Simply Complicated
10 Prazer, meu nome é estupidez!
Notas iniciais
Tédio. Ta aí uma palavra que define a maior parte da minha vida.
Lá estava eu, deitada bem de boa na minha cama, morgando como sempre, jogando uma bolinha no teto. Até meu celular tocar. Mary.
–Oi-eu digo, atendendo o celular. Imediatamente ela dizendo:
–Ooooooooooooooi- (imaginem isso num tom bem fininho, tipo voz de pati)
–Jesus amado, que é isso?-eu digo, rindo.
–Isso sou eu te convocando para dormir aqui em casa — responde Claire.
–Porque?
–Porque eu sou sua amiga e quero você aqui ué- diz ela. Eu rio.
–Tudo bem, já vou- respondo, desligando o celular. Peço para minha mãe e ela deixa (que novidade, as vezes eu acho que minha mãe me deixaria até me prostituir se eu dissesse que a Mary vai junto). Arrumei meia dúzia de roupas (afinal pra ficar na casa da Mary no geral eu não preciso de mais do que pijamas) e fui até lá, andando porque preciso emagrecer depois das 3 barras de chocolate que eu comi pra afogar a depressão.
O porteiro me cumprimenta e eu subo até o prédio dela. Eu mal termino de bater na porta antes que ela abra e me empurre pra dentro.
–Se arruma!-diz Mary.
–Porque raios, a gente não vai ficar aqui?-pergunto
–Vamos, mas primeiro a gente vai no shopping- ela responde. Reviro os olhos.
–Tá bom, eu vou me trocar. Mas eu não trouxe roupa pra sair, então você tem que me emprestar- digo, subindo para o seu quarto. Coloco um shorts e uma blusa qualquer, e um de seus milhares all stars.
–Ok, vamos?-pergunto. Ela concordam e nós saímos e andamos até o shopping. Resolvemos ver Carrie, a estranha (com o lindo do Ansel Elgort, até que que odeio terror aceitei). Quando estávamos indo para o cinema, eis que me deparo (de novo) com o Andrew. Puta merda hein, essa criatura fica me vigiando pra saber onde eu vou agora? Mereço uma coisa dessas. Tentei passar reto, mas ele me viu e começou a caminhar na nossa direção
–Puta merda!-exclamo baixinho, tentando ao mesmo tempo me esconder atrás de uma arara de roupas qualquer (pensem na cena linda) pra ele não me ver. De qualquer jeito não deu certo, e ele só me encontrou com uma cara de idiota maior que o normal.
–Rose! Como vai princesa?-ele disse, me abraçando e me dando um beijo no rosto (perto demais da boca pro meu gosto)
–Oi And, eu to bem e você?- eu respondi, me soltando dele.
–Eu to bem. Tava com saudades suas-ele diz, passando a mão na minha bochecha.
–Andrew?-diz Mary, que tinha sumido indo provar roupas.
–Oi Mary-ele diz educadamente, apertando a mão dela. Eles nunca se deram bem.
–E então, vamos pro filme?- ela diz, se virando pra mim. Eu concordo com a cabeça.
–Então tá And, foi muito bom rever você, mas eu tenho que ir-eu digo, já virando as costas e doida pra me livrar dele, mas ele me segue.
–Vai ver que filme princesa?
–Carrie
–Sério? Eu também-ele diz, me mostrando um ingresso para Carrie. PUTA. QUE. PARIU!!!!!!!!! Sério mesmo universo? Que que eu te fiz cara? Eu sempre fui uma boa menina (pelo menos eu acho) e ai você vem e me faz essa meleca na minha vida?
Eu tive vontade de socar aquela carinha linda do Andrew até virar um nabo, mas me contive e sorri.
–Sério? Não acredito!- respondo, pingando sarcasmo da minha falsa animação, mas pra minha sorte ele nunca foi bom em perceber deboche então...
–Nossa! Que alegria!- diz Mary, também debochada.
–Vamos juntos então princesa-ele diz, sem esperar a confirmação para o seu convite. Como sempre. Enfim, quando chegamos na sala de cinema ele se senta ao nosso lado. Logo no início do filme tem uma cena com o gostoso do Ansel sem camisa (gente do céu, aquilo não é de Deus!) e então Andrew segura minha mão.
Não solto a minha mãe da dele por dois motivos. Primeiro: a mão dele é quentinha e fofinha, não dá pra reclamar. E segundo: eu percebi que posso usar ele ao meu favor nesse momento. Porque eu sinto que a Mary ta desconfiando de algo, e a Daire mesmo se descobrir nem vai hesitar em me entregar. Então meu plano genial é: voltar com ele. Assim eu tenho um álibi, tenho bons beijos conseguidos de maneira honrada, e um motivo pra parar de pensar no Thiago. Não que eu pense nele claro, mas enfim.
–Se tiver medo pode me abraçar- diz Andrew. Parece até fácil demais esse plano. Valeu universo, finalmente você conspira a meu favor. Na mais estúpida ideia que eu já tive na vida, mas já conta. Enfim, eu olho pra ele, bem nos olhos, como eu fazia quando nós namorávamos e me aproximo dele. Ele percebe o que eu quero fazer, e segura meu pescoço, me trazendo de encontro a sua boca.
