Sickly Desire
19 Víbora
Notas iniciais
Laxus não conseguia ficar perto de Freed. Não na situação em que o menor estava. A visão que tivera dois dias atrás quando o visitou no hospital lhe deixou ainda mais desesperado. O menor estava respirando com a ajuda de aparelhos e, além disso, estava terrivelmente pálido. Até mesmo seus lábios, sempre rosados, haviam perdido a cor. Havia perdido sangue novamente e foi necessária uma cirurgia de emergência para retirar o pedaço do osso que começara a rasgar seu pulmão. E no atual estado do rapaz, aquilo havia comprometido sua saúde. Estava inconsciente e a base de vários medicamentos para ajudar na melhoria de sua saúde e suas feridas. Todo seu tronco estava coberto por grossas faixas que chegavam a dar volume em sua blusa.
Do lado de fora do quarto do menor, Laxus estava em pânico, porém se mantinha quieto o máximo que podia. A idéia de que o menor morreria não saía de sua cabeça, mesmo os médicos tendo alertado que ele estava estável. Tudo aquilo se tornava ainda pior quando se lembrava que ele era o culpado pela situação do outro. Não podia acreditar que havia chegado a tal ponto.
Percebendo que só ficaria pior se permanecesse ali, ele resolveu voltar para empresa para tentar trabalhar. O que não adiantou. A imagem do menor caído no chão e engasgando com o próprio sangue não saía de sua mente, o deixando terrivelmente incomodado. Aquilo não devia acontecer. Já torturara vários outros escravos sexuais, inclusive Seny e mesmo mandando alguns para o hospital em situações semelhantes ou pior que Freed, nunca sentira aquele medo que estava sentindo. Medo de que ele morresse.
– Bobagem! – disse se levantando de sua cadeira para poder olhar a paisagem atrás de si.
A sala de Laxus ficava no último andar de um dos maiores e mais caros prédios de Tókio. Sua sala, assim como sua casa, fora decorada a custas de muito dinheiro, o que lhe proporcionava muito conforto e deixava registrado seu poder e status.
Pôde ouvir batidas delicadas na porta e logo mandou a pessoa do outro lado entrar. Conhecia aquela batida. Permaneceu de costas, enquanto uma figura feminina entrava naquele lugar. Alta com longos cabelos loiros, seus saltos faziam barulho enquanto ela caminhava na direção do loiro. Seu perfume anunciava sua aproximação, enquanto ela olhava para o homem a sua frente com malícia. Chegando até ele, enlaçou sua cintura com seus braços finos e delicados, ficando na ponta dos pés para poder falar no ouvido do outro.
– Sentiu minha falta? – disse passando a língua nos lábios depois de falar.
– O que quer Ângela?
Laxus lhe respondeu impaciente. Normalmente tolerava as gracinhas da garota, mas não estava com paciência para aquilo no momento. Ângela riu, adorava ver o outro nervoso. Talvez por isso sentisse tanta atração pelo loiro.
– Soube que quebrou seu brinquedinho, então pensei que iria querer algo para se distrair .... – Disse com a voz manhosa, puxando o rosto do outro devagar para que ele olhasse para ela.
Ele a olhou da cabeça aos pés. Vestia um longo vestido vermelho “tomara-que-caia” que realçava as belas curvas de seu corpo. Seus olhos azuis estavam fixos em Laxus e em seus lábios havia um batom vermelho no mesmo tom de seu vestido.
– E o que poderia me distrair? – Laxus disse sem nem mesmo pensar. Já não estava nem raciocinando direito.
– Ora, não diga isso. Posso acabar me ofendendo! – ditou a loira, puxando o rosto do homem para lhe dar um beijo. Sempre tivera interesse em Laxus e achava uma pena ele só demonstrar interesse por esse tal Freed. – Eu posso lhe fazer um favor ... se você quiser! – Disse já mordiscando a orelha do loiro.
Normalmente, Laxus não hesitaria em aceitar, mas nas condições em que estava não tinha cabeça para fazer nada. Segurou a garota pelo queixo, apertando-o devagar e afastando o rosto da garota de si.
– Não. Obrigado. – disse já afastando a garota e se sentando na cadeira novamente. A garota não se deu por vencida.
– O que foi? Só porque eu não sou seu amado Freed quer dizer que eu não posso te satisfazer? Ou será que já se esqueceu de quando me ligava no meio da noite para ir a sua casa? – sentou-se no colo do outro, enlaçando os braços em seu pescoço e lhe dando um beijo. – Eu sei que você quer isso. Há quanto tempo não dorme com uma mulher? – disse desgrudando seus lábios do outro, sussurrando em seu ouvido.
– Ângela, estou falando sério. Me deixe em paz. – o loiro já começara a perder o pouco de paciência que ainda tinha. Empurrou a garota, fazendo-a se levantar. Saiu da cadeira, caminhando até a porta, abrindo-a.
– Saia. Antes que acabe te expulsando á força.
A garota ficou irritada e em passos rápidos chegou até a porta, ficando ao lado de Laxus.
– Você vai se arrepender por isso Laxus, pode ter certeza. – disse já saindo da sala e apertando o botão do elevador.
O loiro bateu a porta, enquanto a garota, já dentro do elevador, jogava seus longos cabelos para trás dos ombros. Abriu sua bolsa, tirando seu celular, visivelmente irritada. Discou alguns números apressadamente, quase gritando ao telefone ao falar.
– Procure o nome Freed Justine na lista de todos os hospitais do Tókio ... agora!
Não esperou a resposta do outro lado da linha, desligando o celular em seguida. Laxus pagaria por tê-la rejeitado.
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