Sickly Desire
53 Amor
Notas iniciais
Os dias se passaram lentamente para Laxus. A cada dia se via mais estressado com as intermináveis reuniões e sua única forma de aliviar seu cansaço era ver o menor. Freed continuava a fazer sempre as mesmas coisas, sentindo cada vez mais o quanto sua vida havia se tornado monótona e sem sentido. Akeginu não tornou a se relacionar com o loiro, mas ainda conversava com Freed quando Laxus estava em reunião. Ela já havia percebido que o loiro não gostava da forma que ela se relacionava com ele.
Faltavam dois dias para o fim daquela convenção e Laxus não via a hora de ir embora. Não agüentava mais tudo aquilo e além do mais queria ter mais tempo para passar sozinho com o menor, pois sempre que começava a conversar com ele era chamado para alguma reunião. Entretanto resolveu dar um basta nisso. Depois de sair da reunião da manhã ele avisou que participaria apenas da reunião da noite, pois a tarde teria de sair do hotel. Não esperou uma aceitação disso e logo saiu da sala de reunião apressado para encontrar o menor. Encontrou Freed no quarto lendo um dos livros que o loiro comprara para ele dias antes de virem para aquele lugar. Sem ao menos se explicar pegou um das mãos do mais novo e o puxou até que estivessem fora daquele lugar. Freed seguiu seus passos sem entender, deixando seu livro cair na metade do caminho ao fazer isso.
Chegaram até o carro de Laxus que fora trazido por um de seus empregados e apressado, o loiro fez um sinal para que o menor entrasse. Freed obedeceu e o maior deu a partida no carro saindo apressado daquele lugar. O loiro pisava forte no acelerador, fazendo seu potente carro correr a quase 200 km/h na pista. Freed engolia em seco ao ver as coisas passarem tão rápido pela janela, de forma que teve de gritar com Laxus para que ele diminuísse a velocidade.
- Eu não agüento mais isso Freed ... eu estou enlouquecendo!!
O homem começou a diminuir a velocidade até parar o carro perto de um rio na beira da estrada. Com o veículo já parado, o loiro jogou a cabeça para trás, fechando os olhos. Freed por sua vez estava assustado com aquele repentino descontrole do loiro. Além do mais não havia entendido sobre o que poderia estar o enlouquecendo.
- Eu preciso descansar. Aqueles caras são muito rígidos e nossa parceria se torna cada vez mais complexa a cada reunião ..... – disse o loiro, começando a esfregar o rosto. – A única forma de esquecer isso é relaxar um pouco e estar com você ......
Freed deixou os ombros caírem ao perceber que estava enganado. Abaixou a cabeça, olhando para os lados, tentando ver onde haviam parado. Estava olhando o rio quando viu Laxus ficar na frente do vidro do carro.
- Ei saia daí. Não vamos conseguir ver esse rio direito aí de dentro!
O menor hesitou por alguns segundos e abriu a porta do carro. Já do lado de fora, o loiro sorria levemente e vendo que o menor saíra do veículo acionou o alarme, antes de começar a puxar-lo pela mão até debaixo de uma ponte que havia ali perto. Cabisbaixo, Freed o seguiu e quando chegaram debaixo da ponte, Laxus soltou sua mão.
O lugar era lindo, mesmo sendo embaixo de uma ponte. A ponte era de madeira e era usada para que pessoas chegassem até um vilarejo que ficava um pouco distante do outro lado do rio. A ponte era estreita, de forma que apenas pessoas conseguiam passar por ela. As águas do rio eram cristalinas, a vegetação era baixa e havia algumas flores do outro lado do rio em sua margem. O céu estava de um azul claro que se tornava ainda mais bonito com algumas nuvens.
Enquanto Freed observava o lugar de pé, Laxus se sentou de forma que a sombra da ponte o protegesse do sol, jogando a cabeça para trás. O único barulho que conseguiam escutar ali era da água e algumas cigarras que anunciavam o verão. De olhos fechados, chamou o menor para que ele se sentasse ao seu lado, começando a falar depois que percebeu que ele já havia se sentado.
