Silent Feelings
2 Silent Lovers
Notas iniciais
A missão a qual foram designados parecia ser rápida, porém, fora mais demorada do que havia imaginado.
Segundo a descrição do trabalho, a gangue de magos que deveriam enfrentar para libertar os moradores escravizados de um vilarejo ao norte de Fiore não era numerosa, mas, era poderosa, e mesmo ao lado de Gray Fullbuster, derrotar um dos três líderes do perigoso grupo foi bastante complicado. Entretanto, apesar das dificuldades, era inegável que Juvia se sentia feliz por ter formado dupla com seu querido Gray-sama. Afinal, fazia tempo que não saiam juntos em uma missão, e ter sido a escolhida por Erza para acompanhá-lo era uma ótima oportunidade para enfim ficar ao lado de seu amado, ainda que estivesse convivendo mais uma vez com a amarga indiferença que ele possuía.
Juvia respirou fundo e apertou as alças da bolsa que segurava na frente de seu corpo ao fitar com discrição o Devil Slayer que andava a poucos passos de distância.
Havia se passado quase três meses desde que cobrou sua cobiçada resposta. Contudo, sua relação com Gray não se alterou.
Diferentemente de iniciarem o relacionamento amoroso que sempre desejou — ou de apenas terem conversado sobre o que aconteceu —, não houve mais trocas de olhares, ela sequer conseguia voltar a ficar perto de seu amado, e nas raras ocasiões em que podiam dividir a mesma mesa na guilda, ele a ignorava com frieza, forçando-a a assumir sua antiga postura de fiel expectadora.
Era doloroso não saber o que havia acontecido para arrecadar tal comportamento. Nos momentos em que estava sozinha, imaginava o que poderia ter feito de errado ou se teria dito algo que causara demasiado incômodo, ainda que só estivesse tentando demonstrar o quanto amava e se preocupava com aquele homem. Todavia, por mais que não conseguisse entender onde tivera falhado terrivelmente para que os vínculos com Gray tivessem enfraquecido daquela maneira, ela faria até o impossível para se reconciliar com o único dono de seu coração.
Juvia cessou os passos próxima ao seu amado um segundo após ele parar de andar subitamente.
— Acamparemos aqui, Gray-sama? — perguntou observando o local plano cercado por algumas poucas árvores tão altas quanto as demais que caracterizavam a densa floresta da região.
— Sim — afirmou largando a mochila de viagem no chão terroso coberto por uma rasa camada de folhas secas.
— Você gostaria de algo? — questionou ao também deixar a bolsa no chão e entreabrir um pequeno sorriso amoroso, claramente disposta a atender qualquer pedido. — Juvia pode ir procurar alguma coisa para...
— Eu não preciso de nada — Gray a interrompeu ríspido e a encarou com evidente indiferença por cima do ombro esquerdo. — Só fique quieta e pare de me incomodar.
A maga da água sentiu seu sorriso enfraquecer com as palavras de seu Gray-sama, mas, em vez de se retrair e acatá-lo, engoliu em seco e se compeliu a aumentar o sorriso.
— G-Gray-sama deve estar cansado e com fome depois de andar tanto, não é? — sugeriu ternamente, procurando esconder ao máximo a leve hesitação presente em seu tom de voz afetuoso. — Juvia trará algumas frutas para você comer, não se preocupe!
O mago do gelo não a respondeu, somente tornou a ignorá-la como fez durante a maior parte da missão. A dama da chuva virou-se na direção contrária a dele, desfazendo o sorriso tênue que encobria sua expressão entristecida, e seguiu em frente, adentrando a floresta iluminada pelo céu tingido com o suave degradê entre azul e alaranjado que caracterizava a chegada da noite.
Ao ouvi-la se afastar, o Fullbuster sentiu todos os músculos tensos de seu corpo começarem a relaxar. Porém, o desconforto que era provocado pela companhia da maga continuava a perturbá-lo.
Ainda que odiasse tratá-la daquela forma ríspida, acreditava que aquilo era o certo a se fazer depois do que havia ocorrido.
Transar com Juvia fora um erro. E este erro não se dava pelo fato de ter sido fraco e sucumbido ao aprazível momento proporcionado pelas palavras sinceras e carinhos que trocaram, mas sim por ter gostado de corresponder à sua companheira de guilda, sobretudo daquela maneira.
Gray respirou fundo e soltou o ar em excesso ao expirar ruidoso. O tom laranja cedia com rapidez seu lugar a um azul-escuro quase negro que ainda insistia em se mesclar com o pouco que restava do mais claro. Em poucos minutos, a escuridão noturna possuiria totalmente o céu e dificultaria bastante a visão da maga da água, o que poderia fazer, inclusive, com que ela se perdesse durante o retorno ao ponto onde teriam de passar a noite.
