Sickly Desire

3 Sem escapatória


Notas iniciais
Dois dias e consegui escrever 5 capítulos já -Q

Já havia passado cerca de meia hora desde a saída de Laxus, mas Freed continuava na mesma posição tapando o rosto com as mãos. Seu corpo ardia. Laxus o deixara todo marcado e aranhado, mas a dor física não lhe incomodava tanto quanto a idéia de que ele se tornara um objeto nas mãos do outro. Estava desesperado e tinha que sair dali. Não iria suportar que aquilo acontecesse de novo. Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta se abriu novamente. Encolheu-se de susto, pensando que era Laxus, que voltara para se aproveitar dele mais uma vez.

Deixou seus ombros caírem ao ver uma mulher entrar no quarto. Baixa e de cabelo branco bem comprido, tinha o rosto marcado por hematomas. Era bem nova e bonita. Parecia não ter mais de vinte anos. Tinha um dos olhos tapado por um curativo, o outro ostentava um olhar assustado que expressava bem o medo que ela vivia. Laxus se aproveitava dela sempre que lhe faltava alguém para satisfazê-lo e se para Freed ele era como um animal, para com ela, ele era um monstro. Seu corpo não chamava muito atenção, assim como suas roupas de empregada. O comprimento do vestido não deixava à mostra as cicatrizes em sua perna, mas as mangas curtas de seu vestido deixavam evidentes marcas de mordidas e chupões, provavelmente causados por Laxus. Freed ficou parado apenas a observando, enquanto ela, abaixando a cabeça, caminhou até seu lado na cama. Tirou uma faca do bolso e com cuidado, cortou as cordas que o prendiam. Freed não desgrudava os olhos dela e do que ela fazia, mas logo puxou o lençol tapando seu corpo. Ainda estava nu e havia uma mulher no quarto. Mesmo naquela situação, ainda mantinha seus princípios de respeito.

- Q-quem é você?

Sua voz saíra fraca. Ainda estava em choque pelo o que havia acontecido antes. Ela não lhe respondeu e mantinha seus olhos verdes para o chão, tornando a guardar no bolso a faca junto com seu molho de chaves. Caminhou até a outra porta que havia no quarto e a abriu.

- Freed-san, o mestre Laxus pediu que estivesse limpo quando ele retornasse.

A voz da garota saiu ainda mais fraca e demonstrava o quanto ela era tímida. Mas tinha algo de errado com ela. Ela parecia um animal que fora torturado até se tornar submisso à seu mestre. Freed não tinha a menor intenção de fazer algo que Laxus mandara, mas sentia que se ele não o fizesse quem sofreria as conseqüências seria ela. E no seu estado atual, ela não suportaria. Olhou para a porta de saída e chegou a pensar em fugir, mas não podia, pelo menos não ainda. Não deixaria que alguém sofresse por sua causa. Não mais.

Esfregou seus pulsos doloridos, e ia se levantar, mas ainda estava despido. Ele tornou a olhar para ela, esperando ela saísse do quarto, mas ao ver que ela ainda olhava para o chão, sabia que ela não o faria. Ela era a perfeita cadelinha de estimação que todos como Laxus desejavam ter. Enrolado nos finos lençóis, ele foi para o banheiro, sentindo um cheiro doce ao passar perto dela. Não conseguia ficar nu em frente à outra pessoa. Sentia vergonha.

Ela acompanhou a sombra do rapaz no chão e logo que percebera que ele entrara no banheiro, o seguiu. O banheiro era enorme. Totalmente braço e limpo, tinha uma banheira enorme no centro. Enquanto Freed admirava o cômodo que mais parecida uma casa pelo tamanho, a empregada tratou de preparar o banho. Não demorou muito e ela tornou a chamá-lo, depois de medir a temperatura da água. Em silencio, Freed entrou na banheira, ficando de costas para ela. Quando tornou a olhar para trás, ela não estava mais naquele cômodo.

Freed se lavou, dando graças a Deus por poder se livrar da saliva e excreções de Laxus impregnados em seu corpo. Quando terminou se sentiu mais leve, mas seus machucados ardiam um pouco. Nada que ele não suportasse. Enrolado na toalha voltou para o quarto e se deparou com uma bandeja de comida encima da cama, junto com roupas novas e percebeu que o lençol manchado com seu sangue fora trocado. Foi até a porta e percebeu que ela já estava trancada. Estava sozinho novamente.

