Silent Feelings

1 Silent Confessions


Notas iniciais
Olá. Essa two-shot (sim, você não leu errado, 2-shot, oh) surgiu como uma ideia básica — e claramente mais adulta — de como seria o desenrolar do relacionamento do Gray e da Juvia após o ocorrido no capítulo 499, 500... Enfim, boa leitura.

A euforia que os integrantes da Fairy Tail exibiam não teria outra razão, a não ser a conquista da vitória que todos desejavam desde o início da grande guerra contra o Império Alvarez.

Apesar das dificuldades e perdas de pessoas queridas, no fim os Spriggan 12 foram derrotados, e tanto Zeref quanto Acnologia desapareceram em seus misteriosos caminhos, dando, assim, o cobiçado triunfo aos magos que se dedicaram a trazer a paz de volta ao reino de Fiore.

Para comemorar tal êxito, Magnolia entrou em festa. E, durante aquela noite, sua poderosa guilda proporcionava um ambiente igualmente animado onde seus membros relaxavam bebendo, divertindo-se entre conversas entusiasmadas ou se enfrentando em algumas costumeiras lutas. Porém, nem todos ali desfrutavam daquela mesma alegria.

Juvia suspirou com discrição, observando seu adorado Gray-sama sentado à frente revidar as provocações de Natsu, a fim de iniciar uma briga mesmo que algumas partes de seus corpos ainda estivessem envoltas por ataduras e curativos.

Ela se sentia exausta. No entanto, sua fadiga não seria apenas devido ao árduo combate finalizado recentemente; seria, sobretudo, por causa do imensurável esgotamento físico e emocional que a batalha contra Invel causou tanto em si, quanto em seu amado. Ambos estavam esgotados, e o desejo de recobrarem a normalidade de suas vidas depois de um momento tão aterrorizante se fazia presente a todo momento. Contudo, ainda havia algo que, se não descobrisse, não conseguiria retomar a almejada rotina com tranquilidade.

Gray lhe prometeu que, ao fim do confronto, daria sua resposta. E mesmo que ele aparentasse não se lembrar da própria palavra, a Lockser fora incapaz de esquecê-la.

Seus olhos se encontraram subitamente com os do mago do gelo um segundo após vê-lo respirar fundo e se silenciar diante de uma Erza que se colocou de pé entre os dois amigos afobados e os obrigou a se acalmarem. Ele desviou o rosto para o lado contrário, entreabriu um meio sorriso antes de soltar um xingamento sarcástico — fazendo o Dragon Slayer do fogo quase atacá-lo ao entendê-lo —, e seguiu em direção à saída do local.

A dama da chuva continuou em silêncio, acompanhando-o com o olhar e cerrando as mãos pousadas sobre os joelhos. Desde que haviam voltado à cidade, ela não teve a oportunidade para ficar verdadeiramente a sós com Gray Fullbuster. Aproveitar-se daquele momento e encontrá-lo talvez fosse a ocasião perfeita para enfim estar sozinha com o adorado mago e questioná-lo.

— Também está indo, Juvia? — Lucy perguntou intrigada ao vê-la se levantar de súbito pouco depois dos grandes portões serem fechados.

— Sim — afirmou abrindo um pequeno sorriso amigável enquanto se dirigia primeiramente ao lugar que o homem que amava ocupou, a fim de pegar os trajes que ele abandonou sem perceber. — Juvia tem que entregar as roupas que Gray-sama deixou.

A maga celestial somente sorriu de volta. Ela recolheu as roupas masculinas, segurando-as com cuidado, despediu-se dos demais, e, apressada, tomou o mesmo caminho que seu querido Gray-sama.

Ao se retirar da guilda, Juvia analisou todo o ambiente iluminado até localizar o Fullbuster que já encontrava a consideráveis metros de distância. Seu sorriso aumentou no mesmo instante em que apertou as roupas que mantinha em seus braços e continuou a segui-lo decidida entre pisadas maiores e mais rápidas.

— Gray-sama, espere, por favor! — pediu ela abruptamente, fazendo o mencionado interromper a caminhada paciente e se virar em sua direção.

A Lockser pausou seus passos, abaixou-se para apanhar mais uma peça de roupa deixada e retomou o trajeto que a levava ao Devil Slayer parado.