Ele cerrou os dentes por um instante, procurando conter os batimentos cardíacos que se aceleraram ao pensar na mulher que tentava agradá-lo de inúmeras maneiras, e começou a recolher os galhos secos presentes nos arredores, juntando-os no centro do lugar para, em seguida, atirar o lacrima vermelho que ganhou do líder da vila ao concluir a sua parte da missão no meio das madeira seca, iniciando uma fogueira que auxiliaria na localização de sua dupla.
O Fullbuster guardou uma das mãos no bolso da calça ao tomar pouca distância e observou as chamas agitando-se com calma no ar à medida que seu maxilar voltava a cerrar.
Era inegável que, ao longo do tempo, a maga da água havia se tornado a pessoa com quem mais gostava de estar. Juvia Lockser o deixava feliz, fazia-o se sentir bem, e tê-la daquela forma para si não serviu apenas para tranquilizá-lo e afastar o medo indescritível que o possuía desde que a viu se suicidar, mas, principalmente, para aquecer seu coração de um deleitoso jeito singular.
Vê-la exibir uma alegria genuína no olhar após ter se entregado enquanto achava que teve os delicados sentimentos enfim retribuídos o fez se sentir estranhamente contente e satisfeito. Todavia, aos poucos, também fez com que toda a apreensão que imaginava ter extinto retornasse subitamente mais forte.
Gray soltou um estalo baixo e abaixou a cabeça um segundo antes de começar a se retirar do local, a fim de se refrescar do calor gerado pelas labaredas da fogueira.
A copa das árvores encobria a maior parte do céu escurecido, tornando a mata ainda mais densa. No entanto, os raios tênues da lua crescente que se destacava dentre as poucas estrelas daquela noite ainda conseguiam atravessar todas as pequenas brechas e iluminavam com suavidade o percurso que fazia a esmo.
Ele parou de caminhar ao se deparar com uma pequena clareira cortada pelo leito estreito de um rio. Aproximou-se devagar e mirou o reflexo hipnotizante da lua na água límpida, sentindo uma ventania fria revolver seus cabelos negros enquanto fazia a folhagem balançar com insistência.
Embora tivesse gostado da mistura anormal de emoções que a dama da chuva lhe provocou — e que o fez se sentir ainda mais atraído por ela —, sabia que, ao correspondê-la daquela maneira tão íntima, havia ultrapassado todos os limites que impôs a si e a colocou em um estado de vulnerabilidade maior ao do que já se encontrava.
Juvia não tinha medo do que viria a encarar para protegê-lo. E se ela acreditasse que passou a ter os fortes sentimentos retribuídos, mesmo que implicitamente, o nível de sua autopreservação decairia ainda mais e as situações onde poderia voltar a vê-la pensar em se sacrificar se tornariam constantes.
O Fullbuster fechou os olhos e expirou silenciosamente, concentrando-se somente no barulho calmo da água ao ser atingido por um novo vento refrescante no peitoral desnudo.
Involuntariamente, havia fortalecido a mesma emoção que teria sido a ruína da Lockser uma vez. E se voltasse a pôr em risco a vida daquela mulher tão preciosa para si, ele jamais se perdoaria.
Tinha que protegê-la, independentemente de como o faria.
— Gray-sama?... — Abruptamente, Juvia o chamou, preservando um tom carinhoso e esculpindo um pequeno sorriso aliviado por, enfim, tê-lo encontrado.
— O que está fazendo aqui? — inquiriu ao se retirar de seus pensamentos e voltar-se na direção dela.
— Juvia não o encontrou quando voltou e ficou preocupada… Ela pensou que algo poderia ter acontecido com você, e, por isso, decidiu procurá-lo — a maga da água respondeu interrompendo seus passos e apertando as roupas masculinas que carregava cuidadosamente em seus braços.
— Eu já estava voltando — proferiu com uma perceptível nota impassível enquanto passava pela colega de guilda que apenas o observava. — Não precisava ter vindo atrás de mim.
Ela abaixou a cabeça e o seguiu com cautela, sentindo-se minúscula frente a austeridade presente no rosto do homem que amava e à indiferença de seu olhar. Contudo, em meio ao trajeto que prosseguia lento, não conseguiu mais reprimir a incômoda angústia que há tanto tempo a consumia, e em vez de continuar disfarçando-a, deixou-a explícita por todos os traços de seu rosto entristecido.
— Por que, Gray-sama? — a Lockser o inquiriu de súbito em um sussurro, a fim de chamar a atenção do mago do gelo. — Por que está tratando a Juvia assim?
Seu Gray-sama continuou em silêncio, ignorando as palavras que dizia com fragilidade.