E então nós nos beijamos. Não posso negar que ele beija bem pra porra. Tava até com saudades. Mas então eu me lembro do beijo do Thiago, o que só serve pra me deixar com raiva, raiva essa que eu transfiro toda para o beijo. Nos beijamos até eu ficar sem ar e ter que me separar dele.
–Você continua beijando bem-eu digo pra ele, que ri.
–Volta comigo princesa. Eu juro que vou tentar mudar-ele diz, erguendo meu queixo e me olhando bem nos olhos. Eu feho os olhos e lhe dou um selinho.
–Vou acreditar em você. Não me desaponta-eu respondo, deitando meio que por cima dele e virando para o filme. Ele dá uma risadinha.
–Eu não vou-ele diz, beijando meus cabelos e fazendo cafuné. Ele sempre foi um namorado carinhoso, o que as vezes é bom.
O Filme é muito bom, mas nunca poderia ser considerado um terror. No máximo suspense.
Mary quase me espanca quando ve que eu e Andrew estamos de mãos dadas.
–Que raios vocês tão fazendo de mão dada?-ela pergunta. Eu dou um sorriso amarelo.
– A gente voltou- eu digo simplesmente, e ela arregala os olhos pra mim.
–No way!- ela diz, pasma. E eu olho ela com uma cara de depois te explico.
Nós comemos sushi juntos, e eu finalmente consigo abandonar o elástico (é isso aí, às bitches o meu desprezo). Depois nós vamos para a casa da Mary, onde Thiago estava nos esperando na frente do portão.
–Oi amor-ele diz, puxando ela pela cintura e a beijando. Então ele olha para mim, e seus olhos vão automaticamente para as nossas mãos dadas e um olhar confuso passa por seu rosto.
–Oi Rose. Quem é esse?-ele pergunta. Eu sorrio.
–Meu namorado-respondo, agarrando o braço de Andrew, que estava encarando Thiago de um jeito pensativo. E é ai que eu me lembro do dia no shopping, em que eu beijei o Thiago na frente dele. Eita porra, tenho que tirar ele daqui rápido-Porra, acabei de lembrar que eu esqueci meu carregador em casa!-eu digo, dando um tapa na testa pra dramatizar- And, você vai la buscar comigo por favor?-pergunto, olhando para ele como um cachorrinho que caiu da mudança, e ele sorri. Podem aplaudir já, minhas habilidades artísticas são mesmo fodásticas.
–Tudo bem amor, vamos-ele diz.
–Eu já volto Mary, só um minuto- eu digo, me virando e indo em direção ao carro de Andrew. Nós paramos na minha casa e eu subo só pra fingir que peguei algo, mas acabo dando de cara com Jenny e um outro garoto no meu quarto. Nem falo nada, só saio correndo de lá.
Quando entro no carro, ele se vira pra mim e pergunta:
–Aquele era o garoto que eu te vi beijando no shopping há uns dias?
–Claro que não né nego-eu respondo.
–Então é muito parecido mesmo, porque...-ele diz. Vamo filha, pensa, você entrou nessa agora te vira pra sair.
–O garoto era primo dele-eu minto. Minha sorte é que Andrew não é muito desconfiado, então a historinha pegou fácil. Ele me deixa na frente do prédio de Mary e eu subo, me deparando com Thiago sentado no sofá. Quando eu abro a porta ele ergue as sobrancelhas.
–Começa a explicar-ele diz, cruzando os braços em frente ao peito.
–E quem é você pra mandar?
–Alguém que você já beijou pra afastar a criatura que você hoje tá falando que é seu namorado-ele responde, me fazendo pular em cima dele e tapar sua boca.
–Cala a boca animal, quer que a Mary ouça demente?
–Então começa a falar.
–Eu voltei com ele tá legal? Era o melhor a se fazer-eu respondo, cruzando os braços também. Ele bufa.
–Desde quando você sabe o melhor a se fazer garota?-ele pergunta.
–Cala a boca ok?
–Não- ele retruca, e nós dois bufamos e ficamos em silêncio por um bom tempo, até que ele volta a falar.
–Me sinto usado sua estupradora!
–Quem, eu? Só porque eu te beijei naquele dia? Nem vem legume, nem vem!-retruco, dando-lhe um tapa ardido nas costas.
–Louca! Você é completamente desequilibrada, deveria estar em uma clínica psiquiátrica a uma hora dessas!- ele sussurra. Eu bufo.
–Animal.
–Doida.
–Legume.
–Maníaca.
–O que vocês dois estão fazendo?-pergunta Mary, com os cabelos molhados, o que indica que ela por sorte acaba de sair do banho.
–Nada não, só tava sendo amigável com ela-ele responde, passando o braço pelo meu pescoço e coçando a minha cabeça com o punho, como se eu fosse uma irmã mais nova. Eu mordo seu braço e me livro, deixando ele e Mary rindo.
Ele vai embora pouco tempo depois, e Mary se vira para mim com um sorriso enorme.
–Festa do pijama!!!!- ela exclama.
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