Simply Complicated
7 Welcome to paradise
Notas iniciais
Enjoy...
Eu não tenho nada pra usar. Simples assim. E ele é o único que sabe o que a tia gosta, e esse é o único motivo porque eu estou no shopping com Thiago e Jenny.
-E esse?-pergunta a loira pela milésima vez, me apontando um vestido rosa com babadinhos. Faço uma careta.
-Definitivamente não. E você ainda se diz minha amiga!-eu exclamo. Thiago começa a rir.
-Sério? É só um jantar kitty, eu não me importaria se você usasse uma calça jeans verde limão e uma blusa rosa choque- sim, ele pegou mania de me chamar de kitty. Só o que me faltava pra terminar de foder com tudo.
-Foda se o que você pensa garoto- Jenny disse. Olha, agora até eu fiquei impressionada. Eu era capaz de contar nos dedos as vezes que eu vi a Jenny dizendo um palavrão, e ela mandando alguém se foder em menos de uma mão.
-Tudo bem, vamos parar? Acho que essa porra toda já tá muito complicada pra vocês ainda ficarem brigando!-eu exclamei. Pra variar tudo isso estava sendo feito escondido da Mary. Eu queria contar, argumentei tudo que pude, mas ele disse que não. E olha, isso não chega a ser uma traição, uma vez que eu não pretendia beijar ele nem nada.
-Tudo bem, mas se ele continuar me irritando eu juro que chuto seuv!- ela disse. Aos leigos, “derrière” é bunda em francês.
-Nossa, que gata selvagem- ele disse irônico. Eu revirei os olhos e soquei seu braço.
-Para de incomodar garoto!
-Não mesmo kitty-ele respondeu, sorrindo de lado. Eu revirei os olhos de novo. Nós continuamos passeando pelo shopping até que eu encontrei o vestido aceitável que eu acabei comprando, junto com uma sandália preta.
E então nós fomos comer. Pedimos uma porção grande de batata frita, bacon, queijo e cebolinha. Enquanto Thiago ficou na fila, eu e Jenny fomos procurar uma mesa. Ficamos sentadas conversando um pouco até que ela disse que ia ao banheiro. Eu fiquei esperando, desligada do mundo até que avistei uma pessoa. Andrew Miller, meu ex namorado. Lembra dele?
-Ai meus deuses, era só que me faltava- eu resmunguei, antes de olhar para ele. Ele continuava do mesmo jeito de sempre. Cabelos loiros e bagunçados de um jeito adorável, olhos azul tão claro que pareciam brancos dependendo de como você olha. Alto e musculoso, quase tanto quanto Thiago, e tinha a mesma sensualidade nata exalando por todos os poros do corpo.
E estava andando na minha direção. Merda, pensa rápido Rosalie. Então Thiago sentou ao meu lado com a batata frita.
-Santo Deus, a fila tava enorme, você nem acre...- ele começou, antes de ser interrompido por uma boca. A minha boca. Sobre a dele. Beijando ele. Muito bem, que amiga de bosta que eu sou heim? Mas eu simplesmente não conseguiria encarar o Andrew agora, queria mostrar pra ele que tinha seguido em frente sabe. Então a primeira coisa que eu pensei em fazer foi o óbvio: expelir a sua presença mostrando que seu lugar já tinha sido “ocupado” por outro macho. E também, já aconteceu uma vez que aconteça de novo, pelo menos dessa vez vai ser para o meu bem. Nossa que pensamento maléfico, de onde eu tirei isso? Mas ele não sabia que isso era a apenas uma encenação, e acabou se empolgando, o que acabou gerando um beijo tão longo que eu fiquei sem ar.
-Uooou, o que foi isso?-ele perguntou, com os cabelos todos bagunçados, o rosto vermelho e os olhos brilhando. Ou seja, mais gato do que nunca. Sério. CALE A BOCA SUBCONSCIENTE MALDITO, ELE É NAMORADO DA MINHA MELHOR AMIGA!
Mas é gato.
CALADO!
Muito bem, voltando ao presente, eu olhei por cima de seu ombro e vi um Andrew espumando de raiva saindo da praça de alimentação.
-Isso- comemorei. Ele me encarou com uma cara tipo “what the hell?” e eu sorri—Sua vez de ser usado Walker-respondi simplesmente. E então Jenny apareceu e me encarou com uma cara muito parecida com a dele.
-Vocês dois se beijaram- ele disse, o que claramente não foi uma pergunta. Eu a encarei.
-E por acaso a Mãe Jenny pode me dizer como sabe disso?-Thiago perguntou. Ela revirou os olhos e eu lhe dei um tapa na cabeça.
-Seu idiota, ela podia não ter certeza e você vem e entrega desse jeito!-eu digo. Ela ri e tira um espelho da bolsa. Puta que o pariu, eu sempre fico assim quando beijo alguém? Sério, eu parecia que tinha acabado de correr uma maratona na floresta. Meu cabelo tava todo bagunçado, parecendo um ninho de rato, minha cara tava vermelha e meu olho esbugalhado. Minha boca tava até inchada. Minha mãe do céu. E o mais exasperador era que eu estava com os mesmos “sintomas” do Thiago, e enquanto ele ficava ainda mais gato e sexy eu parecia uma preguiça atropelada por um caminhão de preguiças, atirada de um precipício, digerida e vomitada por leões.
-Não dava pra negar Rose-ela argumentou.
-Eu sempre fico assim depois de beijar alguém?-eu perguntei, ainda horrorizada e tentando me arrumar o máximo que eu podia. Ele riu.