— É por causa do que aconteceu entre nós?... — insistiu ela, levando seu olhar cabisbaixo ao Devil Slayer.
— Tch, você ainda não esqueceu? — Gray se pronunciou sustentando um indesejável tom grosseiro.
— Como Juvia poderia? Aquela foi a nossa primeira noite juntos... — Juvia entreabriu um sorriso tímido que destacou as maçãs levemente coradas de seu rosto e abraçou as roupas em seus braços ao se recordar brevemente de tal momento. — A primeira de muitas outras que Juvia gostaria de ter com você...
— Esqueça!, esqueça!, esqueça! Esqueça! — Ele bradou de repente ao se virar para encará-la, fazendo-a imediatamente derrubar as roupas no chão conforme recuava apavorada com seu abrupto avanço até encurralá-la contra a árvore mais próxima e estender, furioso, o braço ao lado do rosto pasmo. — Aquilo não deveria ter acontecido!
Ar faltou nos pulmões da dama da chuva que o observou paralisada, sentindo um misto de perplexidade e pavor percorrê-la ao mesmo tempo que seus batimentos cardíacos pulsavam atalhados com o amargo desgosto causado pelas palavras pungentes do homem à frente. Todavia, não permitindo que o medo a calasse, ela cerrou os punhos, reunindo toda a coragem que possuía dentro de si, e o fitou diretamente nos olhos raivosos emoldurados pelas sobrancelhas franzidas.
— Por quê? — questionou-o em um novo murmúrio discretamente hesitante, temendo o que ele poderia lhe dizer. Contudo, o silêncio demorado de seu Gray-sama, somado a vê-lo se limitar a relaxar algumas linhas da expressão irritada e inclinar a cabeça para baixo nos segundos seguinte à sua dúvida, a fez chegar a uma conclusão. — Acha que... foi um erro?
O mago permaneceu calado, sentindo a garganta ressecar violentamente com o que ela deduziu conforme uma grande nuvem carregada se fixava no céu anoitecido.
— Acha que fazer amor com a Juvia foi um erro, Gray-sama?! — Ela tornou a perguntar em um tom mais alto, ávida por qualquer resposta. Mas seu amado somente respirou fundo, preservando seu silêncio.
Gray desencostou-se do tronco, fechou a mão ao abaixá-la e soltou um xingamento mental contra si mesmo, ainda sem fitá-la.
Ele detestou a sensação dolorosa que o dominou assim que a ouviu começar a chorar; amaldiçoou-se por ser o causador daquele pranto devastador, e amaldiçoou, principalmente, a própria covardia que se transformou na impassibilidade e frieza que há tantas semanas utilizava para afastar a maga da água.
O Fullbuster ergueu a cabeça e de imediato sentiu uma batida dentro de seu peito falhar com a melancolia presente nos olhos banhados pelas lágrimas grossas que escorriam pela feição da mulher à frente.
— Juvia...
— Por favor, Gray-sama, não diga que foi um erro!... — pronunciou em um tom demasiado suplicante, permitindo que mais lágrimas involuntárias atravessassem seu semblante aflito ao soluçar. — Juvia sabe que não foi...
Gray cerrou o maxilar, abaixou o rosto novamente e soltou um suspiro cansado, por fim.
— Só esqueça aquela noite — reiterou atenuando todas as linhas de sua feição para tentar se mostrar alheio ao sofrimento que emanava dela e ecoava dentro de si. — Esqueça-a e se afaste de mim.
Juvia ficou em silêncio, olhando-o petrificada com a frustração colossal que a estraçalhava enquanto absorvia aquelas palavras tão frias e pequenas gotas de chuva começavam a atingir o seu rosto inúmeras vezes. Todavia, em vez de abaixar a cabeça e se entregar ao forte choro que se acumulava em um nó no meio de sua garganta, lutou contra a apreensão que a possuiu e levou uma das mãos à bochecha de seu Gray-sama para tocá-la suavemente com o dorso dos dedos, o que o obrigou a voltar a olhá-la.
— J-Juvia não vai desistir de você... — ela pronunciou em um sussurro quase mudo, esculpindo um tênue sorriso ainda que seu rosto continuasse a ser marcado pelo trajeto das insistentes lágrimas que se mesclavam com as gotículas frias da chuva intensa. — Juvia continuará... a-a esperá-lo... — prosseguiu preservando um tom afável enquanto o acarinhava com ternura — M-Mesmo que Juvia tenha que esperar eternamente a-até que você não tenha mais medo de demonstrar o que sente por ela, e-ela esperará...