- O que estava lendo mais cedo? – disse tentando puxar algum assunto. Queria ouvir a voz do rapaz. Conversar com ele era algo que sempre o acalmava, até mesmo antes quando ainda era um mago da Fairy Tail.
- Um livro de história desse mundo ..... – respondeu Freed, que estava encolhido ao seu lado. Não sabia dizer se o loiro tinha segundas intenções, por isso deveria ter cuidado.
- Entendo ..... Desculpe ter lhe trazido assim de repente sem lhe dar explicações. Eu iria explodir se ficasse mais um minuto naquele lugar! – abriu os olhos, virando o rosto da direção do rapaz ao seu lado.
- Tudo bem .... – Freed desviou o olhar, mudando o foco para o rio que estava na frente de ambos.
- Lembra da última missão que fizemos antes do plano para tomar a Fairy Tail? – resolveu mudar de assunto.
- S-sim .....
- Aquele momento em que estávamos naquela fonte tomando banho .... eu estava louco para te tocar, mas Bickslow não saía de perto de você. – assim como o menor, o loiro começou a olhar para o rio. Falava de forma calma e olhando para seu rosto, Freed podia perceber o quanto ele estava cansado. – Eu sei que é algo que você não gosta de escutar, mas confesso que me vi a ponto de espancar Bickslow quando ele te começou a contar as pintas que há em seu pescoço. – soltou uma risada baixa antes de continuar a falar. – Não sabe o quanto eu o invejei por ter conseguido tocar em você ...
Freed abaixou a cabeça, se lembrando de como havia sido aquele dia e analisando a situação pôde perceber naquele momento as demonstrações de ciúme do loiro. Eram tão óbvias agora que ele se lembrava, mas na época não conseguira perceber.
- Me lembro de você mandando Bickslow parar, ou os outros homens que chegassem ali para se banhar pensariam que fossemos gays.
- Sim – respondeu o maior. – Demonstração patética de ciúme. Era dizer aquilo ou dar um soco em Bickslow por colocar as mãos em você.
- Mas você sempre teve preconceito com gays, eu me lembro disso ....
- Acho que ainda tenho. – Laxus passou a mão no rosto, esfregando os olhos. – O que se torna sem sentido agora, já que estou apaixonado por um homem. – sorriu para o menor, que abaixou a cabeça, virando os olhos para o lado. – E quanto a você Freed? Já amou alguém?
- S-sim ... – respondeu o menor ainda de cabeça baixa.
- Quem? – o loiro tombou a cabeça, se aproximando mais do menor, até que seu corpo encostasse no dele. – Aposto que você fugia quando ela chegava perto de você!
- Eu não quero falar sobre isso ..... – Freed apertou as mãos antes de falar.
Laxus colocou a mão sobre a do menor e a segurou delicadamente. Freed virou o rosto devagar encarando a mão do outro sobre a sua. Tentou puxá-la, mas ao tentar o loiro apertou sua mão um pouco mais forte no intuito de fazer o mais novo olhar para ele, o que deu certo.
- Sou eu não é mesmo? Você me ama .... ou pelo menos, me amava.
O menor ficou sem reação. Chegou a abrir a boca para negar, mas sentiu a estranha dor em seu peito voltar. A dor o deixava incapaz até mesmo de pensar naquele momento. Laxus por sua vez continuava a encarar o menor, esperando uma resposta que não veio. Entretanto bastava que ele olhasse para Freed para descobrir que era verdade.
- Eu estraguei tudo. – apertou a mão do menor um pouco mais forte. – Transformei o amor e admiração que você tinha por mim em medo e tristeza....
Um longo e inquietante silêncio perpetuou naquele lugar. Tudo que se podia ouvir era o barulho do rio e das cigarras. Laxus continuava a encarar o rapaz que ainda não sabia o que dizer, fazer ou até mesmo pensar. Ambos ficaram um longo tempo encarando um ao outro até que o loiro se aproximou ainda mais dele, deixando seu rosto mais próximo.
- Se eu pudesse voltar atrás .... – sua voz estava mais baixa e ele começava a ofegar. – Eu faria isso agora mesmo! – se aproximou ainda mais, até que seus lábios estivessem próximos aos do mais novo. – Você um dia irá me perdoar?
