Sickly Desire

29 Mais uma vez fugitivo


Notas iniciais
Não se empolguem com o Bickslow.

Deitado, Freed olhava para a janela do quarto do hospital. Estava perdido em seus pensamentos, de forma que nem ouvia mais os barulhos das máquinas. Pensava em seu passado e percebia o quanto estava miserável, mesmo comparado a sua situação depois que seus pais morreram. Desde aquela época não sofria tanto quanto estava sofrendo agora.

Pensava em Seny e o quanto sentia sua falta. Não conseguia aceitar o fato de que ela morrera e que não pudera sequer vingar sua morte. Mas faria isso assim que obtivesse sua liberdade. Sabia que se voltasse para aquele mundo, Laxus iria atrás dele e ele usaria todo seu poder para matá-lo quando fizesse isso. Estava decidido.

Estava distraído quando começou a escutar passos pesados em direção ao seu quarto. Irritado, pegou a comadre ao lado de sua cama e a escondeu debaixo do lençol. Iria jogá-la em Laxus assim que ele aparecesse, mas para sua surpresa, uma pessoa diferente entrou.

Bickslow deixou os ombros caírem, correndo na direção do menor quando o viu. Chegando perto dele o abraçou forte, o que fez Freed ficar ainda mais confuso.

- Bickslow? Como chegou até aqui? – disse já nos braços do outro que o abraçava forte.

Percebendo o que estava fazendo, Bickslow o largou, se assustando ao ver as cicatrizes no corpo do menor. – Ângela me trouxe até aqui e me contou o que aconteceu. Você está péssimo! – disse puxando o braço livre do menor para poder ver melhor as cicatrizes. Laxus estava acabando com ele.

- Não se preocupe eu vou te levar de volta. Onde está Laxus?

Ainda sentado na cama, Freed o olhava sem entender o porquê de Ângela tê-lo trazido, mas estava feliz. Com Bickslow de ajuda, fugir seria muito mais fácil.

- E-eu não sei. Acho que foi para a empresa, algo assim.

Percebendo o quão pálido e fraco o menor estava, Bickslow logo desistiu da idéia de levá-lo embora andando naquele momento, mas sabia que esperar seria arriscado.

- Freed preciso saber. Foi Laxus que te deixou assim? – disse soltando o braço do menor.

- S-sim. — Freed lhe respondeu abaixando a cabeça.

- Eu sabia. Ele sempre te olhou de uma forma muito estranha ....... – o maior puxava com cuidado os tubos do braço do outro, tirando-os.

- Como assim?!

Bickslow o olhou, pensando que Freed estivesse brincando. Soltou um suspiro desanimado ao perceber que o menor não realmente entendera. Freed conseguia ser muito ingênuo quando se tratava de relação humana.

- Ele sempre te olhou diferente. Agora entendo porque ele sempre fazia questão que você ficasse perto dele.

Freed se mantinha parado, soltando gemidos de dor ao sentir os tubos se mexendo dentro dele. Não conseguia entender como ele nunca reparara que Laxus o tratava assim. Realmente era muito ingênuo.

Tendo terminado, se levantou com dificuldade, sentindo seu corpo um pouco mole. As percas sucessivas de sangue que ele tivera nestes últimos tempos estavam o deixando cada vez mais anêmico. Com a ajuda do outro, tirou as roupas do hospital, vestindo a roupa que tinha costume de usar na residência de Laxus. Não reparou, mas nesse tempo em que se trocava, Bickslow observava seu corpo. Sua pele estava pálida e suas costas e peito cheio de cicatrizes. Algumas feridas mais fundas ainda não tinham sarado completamente e estavam um pouco avermelhadas. Uma visão lamentante daquele que era denominado capitão dos Raijinshuu.

- O plano é o seguinte: voltaremos para a empresa e usaremos o Anima para voltar. Quando voltarmos ao nosso mundo vamos nos preparar para acabar com Laxus. Aqui será quase impossível fazer algo, já que ele tem muito poder. – Bickslow caminhou até a janela, olhando a cidade ao redor, sabia que se olhasse muito para Freed daquele jeito faria alguma besteira. Além disso, aquele mundo era muito diferente e curioso, mas não havia tempo para explorar nada. Tinham de voltar o mais rápido possível.

- Sim, mas como chegaremos até esse lugar sem que Laxus nos ache? – disse o menor abotoando o último botão de sua camisa.

- É impossível que ele não nos encontre. Este mundo é território dele praticamente. Temos de nos preparar para enfrentá-lo. Só isso.

O maior se virou e caminhou até a porta. Falava calmamente e confiante no que dizia.

- Iremos fugir daqui e ficaremos alguns dias escondidos em outra cidade. Ângela nos dará cobertura. Mas se quer saber, eu não confio nela.

- Porque diz isso? – Freed começou a calçar seus sapatos, parando ao ouvir o que o outro dissera. Não percebera maldade quando falou com a mulher.

- Desde quando ficou tão ingênuo assim? — Bickslow se virou para olhá-lo. Freed não podia ver, mas ele o olhava como se o desconhecesse. – Realmente você precisa voltar logo. Laxus não está destruindo apenas seu corpo, mas também sua capacidade de percepção!

Freed piscou algumas vezes sem entender. Bickslow mais uma vez suspirou mandando o menor se apressar. Depois que Freed estava pronto, ambos saíram do quarto e também do hospital. Não tiveram problemas com os seguranças. Ângela subornara a todos para que fossem embora e os funcionários do hospital, para deixarem os dois saírem. Estando do lado de fora, havia um carro a espera deles que os levaria para o esconderijo.

Pegando na mão do menor, Bickslow o puxou, já entrando no carro. Freed se deixou levar. Mais uma vez sentia que estava livre e mesmo que fosse pego, teria alguém que o ajudasse a se defender.