— O que foi, Juvia? — inquiriu após vê-la dar os últimos passos necessários para ficar próxima.

— Você esqueceu suas roupas... — alertou-o com agradável gentileza, o que o fez se assustar por finalmente reparar que transitava pelas ruas da cidade festiva totalmente nu.

— Merda! — resmungou logo tomando a cueca que sua companheira de guilda segurava com amor para prontamente colocá-la.

Ela entregou as outras roupas e juntou as mãos na frente do corpo, aprumando a postura.

— Gray-sama — seu amado a olhou mais uma vez ao ouvi-la chamá-lo enquanto vestia o longo casaco branco —, será que Juvia poderia acompanhá-lo?

O questionado arqueou uma das sobrancelhas e a encarou, estranhando aquele repentino pedido feito com uma ligeira nota de timidez. Porém, ao contrário de negá-lo, assentiu com a cabeça, e ao pôr as mãos dentro dos bolsos da calça continuou a andar de volta à sua residência, acompanhado pela mulher que se posicionou ao seu lado direito.

— Parece que tudo está voltando ao normal para todos — Juvia comentou afável, quebrando o breve silêncio estabelecido entre a caminhada que prosseguia lenta.

— Sim — concordou.

— Isso alegra a Juvia... — falou conservando um tom calmo. — Passamos por tantos momentos difíceis e pessoas tão importantes se foram...

Ele não se pronunciou, apenas permaneceu escutando-a.

— Felizmente, acabou... — a maga da água soltou um suspiro ameno e o mirou. — Agora, Juvia gostaria de saber uma coisa, Gray-sama...

— O quê?

— Qual a sua resposta? — questionou-o sem titubear, mas permitindo que um acanhamento sutil transparecesse em sua voz.

— Resposta? — o Fullbuster a olhou no mesmo instante, visivelmente confuso com sua dúvida. — Do que está falando?

— Bem... Você prometeu que, quando a batalha terminasse, daria sua resposta a Juvia — explicou após inclinar o rosto discretos centímetros para baixo e soltar um suspiro fantasioso, sentindo as batidas de seu coração pulsarem suavemente ansiosas. — Não houve um dia em que Juvia não imaginasse o que diria...

— Ah — Gray se voltou para frente, recordando-se da situação na qual ela se referia —, ainda se lembra disso?

— Juvia não poderia se esquecer — a maga o fitou carinhosamente, sem desfazer o largo sorriso que moldou desde que o encontrou. — Ela precisa saber, Gray-s...

— Não falaremos sobre isso aqui — interrompeu-a seco.

A Lockser o observou sem entendê-lo, mas, em vez de questionar a decisão de seu amado, acatou-o, restringindo-se ao silêncio que ele preferiu estabelecer ao encerrar a pequena conversa.

Durante o trajeto tranquilo era possível ver os estragos causados pela guerra. Alguns prédios e lojas ainda não teriam sido totalmente reconstruídos e seus escombros se encontravam a poucos metros dos edifícios em ruínas. Entretanto, tal visão consternante contrastava com a alegria que os cidadãos de Magnolia exibiam em seus largos sorrisos.

Não poderia negar que ver todas aquelas pessoas se divertindo sem medo lhe trazia inevitável orgulho. Afinal, foi devido aos esforços e sacrifícios dela, de Gray e de seus colegas, que a harmonia havia sido restaurada e todos, agora, poderiam comemorar despreocupados, circulando pelas ruas bastante iluminadas da aconchegante cidade.

Juvia mirou o homem sério ao seu lado pelo canto dos olhos. Talvez fosse devido a tamanha movimentação que seu Gray-sama se sentia envergonhado em ter que revelar sua resposta naquele local, onde tantas pessoas curiosas poderiam ouvi-lo, e, certamente, o lugar para onde se dirigiam seria perfeitamente romântico e particular.

Ela pôs a mão sobre uma de suas bochechas rosadas e abaixou a cabeça, adorando imergir na ideia de que, ao estarem a sós, ele não só pudesse segurar sua mão após se ajoelhar e confessar os sentimentos que guardava em segredo dentro de seu coração, como também fosse capaz de demonstrar seu amor se levantando logo depois de se declarar para beijá-la com grande paixão...

