Sickly Desire
52 Necessidade de mudança
Notas iniciais
Freed dormiu até o meio dia e ao se levantar percebeu que o loiro ainda dormia profundamente. Achou melhor não acordá-lo, até mesmo para refletir sobre o que havia acontecido horas atrás. Mesmo com todas as atrocidades que Laxus fizera com ele todo esse tempo, sentia que ainda gostava do loiro. A vida inteira, desde o dia em que Laxus o salvou em uma batalha quando eram crianças, Freed começou a nutrir uma admiração por ele que com o tempo cresceu ainda mais. A situação se tornou ainda pior quando o Mestre pediu que ele vigiasse o loiro. Inevitavelmente ficou mais próximo dele e acabou por aumentar este sentimento. De início pensou que fosse apenas admiração, mas com o tempo e ao ver o homem se relacionando com tantas mulheres ele percebeu que era algo diferente. Entretanto a sua situação mudara, presumia isso pelo o que havia acontecido. Não conseguia perdoar Laxus por ter feito tantas covardias com ele, porém, por mais que ele tentasse, ele não conseguia odiá-lo.
Confuso, ele resolveu tomar um banho enquanto pensava no que deveria fazer. Caminhou até as fontes termais e tirando seu kimono, entrou na água. Enquanto esfregava seu corpo, pensava se deveria dar uma chance ao loiro, ponderando as boas possibilidades e as ruins, entretanto, quando começou a passar a esponja em seu peito lhe veio à mente todas as coisas que Laxus fizera com ele. A prova disso era seu peito, abdômen e costas que estavam cheios de cicatrizes causadas pelo loiro.
- O que faço? – repetiu para si mesmo, de cabeça baixa, apertando a esponja contra uma cicatriz maior em seu peito. Entrava em pânico somente em imaginar as mãos do homem em seu corpo. Ele não sabia dizer se suportaria que Laxus fizesse sexo com ele outra vez. Ainda gostava do loiro, mas simplesmente não conseguia aceitar uma aproximação tão grande dele.
Mesmo pensativo, o menor terminou seu banho. Estava tão preocupado com essa situação que chegou a perder a fome. Depois de se vestir, ele foi para o jardim, se sentando em um banco que ficava embaixo de uma árvore para poder pensar melhor. Distraído, não percebeu a aproximação de Akeginu, que o seguira.
- Bom dia Sr. Justine.
Os pensamentos do rapaz foram interrompidos pela voz feminina que estava bem próximo a ele. Freed levantou a cabeça, contemplando a mulher que usava um kimono vermelho, assim como suas unhas compridas.
- O que houve? Parece triste ..... – ao se sentar, tocou o rosto do menor sem nem mesmo esperar sua resposta. Era mestra quando o quesito era ser insolente. – Não me diga que está assim pelo que viu ontem!
- Não ..... é outra coisa .... não tem nada a ver com aquilo. – respondeu o rapaz que ostentava um semblante abatido.
- Entendo. Bem somos adultos e temos de entender que o sexo é algo completamente normal. Exceto ..... quando se torna um trauma.
Freed virou os olhos para o lado oposto a mulher, que deixou uma baixa risada maldosa escapar ao ver isso.
- Quantas vezes ele lhe estuprou?
O menor arregalou os olhos e tornou a olhar para ela ao virar o corpo rápido. Os olhos negros da mulher pareciam vivos ao fitar o menor que estava sem reação.
- Ele não fez ....
- Não precisa tentar me convencer do contrário. Vi seu peito cheio de cicatrizes enquanto tomava banho. O Sr. Dreyar é bastante sádico pelo que percebi. Além do mais, o Sr. se encolhe quando percebe a aproximação do Sr. Dreyar.
A mulher sorria esperando a resposta do menor que ficou boquiaberto sem saber o que dizer. Ela esticou a mão e tocou suavemente no peito do menor que apenas acompanhou tudo com os olhos.
- Ele te fez sentir muita dor não é verdade? – ela cansou de ser formal e decidiu falar as coisas como queria. — Talvez apenas queira que você se entregue à ele. Ele disse que iria lhe dar um tempo, mas lhe pede beijos. Quando será que irá lhe pedir seu corpo?
O rapaz engolia em seco, apertando as mãos e olhando a mulher nos olhos. Os olhos dela tinham um brilho sádico e malicioso que deixava Freed sem reação. Ficara muitas vezes na porta do quarto dos dois, escutando o que se passava lá dentro.
