Simply Complicated
6 Eu amo a natureza! Só que não...
Notas iniciais
E então, chega de mim e vamos ao capítulo u.u
Muito bem, agora a porra já ficou pessoal. O universo inteiro me odeia, isso é visível, porque outro motivo eu estaria aqui, em cima de uma árvore agora? Ok, já sei, vocês não estão entendendo nada não é mesmo? Vamos voltar no tempo então.
Desde a minha última narração já se passou uma semana. Uma longa semana em que eu passo todas as manhãs pagando os pecados de todas as minhas vidas, passadas, presente, futuras, pós apocalípticas e tudo. Além de aguentar Mary e Thiago sendo “fofos” e a Mary me pressionando a gostar dele, eu tive que aguentar a maldita vaca loira da Adriana fazendo da minha vida um inferno ainda maior. Sério, a garota simplesmente não me deixava em paz. E tudo porque eu era mais inteligente que ela, e eu tenho a leve impressão de que ela tem um certo tesão reprimido pelo Thiago e me odeia por consequência de eu ser melhor amiga da Mary. Mal sabe ela que eu já beijei ele...
E então, quando eu estou distraidamente pensando na desgraça da minha vida no meio da aula de física, do nada, me vem uma maldita mensagem no celular.
“Me encontra na florestinha atrás da escola hj dps da aula. Bj, vc sabe quem”. É claro que eu sabia quem. Depois que essa criatura imbecil e malvada, vulgo Thiago, descobriu meu celular a coisa ficou pior... Se é que isso é possível...
Enfim, eu estava decidida á não ir, mas eu pensei no que a vaca loira (Adriana) diria se soubesse disse. Um sorrisinho se abriu em meu rosto.
-Posso saber do que a senhorita está rindo senhorita Dummond?-perguntou o asmático senhor Fith. Sério, ele é um velhinho de cabelo branco e baixinho, me assusta.
-Nada não senhor- eu respondi sorrindo. A minha sorte é que ele aparentemente gosta de mim já que segundo ele eu sou uma das únicas pessoas da sala que ” usam o cérebro para pensar e não como ocupação de espaço intracraniano” como ele mesmo diz.
-Tudo bem. Então me explique o porque deste resultado?-ele disse. Eu olhei para a conta no quadro. Mesmo que eu não estivesse prestando a mínima atenção na aula eu expliquei corretamente e ele me deixou em paz.
Depois disso recreio. Ebaa. Só que não.
-Hoje você vai lá em casa pra gente ver alguns vídeos da comic con-disse Claire. Sim ela estava meio obcecada. Só um pouquinho.
-Vai ter o lançamento do trailer do especial de 50 anos de DW não é?-disse Gui, se sentando ao nosso lado.
-Sim é nós vamos ver!-ela disse, meio que quicando de felicidade. Oh God, essa menina me deixa doida.
-Tudo bem-eu respondi, e eles começaram a falar sobre a comic com, e como na próxima todos iríamos e ainda faríamos cosplay. Eu concordei, eu sempre quis fazer isso! E então, depois da aula, quando eu já estava indo para a minha casa, decidida a ignorar a mensagem e simplesmente me contentar em humilhar a vaca loira na escola, senti alguém me puxar. Qual é, fala sério! Tinham duas pessoas do meu lado e ninguém percebeu que eu fui sequestrada por um maníaco?
-Me larga!-eu disse, mas ele apenas riu na minha orelha, o que só serviu para me deixar arrepiada. Isso, ótimo, muito bom mesmo. Só que não, de novo.
Ele me arrastou até o meio da “florestinha”, que era basicamente um ajuntado de árvores e mato atrás da escola que muita gente utilizava para ficar, beber, se drogar, e outras coisas menos agradáveis de se ver se é que vocês me entendem.
- Pronto- ele disse, sorrindo assim que me soltou. Eu me segurei pra não dar na cara dele.
-Você já sabe que eu te odeio né?-eu disse sorrindo. Ele riu mais ainda. Maldito.
-Tudo bem, agora pare de ser engraçadinha que eu tenho que conversar com você.
-Fala logo e não me incomoda please?-eu disse, cruzando os braços. Ele revirou os olhos.