Freed fechou os olhos, deixando-os bem apertados. Tinha a expressão de alguém que esperava receber uma pancada e tremia. A dor em seu peito fazia com que ele ficasse com a mente vazia, incapaz de pensar ou muito menos de tomar alguma decisão naquele momento. Contemplando tal reação, o loiro afastou um pouco o rosto para poder acariciar a face já ruborizada do outro.
- Eu posso lhe beijar Freed?
Abrindo os olhos de uma vez, Freed espremeu suas costas contra a parede úmida atrás de si ao perceber que Laxus estava ajoelhado em sua frente e com o rosto tão próximo. Não sabia que resposta dar e apenas olhava para o outro com medo. O maior se sentiu incomodado com aquilo, mas resolveu arriscar.
- Eu irei lhe beijar. Caso se sinta incomodado basta me empurrar, certo?
Não esperou resposta do outro e se aproximou mais. Segurando o queixo do menor com a mão direita, enquanto apoiava o peso do corpo na mão esquerda, uniu seus lábios ao dele. Inicialmente apenas deixou seus lábios unidos aos do menor e começou a movimentá-los, porém foi interrompido quando tentou dar um beijo de língua no menor.
- O que foi? – disse preocupado ao ter o beijo interrompido. O rapaz havia o empurrado e algumas lágrimas se formavam em seus olhos. – Eu não estou brincando com você- foi interrompido.
- Porque dói tanto? Porque eu sinto esta dor? – gaguejando, o rapaz apertou a mão no peito. Mais lágrimas saíam de seus olhos. E ele falava entre dentes. Raiva, desespero, nem ele mesmo sabia dizer o que estava sentindo naquele momento – Porque a dor pára quando você está perto, sendo que você é a causa dela?
O loiro ficou sem saber o que dizer. Aquela era a confirmação de que Freed realmente o amara um dia, ou talvez ainda amasse. Ficou alguns segundos encarando os olhos já avermelhados do menor pensando no que deveria fazer. Com cuidado, secou as lágrimas do outro, antes de puxar seu corpo para um abraço. Sentiu o corpo magro que ele apertava tremer em seus braços e não se incomodou pelo mais novo não lhe retribuir o abraço.
- Porque talvez, você ainda me ame .... – disse baixo para que apenas o menor escutasse. Laxus sorria de felicidade. Ficou um tempo abraçado ao menor que apertava a terra no chão como se tentasse tirar forças dali.
Freed deixou que o loiro o abraçasse, ainda soluçando. Havia uma enorme ferida em seu coração. Uma ferida que ardia sempre que o loiro tentava fazer algo bruto com ele. Tinha medo. Medo de que passasse por tudo aquilo de novo. Medo que se tornava pior por ser causado por alguém que ele amava.
Escutando os soluços do rapaz diminuírem, Laxus foi deixando seu abraço menos forte lentamente, até que o menor deslizasse por seus braços e encostasse as costas na parede de novo. Estando face a face com o menor, secou suas lágrimas, ostentando um calmo sorriso.
- Você tentou me amar. Agora o amor que você teria me dado, eu darei a você.
Não houve resistência, gritos, ou reclamações a seguir. Freed apenas deixou que o outro o beijasse mais uma vez. Lentamente, o loiro aproximou seu rosto e uniu seus lábios ao do menor. Iniciou um beijo calmo que se tornou um pouco amargo pelas lágrimas do menor que haviam escorrido para sua boca. Aquele era o sabor do perdão? Do amor? Não importava. Tudo que importava naquele momento era ter o homem que lhe amou e que ele amava em seus braços. E ele não deixaria que nada, nem mesmo seus próprios desejos machucassem a pessoa que ele amava mais uma vez.
Notas finais
Acabo de escrever este capítulo e senti uma necessidade enorme de postar. Não sei como consegui escrever isso. Foi difícil, trabalhoso e confesso que fiquei pensando neste capítulo o dia todo. De todos os que eu já escrevi, foi o que mais me deixou emocionada e um pouco triste por essa fanfic estar chegando ao fim. Mas haverá mais alguns capítulos e espero que eu tenha tanta inspiração quanto eu tive para escrever esse. Mas fiquem tranquilos, AINDA NÃO ACABOU!
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