O mago do gelo amaldiçoou-se outra vez, lutando para manter a inércia diante da maga que inclinou a cabeça discretos centímetros para o chão e desviou o olhar, a fim de esconder o pranto que não podia mais ser reprimido. No entanto, continuar sob o manto de sua excruciante indiferença tornou-se, praticamente, impossível.
Vê-la sofrer de tal maneira por sua causa gerava uma dor maior do que a que sentiu após a angustiante batalha estabelecida por Invel. Afinal, daquela vez, não havia um inimigo; ele havia se tornado o poderoso demônio que, ironicamente, fortalecido pela própria insegurança e temor, travou uma batalha intensa contra a única pessoa que não tinha medo de sofrer as consequências por amá-lo, a fim de protegê-la.
Gray segurou a mão da Lockser no exato segundo em que ela a afastou, o que a fez levantar os olhos marejados para mirá-lo surpresa com aquela inesperada reação. Aproximou-se, desfazendo-se por um momento da insensibilidade que sustentava e a tomou em um abraço fraco, tentando interromper o choro torturante.
O coração de Juvia latejou apressado enquanto seu olhar marejado exibia a leve surpresa que aquele ato inesperado provocou. Ela ergueu o que conseguiu dos braços, notavelmente hesitante, e se abraçou com a cintura do mago do gelo, aplicando pouca força. Contudo, ao senti-la correspondê-lo, ele apertou mais o abraço, o que a fez fechar os olhos e afundar o rosto na curva do pescoço masculino, a fim de aproveitar ao máximo o conforto gerado por aquele simples contato.
O Fullbuster cerrou os dentes e afrouxou o abraço lentamente após poucos segundos, sentindo-a deslizar os dedos por suas costas ao se espaçarem. A dama da chuva apoiou as mãos sobre os ombros fortes e inclinou-se na direção de seu Gray-sama, fazendo os batimentos cardíacos dele pulsarem afobados. No entanto, em vez de alcançar os lábios levemente ressecados, ela depositou um beijo casto perto do canto da boca.
— Juvia o ama muito, Gray-sama... — declarou com os lábios suavemente encostados na pele da bochecha.
Ele desviou o foco de sua visão para o chão, enrijecendo sob os dedos que permaneciam pousados em seus ombros.
— Não posso deixar que volte a se colocar em perigo por minha causa — confessou sustentando um tom de voz baixo. — Você mudou a minha vida. Eu não quero perdê-la...
— E você não vai — assegurou demonstrando o vislumbre de alegria que as palavras sinceras de seu amado geraram em si no pequeno sorriso que se esculpiu em seus lábios. — Da mesma forma que Gray-sama quer proteger a Juvia, Juvia também quer protegê-lo. E ela sabe que, se morrer, não poderá mais fazer isso... — Uma lágrima escorreu de seu olho direito e cortou sua doce feição devagar. — Não importa o que aconteça, Juvia sempre estará com você, Gray-sama. Nunca se esqueça disso...
— Sim — assentiu ele, não conseguindo impedir que o esboço de um sorriso se curvasse em seu rosto por um segundo.
Juvia tornou a encará-lo com evidente carinho no instante em que o Fullbuster também voltou a fitá-la. Tocou-o cuidadosamente com a ponta dos dedos no local onde o afagou, aproximou-se devagar, e não observando quaisquer indícios de resistência, beijou-o sobre os lábios.
O coração de Gray bateu mais acelerado assim que o breve carinho foi interrompido e ela se afastou curtos centímetros. Engoliu em seco ao senti-la apoiar uma das mãos na curva de seu pescoço e a outra em seu braço direito, e em vez de se afastar da mulher que novamente se aproximava exibindo um frágil sorriso, abaixou o rosto e tornou a se unir a ela em um beijo que não demorou a ser aprofundado ao entreabrir a boca e passar a mover sua língua junto a dela em um ritmo calmo.
O medo que sentia de ser o culpado por fazê-la ter o mesmo destino que as pessoas que amou era constante. Porém, ao contrário do que pensava, tratá-la com tamanha indiferença e grosseira apenas a deixou refém de um sofrimento impiedoso que, involuntariamente, se transformou no seu tormento. Precisaria de outra abordagem para protegê-la, e se não era possível afastá-la, deveria mantê-la próxima, mostrando o quanto a considerava essencial em sua vida.
Os lábios de Juvia se desgrudaram devagar. O mago a olhou discretamente ofegante, sentindo seus batimentos cardíacos pulsarem acelerados, entretanto, no segundo em que a Lockser levou uma das mãos ao seu rosto e o acariciou afastando os fios umedecidos que se grudaram em seu rosto, ele expirou silencioso, permitindo-se relaxar com a terna carícia e o toque sereno dos pingos da chuva menos intensa que passou a banhá-los.
