Acordei com uma grande ressaca,embora não tivesse bebido.Aos poucos minhas lembranças voltaram.Havia alguém na estrada,não sei se era homem,mulher,velho,criança...era apenas um vulto.

Anitta não estava no meu lado,provavelmente tinha ido buscar ajuda.

Sai meio tonto do carro,parecia bêbado.

Cinzas.

Não era neve e sim cinzas,mas que merda era tudo aquilo?Não havia nenhum corpo ou rastro de sangue no chão perto do carro,pelo menos não havia matado ninguém,eu acho.

-Alguém aí? – perguntei em tom alto,não havia ninguém...

Lembrei-me do GPS em que Alanis,antes de morrer,havia insistido tanto em comprar.Praticamente me lancei para dentro do carro,mas o maldito aparelho não ligava,assim como o carro e o rádio.

Peguei minha carteira e tranquei o carro.

Não havia NINGUÉM naquela maldita cidade.Aliás,que cidade era aquela?Não me lembro de nenhuma cidade perto de Brahms,exceto...

-...Silent Hill... – aquele outdoor indicando uma loja completara meu pensamento.

Soube que Silent Hill é uma cidade fantasma....Enfim,não sei que brincadeira idiota era essa nem o porque.Precisava achar Anitta rápido e cair fora.

-Alguém aí...? – tentei gritar,porém a voz não saia. – SOCORRO! –finalmente saiu.

A neblina espessa me incomodava,tive que avançar cada vez mais, e,não sei porque, senti muito medo.Foi quando ouvi um grito infantil...

-PAI!

Corri até o local,mas não havia ninguém.

Estava em frente ao Brookhaven Hospital...será que minha filha estava no hospital?Procurando ajuda talvez...?!

O local era escuro,aparentava estar abandonado como todo e qualquer tipo de estabelecimento desta cidade.As cinzas nas janelas impediam de entrar muita luz,porém ainda conseguia enxergar.

Escutei algo caindo,algo metálico...Vinha de uma sala escrita “Sala de Exames”,estava aberta e consegui entrar.

Havia uma lâmpada acesa na sala,que balançava,a parede era azulejo branco com algumas marcas de sujeira,o chão era de carpete marrom-claro havia uma pequena mesa,vários escaninhos e papéis pelo chão

Ouvi um estalo,e me virei assustado.Uma das gavetas,a de Óbitos,ficou semi-aberta...a puxei violentamente e uma pasta estava remexida...”Alanis Morrisey”.

-Alanis?Não... – não quis acreditar,como isso veio parar aqui?Alanis não morreu em Silent Hill!

Assim que peguei a pasta de Alanis,uma outra caiu...

O susto que tive com a pasta da minha falecida esposa não era nada...esse foi pior...

-“Anitta Morrisey”?Mas minha filha não morreu! – os papéis caíram da minha mão,senti uma vertigem,algo me puxava com uma intensidade para todos os lados.

Caí de costas no chão,sentia meu corpo pesado,algo estava acontecendo.Pude ouvir uma sirene de incêndio tocando,era ensurdecedora,logo tudo escureceu.

Embora estivesse quase desacordado,pude ver as paredes descascando,deixando as vigas a mostra,manchas de ferrugem surgirem,pingos de água caírem do teto,o lugar se tornou escuro e frio...eu só conseguia pensar na minha filha.