Gray entrou em sua residência ainda em companhia da maga da água que, ao também entrar, fechou a porta. Ele revirou os olhos, incomodado com a insistente presença feminina que aparentemente continuaria a segui-lo pela casa até conseguir o que queria. Respirou fundo pelo nariz ao parar de andar, exalou o ar em excesso silenciosamente e virou-se com o intuito de encarar a companheira de guilda que, para sua surpresa — e pequeno desconforto —, encontrava-se muito perto de si, sem as botas e com um olhar tão radiante quanto o sorriso que iluminava seu semblante.

O Fullbuster recuou um passo, almejando diminuir o constrangimento que aquela aproximação imprevista causava.

— Vai me seguir até aqui? — perguntou franzindo as sobrancelhas, a fim de desviar qualquer possível atenção que o leve rubor que coloriu as maçãs de seu rosto poderia arrecadar.

— Juvia pensou que, depois que começou a acompanhá-lo, você a levaria a um lugar diferente para respondê-la, não à sua casa — revelou pondo o punho fechado sobre o local onde podia sentir seus batimentos cardíacos palpitarem esperançosos. — Mas, desde que Juvia esteja com Gray-sama, qualquer lugar se torna igualmente especial...

— Tch — ele a olhou com mais seriedade e disfarçada impaciência. — Você não vai embora até ter essa maldita resposta, não é?

A maga negou com a cabeça e o fitou mais apaixonada. Gray sentiu a boca ressecar ao mesmo tempo que suas mandíbulas se apertavam e seu rosto ganhava uma coloração mais avermelhada, detestando estar encurralado naquela situação que se delongaria por horas se não cumprisse a promessa feita.

Ele engoliu em seco. Não havia alternativas; somente tinha de fazê-lo.

— A minha resposta... — o mago do gelo pigarreou de súbito, odiando hesitar durante aquele segundo que fez a Lockser se mostrar mais atenta ao que estava prestes a dizer — ...A-A minha resposta-a, é... — cerrou os dentes, amaldiçoando-se por gaguejar e demonstrar o nervosismo anormal que o corroía enquanto lutava para reunir toda a coragem que possuía escondida em suas entranhas e finalmente concluir o pronunciamento que deixava ambos apreensivos — ...E-Eu aceitarei os seus sentimentos, J-Juvia...

A dama da chuva o olhou surpresa, aparentando ao menos conseguir respirar conforme processava a resposta recebida.

— I-Isso quer dizer... — ela se pronunciou assim que se libertou de seu pequeno transe e exibiu um sorriso jubiloso ainda maior, revelando a felicidade gerada pelas palavras de seu Gray-sama — ...Que você também ama a Juvia?!

— O quê?! — Gray foi agarrado repentinamente em um abraço forte que, sem que ela percebesse, pressionava alguns dos ferimentos abdominais encobertos pelas ataduras. — O-Oe!

— Juvia esperou tanto por este momento... — articulou preservando um tom melódico e suspirou, diminuindo um pouco da força que utilizava. — Gray-sama, finalmente, ama a Juvia...

— Me solta! — ordenou tentando desgrudá-la empurrando-a pelos ombros e inclinando o tronco para trás.

— Temos que planejar nosso casamento o quanto antes, querido... — Juvia enfim o soltou e abaixou o rosto ao apoiar as mãos nas bochechas avermelhadas. No entanto, logo voltou a fitá-lo expondo delicados traços maliciosos no curvar de seus lábios. — Ou podemos imaginar como será a nossa lua de mel primeiro...

— Pare de pensar nessas coisas! — exclamou sentindo o rosto queimar com a ideia que lhe foi sugerida. — Eu não quis dizer nada disso!

— Como não? — perguntou incomodada por um batimento cardíaco que subitamente latejou aflito. — Gray-sama ama a Juvia, não ama?...

Ele inclinou a cabeça para baixo e desviou o foco para o lado esquerdo, fazendo uma pausa perturbante.

— Gray-sama?...

— Eu não sei — foi o que respondeu.

— Eh? — Tal impensada réplica fez o coração da maga da água parar de bater, e depois acelerar brutalmente, inundado por uma dolorosa preocupação. — Gray-sama, o-o qu...