A maga esculpiu um sorriso brando ao interromper o afago para colher a bochecha com sua mão. Inclinou-se outra vez na direção do homem que amava, levando os dedos vagarosamente à nuca no mesmo instante em que ele estacionou as mãos em sua cintura e a puxou com suavidade, colando-se aos seus lábios em um beijo que, diferentemente do anterior, iniciou-se deliciosamente impaciente.
Uma pequena arfada escapou de sua boca e foi sorvido pelo mago que de súbito apertou sua cintura com um cuidado possessivo e pressionou todo o corpo firme contra o seu, evitando que se afastasse. Ela enroscou os dedos nos fios negros e abriu mais a boca, deixando-se consumir pelo profundo e fervoroso beijo que furtava seu oxigênio com rapidez.
Não havia palavras para descrever a felicidade que a inundava por voltar a enfim ser correspondida pelo mago. Aquele homem era o seu sol e a única pessoa que foi capaz de lhe ensinar o que realmente significava amar. Ela sabia que seu Gray-sama não verbalizava muitas vezes os sentimentos — ou que sequer se permitia ser tomado por tamanhas emoções facilmente —, mas acreditava que eram as atitudes que de fato mostravam o que ele sentia. O desejo constante de protegê-la e a necessidade de tê-la ao seu lado eram as principais formas de Gray Fullbuster externalizar o seu amor. E a maga da água não poderia deixar de demonstrar o quanto era grata por isso.
O beijo precisou ser interrompido no instante em que a falta de ar se tornou insuportável para ambos, compelindo-os a diminuir o ritmo antes de se afastarem com perceptível relutância. Juvia deslizou calmamente as mãos pelos músculos de seu Gray-sama e parou-as no meio do peitoral definido enquanto o encarava nos olhos, tentando recuperar o fôlego escasso. Gray se inclinou na direção de sua colega de guilda, porém, as mãos em seu peito mantiveram-se firmes e frearam o curtíssimo trajeto, o que o fez soltá-la e fitá-la com as sobrancelhas levemente unidas em sinal de curiosidade.
A maga desfez o laço que prendia a gola alta de sua blusa e retirou a veste encharcada em um movimento rápido e habilidoso para revelar os seios fartos sustentados pelo sutiã floral lilás. O Fullbuster engoliu a pouca saliva acumulada em sua boca, sentindo o coração acelerar com a vontade instintiva de prosseguir que se tornou ainda mais forte ao olhar aquela parte do corpo feminino que passou a ser exibida para si antes de notá-la pegar sua mão esquerda, fechar as pálpebras e levá-la ao rosto corado para se acariciar ternamente.
Ele moveu o polegar com brandura, contribuindo com as carícias na pele alva da mulher que voltou a mirá-lo com os olhos semicerrados e entreabriu um delicado sorriso. Contudo, ao vê-la parar de se afagar e aproximar-se de seu corpo, segurou-a na cintura com as duas mãos e abaixou a cabeça, a fim de unir seus lábios aos dela em um beijo lento que aos poucos se tornava cada vez mais instigante conforme as unhas da Lockser percorriam um caminho propositalmente tortuoso por seus bíceps.
Em um gesto abrupto, Gray a empurrou contra a árvore com uma brutalidade controlada, fazendo-a cessar o beijo ao soltar um gemido baixo de surpresa assim que as costas foram de encontro à madeira robusta. O mago do gelo se aproximou mais uma vez, tomando-a em um beijo superficial antes de depositar outros pequenos beijos no canto direito da boca e na bochecha, seguindo uma trilha que o levou à orelha.
Ela envolveu um dos braço por trás da nuca de seu Gray-sama assim que sua mão esquerda se colocou por trás da cintura e fincou as unhas na pele molhada, mantendo-se colada ao corpo masculino enquanto era acarinhada com beijos excitantes no contorno da orelha indefesa. Tombou a cabeça para o lado, entregando mais da instigante região, a fim de que o Fullbuster continuasse com os carinhos que faziam seus dedos apertarem-no, entretanto, em vez de seu amado permanecer naquele local, ele mordiscou o lóbulo sensível, originando um delicioso arrepio, e desceu lambendo as gotas pesadas da chuva que escorriam por sua pele pálida durante o curto trajeto rumo ao pescoço.
A maga da água arqueou as costas no segundo em que Gray agarrou seu seio esquerdo por cima do sutiã e arrastou a língua aveludada na região próxima da base do pescoço ofegante, demorando-se sobretudo na veia pulsante que era insistentemente beijada. Suas pálpebras voltaram a se fechar assim que seus lábios se entreabriram, permitindo que ruídos baixos de deleite saíssem livremente de sua boca arfante e fossem escutados pelo mago ao ter um lado da peça de roupa abaixado com pouca delicadeza e a mama subitamente apalpada.
