Ergui-me com dificuldade,parecia que haviam acertado-me com um porrete na cabeça e nas costas.Não compreendia nada do que estava acontecendo,mas podia concluir já alguma coisa...

-Algo está acontecendo com esta cidade...aqui...não é normal. – ofegante olhei para o chão a procura das duas pastas,porém haviam sumido. – Mas como...?!

Estava muito escuro,mas pude enxergar uma lanterna.Por sorte ainda estava funcionando,mas não sei quanto tempo as pilhas iriam durar.Pendurei-a no cinto de minha calça.

Havia um pé-de-cabra encostado na parede,o peguei e abri a porta.Não havia ninguém,mas certamente o hospital todo havia mudado.

Haviam manchas escuras nas paredes,algumas estavam semidestruídas...haviam poças de sangue pelo chão,não tinha iluminação e podia-se escutar alguns ruídos realmente assustadores.

Não havia ninguém nos corredores,tentei sair pela porta principal do hospital porém algo no lado de fora barrando,por mais que fizesse força e tentasse arrombá-la com o pé-de-cabra,não conseguia...

Após tentativas frustrantes,me virei e fui atingido no ombro por um outro pé-de-cabra.Consegui me recuperar rapidamente e me esquivei para a direita.Ataquei o indivíduo três vezes,mesmo caído no chão ameaçou se levantar então desferi um golpe fatal na cabeça que o paralisou definitivamente.

Era uma enfermeira,porém sua cabeça estava envolvida em um monte de gaze,sua roupa era suja assim como sua pele,que era acinzentada e estava com feridas profundas.

-Preciso encontrar Anitta...agora! – corri em direção ao elevador e subi para o segundo andar.Alguém deveria estar vivo para me explicar o que estava ocorrendo.

No segundo andar me deparei com mais duas enfermeiras,as matei com meu pé-de-cabra...porém precisava de algo mais eficiente.

Fui para o outro lado,haviam seis salas com a letra M,todas estavam trancadas exceto a última,entrei.

O ambiente de hospital estava completamente mudado,as paredes eram vermelhas escuras,o chão de carpete com a mesma cor,havia espelhos no teto e uma cama redonda no centro.

-Um...motel? – eu estava em um hospital,como assim?!Havia um quarto de motel?!

Haviam duas pessoas deitadas na cama...minha mulher...

-Alanis?Alanis! – gritei em um misto de susto,felicidade e dúvida.Alanis repousava como um anjo nu,com o lençol cobrindo,até a cintura,sua pele morena,e seu longo cabelo negro encaracolado cobrindo-lhe os seios.- Alanis,sou eu...Ivan!

A minha mulher levantou-se subitamente assustada,estava tremendo...

-Não...não... – ela posou sua mão na cabeça do homem que dormia.

Assim que o tocou,gritou.O corpo do homem se transformou em vários besouros que imediatamente começaram a devorar Alanis.

-Não...não...NÃO! – ela gritou levando sua mão a cabeça. – Me perdoe!Ivan! – ela colocou a mão no meio peito,e apenas seus ossos restaram em cima da cama.

-ALANIS!ALANIS! – gritei me lançando sobre a cama,os besouros desapareceram e eu estava agarrando os ossos dela.

A sirene novamente tocou,aquela vertigem tomou conta do meu corpo novamente,caí em cima da cama e deixei me levar.Lágrimas escorriam...eu estava com tanto ódio,tanto...mas nem sabia o porque.