— Aceitarei mais seriamente o que você sente por mim, mas não sei o que realmente sinto por você — atalhou-a sincero, porém, sem tornar a encará-la. — Apenas sei que não quero passar por aquilo de novo.

O rosto dela assumiu uma expressão duvidosa principalmente ao reparar no olhar cabisbaixo do homem que, mesmo sério, externalizava o remorso que ele se esforçava para camuflar.

— Já perdi tantas pessoas importantes, mas, perder você... — o mago umedeceu a garganta ressecada — ...Você é tudo o que eu tenho. Não posso perdê-la.

Os cantos da boca da Lockser se curvaram para cima em um irreprimível sorriso tímido e discretamente aliviado com a declaração proferida.

— Por que fez aquilo? — seu Gray-sama a questionou. — Por que tirou a própria vida?

— Juvia tinha que protegê-lo, Gray-sama — replicou diminuindo o encurvar suave de seus lábios. — Ela não podia deixá-lo morrer...

— Imbecil — ele a xingou em um tom baixo, mas que ainda fosse propositalmente audível.

Juvia levou sua visão ao chão, permanecendo quieta para ouvi-lo com obediência.

— Senti muito medo quando você fez aquela idiotice — prosseguiu cerrando os punhos ao se lembrar da temerosa cena da morte da maga que, inevitavelmente, também o fazia tornar a experimentar a mesma dor peculiar que tomou o seu corpo e envolveu seu coração. — E quando a segurei em meus braços e não a vi abrir os olhos, pensei que, por minha causa, mais alguém que não merecia...

— A culpa não foi sua — exprimiu ela, a fim de interrompê-lo.

O Fullbuster levantou a cabeça e a olhou surpreso com aquele retorno. Contudo, antes que sequer pudesse pensar em algo para retrucá-la, sentiu os braços dela se envolverem abruptamente em seu pescoço, tomando-o em um abraço terno.

— A culpa não foi sua — repetiu lentamente em um murmúrio brando, próxima à orelha. — Nunca foi.

Gray não a abraçou ou procurou desvencilhá-la, apenas ficou em silêncio, absorvendo a tranquilidade e o afeto reconfortante que ela sempre lhe proporcionava.

— Juvia o ama, Gray-sama, e ela sempre estará disposta a fazer tudo por você — confessou entreabrindo um novo sorriso ao mesmo tempo que seu olhar começava a marejar. — Se Juvia tivesse lhe perdido, ela não teria mais razões para viver...

Ele espremeu os lábios e relaxou as linhas de sua face frente ao que sua colega de guilda dizia.

— Juvia está com você — uma lágrima involuntária correu por seu rosto no mesmo instante em que voltou a se pronunciar. — Ela está aqui, agora, e... — a Lockser repousou a mão direita sobre o peito de seu amado — ...Ela sabe que está aqui também, então, não se preocupe. Juvia nunca o deixará...

O mago do gelo esboçou um sorriso curto. Moveu os braços depois de mais alguns segundos de inércia e retribuiu o gesto acolhedor que ela insistia em preservar desejando purgar toda dor que pudesse afligi-lo.

— Obrigado — agradeceu-a em outro sussurro, por fim.

Seu sorriso aumentou assim que mais uma lágrima percorreu um caminho fino por sua feição levemente carminada. Folgou o abraço devagar, mas ainda deixando-o próximo, levou os lábios à bochecha esquerda ao fechar os olhos e o beijou abaixo do curativo com carinho. Não percebendo manifestações contra sua humilde demonstração de amor, voltou a beijá-lo no mesmo local; beijou-o no canto da boca, e, seduzida pela irresistível tentação motivada por aquele aprazível instante, resvalou os lábios por cima dos dele com gentileza e os pressionou em um beijo tênue.

Em menos de três segundos, Juvia se separou, repousando as mãos sobre os ombros masculinos. Mirou, timidamente, o mago que a encarava de volta, conforme sentia as batidas de seu coração latejarem bastante apressadas, tomadas não só por uma alegria colossal, mas especialmente pelo temor de arrecadar uma reação negativa. Todavia, ao contrário de uma rejeição frustrante, os dedos do Fullbuster deslizaram por suas costas quase ao mesmo tempo que segurou o tecido do casaco que ele trajava e o puxou ao também ser aproximada, unindo-se a ele em um verdadeiro beijo.