Juvia pronunciou o nome de seu amado dentre um gemido baixo e sensual conforme as carícias impudicas da boca esfomeada e do polegar que circulava seu mamilo enchiam sua mente de desejo e faziam seu corpo carente esquentar, ávido para desfrutar de todo amor e prazer que aquele adorado homem poderia lhe oferecer. Seu joelho esquerdo se elevou pausadamente e sua perna se colocou por trás das coxas do mago do gelo ao mesmo tempo que a mão dele afastou-se do seio e tornou a percorrer o contorno de sua cintura delgada, seguindo sorrateiro o caminho que o levaria ao íntimo.
O Fullbuster pôs a outra mão por trás do joelho levantado ao adentrar a calcinha, interrompeu os afagos que aplicava no pescoço para levantar o rosto, aproximando-se mais uma vez da orelha, e friccionou calmamente o meio do sexo com o dedo médio, fazendo sua colega de guilda reagir àquele suave estímulo proferindo palavras de aprovação quase inaudíveis.
Ele deglutiu a saliva que se acumulou em sua boca e prosseguiu, excitando-se com os ofegos voluptuosos que eram soltos perto de seu ouvido assim que atravessou os grandes lábios com uma paciência forçada e continuou a esfregar o sexo levemente umedecido. No entanto, ao encontrar o ponto mais sensível da região, a maga colou a boca em sua orelha e arfou cobiçosa, induzindo-o a tocá-la apenas naquele lugar.
Um sorriso estreito se moldou involuntariamente nos lábios de Juvia conforme seu clitóris passava a ser o alvo principal das carícias lascivas. Ela pousou ambas as mãos nos ombros largos, cravando as unhas na pele, e se aninhou, a fim de fazer com que seu mamilo rijo se esfregasse no peitoral másculo ao mesmo tempo que se contorcia satisfeita com os agradáveis estímulos.
O Devil Slayer salivou ainda mais excitado ao espalhar a umidade suculenta pelos lábios vaginais para lubrificá-la antes de penetrá-la com dois dedos, originando novos gemidos de deleite ao masturbá-la movendo-os devagar para dentro e para fora do sexo encharcado repetidas vezes enquanto a palma de sua mão esfregava a terminação hipersensível e seu coração batia acelerado, auxiliando na propagação do forte tesão acumulado que corria por seu sangue e o fazia responder visivelmente àqueles contatos no corpo mulheril.
Gray soltou um xingamento mental assim que sentiu sua semiereção latejar dolorosamente dentro da cueca, denunciando sua vontade de possuí-la. Cerrou os dentes, abaixou a perna erguida por ela, e obedecendo aos resquícios fortalecidos de sua razão, decidiu diminuir a velocidade da penetração.
O que deveria ser apenas uma demonstração singela de carinho e companheirismo tomou grandes proporções gradativamente. E se aceitasse acatar a necessidade dentro de si, a corresponderia como na primeira vez, saciando-a e fortalecendo os sentimentos que deveria tentar refrear.
O mago cessou a movimentação vagarosa de seus dedos, espaçou-se, e com a visão enevoada pelos próprios anseios eróticos, analisou a imagem naturalmente bela e excitante da mulher sob a persistente garoa que fazia os cabelos azulados grudarem ao redor do rosto corado e caírem sobre o atraente busto farto enquanto súplicas roucas saíam dos tentadores lábios.
Aquilo era muito arriscado para ambos. Entretanto, ainda que se preocupasse com o futuro, ele não podia permitir que sua insegurança voltasse a enfraquecer o laço que os unia e o impedisse de querer mostrar o quanto gostava da dama da chuva. Não mais.
O Fullbuster inclinou-se de súbito na direção da maga e uniu sua boca à dela em um inesperado beijo, deixando-a de início surpresa, mas logo fazendo-a correspondê-lo com a mesma tranquilidade que se dedicava a aplicar. Juvia o tocou nas bochechas com as pontas dos dedos suavemente, acariciando-o com cuidado ao mesmo tempo que seu clitóris intumescido era estimulado mais uma vez pela massagem libidinosa do dedo médio de seu amado.
Ela arfou dentro da boca masculina assim que sentiu a glande avermelhada subitamente adentrar seus tecidos molhados e assumir os carinhos do dedo ao ser utilizada para continuar a friccionar o ponto mais sensível do sexo enquanto Gray se masturbava lubrificando todo o membro enrijecido com a secreção natural que era eliminada.
A Lockser endireitou a postura ao apoiar as costas na madeira atrás de si, levantou a perna esquerda outra vez, tendo-a prontamente segurada sob a coxa por seu Gray-sama, escorregou as mãos pelo peitoral, levando-as até o meio das costas para aproximá-lo, e o mirou nos olhos escurecidos pelo mesmo desejo latente que ela possuía de se completarem.