-É que a minha tia quer dar um jantar lá em casa, com um monte de escritores famosos e tal, e ela disse que eu tinha que ter uma acompanhante, mas eu tenho certeza que a Mary vai odiar. Então, eu achei que você pudesse vir comigo, o que acha?-ele disse. Sabe aquele momento que parece que o chão saiu andando debaixo de você? É, eu tava tipo assim.
-Sério? Tipo sério mesmo?-eu perguntei, praticamente pulando de felicidade. E foda-se que eu odeio ele, eu necessito ir nesse jantar.
-Aham.
-Ai meu Deus, eu até te odeio menos depois disso!
-Então você vai?
-Mas é claro que eu vou!-eu respondi, e abracei ele, que me levantou do chão e me girou. E então ele me beijou.
E eu retribui. Sim, eu vou me sentir culpada por isso para sempre, vou me martirizar, mas naquele momento eu nem pensei nisso. Sim, eu sei que sou uma péssima amiga. Me julguem, mas quero ver algum de vocês não retribuir quando um gato daqueles te beija, e beija bem. Mas e então o “nosso momento” foi estragado por uma vozinha muito irritante:
-THIAGOO!!- era a voz da Daire.
-Merda- ele disse. Eu acordei e tentei pensar em algo.
-O que a gente faz agora?-eu perguntei, meio que histérica.
-A arvore. Sobe na árvore-ele disse. Eu olhei ele como se fosse louco, mas uma outra voz gritou.
-Gatinhoo, você tá ai?- Mary. Merda. Ok Rosalie, agora não é hora de ter medo, sobe logo nessa droga de árvore!
Muito bem eu subi, e agora eu to aqui, a uns 3 metros de altura, observando enquanto minha melhor amiga e seu namorado conversam e eu tenho um ataque de pânico.
-Oi amor, o que você tá fazendo aqui?-perguntou Mary, dando um selinho nele e abraçando-o. Ele sorriu.
-Nada não, só vim pensar- ele respondeu. Eu revirei os olhos.
-Então tá... Vamos agora?-ela perguntou.
-Não, eu ainda tenho que fazer umas coisas, vai você que depois eu vou.
-Então tá bom né- ela respondeu, e lhe deu um beijo. Eca, como ele consegue beijar alguém tão naturalmente dois minutos depois de ter beijado a sua melhor amiga? Eu acho que isso deve ser um dom dos galinhas. Enfim, ela e a Daire foram embora e ele olhou para cima e começou a rir. Tá, eu sei que eu devia estar hilária agarrada no tronco da árvore, mas ele não tem o direito de rir de mim partindo do ponto que foi ele que e colocou nessa situação!
-Já pode descer princesa-ele disse. Eu comecei a colocar a perna para baixo, mas ai eu olhei pra baixo e comecei a ficar tonta e voltei a me encolher no galho.
-Não consigo- eu sussurrei. Ele parou de rir e ergueu a sobrancelha.
-Como não consegue? Você subiu ai!
-Subir foi fácil porque eu estava tendo uma descarga de adrenalina, agora que já passou eu não posso porque tenho medo!
-Medo de altura?-ele perguntou arqueando ainda mais as sobrancelhas.
-Não, só de subir e descer de coisas altas, íngremes e potencialmente perigosas, como por exemplo essa merda de árvore!-eu gritei. Ele deu uma risada fraca.
-Tá, pera que eu te ajudo- ele disse, e começou a subir na árvore. Eu fechei os olhos e esperei, até que ele segurou a minha mão. E então ele me segurou pela cintura e me colocou de pe no galho. Eu comecei a me agarrar nele inconscientemente- Você confia em mim¿-ele perguntou, olhando bem dentro dos meus olhos. Eu imaginei que ele tinha ficado completamente doido.
-Você bebeu? É claro que não, olha onde eu vim parar por sua culpa!-eu berrei, batendo em seu peito, mas aí eu malditamente quase escorreguei e fui obrigada a me agarrar nele de novo. Ele riu e então passou os braços pelo meu joelho de modo que eu fiquei em seu colo e pulou.
Sim, aquele retardado estava claramente tentando me matar, afinal porque outro motivo ele pularia de uma MALDITA ÁRVORE DE 3 METROS DE ALTURA COMIGO NO COLO? Eu gritei e me escondi nele, mas antes que eu pudesse fazer mais ele caiu meio desajeitado no chão e me colocou de pé a sua frente.