Seus lábios se entreabriram concomitantemente, aprofundando a carícia que de início se mostrou envergonhada, entretanto, não demorou para que os toques serenos que eram compartilhados entre suas línguas se tornassem mais afobados e carentes sobretudo no instante que Gray apertou sua cintura e pôs uma das mãos em sua nuca para impedir qualquer provável recuo.

Ela interrompeu o beijo, impelida por uma incômoda ausência de ar, e inclinou a cabeça para o lado, oferecendo a parte de seu pescoço que não estava coberta pela gola alta da blusa ao seu amado. Instintivamente, os lábios ofegantes do Devil Slayer avançaram, originando o aparecer de um delicado sorriso à medida que escorregavam por sua bochecha e se encaminhavam à limitada parte exposta.

Um ofego involuntário escapou ao sentir uma chupada branda acarinhá-la próximo ao maxilar. Ele engoliu em seco assim que ouviu aquele ruído tímido, mas, estranhamente, deveras instigante. Quis ouvi-lo novamente, e influenciado por seu súbito desejo, prosseguiu transferindo longas lambidas frias pela pele exibida com lentidão, o que a fez gemer um “Gray-sama” envergonhada ao mesmo tempo que começava a deslizar a ponta dos dedos pelos bíceps desnudos, contornando os músculos de seus braços protegidos pelas ataduras.

Talvez correspondê-la fosse errado. Afinal, como afirmou minutos atrás, não sabia o que nutria por sua companheira de guilda. E sob essa incerteza, não poderia retribuí-la; não deveria. Entretanto, não conseguia resistir.

Por mais que vê-la salva da morte e de volta para si tivesse aliviado a demasiada dor que o consumiu ao testemunhar o inesperado suicídio, o mago ainda era apunhalado pela culpa de ter sido incapaz de protegê-la e pelo temor incomensurável ocasionado pelo risco de não tê-la mais consigo. Ele precisava garantir que não a perdera; precisava assegurar para si mesmo que ela continuava ao seu lado. Gray precisava acreditar, principalmente, que Juvia Lockser ainda era sua.

A maga da água pousou a mão atrás de seu pescoço e buscou sua boca, a fim de tornar a beijá-lo da mesma forma que sempre ambicionou em seus sonhos mais românticos. Seu Gray-sama a correspondeu imediatamente, aplicando igual cobiça entre os contatos que suas línguas trocavam com crescente fervor; todavia, antes que uma considerável ausência de ar pudesse atalhá-los outra vez, foi prensada contra o atraente corpo masculino, e ao ter a orelha esquerda acarinhada por mais beijos instigantes, começou a ser conduzida com destreza entre passos largos ao único quarto da casa.

Ele se virou de costas quando a poucos metros da própria cama e caiu sentado na beira do móvel no qual suas panturrilhas esbarraram. Puxou-a instantaneamente pelos quadris, obrigando-a a se sentar em seu colo, e logo mordiscou o lóbulo da orelha devagar, gerando o correr de um arrepio excitante pelo corpo mulheril. Suas mãos escorregaram vagarosas pelas costas nuas da dama da chuva, procurando mantê-la próxima a todo instante; porém, ao encostar na atadura que cobria parte do tórax, interrompeu o trajeto que fazia pacientemente, invadido pela lembrança de que aquela seria a região do grave ferimento originado pelo golpe que ela aplicou contra si mesma.

— G-Gray-sama?... — chamou-o sem entender a razão de seus afagos serem interrompidos tão bruscamente.

Não houve resposta.

A maga moldou um sorriso singelo, colocou as mãos por cima das dele e as guiou gentilmente por seu quadril, apenas pausando o percurso ao cessá-las sobre as coxas que mostrava através das fendas laterais de sua saia. Com aquela pequena atitude, Gray levantou a cabeça e encarou silencioso a face que, delicadamente enrubescida, revelava no olhar a combinação sensual de timidez e desejo que ascendia dentro de sua companheira de guilda.

Ela acariciou sua bochecha ternamente com o dorso dos dedos por poucos segundos, aproximou-se devagar e depositou um breve beijo carinhoso sobre os lábios dele, mantendo-se a insignificantes milímetros de distância ao se separar. O Fullbuster destruiu o espaço que os separava sem demorar, beijando-a abaixo do canto da boca antes de seguir por uma trilha imaginária que o levava ao pescoço indefeso.

