Sickly Desire
1 Lembranças
Notas iniciais
Tudo ainda parecia muito confuso. Na verdade toda aquela situação estava muito confusa. Como fora parar ali naquele lugar totalmente estranho? Lembrava-se apenas de ter perdido uma quase luta travada com aquele que fora seu mestre um dia, e nada mais. Agora estava em uma mansão enorme, amarrado pelos pulsos a uma cama. Por mais que tentasse não conseguia se soltar e muito menos usar magia. Restava apenas ao rapaz de cabelos verdes forçar seus pulsos para tentar se soltar. As cordas lhe davam pouca mobilidade nos braços, de forma que ele apenas conseguia levar as mãos até seu peito. Fazia um esforço em vão que apenas o deixou cansado. Tentava se lembrar, de como parara naquela situação, o que lhe demandou um pequeno esforço.
Chovia muito naquele dia e por vontade própria resolveu seguir sozinho em uma missão, já que Bickslow tivera de ajudar Evergreen a terminar outra missão que lhes foi entregue. Desde que Laxus fora expulso da guilda, os Raijinshuu quase não ficaram mais juntos em missões.
De todos os três, o que mais ficara chateado com a atitude de Laxus contra a guilda fora Freed. Mesmo discordando com a idéia absurda de tentar derrubar o mestre e tornar a guilda uma propriedade de Laxus, Freed o ajudou. Arrependia-se amargamente por isso, uma vez que muitos foram prejudicados por causa de sua participação. Não havia como voltar no tempo e desfazer o que ele havia feito e no lugar de lamentações, caiu sobre ele um ódio profundo por Laxus Dreyar.
Sozinho e pensativo caminhava calmamente pela floresta. Utilizava suas runas para evitar que a chuva lhe atingisse, pois saberia que ficaria ensopado se caminhasse por poucos minutos debaixo da mesma. Teria seguido o caminho e chegado a seu objetivo, se uma figura conhecida não tivesse lhe dirigido a palavra.
- Há quanto tempo ..... Freed the Dark!
Naquele momento a chuva deixou de fazer barulho. Pelo menos para Freed. Como se estivesse em uma sala vazia e ouvisse uma voz que em vez de lhe trazer esperança, lhe dava ódio. Ao ouvir seu nome parou de caminhar e tentando ao máximo não demonstrar impaciência virou o rosto na direção da voz que o chamara. Laxus estava debaixo de uma árvore de braços cruzados. Totalmente ensopado pela chuva, apoiava o peso de seu corpo na perna esquerda enquanto sua perna direita estava levemente dobrada e seu pé direito apoiado na árvore. Encarava Freed com um sorriso maldoso nos lábios enquanto esperava uma resposta do outro, o que não demorou muito.
- Tem coragem em voltar a aparecer em minha frente depois de ter sido expulso da Fairy Tail.
Laxus não conteve seu riso ao perceber o ódio do outro ao falar. Aquilo não importava, não mais. Tinha outros planos, outras ambições. E todos esses mesmos planos envolvia o rapaz de cabelos verdes. Saiu de sua posição, se aproximando, queria menos conversa e mais ação do outro.
- O que foi? Ora vamos, não me diga que ainda está nervoso por causa daquele plano para conquistar a Fairy Tail? ... Tsc ... Com tantas outras coisas mais interessantes para se fazer e você ainda roendo ossos do passado. Vejo que ainda continua cabeça dura, Freed!
Freed não era mal educado, na verdade era educado até demais, mas nesse momento teve vontade de lhe falar todas as palavras ofensivas que aprendera com Bickslow. Mesmo estando nervoso, não usaria tais palavras. Preferiu ignorá-lo, apesar de se sentir incomodado com o olhar que o outro lhe lançava. Um olhar diferente que ele não sabia definir, mas que qualquer um podia descrever como um olhar de desejo, um olhar que ele nunca havia visto Laxus ostentar. Deu-lhe as costas e tornou a caminhar em direção ao seu destino, sem dar uma resposta ao outro que insatisfeito, o segurou pelo braço.
- Aonde pensas que vai? Ainda não terminamos nossa conversa.
- Não Laxus, não há nada para conversar com você. Agora mostre um pouco de maturidade e me solte. Há pessoas me esperando. – Freed lhe respondeu com o máximo de calma que ainda tinha.
Irritado com a resposta que recebera, Laxus puxou o braço de Freed, um ato que o outro não esperava. Passou o braço livre envolta de sua cintura, o puxando para si e antes que Freed tivesse alguma reação uniu seus lábios aos dele, o beijando de modo voraz. Laxus pôde sentir mil exclamações tentando sair da boca do mais novo, mas não o soltou, invadindo a boca do outro com sua língua. Quem conseguiu interromper o ato foi Freed que lhe desvencilhou um soco no rosto, conseguindo assim recuperar o fôlego perdido com aquele beijo inesperado e afastar o outro.
