Simply Complicated
8 The hell
Notas iniciais
Enjoyy...
Anteriormente em Simply Complicated...
-Oi mãe- ele diz. Não, pera... Ela é mãe dele, como assim produção? Minha cabeça ainda tava se batendo pra achar as respostas quando ele se vira e me vê. Ele ergue as sobrancelhas – Rose?
Vai ser uma longa noite, escreva minhas palavras. Ou digite, o que preferir.
-Vocês se conhecem?- ela pergunta.
-Ela estuda comigo-ele responde, e vem pegar Belle no colo.
-Poisé-eu respondo automaticamente.
-Muito bem então. A senhorita Dummond vai ficar de babá da Belle hoje-ela anuncia. Ele se vira para mim e eu consigo captar um sorriso malicioso em seus lábios antes de ele se transformar em um sorriso simpático.
-Tudo bem-é tudo o que ele diz.
-Que bom. Agora eu tenho que ir- ela diz, antes de dar um beijo em cada um deles e sair. Eu continuava parada no mesmo lugar.
-Tia, a gente pode brincar de casinha?-pergunta Belle, puxando uma das minhas mãos. Eu sorrio.
-Claro linda-eu digo. E então ela começa a me puxar para dentro de casa, mas é interrompida pelo Thiago segurando meu braço.
-Vai na frente Pepe, eu vou conversar com a tia Rose um pouquinho ok?-ele diz. Ela dá de ombros e vai na frente. Assim que ela sai do nosso campo de visão eu me largo dele.
-Mas o que diabos você tá fazendo aqui?-eu pergunto, já começando a bater nele, que segura meus pulsos.
-Eu moro aqui kitty-ele diz, com toda a calma do mundo. Ok, acho que essa resposta era meio óbvia. Mas eu tenho direito de ser idiota nesse momento!
-Argh! Tantas casas nesse mundo e eu tenho que ser babá logo na sua!-eu digo. Ele ri.
-Isso se chama destino.
-Destino é o caralho, isso se chama azar mesmo.
-Azar seria se você tivesse ido parar na casa de um garoto feio, não um deus grego como eu-ele diz, convencido. Eu começo a rir. Não porque seja mentira (porque, convenhamos, não é) mas porque ele ficou igualzinho ao Andrew quando disse isso.
-Ok ok, eu vou lá pra dentro brincar com a Belle-eu digo. Ele me solta.
-Eu vou tomar banho.
-Não precisa me avisar de todos os seus passos Walker, você ta na sua casa-eu digo já de costas.
-Isso era mais um convite sabe...- ele diz, o que me faz virar nos calcanhares para olhá-lo. Ele então começa a rir como um louco- Só to brincando kitty-ele responde, erguendo as mãos e saindo andando. Eu suspiro.
-Idiota-resmungo comigo mesma. Entro no quarto da Belle, que é enorme e cheio de brinquedos, o que incluía uma casinha de bonecas em cima da cama dela, como se fosse um beliche. Ela me obriga a subir lá, mesmo que eu diga que odeio escadinhas de corda. Diabólica. Então eu subo, e nós estávamos inocentemente brincando de boneca quando ouço uma risada na porta. Então eu me viro para mandar ele a merda, mas me deparo com uma cena no mínimo desconcertante. Ele estava só de calça de moletom, o que me proporcionava uma vista espetacular de seu físico, que era digamos, bem agradável. Ele era musculoso, mas sem ser bombado, e tinha tanquinho. Deuses que me abanem.
-Eu vou ter que te salvar de novo?- ele diz, erguendo as sobrancelhas. Tá pera isso foi comigo né? Desculpem, é que eu tinha me perdido... Enfim, eu me forcei a olha-lo nos olhos e não no corpo, e responder:
-Não, aqui tem tatames no chão, eu posso pular sozinha-eu respondo, irônica. Ele ri ainda mais.
-Tudo bem então...
-Sobe aqui Tigo!-Belle chama. Eu até me engasgo depois dessa.
-Não não Belle, não tem espaço aqui!-eu digo, tentando ao mesmo tempo empurrar a criatura que já estava subindo.
-Claro que tem, eu, ela e a Mary cabemos ai, e olha que a Mary é maior que você-ele retruca, me empurrado para o lado e se sentando. Eu bufo de irritação.
-Tudo bem-eu digo. Vou te contar, é nessas horas que ser baixinha é o capeta. E então nós passamos uma boa parte da noite brincando de casinha. E nós podemos falar o que for do Thiago, mas ele é um ótimo irmão. Lá pelas dez e meia ela começou a ficar com sono, e então nós descemos e eu deitei ao lado dela na cama, e ele do outro lado. Mas então seu celular tocou e ele saiu para atender. E eu fiquei mais uns 15 minutos deitada com ela contando histórias até ela dormir. Mas eu continuei deitada com ela, pensando na bagunça que estava a minha vida.