Uma de suas mãos pousou nos cabelos negros e os apertou, empurrando-o contra o lugar que era afagado com as sugadas e lambidas frias que a arrepiavam e a aqueciam. O mago resvalou os dedos por seus braços até tocar nas alças do sutiã que foram abaixadas devagar, fazendo-a soltar um ruído seco como reflexo do constrangimento que a alfinetou e coloriu ainda mais suas bochechas.

Seu Gray-sama estacionou a mão no meio de suas costas e utilizou a outra para retirar o seio direito do traje e colhê-lo. O nome do causador de sua excitação foi proferido junto a um gemido acanhado conforme sentia seu mamilo ser acariciado pela palma da mão que se movia suavemente para cima e para baixo entre as pausas da massagem que também recebia. Juvia obrigou-se a se soltar das mechas enroladas em seus dedos, inclinou-se para frente e desatou o fecho do sutiã que foi rapidamente puxado e arremessado no chão com impaciência por ele. Entretanto, antes que fosse tocada, cobriu o busto farto com o braço direito e se espaçou.

Sem desviar o foco dos olhos de seu amado, ela se sentou no meio do colchão ligeiramente contraída. O mago sentiu seu coração bater ansioso frente àquela imagem de fascinante fragilidade que a dama da chuva exibia e que, involuntariamente, entorpecia sua razão e instigava-o a prosseguir, acompanhando-a sem delongas, curvando-se em sua direção e tomando os atraentes lábios em um beijo lento, mas igualmente provocante.

Gray tornou a depositar a mão no meio das costas femininas e se encurvou, utilizando o próprio peso para deitá-la na superfície macia. Ao se desgrudar da boca sedenta por mais de seus beijos, voltou a acarinhar o pescoço ofegante com longas lambidas enquanto seus dedos passeavam de modo obsessivo pelo lado direito do corpo dela.

A Lockser sequer relutou quando o sentiu encostar em seu braço ou o afastou sorrateiro. Ele segurou o pulso contra o colchão com pouca força e abaixou o rosto, percorrendo entre beijos o rápido caminho que o levava a um dos belos seios que ansiava explorar. Ao cessar sobre a mama esquerda, sua língua gélida circulou o mamilo com maestria ao mesmo tempo que seus lábios roçaram na aréola delicada, fazendo a dama da chuva estacionar a mão livre sobre seus cabelos e fechar os olhos ao afundar a cabeça nos travesseiros que continham seu cheiro.

O mago do gelo abocanhou o mamilo rijo e o sugou verdadeiramente faminto, aproveitando-se de alguns instantes para pressioná-lo dentre as mordiscadas suaves que geravam o proferir de curtos suspiros repletos com o prazer que a fazia transpirar. Soltou o pulso devagar, utilizando a ponta das unhas curtas para deslizar pelo contorno do corpo sob o seu e adentrou a saia, encostando-se na intimidade coberta pela calcinha.

Ela se agarrou ao lençol da cama assim que seu Gray-sama afagou o meio de seu sexo por cima do tecido e dirigiu-se insaciado à outra mama, lambendo toda a pele macia e chupando-a conservando a suculenta voracidade que induziu a maga a acariciar as madeixas que agarrava e puxá-las após pôr as pernas sobre os quadris dele, trazendo-o para mais perto.

Curioso com aquela inesperada reação, Gray interrompeu as carícias libidinosas que aplicava no busto, ergueu o rosto junto ao tronco e observando a encantadora feição corada, invadiu o traje pela lateral e acariciou os grandes lábios umedecidos. Como resposta, os quadris de sua companheira de guilda moveram-se airosos no instante que ela mordeu os próprios lábios, procurando abafar os gemidos altos que eram liberados involuntariamente.

O Fullbuster salivou com a onda de tesão que aquela visão lhe proporcionou e fez seu pênis semiereto pulsar ansioso dentro da cueca boxer.