Ele posicionou a ereção pulsante na convidativa entrada do corpo de sua companheira de guilda, ergueu mais a coxa torneada e flexionando os quadris devagar, adentrou a feminilidade que se comprimiu ao passar a enfim acolhê-lo. A maga da água arqueou as costas ao cravar as unhas na pele umedecida pela mistura de suor e água e as arrastou, deixando trilhas avermelhadas pelas costas conforme a penetração prosseguia deliciosamente calma e veemente, até que todo o pênis fosse inserido.
A perna por trás do mago envolveu o quadril e o apertou, tentando deixá-lo ainda mais colado ao seu corpo assim que a ereção se acomodou dentro do sexo estreito e os lábios de seu Gray-sama acariciaram os seus, misturando o ar quente que era expirado de suas bocas abertas quase em perfeita sincronia. Uma de suas mãos se colocou na bochecha do causador de seu prazer, a fim de pará-lo para que pudesse se saciar com outro beijo sôfrego. Porém, seu amado capturou seu pulso e o prensou com força contra a árvore, pouco acima de sua cabeça.
Gray continuou a se movimentar em um ritmo mais rápido, saboreando o contato direto dos músculos vaginais em seu órgão rijo. Engoliu em seco, resvalou os dedos por baixo da coxa em uma carícia possessiva até alcançar a nádega e a apertou com ferocidade, descendo-a poucos centímetros para que pudesse penetrá-la mais fundo.
Gemidos carregados de prazer escapavam da boca da Lockser que se remexia airosa para acompanhar as estocadas precisas, sem se importar com o ardor dos arranhões superficiais que surgiam devido ao atrito constante das cascas da madeira em suas costas. Suas unhas tornaram a percorrer a pele úmida de seu amado ao fechar os olhos e suspirar atingida pela onda densa de luxúria que se espalhou em um inesperado arrepio morno por seu corpo.
O mago do gelo riu internamente ao ver o punho que mantinha imobilizado tentar escapar para agarrá-lo assim que a observou estremecer e comprimi-lo ao passar a roçar no clitóris superestimulado. Apertou o glúteo sobre seus dedos, sentindo um arrepio tão intenso quanto os que inquietavam sua companheira de guilda percorrê-lo no instante em que suas estocadas se tornaram instintivamente mais vigorosas e profundas, elevando a excitação avassaladora que estava prestes a atingir o seu limite.
Ambos transpiravam, suas peles ferviam e lutavam para controlarem suas respirações agitadas. Todavia, por mais que quisessem se delongar naquele ato concupiscente, sabiam que o forte tesão que se acumulava em seus interiores, fazendo o baixo-ventre da maga da água formigar enquanto o Fullbuster suspirava entre dentes, incomodado pelo tremor involuntário das pernas nos momentos em que seu membro latejava altamente excitado, não poderia mais continuar a ser reprimido.
Juvia entreabriu um dos olhos ao notá-lo deslizar os dedos pelo meio da palma de sua mão até encontrarem-se com os seus para entrelaçá-los e sorriu, adorando a sensação de se sentir verdadeiramente cobiçada e amada que o homem tão compenetrado em se satisfazer explicitava a cada investida impiedosa em seu sexo.
Ela tombou a cabeça para trás e relaxou, entregando-se por inteiro ao auge que fez os tecidos delicados de sua feminilidade se contraírem ao redor do membro e espasmos se propagarem pelos músculos enrijecidos de seu corpo satisfeito. O mago a segurou com força no mesmo momento em a notou se desmanchar, inseriu o pênis até o ponto mais profundo do íntimo feminino e estremeceu por fim, sendo dominado pelo ambicionado ápice que o paralisou por um instante antes de fazê-lo soltar um gemido áspero de alívio que reverberou através da mulher absorta.
A Lockser o fitou com ligeira dificuldade, respirando tão profundamente quanto o homem que começou a amar desde o primeiro minuto em que o viu, conforme se apaziguavam. Entreabriu os lábios e lentamente aproximou o rosto, tomada por uma necessidade inexplicável de sentir o gosto dos lábios de seu Gray-sama após se entregar àquele inebriante orgasmo.
Gray atendeu a solicitação silenciosa não demorando a iniciar um beijo tranquilo mesmo que atrapalhado pelas respirações ofegantes. Juvia ainda se inclinou na direção de seu amado, desejando continuar o beijo que foi interrompido após breves segundos, porém, ele virou o rosto na direção contrária e levou a boca arfante a sua orelha.