Só naquele momento Freed reparara como era o quarto. Totalmente branco, assim como o banheiro, era decorado por móveis que pareciam ser caríssimos. Um quarto muito luxuoso, cheio de pequenas mesas enfeitadas com vasos cheios de flores brancas e vermelhas que davam um contraste com o dourado dos móveis. Havia duas escrivaninhas, uma de cada lado da cama. A janela tinha grades que pareciam também ser de ouro. Um quarto decorado a custa de fortunas, tinha certeza. Como estava sozinho e desamarrado, resolveu aproveitar a oportunidade para tentar escapar, mas antes iria se vestir e comer. Estava faminto.

Comeu tão apressadamente, que manchou a blusa recém trocada com gotas de molho. Sentia sua boca arder devido à pressa que comera e por causa do rasgo que fora feito antes. Tinha que aproveitar a ausência de Laxus para conseguir fugir. Terminou de comer e logo começou a vasculhar cada canto do quarto e do banheiro. Porta trancada sabe se lá com quantas trancas, paredes sólidas, gavetas trancadas, janelas gradeadas e pelo visto estava no 2º andar da casa. Pular era impossível.

Tentou utilizar sua magia de todas as formas que conseguia, mas era inútil. Não conseguia escrever uma runa sequer e fazer ela se tornar uma magia. Irritado ao ver que estava sem opções, carregou uma mesa até o banheiro e a jogou no espelho, que se quebrou em vários pedaços.

Laxus já havia chegado e estava jantando quando ouviu o barulho. Terminou de comer e subiu até o quarto do rapaz para ver o que ele estava fazendo. Chegando lá percebeu que ele estava no banheiro. Chegou silenciosamente até a porta e um sorriso maldoso enfeitou seu rosto ao ver aquela cena.

Com o braço esquerdo sangrando, Freed segurava um pedaço de vidro que ele usara para se cortar, totalmente apavorado. Estava ajoelhado, sentado sobre as próprias pernas e em sua frente havia uma seqüência de runas escritas com sangue. Quando fazia dessa forma, utilizava seu poder máximo e liberava toda sua magia. Mas aquilo não estava dando certo. Não conseguia sentir a presença de magia naquele mundo. Na verdade, não a sentia desde que tinha acordado. Boquiaberto ele não sabia o que fazer e Laxus podia ver isso pelo apavoramento em que ele estava.

- Eu acho que me esqueci de mencionar, mas você não pode usar magia aqui.

Laxus ainda ria e se abaixou já próximo ao menor, tirando o pedaço de vidro de suas mãos. Freed ainda estava em choque. Se não tinha magia, como iria conseguir se livrar de Laxus? Era quase impossível. Aproveitando o estado do outro, Laxus contornou sua cintura com os braços, levando o rosto até sua nuca e dando um beijo naquela região. Sentiu o suave cheiro que seu cabelo comprido e sua pele exalavam. Freed não fazia idéia de como o deixava louco.

Voltando a si, Freed tentou empurrá-lo para longe de si, mas Laxus, agressivo como sempre, cravou o pedaço de vidro em sua coxa. Freed soltou um gemido abafado de dor, enquanto era puxado para junto do corpo do homem.

- Eu disse para fazer apenas aquilo que eu mandasse não foi? Não me lembro de ter mandado você se mexer!

Segurou os pulsos do outro com a mão esquerda enquanto a mão direita puxou o vidro para cima, rasgando mais a carne do outro.

- Vamos tentar de novo... Quer que eu tire isso daí Freed? Implore. Dou-lhe permissão para isso.

Freed não faria e Laxus sabia disso. Entretanto se considerasse o desespero do outro, talvez fosse surpreendido. O mantinha preso, com seu corpo colado ao dele. Freed arfava de dor, de forma que começara a suar. Seu peito subia e descia rápido, de dor e desespero. Já bastava o choque de não poder usar magia, ainda tinha de implorar? Não o faria, mesmo que tivesse todo seu corpo rasgado.

- Vou considerar o seu silêncio como um não. Então acho que não vai haver problema se eu fizer você sangrar mais um pouco..... Implore quando entender que quem manda em você e nesta casa sou eu ..... EU! – Laxus fez questão de gritar a última parte antes de tornar a cavar o vidro em Freed novamente.