- Entretanto ..... – ela diminuiu o tom de voz. – Você não tem mais vida. Você pertence a ele. E mesmo que o rejeite ele irá te forçar a fazer o que ele quer...... Você é o que sou Freed. Um objeto de prazer ... nada mais do que isso. Ou você aceita as ordens e se diverte do seu jeito, ou passará a vida trancado em um quarto sendo mantido vivo para que usem seu corpo.
Akeginu olhou para o céu, sorrindo ainda mais ao tirar a mão do peito do menor. Freed engoliu em seco ao ouvir tais palavras, mas chegava a compreender o ponto de vista dela.
- Não teve vontade de se matar? – disse gaguejando.
- No início sim. Perdi minha castidade quando tinha trezes anos com um velho horrendo. Fiquei até os dezoito anos depressiva, até que percebi que poderia me divertir com essa vida. Não como eu realmente queria, mas me divertiria de alguma forma. – ela mantinha seus olhos para o céu, observando as nuvens passarem conforme a Terra girava.
- Se divertir? Como? – a voz do menor estava baixa e rouca.
- Fazendo sexo com homens que julgo interessantes. Quando estou com eles, imagino uma vida melhor. Me imagino sendo esposa deles. – ela mantinha o seu sorriso maldoso, tornando a olhar para o rapaz. – Isso não condiz com a minha personalidade atual, mas com o tempo eu fui me moldando para ser mais respeitada. Escravos que apenas pedem para que seus mestres parem são mais atormentados.
Freed piscava rápido olhando para ela. Jamais imaginara que a mulher havia passado por tal situação ainda mais com a forma que ela agia. Tivera uma péssima imagem dela ao vê-la no meio das outras que ali estavam.
- Laxus é um homem interessante e bonito. Ele é .... como o vilão de uma história que deixa algumas excitadas. Mas minha vida já está cheia deles. Eu prefiro os príncipes que são capazes de mover céus e terra pelo que querem. – Seu sorriso ficou maior e ela esticou a mão, tocando o rosto do rapaz novamente. – Você tem a aparência de um príncipe, mas não diria que é um. Príncipes não tentam se matar e muito menos desistem de lutar. – ela se aproximou ainda mais, diminuindo o tom de voz. Iria se aproximar ainda mais, porém foram interrompidos.
- Freed o que está fazendo aqui? – uma voz conhecida pôde ser ouvida por ambos que viraram o rosto na direção do homem. Assim como o menor, Laxus estava de kimono e ostentava uma expressão de desagrado.
– Akeginu tire suas mãos dele agora mesmo.
O sorriso da mulher não se desfez, no entanto ela obedeceu o homem. Ficando de pé, ela saiu lentamente carregando seu sorriso maldoso no rosto. Ambos a acompanharam com os olhos até que ela voltasse para a casa e ao perceber que ela já havia sumido, Laxus se aproximou do menor até que ficasse de frente a ele cruzando os braços.
- O que estava fazendo?
- Estava conversando com ela, apenas isso. – respondeu o menor, um pouco receoso ao ver que o loiro estava nervoso.
- E o que ela fazia tão perto de você? — Laxus era bastante ciumento com quem ele se interessava e Freed já havia percebido isso há muito tempo.
- Estávamos apenas conversando Laxus. – Freed abaixou a cabeça, olhando para o lado. O loiro sentou ao seu lado, o encarando.
- Eu acredito em você, mas não confio nela. Não quero que ela crie intimidade com você. Mulheres do tipo dela podem mentir com muita facilidade. – colocou a mão sobre a do menor que desesperado, a tirou antes de ficar de pé e se por a caminhar apressado de volta a casa.
- Você tem medo de mim, não tem?
Freed parou de caminhar e se virou lentamente para olhar o loiro. Laxus ainda encarava o menor que abaixou os olhos sem lhe responder. Era difícil aceitar a aproximação do outro. No passado ficaria feliz com tal aproximação, mas depois de tudo que acontecera não conseguia se sentir bem com isso.
O maior suspirou e se levantou. Caminhou devagar até chegar perto de Freed que ainda olhava para o chão.
- Tudo bem, eu lhe entendo. Mas estou disposto a esperar por você o tempo que for necessário.... se aproximou dele sorrindo e logo apontou na direção da casa. – Que tal comermos agora? Eu estou faminto!
O menor piscou alguns segundos olhando para casa, antes de aceitar o convite. Em silêncio caminharam lado a lado até chegarem a casa. No caminho, Freed repensava nas coisas que Akeginu lhe dissera, enquanto Laxus estava em silêncio. As coisas deveriam mudar de alguma forma. Ambos sentiam a necessidade de que isso acontecesse.
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