O ano que deveria ser perfeito porque eu estaria estudando com a minha melhor amiga estava era uma bosta. Eu e a Mary havíamos nos conhecido na primeira série. Primeiro nós nos odiamos, porque éramos muito diferentes. Mas um dia um valentão tentou roubar um lanche e ela não deixou, e a partir daí nós nos tornamos amigas, e hoje somos inseparáveis.
Antes que eu me autoflagelasse mais eu caí no sono. Acordei bem depois, com um chacoalhar constante que indicava que estava em movimento, mas então eu deitei de novo e acabei dormindo depois de minha mãe (ou pelo menos foi isso que eu imaginei na hora, o que obviamente não é verdade porque minha mãe não se chama Thiago e nem conseguiria me carregar no colo) me cobrir e eu me aconchegar, sentindo o aroma calmante a minha volta.
Acordei de verdade eram quase 3 da manhã, com um barulho de coisa quebrando. Me levantei de um pulo, registrando automaticamente que o quarto parecia masculino demais para ser o de hóspedes, e fui ver o que era, no que encontrei Thiago com um corte no braço e um monte de cacos no chão.
-Merda-ele resmungou. Eu revirei os olhos.
-Quebrou o copo? Coisa feia pra um capitão dos esportes-eu digo. Ele levanta os olhos assustado.
-Te acordei?
-Não querida, eu sou uma projeção holográfica- eu respondo irônica, me encaminhando pra aperto dele e segurando seu braço.
-Engraçadinha-ele retruca. Eu rio baixo.
-Não foi ruim.
-O que?
-Seu corte, não foi ruim-eu digo, levantando a cabeça pra olhar ele.
-Dá pra tampar logo?-ele pergunta, virando para o lado. Reparo que ele está branco.
-Você tem fobia de sangue?-pergunto, começando a rir.
-Não tenho medo, só não gosto de ver-ele responde, com a cara fechada. Eu começo a rir.
-Oh meu deus, o grande Thiago Walker, esportista numero 1 do colégio, tem medo de sangue!-começo a tirar sarro. Ele fecha ainda mais a cara, mas a situação é tão absurda que eu continua rindo. Ele tira o braço da minha mão e sai andando. Eu reviro os olhos e vou atrás dele- Ficou ofendidinho foi?-pergunto, puxando seu braço para baixo da água. Ele dá um gemido de dor.
-Não gosto que apontem as minhas fraquezas-ele diz. Reviro os olhos de novo.
-Mas você tem. Todos temos.
-Mas não precisamos ficar apontando.
-As vezes é bom se lembrar que você não é perfeito-eu retruco. Ele suspira enquanto eu coloco um algodão e esparadrapos em cima do corte.
-As vezes seria bom não ter defeitos-ele resmunga. Eu dou de ombros.
-Seria chato.
-Não, não seria. Se todos fossem perfeitos ninguém se machucaria. Ninguém se magoaria-ele disse, e eu podia sentir seu olhar queimando na minha cabeça mas me recusei a encarar ele.
-Pode até ser- respondo, indiferente- Acabei.
-Obrigado-ele diz. E só então eu reparei como o banheiro era pequeno.
-E a propósito, eu estava deitada no seu quarto?-eu pergunto. Ele fica meio vermelho.
-É. O quarto de hospedes tá em reforma.
-Eu durmo com a Belle- respondi, cruzando os braços, um grande erro na verdade, pois eu acabei me prensando na parede e cos braços no peitoral nu dele. Ai meu Merlin que pele macia... FOCO ROSALIE!
-Não precisa, eu vou passar a noite acordado na sala pelo jeito-ele retruca dando de ombros.
-Mas e quando a sua mãe chegar e me ver dormindo na sua cama?
-Ela não vai chegar esqueceu? A gente vai acordar pra ir pra escola e deixar a Belle na creche.
-Ok então-eu digo, e saio correndo daquele espaço apertado e impregnado do perfume dele, muito bom até e... PARA! Sério, meu subconsciente vai me matar ainda.
-Não precisa correr, não é como se eu fosse te agarrar sabe-ele diz.
-Até parece.
-Não vou-ele diz, chegando perto de mim, me jogando na cama e deitando por cima de mim. Seu rosto estava a menos de um palmo do meu, tão perto que eu sentia sua respiração.
-Não é o que parece-eu digo, quase sem voz. Ele dá uma risada rouca.
-Eu vou esperar você pedir- ele diz, antes de abaixar a cabeça e beijar meu pescoço, arrepiando meu corpo todo e dificultando bastante o ato de pensar. Eu suspiro... SEI QUE DEVEM ESTAR ME XINGANDO HORRORES AGORA, MAS TENTE NÃO SUSPIRAR! E então ele saiu.