Sua língua tornou a trilhar o vão entre o busto, livrando-a das pequenas gotículas de suor ao mesmo tempo que dois de seus dedos atravessavam as primeiras dobras molhadas pela secreção natural e se divertiam friccionando o íntimo, originando mais suspiros acanhados. Porém, foi ao esfregar o ponto mais frágil que a dama da chuva o correspondeu pousando a outra mão em seu ombro e apertando-o à medida que seus ruídos voluptuosos ocupavam o quarto.

Ele continuou a afagar um dos seios com beijos sensuais conforme permanecia acariciando-a no lugar sensível com movimentos circulares ritmados. A Lockser se agarrou aos cabelos pretos masculinos e cravou as unhas na pele dele antes de arrastá-las pelas costas, fazendo com que alguns músculos se contraíssem com as linhas vermelhas que eram deixadas pelo curso tortuoso.

O mago suspirou rouco com os arranhões excitantes que ganhava. Adentrou os dedos ligeiramente curvados no sexo intumescido de desejo e não demorou a explorá-lo com a paciência que ainda se compelia a manter. Sua garganta estava ressecada e seu corpo estremecia com a mesma intensidade que as pernas que o envolviam à medida que a dedicação para afagar os mamilos enrijecidos era direcionada apenas ao seu polegar que pressionava o clitóris trêmulo, massageando-o a cada movimento da instigante penetração.

Os quadris femininos se remexeram em torno dos dedos afoitos, acompanhando-os automaticamente. Seu Gray-sama subiu o rosto e respirando igualmente apressado, beijou a boca ofeguenta com deliciosa afobação, bebendo os barulhos lascivos que ele causava; entretanto, ao percebê-lo começar a se afastar, a maga da água mordiscou seu lábio e arfou um pedido carente, atiçando os anseios pervertidos do homem que, evidentemente, já não aguentava mais.

Juvia entreabriu as pálpebras ao senti-lo se desvencilhar, segurar as laterais da saia presa em seu quadril e puxar a veste incômoda para baixo com a calcinha encharcada, sendo auxiliado a retirá-las pelas pernas que se uniram ao se elevarem. Observou-o assim que o notou separar seus joelhos e ocupar com pressa o lugar recentemente aberto, empunhando o membro ereto.

Os olhos enevoados do Devil Slayer encontraram-se com os dela quando a glande avermelhada ultrapassou os grandes lábios e ficou em contanto com a entrada úmida da feminilidade vulnerável. Ele voltou a beijá-la devagar, soltando o ar dentro da boca de sua companheira de guilda conforme a penetrava lentamente, empurrando-a para trás e preenchendo-a com o calor concupiscente que o possuía.

A maga da água grunhiu ao arquear as costas, abalada pelo abrupto misto de agonia e prazer que seu amado causava em seu interior. Suas pernas tornaram a envolvê-lo no momento em que seus quadris se moveram, a fim de acomodá-lo com conforto ao senti-lo segurar sua coxa esquerda e continuar a se mexer em um ritmo cuidadosamente controlado, adentrando-a mais fundo a todo novo segundo gasto.

O Fullbuster interrompeu seus movimentos no momento em que se inseriu totalmente no espaço quente e estreito que comprimia sua ereção deliciosamente. Levou a boca à orelha da mulher retraída e a beijou, fazendo-a se arrepiar. Ela agarrou sua nuca com urgência e contornou seus lábios com a língua, escorregando a outra mão espalmada por suas costas e apertando seus quadris em uma solicitação muda para que continuasse a torná-la dele.

Gray a atendeu sem hesitar. Agarrou-se ao lençol desarrumado e continuou a estocá-la pausadamente, saboreando as contrações arrepiantes da musculatura vaginal macia ao redor de seu órgão rígido. Ele enterrou a cabeça no pescoço arfante, distribuiu lambidas sedentas nas veias latejantes e ofegou áspero sobre os rastros da saliva mesclada ao suor, estimulando suas terminações nervosas.

A Lockser sequer se esforçou para deter os barulhos densos que escapavam de sua garganta e expressavam a sensação indescritível que fervia seu sangue. Afinal, estava com a pessoa que mais amava, concretizando o que mais desejava; sentindo-se enfim amada — e aquilo era excitante. Um sorriso afetuoso surgiu em seus lábios semicerrados um segundo antes de se segurar nos cabelos curtos e levantar a cabeça de seu Gray-sama para que pudesse beijá-lo.

