preocupada e com medo de que, Rukia? Sinceramente não sei o que você pensa de mim. Achou o que, que eu fosse te largar, igual o seu noivo fez? – seco com as palavras e sem olhar para ela, jogou a mala que estava em cima da cama com tudo num canto do quarto, espalhando varias roupas e objetos pelo chão.

_ O..que você disse?? – as palavras falharam devido ao nó que se formara na garganta. Os olhos dele subiram até ela, e foi só então que se deu conta do que havia acabado de dizer. _ Quem te contou isso? – o ruivo respondeu um quase inaudível ninguém enquanto desviava seu olhar para o chão. _ Ninguém o cassete Ichigo!! Porque eu não me lembro de te falar nada a respeito disso.

_ Rukia, já chega! Eu não vou mais conversar com você agora. – a barrou pelos ombros antes que se aproximasse mais dele.


Ela por sua vez, mantinha os punhos cerrados e o olhar baixo. Se o encarasse com certeza socaria a cara daquele idiota. Porém seus olhos tiveram a atenção chamada por um envelope branco em meio a aquela bagunça de roupas formada ao chão, com letras vermelhas que estranhamente formavam seu nome. Abaixou-se rápido e o pegou. "Para Rukia" era o que estava escrito. _ Mas o que.. – indagou para si virando-se de costas para o ruivo, que sem entender tentava ver o que ela tinha em mãos. Para sua total surpresa, quando abriu o envelope, retirou de lá várias fotos, reportagens e noticias que falavam sobre o seu passado, o seu doloroso passado. _ O que é isso?? – foleava aqueles vários papéis em suas mãos, encarando o ruivo descrente.


Vendo do que se tratava, a primeira coisa que ele se questionou, foi como aquilo tinha ido parar lá? Emudeceu-se a cada vez Rukia insistia em perguntar o que era aquilo. Dizer que todas aquelas informações sobre ela não eram dele, com certeza não iria funcionar. Abriu e fechou a boca inúmeras vezes na tentativa de dizer algo. Porém apenas algumas, mas indiscutíveis palavras saíram, não de sua boca obvio, mas sim da de Rukia.


_ Andou investigando a minha vida? O que você pensou que eu fosse? Uma degoladora, que dormia com os homens para depois cortar-lhes os pescoços? – jogava uma a uma daquelas fotos e recortes em suas mãos com toda raiva do mundo na direção do ruivo, que ameaçou falar, mas foi interrompido por ela. _ Não! Eu não quero mais saber.

_ Rukia, espera! – segurou o braço da morena. _ Eu admito isso é meu sim. Agora me deixa explicar eu nem sei como isso foi parar aí.

_ EU NÃO QUERO SABER! – esbravejou se livrando da mão dele que segurava o seu braço. _ É bem irônico, né. – apontou para o que estava escrito no envelope que permanecia em suas mãos. Pensou em rasga-lo e até tentou, porém percebeu que havia mais alguma coisa lá dentro. Sentiu seu sangue ferver quando olhou para aquela foto 10x15. _ Literalmente eu achei que você fosse verdadeiro quando me disse todas aquelas "coisas" aquele dia, mas estou vendo que eu me enganei feio. – com cinismo na voz, balançava furiosa a tal foto numa das mãos. _ Você é realmente o porco imundo que eu sempre achei que fosse. – lhe deu as costas depois de jogar a foto no chão.


Ao ver aquela ultima foto que tocava o chão, sentiu seu corpo gelar, era ele aquela tal loira naquele fatídico dia enquanto transavam. _ Espera Rukia, eu...eu fui assaltado lá e é uma longa historia.


_ Assaltado? Puxa estou vendo como você resistiu. – batendo os pés e as portas, saia dando as costas para o ruivo,

Até tentou ir atrás dela, mas desistiu ao escutar a porta de entrada se fechando, com certeza ela não ouviria mais nada mesmo do que ele dissesse.



Um mês havia se passado desde então. Rápido aos olhos de alguns, mas lentos demais aos olhos daqueles que apenas observavam os dias passarem sem nenhuma novidade ou algo de especial acontecendo. Pelo menos era assim que Kuchiki Rukia via as coisas naquele momento. Não queria demonstrar, mas o final do seu "namoro" com Kurosaki Ichigo havia sim abalado suas estruturas. Mais séria que o normal, continuou seus dias, embora com algumas faltas naquilo que ela dizia ser "sagrado", o seu trabalho. Sim, a rotina da morena havia mudado, pelo menos duas vezes na semana faltava, sem avisar ninguém e quando alguém tentava tocar no assunto, mesmo que fossem Matsumoto ou Ukitake, ela desconversava. Não queria falar e ocupar mais uma vez o tempo e os ouvidos deles por uma cagada que ela fez mais uma vez. Remoeu-se ainda mais quando soube através de Hinamori em uma conversa que ela achou um tanto estranha, que o seu ex já estava sim vivendo a vida novamente. Remexeu-se na cadeira do seu escritório, pensando que era sim hora de voltar aos velhos tempos. Teclou rápido em seu celular alguma coisa e saiu sem se importar que ainda não passavam das três da tarde.


