Simplesmente acontece
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Damon está no topo da escada, assim que ele me vê, me lança um sorriso. Daqueles que te deixa constrangida.
– Olha quem acordou – ele exclama. – Olga estava suspirando pelo palácio, um dia para ela perdido. – Damon ri. – Você precisa saber que ela é muito disciplinada.
Sorrio para ele, sabia que teria que guardar aquelas informações. Queria aprender rápido e ser uma noiva aplicada. Não queria que Damon se envergonhasse por mim.
– Vou te mostrar o seu quarto. – ele pega em minha mão e me guia pelo longo corredor. No caminho ele para em algumas fotografias e me explica quem são essas pessoas. Descubro que aquele corredor é como se fosse uma linha do tempo, e o quarto das noivas fica estrategicamente naquele lugar. As noivas tinham a obrigação de saber a árvore Genealógica da família real.
– Isso para mim será um desafio, não sei nem o seu nome completo. – Damon sorri, paramos em frente a um porta branca.
– Esse é seu quarto!
Não posso acreditar no que estou vendo, já esperava algo grandioso mas o que vejo é ainda maior. O quarto é todo enfeitado com fotos de casamentos e não de um jeito brega, mas aquelas fotos servem de inspiração, parecessem que se encaixam perfeitamente naquele lugar. O quarto é enorme, muito maior que minha antiga casa. Tudo nele é branco.
A cama foi a primeira coisa que provei, me joguei com tudo. Ela se moldou ao meu corpo, bem diferente da minha antiga que mais parecia um papelão.
– Gostou? – Damon pergunta se jogando na cama também.
– Amei! – exclamo – é tudo tão lindo. – ele está ao meu lado, virado para mim. Nós estamos nos olhando. E a beleza dos olhos deles me incomodam de uma forma estranha.
– Você precisa ver seu closet. – Damon se levanta, e vai em direção a uma porta.
– São minhas? – o closet está repleto de roupas, acessórios, sapatos. Nem se eu vivesse mil anos conseguiria usar tudo isso.
– Assim que anunciei minha escolhida, as costureiras começaram a trabalhar. Temos muitas, e o resultado foi isso em apenas dois dias.
– Como sabem minhas medidas?
– Pela sua ficha de empregada.
– Claro. – digo achando tudo isso surreal. – Como conseguem fazer tantas roupas em dois dias? Isso é loucura. – falo girando pelo closet.
– Também não consigo compreender, só sei que toda semana tenho ternos novos. – ele diz brincando. – Mas, não foi para te mostrar o closet que te acompanhei até aqui. Temos que combinar tudo sobre nós, amanhã você já tomará café conosco e às 10:00 fará sua primeira entrevista.
Gelo. Nunca fui boa em falar, principalmente mentiras.
– Ei! – Damon segura minha mão e aperta. – Não fique tão assustada, vou estar com você. É só olhar para mim e esquecer das câmeras.
– Eu nunca fiz nada parecido, Damon. – respiro fundo. Já imaginava que isso aconteceria, e, no final, tudo valeria a pena. – Vamos conseguir. – retribuo o aperto de mão.
Nos sentamos na enorme cama. Damon tinha um questionário em mãos, que segundo ele passou toda a tarde fazendo.
– Seu nome completo? – ele pergunta. – O meu é Damon Giuseppe Salvatore
– Elena Gilbert, só. Meus pais eram primos, por isso que tenho um nome curto. Preferiram deixar só o Gilbert.
– Como nos conhecemos? – Damon pergunta olhando para o teto, sei que ele está pensando. – Eu estava em meu quarto, e você entrou para me entregar uma comida. Mas, assim que você me viu sem camisa, se apaixonou perdidamente. – ele pisca para mim, e empurro ele.
– Não. – rimos juntos – Poderíamos dizer que você me viu nas redondezas do castelo, e logo se encantou. Foi atração à primeira vista.
– Pode ser. Temos que sermos bem convincentes. – Concordo.