Os lábios do mago do gelo cobriram os dela, correspondendo ao beijo mesmo que atalhados pelas respirações ofegantes. A mão depositada na coxa se colocou atrás do joelho, puxou a perna para o lado e imprensando-a contra o colchão, deixou-a aberta por inteiro, aumentando a profundidade da penetração. Ela arqueou as costas mais uma vez, ofegante com as investidas impiedosas que às vezes eram interrompidas pelo homem que, ao adentrar todo o pênis, sugava o ar pelas frestas dos dentes e se movia com instigante lentidão, esfregando-se exatamente no clitóris hipersensível.

Suas pernas trepidavam sobretudo no momento que o sentiu apertá-la e passar a adentrá-la com mais força, fazendo, inclusive, com que seus quadris afundassem no colchão com as estocadas ferozes. Cerrou os olhos e inclinou o peito para frente, atingida pelo arrepio originado pelo propagar das ondas avassaladoras de prazer que passaram a percorrê-la mais impacientes, intensificando-se a cada investida constante que aos poucos derrubava as barreiras de sua sanidade mental.

Juvia ainda tentou lutar para retardar a possante sensação que se acumulava em seu interior. Mas todo o controle que procurava ter sobre si simplesmente desapareceu no instante em que o auge possante a tomou como o arrebatar de uma onda, elevando-se gradativamente, ganhando seu corpo e se espalhando em uma inundação morna de inebriante deleite.

O mago posicionou a mão que segurava o joelho sob o quadril, levantando as nádegas femininas na direção das estocadas vigorosas para fazer com que sua ereção pulsante entrasse mais fundo e chegasse ao prazeroso lugar que ansiava alcançar à medida que sentia a sensação singular do clímax dominá-lo. Roçou os lábios ofegantes nos de sua companheira de guilda, diminuindo a velocidade de seus movimentos impetuosos propositalmente, a fim de se acomodar dentro do convidativo sexo um segundo antes de sentir o máximo do prazer enfim lhe consumir, enrijecendo seus músculos trépidos ao soltar um gemido rouco e depois relaxando-os de forma luxuriosa.

Ela o abraçou pouco trêmula, mantendo-o inserido na intimidade preenchida pelo orgasmo masculino até que a adrenalina que acelerava seus corações diminuísse e seus fôlegos fossem recuperados.

Gray saiu de cima da maga devagar, sem dizer qualquer palavra, e se deitou exausto no colchão que cedeu ao peso de seu corpo úmido de suor. Era inegável que, após tal ato, qualquer resquício da tensão que pudesse assolá-lo enfim desapareceu. Contudo, além da inenarrável satisfação sexual e alívio que sentia, a consciência do que havia feito com ela, também o atingia. E com demasiada violência.

A dama da chuva se aconchegou ao lado de seu Gray-sama, mirou-o e sorriu, explicitando no curvar de seus lábios a imensa felicidade que transbordava em seu coração. Acreditava mais do que nunca que aquele enfim seria o momento em que ouviria as palavras que mais cobiçou serem pronunciadas pelo homem que passou a amar desde o primeiro minuto que o viu. Mas, ao contrário do que imaginou, ele desviou o olhar para outra direção, ergueu o corpo e se sentou na beira da cama sem se pronunciar.

— Aconteceu alguma coisa, Gray-sama? — a Lockser sentou-se curtos centímetros atrás, fitando-o confusa.

O mago do gelo não a respondeu. Somente se levantou silencioso, evitando olhá-la.

— Você não vai ficar aqui?... — ela esculpiu um sorriso nervoso e segurou o pulso dele, procurando evitar que ele tomasse mais qualquer centímetro de distância. No entanto, fora inútil.

O Fullbuster puxou o braço bruscamente para frente, obrigando-a a soltá-lo. Juvia ainda voltou a chamá-lo, porém, em vez de arrecadar a atenção que desejava, foi friamente ignorada ao vê-lo andar rumo à saída do cômodo e fechar a porta, deixando-a sem reparar nos olhos angustiados que o seguiram e completavam sua expressão entristecida.

Notas finais
Well, é isso. Esse capítulo é mais como uma espécie de prólogo para servir de base para o próximo. Saliento que ainda não há uma data para a postagem do último capítulo. Bgs, obrigada por ler & até o 2º capítulo.