Simply Complicated
9 The climb just kidding haha
Notas iniciais
Sabe aquela musica que diz "Dias de luta, dias de glória"? Exclua a parte da glória. A não ser que você ache que duas aulas de educação física seguidas é uma coisa gloriosa.
A primeira aula foi de matemática. Tudo estava muito bem até o x e o y se perderem e eu ter que achar eles no meio de uma "suruba letrada". Não curti. Enfim, na hora das aulas de educação física eu pensei seriamente em fingir que tava doente pra ir pra casa quando o professor disse que nós teríamos que fazer teste de resistência. O que consistia basicamente em: correr quase 2 quilômetros em voltas na quadra, subir e descer 3 vezes a arquibancada de 15 degraus, subir na parede de escalada e na corda.
Traduzindo tudo isso: eu morrendo. Sério, eu sou péssima em resistência, corrida, subidas e escalada. To fudida na melhor das hipóteses. Anyway, eu coloquei o shorts e a blusa do colégio e fui me sentar perto da Claire (que também não era lá aquelas coisas com esportes).
–E aí, preparada?-perguntei. Ela me olhou e riu.
–Nunca né querida-ela disse, carregada de sarcasmo na ultima palavra. Eu ri.
–Nem eu. Prevejo muitos tombos e a humilhação pública-eu retruquei, me deitando na arquibancada pra esperar todas as patis terminarem de se trocar.
–E ai, vamos?-disse Gui, me puxando pela mão para me levantar. Eu fiquei de pé e o encarei.
–E eu lá tenho escolha?- perguntei sarcástica. Ele riu. Querido.
–Vai logo e não reclama garota.
Revirei os olhos, mas sai andando do mesmo jeito. Chegamos até o meio da quadra e o professo separou todos em duplas para apostar corrida e adivinha quem era a minha maldita dupla: Adriana. É. A menina patricinha que fudeu meu moletom favorito e é ótima em esportes. Não tem como ser pior.
– Eu to é bem fudida-eu comentei com Mary enquanto nós sentávamos para esperar a nossa vez.
–Tá mesmo. Você vai com a Adriana, que é tipo, 3 vezes medalha de ouro em corrida de velocidade nos jogos municipais.
–Não precisa me lembrar disso querida-eu disse. Ela e Thiago riram.
–Qualquer coisa é só você dar um chute nela e sair correndo que nem uma louca na frente-ela disse, dando de ombros.
–Imagina que tem um capuccino na sua frente pra correr mais rápido-disse Thiago. Eu quis bater nele, mas eu me controlei já que sou uma pessoa muito racional. Rá.
–Vá te fuder- foi tudo que eu respondi. Eles dois riram. Revirei os olhos.
As pessoas continuaram correndo um tempão até chegar a nossa vez. Alguns eram realmente bons, outros eram dá pro gasto, e tinham aqueles péssimos. Tipo eu.
–Adriana e Rosalie!-ele chamou. É. Foi bom enquanto durou, mas agora a vida acabou.
Nós nos posicionamos lado a lado na “linha de partida” e esperamos o professor dar o sinal.
–Preparada pra perder?-ela diz, sem me olhar.
–Você só diz isso porque sabe que é a única coisa que você pode me ganhar-eu respondo.
–Você vai ver então. Você e a Mary, vão ver quando eu der uns pegas naquele gostoso do Thiago-ela disse. Eu olhei pra ela de um jeito homicida. Mas antes que eu pudesse responder algo muito inteligente o treinador deu a partida. Nós duas saímos correndo como loucas, ela um pouco na minha frente.
Mas eu não ia deixar aquela vaca ganhar. Não mesmo. Juntei todas as minhas forças pra conseguir correr mais rápido. Comecei a me empurrar mais pra frente com mais força, pra chegar mais longe com uma passada e logo eu estava do lado dela. Ela me olhou e começou a correr ainda mais.
No fim eu estava quase morrendo quando a linha de chegada apareceu. Milagrosamente eu estava lado a lado com a vaca loira, e, milagre dos milagres: eu ganhei. SIM QUERIDOS TELESPECTADORES, VOCÊS OUVIRAM (LERAM) BEM SIM, EU GANHEI ESSA PORRA!!!
Eu não tava nem respirando, mas eu ganhei. Assim que acabou eu cai no chão que nem uma... Seila, uma coisa que cai no chão. Enfim, sabe aquele momento em que parece que você ouve o seu coração bater no cérebro, e o seu abdome parece que tá queimando de dentro pra fora? É, eu tava pior.
–Rose, você tá bem?- perguntou Gui, se abaixando ao meu lado. Eu olhei para ele e sorri.
–Eu ganhei-eu digo. Ele ri.
–Ganhou mesmo, mas parece que vai morrer-disse Leo. Eu rio.
–Porém, tudo valeu a pena- disse Thiago, apontando para Adriana. Eu me virei pra olhar, e realmente valia a pena estar quase morrendo de falta de ar por isso.
Ela estava vermelha de raiva, gritando sem parar, e seus fieis súditos estavam rindo dela, o que só piorava as coisas.
–Caralho, valeu muito a pena!- eu digo, passando as mãos em volta dos ombros do Gui pra poder me levantar (correr e ganhar tem seu preço meus camaradas).
–Muito bem senhorita Dummond-me parabenizou o treinador, enquanto eu continuava tentando achar ar nos meus pulmões (demorou, mas eu achei).
Depois de todos terminarem começou a parte que eu mais amo: subir na porra da parede de escalada e na corda. Ai que emoção. Só que não. Revisando rapidamente alguns pontos já abordados aqui, eu tenho medo de altura. Bem, na verdade não é necessariamente da altura em si, só de subir e descer de coisas altas, mas vocês entenderam a essência da coisa.
–Rosalie Dummond-ele chamou, e eu fui até o seu lado.
–Então professor, temos que discutir uma questão aqui- eu digo.
–O que?
–Eu meio que não gosto de altura sabe- respondo, tentando não soar como uma pessoa aterrorizada.
–E eu com isso?-ele retruca, e algumas pessoas dão risadinhas. Fico vermelha. Malditos.
–Eu acho que o senhor não esta entendendo. Eu não posso subir na corda e nem na parede porque tenho fobia de alturas. Se eu subir eu vou ter um ataque de pânico, meu coração vai acelerar e eu vou cair. Entendeu?-eu disse, daquele jeito que você pretende que seja ameaçador, mas acaba soando meio desesperado.. Uma bosta.
–Tudo bem então senhorita, depois nós conversamos-ele diz, e eu respiro aliviada, e então fico morgando até a hora do recreio. Interessante não? Sim, na verdade é muito interessante ver os garotos fazendo exercícios. De vez em quando eu me pegava olhando para Thiago, e então virava o rosto e voltava a olhar para outra pessoa, como Léo ou Gui.
Véi, na boa, como eu fui me meter numa merda tão grande? Só eu mesmo.
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