- O que diabos está fazendo?
Freed agora não escondia sua irritação, diante do ato infligido. Ainda sem fôlego, mantinha a mão sobre sua espada e não tirava os olhos do outro, na tentativa de evitar que ele fizesse aquilo de novo. Estava irritado, mas estava ainda mais confuso com aquele beijo repentino. Vendo a reação do outro, Laxus apenas passou a mão no lugar onde Freed o atingira, tornando a ostentar aquele sorriso maldoso de antes e a fitá-lo de maneira maliciosa.
- Isso foi melhor do que eu imaginei. Você tem um gosto muito bom Freed!
Passou a língua nos próprios lábios, como alguém que acaba de comer uma refeição saborosa. Tal atitude fez Freed perder o autocontrole e avançar em sua direção, na tentativa de acertar seu rosto e fazê-lo engolir tais palavras. Uma ação não calculada e impulsiva, algo que não era hábito do jovem. Laxus se manteve parado e ao ver Freed se aproximar, o segurou seus pulsos torcendo seu braço, fazendo-o ficar de costas para ele. Segurou o braço livre do rapaz para evitar que ele sacasse sua espada e colou seu corpo no do outro. Sendo maior, teve de se curvar um pouco para poder deixar seus lábios na altura da orelha de Freed.
- Ei, não fique nervoso. Você não sabe lidar com nada quando está assim. Se continuar assim, vamos ficar nos beijando até anoitecer! O que não é uma idéia ruim ...... porém acho que você está um pouco agitado ..... acho que um pequeno choque deva te deixar mais calmo!
Freed nunca foi bom quando se tratava de força física. Sempre fora magrelo e fraco para esse tipo de atividade, mas quando se tratava do uso de magia, era um mago excepcional. Mas para sua infelicidade não conseguia ativar suas runas estando com suas mãos presas. Dor física não era nada naquele momento. O que lhe incomodava era a idéia de se tornar um brinquedo nas mãos do outro. E acabou por se tornar.
Sem nem mesmo repensar no que dissera, Laxus descarregou um pouco de eletricidade em Freed, que acabou perdendo a força que tinha. As runas que o protegiam da chuva se desfizeram, seu corpo perdeu a força de forma que se Laxus não o tivesse segurado, teria caído no chão. Ainda estava consciente, mas seu coração estava acelerado e sua respiração se tornara mais ofegante. Laxus não deixou de rir vendo o outro agonizar. Freed podia ser um excelente mago, mas ainda era humano. E como todo humano, tinha suas limitações. Laxus não pensou duas vezes antes de se aproveitar da situação. O segurou até debaixo da mesma árvore onde ficou observando o outro antes e o soltou. Freed tentou se segurar na árvore, mas Laxus girou seu corpo de forma que ficasse um de frente para o outro. Seus rostos ficaram próximos, de forma que um sentia a respiração do outro.
- Interessante. Essa quantidade de eletricidade é o suficiente para deixar alguém desacordado. Mas não tem problema. Eu prefiro você assim. Acordado e bem quieto ....
Tornou a tomar os lábios do outro ao puxar seu queixo. Ainda utilizava a mesma voracidade de antes, como se estivesse com muita sede e Freed fosse uma fonte de água. Desesperado com aquele ato, o outro tentava empurrá-lo com o pouco de força que ainda tinha, mas Laxus mal se mexia. Aquilo não podia piorar, Freed diria isso se pudesse, mas para sua infelicidade, ia piorar e muito.
Sem cerimônia, Laxus retirou seu casaco, o jogando longe. Em poucos segundos a camisa branca que Freed usava por baixo ficou transparente devido a água da chuva, colando em seu corpo magro. Laxus ficava louco só de ver aquilo. Por tanto tempo apenas observando e desejando o corpo do mais novo para si, nunca imaginara que o teria. Começou a alternar dos lábios para o pescoço do mais novo. Manejava sua cabeça como queria puxando seu comprido cabelo, não lhe dava aberturas para falar, voltando a tomar seus lábios sempre que via que o outro recuperara o fôlego.
- Você me deixa louco Freed ....
Laxus parecia ficar mais excitado a cada minuto que passava, de forma que começava a não controlar tanto suas ações quanto sua magia. Conforme aumentava a intensidade de seus beijos, começava a dar pequenas descargas de eletricidade em Freed que conseguiu suportar por alguns minutos a tudo aquilo, mas acabou perdendo a consciência. Vendo que o outro desmaiara, Laxus parou de beijá-lo, dando um sorriso de satisfação. Agora sim, começaria a verdadeira diversão. Pelo menos para ele.
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