Não demorou muito para que chegasse a um bar não muito movimentado como os do centro e pedisse logo uma bebida. O lugar totalmente sem janelas e com iluminação somente nas paredes revestidas de vermelho, não davam noção do tempo. Rukia olhou em volta e o que viu foram alguns aparentes casais e alguns homens no balcão.


Kurosaki Ichigo....quem era esse tal de Kurosaki Ichigo que ousava remexer no seu passado? Era o que pensava Rukia enquanto já tomava o seu segundo copo de bebida. A tristeza era aparente em seu rosto e por mais que o seu emocional pedisse ou que seu próprio corpo pedisse, conteve as lagrimas com todas as forças e não chorou. Era sim que havia prometido para si mesma desde aquele dia, dia do seu quase casamento.


Rukia havia começado a trabalhar muito cedo com seu pai na distribuidora, e aos dezessete anos, foi nomeada assistente oficial de seu pai. Foi nesse mesmo tempo que ela conheceu Shiba Kaien, oito anos mais velho, que trabalhava no financeiro da empresa. Não demorou muito para que eles se aproximassem e começassem um namoro sério mesmo com a diferença de idade. Jovem e promissor, Kaien caiu logo nas graças dos pais da morena que apoiavam e incentivavam o relacionamento, principalmente quando ele dizia que Rukia era a única e que em breve se casariam. O único que nunca concordou foi Byakuya, porém nunca revelou porque, mas Rukia achava que era pela diferença de idade. Infelizmente, dois anos depois os pais dela vieram a falecer em um acidente de carro. A tristeza acometeu a morena, e diante daquela situação, Kaien não pensou duas vezes para oficializar o noivado e marcar o casamento. Um ano se passou rápido desde o noivado e era então chegado o tão sonhado dia. Rukia estava radiante em seu tradicional vestido branco sem muitos detalhes a espera em uma sala especialmente reservada para a noiva no maior buffet da cidade. Sim, queriam algo grandioso, pois seria único, era o que costumavam dizer. O enorme salão minuciosamente enfeitado, praticamente todos os convidados já acomodados e o altar pronto a espera dos noivos. Rukia tentava disfarçar o nervosismo, não pela ocasião em si, mas pelo fato de que minutos atrás Ukitake havia entrado e perguntado se ela sabia alguma coisa sobre Kaien, que até aquele momento não havia chegado. Os minutos foram passando e já havia se tornado horas, e nada do noivo. As lagrimas agora já rolavam pelo rosto dela, que tinha a sua volta Matsumoto e Aizen na tentativa de acalma-la. Em vão, pois a porta aberta com tudo revelava somente a expressão cabisbaixa de Urahara, que vinha do apartamento de Kaien e que tinha uma carta nas mãos, que foi passada para Rukia, que mesmo hesitante a leu, caindo em prantos logo em seguida. Era uma carta de despedida e desculpas e quem assinava era ele, Kaien. Diante de tal situação, Yoruichi mexeu-se rápido a fim de que aquilo não se tornasse um escândalo de proporções inimagináveis. Foi até os fotógrafos de revistas e jornais ali presentes e os subornou descaradamente, enquanto Ukitake e Urahara ficaram com a missão de comunicar de maneira sutil aos convidados. Depois de algum tempo, já se livrando dos trajes e arranjos no cabelo pelo caminho, Rukia seguiu para o salão, seguida a distancia por Matsumoto e Aizen, que haviam ficado todo esse tempo ao lado dela. Sentiu uma pontada ao vislumbrar todo aquele imenso lugar lindamente decorado, agora vazio. Fitou o altar e percebeu que Ukitake, Urahara e também Yoruichi cochichavam a respeito de algo, e quando foram abordados de surpresa não tiveram como esconder um recibo referente a compra de duas passagens para a Europa que estavam no apartamento de Kaien. Definitivamente ele a havia abandonado no altar e fugido com outra pessoa.

Tão perdida em suas tristes lembranças, nem se deu conta da figura masculina que se sentava bem a sua frente. _ Chorando baixinha?

_ Claro que não. – respondeu num susto, sem encara-lo. _ A bebida é que foi forte demais.

_ Sei, pois eu jurava que tinha visto uma lagrima, mas não de incomodo, mas sim de tristeza. – com ironia, pegou o copo de bebida dela e virou na boca.