– Seu filme preferido? – ele pergunta sorrindo.
– Isso é preciso?
– É bom estarmos preparados.
– Bem, não sei ao certo qual é meu filme preferido. – deito na cama, e Damon segue meu movimento. Ambos estamos olhando para o teto. Eu achando engraçada a situação que me encontrava. –Depende do meu humor e tem que estar passando na televisão. Não tenho acesso à internet. Se perguntarem, diga que são vários, não tenho um específico.
– Também tenho essa resposta. – ele se vira e me encara. – Seu hobby?
– Ler e tocar no meu violão. – ele parece surpreso.
– Você toca? Que incrível! – ele se levanta e procura algo pelo quarto, abre um armário e pega um violão. – É seu, no quarto de noivas tem tudo.
– Um Giannini? – falo emocionada, nem em sonho imaginaria possuir um desse. – O que tenho foi herança de minha mãe, ela que me ensinou. – falo lembrando da doce voz de mamãe escoando pela casa. Com apenas 8 anos tinha um admirável talento para a música. Algo que fui aperfeiçoando nas minhas noites solitárias.
– Toque para mim. – Damon fala.
– Nunca toquei para ninguém, Damon.
– Sempre tem a primeira vez. – ele me lança um sorriso que me faz vacilar.
Vou afinando as cordas, e já sentido a música fluir dentro de mim. Quando tenho um violão em mãos, esqueço tudo ao meu redor. É só a música que importa.
– A música que cantarei é de um dos filmes que me marcou, Once. – ele fica em silêncio, olha diretamente para mim. Seus olhos são tão firmes, que fecho os meus para não ficar envergonhada.
As primeiras notas soam pelo quarto. Minha alma agora ganha vida.
“Eu não te conheço
Mas, te quero ainda mais por isso
Palavras que me escapam
E me deixam bobo
Sempre fico sem reação...”
Quando termino a canção, escuto as palmas de Damon.
– Lindo, lindo! – ele me olha com admiração. – Nunca escutei uma voz tão linda. E você toca como se o instrumento fosse parte de você. Lindo, Elena.
Agradeço sorrindo, nunca lidei bem com elogios. Nunca soube o que dizer depois deles.
– Sei que o seu hobby é fotografar, estou errada? – ele nega e continuo. – Você também fotografa muito bem. Fiquei encantada. – Damon parece ter a mesma relação que eu com os elogios.
– Sabe uma coisa que nunca contei para ninguém? – ele ajeita a gola do seu moletom. – Que muitas vezes tenho vontade de sair pelo mundo e só fotografar. Largar toda essa história de família real, e ser eu mesmo. – ele suspira.
– Por que nunca contou a ninguém?
– Bem, se um filho de um rei diz uma besteira dessas as pessoas devem achar que eu sou louco. Quem é o rico que quer viver de fotografar, e abandonar sua riqueza? Você me compreende, Elena. Sei que tem a mesma sede de liberdade que eu. – ele sorri triste. – Qualquer menina, aceitaria ser minha esposa sem pensar duas vezes.
– Sinto muito por tudo isso. – lamento de verdade, sei o que é querer fazer algo e não poder.
– Pelo menos sonharei com isso, posso te incluir em meus sonhos. Você poderá tocar e cantar enquanto eu fotografo. – Outra coisa que admirava em Damon, ele sabia tirar proveito de uma situação triste.
– Como é sua família?
– Complicada.
– Isso foi vago. – falo usando um termo de Elis. – Defina complicado.
– Meu irmão é convencido, mas é legal. Meu pai é arrogante e insensível, e minha mãe é doce. Quer mais detalhes? – ele pergunta sorrindo.
– Por enquanto, está bom.
– Há algo seu que tenho que saber? – Damon pergunta. – Não quero ser invasivo, mas é necessário.
– Vou usar da sinceridade, Damon. – falo envergonhada. — Existe um rapaz com quem eu estava saindo. Não é tão importante, mas era preciso contar. – respiro aliviada.