— Me desculpe... — o Fullbuster murmurou com a voz carregada de arrependimento, afrouxando o braço para descer a perna que mantinha suspensa e escorregar para fora do sexo preenchido devagar.
— Eh?... — a maga o olhou sem entendê-lo, escorando-se no tronco em suas costas para manter o corpo amolecido pelos restos do clímax possante de pé, enquanto o via pegar as roupas molhadas do chão. — G-Gray-sama?...
Ela se sentiu confusa com o que aquilo significava, mas antes que pudesse questioná-lo, observou-o caminhando já a razoável distância, deixando-a sozinha na clareira que não era mais regada pela chuva.
Juvia abaixou o olhar e suspirou entristecida, não conseguindo evitar a ideia de que poderia ter se enganado sobre tudo mais uma vez...
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A alegria que os membros da Fairy Tail exibiram ao verem seus companheiros de guilda enfim retornarem após cumprirem uma missão tão trabalhosa era contagiante.
O ambiente antes tomado pela preocupação imediatamente tornou-se animado e festivo, e ainda que fosse somente o início do entardecer, os magos celebravam balançando suas canecas cheias com a cerveja servida em meio às conversas acaloradas e brincadeiras que não demoravam a se instaurar no local.
Apesar de todos se mostrarem igualmente eufóricos, quem mais se demonstrava empolgado era Natsu, que mesmo com várias partes do corpo enfaixadas, ainda tinha bastante energia para contar com orgulho como foi a batalha ao lado de Lucy e Happy, vangloriando-se de seus feitos para Gray, que o rebatia procurando se sobrepor enquanto a maga celestial revelava para Erza e Wendy as dificuldades do confronto dentre as poucas pausas que o Dragon Slayer eufórico fazia. No entanto, diferentemente dos demais, a dama da chuva não aparentava compartilhar aquela mesma empolgação.
Seus olhos estavam fixos no mago do gelo sentado ao seu lado e um pequeno sorriso sutilmente forçado curvava seus lábios conforme o ouvia se exibir dizendo que enfrentou o oponente mais forte, aproveitando-se inclusive para concordar o que era dito entre os segundos de silêncio que seu amado fazia e deixando o mago do fogo ainda mais irritado.
Após a noite na floresta, o comportamento do Devil Slayer mudou. Ele passou a conversar um pouco mais, suas palavras deixaram de ser carregadas pela incômoda nota hostil e, aparentemente, não se mostrava incomodado com a sua presença, mantendo-se calmo a todo instante. Entretanto, na maioria das vezes em que estavam em silêncio, seu Gray-sama preservava um olhar pensativo e distante que a deixava aflita.
A Lockser virou-se para frente, abaixou o rosto e espremeu os lábios, passando a ficar alheia à discussão afobada que começava a se instaurar entre os dois magos.
Ela não sabia mais o que fazer.
Aquela havia sido a segunda vez que se entregou ao homem que amava, e, ainda assim, Gray não parecia de fato se interessar em demonstrar o que sentia. Todas as suas ideias já haviam se esgotado, e pior do que viver com a incerteza dos sentimentos do Fullbuster, era voltar a ser tratada com a angustiante indiferença e arrogância que ele, a qualquer momento, poderia voltar a demonstrar se continuasse a insistir em conseguir a desejada reciprocidade com tamanha avidez.
Juvia fitou a mão pousada sobre a coxa esquerda e apertou o tecido de sua saia ao espremer os lábios fechados com discrição. Precisaria continuar a aguardá-lo pelo tempo necessário.
A maga soltou um suspiro interno desolado, aceitando, por fim, a única solução possível para seu problema. Contudo, seus olhos precisaram ser desviados daquela visão ao de súbito sentir os dedos da mão que descansava no banco compartilhado serem sutilmente tocados. Ela virou o rosto e observou a mão de seu Gray-sama deslizar vagarosa pela sua, ficando sorrateiramente sobre ela e fazendo seus batimentos cardíacos imediatamente acelerarem.
Sua atenção voltou-se ao Fullbuster que respondia ao outro com um sarcasmo ácido, não conseguindo disfarçar a expressão de surpresa que se estampou em seu rosto ou as lágrimas rasas que logo passaram a inundar seu olhar com aquele gesto singelo.
— Você está bem, Juvia? — Lucy questionou curiosa ao notá-la passar o punho sob o olho direito enquanto um sorriso feliz se moldava em seus lábios e iluminava sua feição.
— Sim — afirmou tornando os olhos marejados ao mago. — Na verdade, Juvia se sente ótima, agora...
Ela deixou um breve riso pueril escapar, observando o homem que apenas a olhou de volta e abriu um meio sorriso discreto, mantendo a mão gentilmente sobre a dela.
Talvez não fosse mais necessário esperá-lo para sempre, afinal.
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