_ Pois é, então você viu errado, Grimmjow. – tomou o copo das mãos dele, que mordia os lábios ao observa-la.

_ Tudo bem. – jogou seu corpo contra o encosto da cadeira. _ Então fala logo porque me chamou aqui?

_ Que pergunta Grimmjow, você sabe muito bem porque eu ligo pra você. – com certo desdém pedia outra bebida.

_ Sei, mas é que geralmente nós vamos para um quarto de motel e não para um bar. – esperou uma resposta, pois nunca haviam se encontrado assim em um local publico por motivos já conhecido dos dois, porém ela continuou em silencio sem encara-lo. _ O que você tem hoje? – nesse momento o celular dela que estava sobre a mesa começa a vibrar, revelando um numero conhecido para os dois. _ Não vai atender?

_ Não. Eu não estou a fim de falar com ninguém, nem com o Aizen, nem com a Matsumoto e nem com ninguém. – jogou o aparelho na bolsa e subiu os olhos para aquele homem de cabelos azuis que a encarava tão profundamente, como se quisesse desvenda-la.


E assim ficaram por alguns instantes. Por mais que Rukia tentasse se manter forte e durona como costumava ser, era notável o seu olhar vago e sem brilho e aquilo de certa forma mexia com Grimmjow. _ Quer saber, vem comigo. – a puxou pelo braço de maneira que se levantasse junto dele, e sem pensar duas vezes, envolveu a cintura dela com o braço e saíram do local juntos. E mesmo estranhando tal reação dele, a morena apenas o abraçou sem questionar enquanto deixavam o bar.



Já havia escurecido, enquanto eles seguiram no carro. O olhar ainda vago de Rukia apenas observava aquela desconhecida rua residencial, formada por casas simples, porém bem apresentáveis, quando pararam em frente a uma delas. Entraram na tal casa, primeiro na pequena sala, simples com um sofá, uma mesa no canto e a TV logo a frente. _ Então essa é a sua casa? – ouviu uma resposta positiva do azulado que tinha subido as escadas que provavelmente dava acesso aos quartos. Observando tudo ao seu redor, a morena caminhou até a cozinha que ficava logo a frente. Também era bem pequena. Abriu a geladeira quase vazia, senão fosse por uma garrafa de água e uma de vodka, que ela tratou logo de tirar dali.


_ O que está fazendo aí? – segurou os pulsos dela com força enquanto prensava seu corpo contra o dela.

_ Pegando alguma coisa para beber. – o encarava sem hesitar sentindo a respiração quente dele tocar-lhe o rosto.


Face a face, o azulado entre abriu os lábios e investiu contra os dela, porém estranhamente parou antes de toca-los. Fechou os olhos por um instante e se afastou tomando a garrafa das mãos da morena. Seguiu para a sala se sentando no sofá e virando e garrafa na boca sorvendo um demorado gole. Antes que terminasse, sentiu algo se acomodando em seu colo e tomando a garrafa de suas mãos. _ Tá faltando espaço aqui? – ríspido, encarou a pequena que também virou garrafa na boca, colocando-a logo em seguida sobre a pequena mesa ao lado do sofá.


_ O que foi Grimmjow? Não me quer mais? Não me deseja mais? – sussurrou ao ouvido dele, que engoliu seco, enquanto um arrepio imediato lhe percorrer a espinha.

_ É claro que eu quero e é claro que eu te desejo baixinha. Mas é que... – desviou os olhos para o lado. _ É que no final isso não adianta nada, já que eu não posso ter você pra mim por inteira, entende?

_ Então, pelo menos por essa noite, entenda que sou sua por inteira. – passou os braços pelo pescoço dele, o trazendo seu rosto para mais perto de si.

_ É, pelo menos por essa noite. – um sorriso sutil surgiu dos lábios do azulado, que sem hesitar, tomou aqueles lábios quentes para si com vontade. Era algo estranho, mas sentia seu coração acelerado diante daquele caloroso beijo, enquanto abraçava aquele delicado corpo contra o seu. Sabia que a teria mais uma vez, embora as palavras vagas ditas por ela, só deixassem mais claro que os reais sentimentos de Rukia, pertenciam a outra pessoa.

Notas finais
E então, gostaram???
Eu sei que vocês devem estar estranhando o teor em si dos capitulos, realmente tensos agora. Com a fic se aproximando do fim, muitas coisas sendo reveladas e muitos acontecimentos ao mesmo tempo, não tinha como ser diferente. Estou tentando, mas é quase impossivel aliviar nos capitulos.
Bom é isso pessoal, espero anciosa pelos reviews! Não se esqueçam de mim!
Bjokas