– Obrigada pela sua sinceridade, Elena. – ele se levanta da cama e olha para o relógio. – Tenho que ir, o rei me espera em seu escritório.
– Até amanhã, Damon. – sorrio, e ele beija minha bochecha.
Ele segue para porta, e se vira para mim quando a abre.
– Elena, amanhã você precisa estar na mesa do café às 08:00, logo cedo virá algumas empregadas que te ajudarão. E antes que me esqueça: não se assuste tanto com meu pai, é o jeito dele. – ele me lança um último sorriso, e sai.
Eu estava na frente do espelho bem constrangida. Era como seu eu fosse uma boneca e tivesse a disposição de três talentosas senhoras. Elas apertavam minha cintura, passavam blush e escovavam o meu cabelo, as três ao mesmo tempo.
– Você prefere solto ou com penteado? – Lorena, a mais velha de todas, me perguntava.
– Isso faz diferença agora? – pergunto sorrindo. Sempre que tentava dar um palpite, elas me cortavam.
– Na verdade, não! – ela volta a fazer os cachos em meu cabelo.
– Foi o que imaginei. – digo sussurrando. Era estranho ver pessoas te servindo, e pior era não poder dar sua sugestão.
Já fazia 1 hora que elas me ajeitavam e a confusão de movimentos já estava me deixando tonta.
– Pode conferir o visual, madame. – uma delas fala, eu estava com os olhos fechados, pois tentando não adivinhar onde as mãos delas iriam parar.
– UAU! – essa foi minha única reação. Eu estava espantada, chocada e cheguei a acreditar, por um momento, que aquele reflexo não era meu.
Estava com um vestido longo coral, que deixava meus traços bem definidos. Meu cabelo estava solto e cacheado. Minha maquiagem era leve. Aquilo era muito distante da minha realidade. Primeiro, eu nunca usaria algo tão caro e sofisticado. Segundo, meus cabelos cacheados estão lindos, mas me deixam com uma aparência mais sensual e não sabia se gostava disso. E terceiro, mas não menos importante, eu nunca usava maquiagem. Nunca. Nem um batom, porque isso era um gasto desnecessário. Então, colocar nem que fosse uma maquiagem leve, causava uma grande diferença.
– Gostou? – a três perguntam animadas, mas uma vez sei que minha resposta não faria diferença, mas mesmo assim respondo.
– Achei que ficou bem bonito, mas não sei se gostei. É porque não parece eu.
– Essa é a intenção. – Lola fala. – Você não pode querer parecer uma empregada, querida.
Queria dizer a ela que debaixo daquele uniforme de empregada, existia uma Elena. E era dela que eu estava falando. E era dela que eu não abriria mão. Me comportar, como havia prometido a Damon, seria mais difícil do que havia imaginado.
Ando acompanhada por um guarda até a sala de refeições, é uma caminhada longa. Aquele castelo era imenso. No caminho começo a me sentir nervosa. E se eu falhar? Se deixar escapar algum detalhe? E se a família e a Inglaterra me odiarem? Tento inspirar e expirar bem devagar, fazer isso me acalmava.
As portas da sala de refeição se abrem, os guardas em cada lado das portas me cumprimentam. Retribuo o comprimento meio sem jeito. Na sala já se encontra Damon, Stefan e sua mãe. Eles se levantam assim que me veem, Damon e Stefan fazem um cumprimento com a cabeça. A mãe de Damon vem me abraçar, carinhosamente. Ela sorri abertamente. E sua felicidade me contagia, e o nervosismo some.
– Relaxe, minha menina. – ela passeia as mãos pelo meus cabelos. – Você está linda.
– Lindíssima. – Damon comenta, e Stefan confirma com a cabeça.
– Obrigada. – Digo corada.