-Só quando beija bem beijado- Jenny respondeu, o que fez com que ele começasse a gargalhar ao meu lado.
-Tudo culpa do Andrew-eu disse. E então ele se calou e ela começou a rir.
-Quem é Andrew?-ele pergunta
-Meu ex- eu respondo de forma resumida.
-E o que ele tem a ver com isso?
-Ele tava olhando. Por isso que eu te beijei.
-Mas que merda! Eu me sinto usado, vou processar você!-ele disse, com a voz falsamente ofendida. Eu ri.
-Isso se chama o feitiço virando contra o feiticeiro Walker-eu respondi. Ele riu.
-Não to reclamando garota. Eu adoro beijar você-ele disse, fazendo um bico e mandando um beijo imaginário para mim, que eu imaginariamente “varri” para longe. E então todos rimos.
-Tá agora eu tenho que ir pra casa, eu ainda vou trabalhar hoje-eu disse. Eu tinha arranjado um trabalho como babá, e hoje seria meu primeiro dia, então eu não podia me atrasar, e tinha que estar apresentável também, o que não incluía minha atual cara de “garota bem beijada” como disse Jenny.
Thiago nos levou até o nosso apartamento e então foi embora. Senti Jenny respirar aliviada assim que viu ele virar a esquina.
-Mon Dieu, esse garoto é muito gato!-ela diz de repente, enquanto subimos pelo elevador. Eu comecei a rir.
-Agora me conte a novidade Jen-eu digo, irônica. Ela ri e me da um tapa no braço.
-Seria bem mais fácil odiá-lo se ele fosse feio-ela diz pensativa. Eu reviro os olhos.
-Se ele fosse feio eu não teria nem ficado com ele pra começo de conversa-eu retruco. Ela começa a gargalhar.
-Verdade. Agora vá tomar um banho e tente ficar apresentável pro seu primeiro dia de trabalho- ela diz, já me empurrando pra o banheiro. Eu tomo um bom banho, tentando lavar a culpa que eu to sentindo junto. Isso, se ninguém sabe, não é possível. Infelizmente.
Enfim, depois eu coloco uma roupa qualquer, minimamente arrumada e penteio meu cabelo. Fico feliz de ver que minha cara já voltou ao normal. Tipo, não normal NORMAL, mas ao meu normal pelo menos.
-E então, ansiosa?-perguntou minha mãe enquanto eu colocava o casaco sentava na mesa.
-Um pouco-admito. Olha, eu nunca trabalhei antes, e eu nem precisaria, mas eu não gosto da ideia de viver as costas dos meus pais, então decidi arrumar um emprego comum para uma adolescente da minha idade: babá. E convenhamos, cuidar de crianças não é difícil. Eu tenho alguns primos, sei fazer isso.
-Isso é bom, vai punir você-diz Jenny brincalhona. Eu dou uma risada.
-Acho que a minha consciência pesada já é o suficiente-eu retruco. Minha mãe me olha com uma cara de quem não tá entendendo nada.
-Punir pelo que?-ela pergunta, assim como quem não quer nada. Pensa que me engana né dona Marie.
-Por eu ter estragado a saia dela-eu respondo.
-Desde quando você usa saia?
-Eu não uso.
-Então como você estragou?
-Eu derramei suco numa saia dela.
-Eu não vi nenhuma saia com suco por esses dias-ela diz, desconfiada. Merda. Abortar, abortar missão! Por mais que eu sempre contasse tudo para a minha mãe eu não creio que ela fosse aceitar muito bem que eu traí a Mary. As vezes ela parece mais mãe da Mary da que minha. Sério.
-Eu joguei fora porque achei que não ia dar pra lavar-responde Jenny. Eu suspiro aliviada.
-Nossa-diz minha mãe, finalmente se convencendo de que era tudo verdade. Eu vou te contar heim, to pra ver mãe que não confie na filha como a minha mãe.
-Muito bem, eu to atrasada, vo indo!-eu digo, já levantando e saindo. O prédio deles era bem próximo ao nosso, então eu fui de pé mesmo. Chegando lá eu toquei a campainha. Uma mulher de cabelos castanhos e muito bem vestida veio atender a porta. Ela tinha um rosto conhecido, mas eu não sabia de onde. Talvez ela fosse famosa.
-Você deve ser Rosalie-ela disse, abrindo um sorriso.
-Eu mesma Sra. Rotz-eu respondo, antes de apertar sua mão. Ela me convida para entrar e me mostra a casa toda. Explica que ela terá que viajar hoje e a sua mãe só chegara amanhã de manhã, e ela não confia o suficiente no filha mais velho para deixar a irmã só com ele. E então ela me apresenta a menininha.
-Essa é Isabelle-ela diz. A menina tem 3 anos e 4 meses, e é uma gracinha. Tem os mesmos cabelos que a mãe, e um sorriso lindo também, daqueles que te faz querer sorrir junto.
-Oi lindinha-eu digo para ela, e dou um abraço nela, que me abraça de volta.
-Belle essa é a Rose, ela vai tomar conta de você hoje junto com o Tigo- A Sra. Rotz diz. E então ouvimos o barulho da porta de entrada se abrindo.
Eu me viro para ela a tempo de ver Thiago entrando e fechando a porta, abraçando a Sra. Rotz em seguida.
-Oi mãe- ele diz. Não, pera... Ela é mãe dele, como assim produção? Minha cabeça ainda tava se batendo pra achar as respostas quando ele se vira e me vê. Ele ergue as sobrancelhas – Rose?
Vai ser uma longa noite, escreva minhas palavras. Ou digite, o que preferir.
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