-Idiota, vai esperar muito ainda.
-Não é o que parece- ele diz, imitando a minha voz. Eu pego um objeto qualquer e ataco nele, que se desvia elegantemente. Filho da puta.
-Sai daqui sai, eu tenho que dormir-retruco, fechando a cara e me enfiando embaixo do cobertor. Eu ouço sua risada.
-Boa noite kitty-ele diz, antes de apagar a luz e sair do quarto. Eu dormi quase em seguida e só acordei no dia seguinte as 6 da manhã. Me levantei e fui até o banheiro lavar o rosto. Vou até o quarto da Belle acordar ela e me deparo com ele dormindo com ela. Ele parec uma criancinha dormindo. Tanto que fico até com pena de acordá-lo já na pressão e cutuco se braço de leve.
-Acorda Thiago-eu chamo baixinho, e ele se remexe um pouco antes de abrir os olhos e me encarar.
-Porque?-ele pergunta com a voz rouca de sono.
-Porque você tem que me ajudar a levar a Belle pra escola, eu não sei onde é.
-Tá, arruma ela que eu vou me trocar e já venho.
-Ok-eu respondo. Acordo a Belle e coloco seu uniforme. Então ela me pede um colo, e eu como sou uma manteiga derretida dou. E então ela dorme de novo.
-Vamos? Tá cedo ainda, dá pra gente parar em uma padaria pra comer antes da escola- ele diz, parado a porta.
-Vamos-eu concordo. E então nós saímos e vamos até a escola dela, que é meio longe, então nós dividimos seu peso para carregá-la. Quando chegamos na creche a monitora, que parece ser uma adolescente, não para de babar em cima do Thiago, o que curiosamente me deixa irritada. Trato de convencer a mim mesma que isso é só porque a Mary é minha amiga.
Na volta nós paramos na padaria e compramos dois cappuccinos e pães de queijo. Ao chegar na escola avistamos o grupinho todo reunido. Assim que eles nos veem eles começam a acenar e Gui dá um sorrisinho malicioso. Reviro os olhos. Mary vem correndo e pula no colo de Thiago, que quase derrama o cappuccino em mim.
-Gatinho, eu tava com saudade!-ela diz, beijando ele. Eu faço uma careta.
-Arranjem um quarto por favor?-eu digo, e Fernanda e Aninha concordam comigo. Mary apenas ri.
-Vai engolir o Gui e me deixa em paz por favor?-ela retruca. Eu fecho a cara.
-Vai te fuder bitch.
-No, vai tu cow-ela responde, me mostrando a língua. Eu começo a rir.
-Ok, ok... Vou arranjar alguém que me queira e te deixar em paz-eu respondo e saio de lá. No caminho para a sala encontro com Adriana, só para iluminar o meu dia. Perceberam a ironia né?
-Oi coisinha-ela diz, sorrindo. Sabe, dentes tão brancos deveriam ser proibidos por serem prejudiciais a saúde. Só acho.
-Que que tu qué comigo-eu respondo, cruzando os braços e erguendo a sobrancelha. Ela ri.
-Nada não, só te dizer oi e dar um abraço-ela diz, entes de se inclinar e esbarrar “por acidente” no meu cappuccino, que se derrama todo em cima de mim.
-PUTA QUE PARIU SUA VACA LOIRA MALDITA, ESSA PORRA TÁ QUENTE!-eu berro antes de tirar o moletom, porque eu só acho que o café tava meio quente. Ela ri.
-Ops.
-Te odeio.
-Eu sei. O sentimento é recíproco.
-Olha que legal, você saiu dos monossílabos-eu digo, com a voz pingando sarcasmo, mas começando a tremer de frio já. Ela fica vermelha de raiva e saí andando.
-Uou, que xinxa-ouço uma voz masculina dizer atrás de mim. Me viro e vejo Léo.
-Ela que começou- eu retruco, fechando a cara e cruzando os braços. Ele e a vaca estavam ficando, então eu já estava me preparando psicologicamente para uma briga quando ele ergueu os braços e sorriu.
-Eu sei que ela é uma vaca.
-Então porque fica com ela?
-Porque as pessoas passam a linguiça na farinha de boteco?-ele pergunta.
-E eu é que vou saber- eu retruquei.
-Porque é fácil. Ela é tipo uma farinha de boteco. Fácil.
-Nossa, essa doeu até em mim- eu digo, rindo. Ele ri também.
-Pois é... Mas você não tem cara de farinha de boteco...- ele diz, colocando a mão embaixo do queixo e me analisando. Eu lhe dou um tapa.
-Pervertido.
-Sou nada.
Foi um bom momento até. Pena que a porra toda ia piorar. E muito.
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