– Sente-se ao lado de Damon. – ela aponta para a cadeira vazia ao lado dele. A mesa do banquete é enorme, com tanta comida, que imagino que daria para alimentar umas 50 pessoas. – Estamos esperando meu marido, ele está em uma das suas reuniões.
– Ser rei não é fácil, Elena. – Stefan fala enquanto vou me sentar ao lado de Damon. – Por isso, que sou o filho mais qualificado para isso. — Damon estava bem certo quando me disse que ele era um convencido.
– Então, como se conheceram? – A mãe de Damon pergunta. Era a hora de começar o desface.
– Eu respondo, amor. – sorrio para Damon, afetuosamente. Percebo que ele segura a risada. – Estava nas redondezas do castelo, toda sexta vou na biblioteca de Sr.Bean — pelo menos aquilo era verdade — e quando voltava para casa o vi. – O olho sorrindo. – Na verdade, acho que ele estava me seguindo.
– Estava mesmo. – ele passa o braço pelos meus ombros. – Quando a vi meu coração estremeceu, sua beleza me deixou abalado. Me lembro que fiquei te encarando para me certificar que você era real. Logo, fui falar com ela e as coisas simplesmente aconteceram. – Ele me traz mais para perto de si.
– Que lindo! – A rainha fala sorrindo. Stefan nos olhava com cara de entediado.
A rainha nos enchia de perguntas, e respondíamos empolgados. Tudo estava saindo como o planejado. E já estava relaxada.
– Você finge muito bem. – Damon sussurra ao meu ouvido.
– Digo o mesmo de você. – ambos rimos.
A porta bate forte e o Rei entra mal humorado. Percebo que ele está chateado, ele senta na mesa sem cumprimentar ninguém.
Damon pigarreia, e então, ele nota minha presença.
– Olá... – ele tenta lembrar meu nome.
– Elena. – digo.
– Sim, Elena. Nome comum para uma pessoa comum. – ele pede a comida e me ignora completamente. Damon encontra minha mão por debaixo da mesa, e a aperta forte.
– Meu pai que me deu. – digo após um constrangedor silêncio.
– Seu pai deu o que? – O Rei pergunta irritado.
– Me deu o nome, Senhor. Significa Luz Brilhante, ele dizia que eu era essa luz na vida dele. – sorrio com a lembrança, o mal humor do Rei não iria me afetar.
– Que meigo. – a rainha fala. – Seu pai era um homem muito talentoso, querida. As flores eram lindas, nunca mais vi flores iguais.
– Ele era apenas um funcionário. – o Rei interrompe, depois desse comentário nos calamos.
Terminamos a refeição calados, o Rei era desagradável e não queria me chatear fazendo comentários, que com certeza ele retrucaria. Damon me olhava pelo canto dos olhos, sabia que ele estava envergonhado pelo pai.
– Você dará uma entrevista daqui a 40 minutos, espero que não nos faça passar vergonha. – ele sai da sala, sendo seguido pela rainha e Stefan.
– Desculpe por isso. – Damon me olha, seus olhos realmente são bonitos.
– Ninguém tem culpa pelo pais que tem, Damon. – toque em seu ombro, percebo que seus braços são fortes. – Sua mãe é um amor.
– Ela é. – ele sorri.
Entramos no ar há 1 minuto, o reporte dizia algo que eu não conseguia entender. Estava tão nervosa que as palavras dele saiam confusas. Estamos em uma sala com uma luz muito branca, cheia de câmeras, e alguns jornalistas. Para piorar a situação o programa ainda tem público ao vivo. Isso mesmo! Ao vivo, sem direito a erros ou gaguejos.
Minhas mãos estão suando, Damon percebe meu nervosismo e pega em minha mão. Fazendo leves carícias, a câmera pega isso e o público suspira. Fico corada. Damon está se saindo bem, ele responde todas as perguntas e eu só faço sorrir, concordando com tudo que ele diz.
– O que ela tem de diferente das outras meninas, o que a fez ser sua escolhida? – ops! Essa pergunta não estava planejada.
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