-Pronto. Você desceu-ele disse, sorrindo. Eu olhei para ele com uma cara que eu pretendia que fosse assassina, mas ele permaneceu inabalável então eu parti pra ignorância. Me joguei em cima dele e comecei socar ele. Como ele não esperava acabou caindo no chão, e eu cai por cima, mas continuei socando e puxando cabelo dele.
-SEU IDIOTA! EU DISSE QUE TINHA MEDO DE ALTURA E VC VEM E ME APRONTA UMA DESSAS!-eu berrei. Ele tentou me segurar e eu mordi ele no ombro. Ele deu um gemido de dor.
-SUA DOIDA!- ele gritou antes de me segurar e morder meu pescoço. Eu dei um berrinho, de dor. E então ele me soltou e se levantou, saindo do meu alcance. Eu tateei o lugar da mordida. Ficou um buraco em forma de dentes. Com certeza ia ficar roxo.
-SEU MANÍACO ESTUPRADOR QUE BATE EM MULHERES!- EU BERREI. Ele começou a rir.
-Eu não te bati, te mordi, é diferente-ele disse. Eu bufei e comecei a andar para fora da florestinha. Quando cheguei em casa encontrei Gui, Claire, Fernanda , Ana, Mary e Daire sentados no meu sofá conversando com a minha mãe. Merda, eu tinha até medo do que poderia sair de uma conversa entre a minha mãe e a Aninha. Sério.
-Finalmente chegou a sumida!-disse Fernanda, que foi a primeira a notar a minha entrada.
-Onde é que tu tava e porque demônios você tá toda cheia de mato?-perguntou Claire, arregalando os olhos. Eu engoli em seco. Merda , o que eu poderia falar pra elas? “Sabe é que o namorado safado da Mary me chamou pra jantar e a gente se beijou, mas como ela chegou bem na hora junto com a azeda da Daire eu tive que subir em uma árvore, mas eu tenho medo de altura e ele teve que me ajudar a sair, o que acabou que ele pulou lá d cima e eu tentei matar ele, o que resultou em tapas, socos, mordidas e eu rolando no chão”. Não mesmo né?
-Eu tropecei no meio fio de uma rua e cai em um monte de folhas- eu disse. Mas o que? Era a pior história do mundo.
-Então tá né... Mas e essa mordida ai?-perguntou a Aninha. Eu enrubesci na hora e abri a boca, mas nada saiu.
-JÁ SEI!-Mary gritou. Ih, fudeu. Ela descobriu- Você tava ficando com o Gui na florestinha e caiu!-ela berrou. Eu arregalei o olho.
-É isso ai, você me pegou!-ele disse, mais vermelho do que o sofá (e olha que aquela bagaça é vermelha heim). Eu olhei pra ele tipo “que que você ta fazendo?” e ele me disse com os lábios “vai na minha”.
-Eu sabia!-minha mãe gritou. Merda.
-Não foi nada não, só curiosidade-ele disse.
-Isso aí-eu concordei. Eles todos me olharam de canto com sorrisinhos maliciosos- E então, vamos logo ver a comic com?-eu disse, já andando pro quarto. Eles me seguiram e ficaram o dia todo fazendo piadinhas do tipo “nossa como o Gui é selvagem”. Uma merda.
E então uma mensagem chegou no meu celular: “7 dias. Vc sabe quem”
Ele me paga. Mas eu vou aproveitar o jantar primeiro, claro. E então, quando todos estavam indo embora, eu segurei o Gui pela manga.
-Muito obrigada mesmo! Sério, é a segunda vez que você salva a minha pele!-eu disse, abraçando ele forte. Ele me abraçou de volta, e eu tenho que admitir que o perfume dele era uma delícia.
-Não é nada.
-Mas só pra esclarecer, o que pode ter levado a Mary a pensar nisso?-eu perguntei, e ele corou.
-É que eu também cheguei mais tarde, porque eu estava realmente ficando com alguém na florestinha-ele respondeu. Eu ri.
-Tudo bem então.
-E você tava com o Thiago né?
-Infelizmente.
-Recaída?-ele ergueu as sobrancelhas. Eu neguei e expliquei a história.
-Uau-ele disse quando eu terminei, e logo em seguida começou a rir.
-Tá rindo do que?-eu perguntei, socando seu seu braço de leve.
-Parece que você tem uma sorte do caralho mesmo heim? Tem cada coisa que só acontece contigo!-ele disse, rindo. Eu ri também, porque infelizmente era a mais pura verdade.
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