Notas iniciais
Fiquem de olho em Seny /dik

Finalmente algumas coisas estavam esclarecidas para Freed. Enquanto a garota de cabelos brancos, chamada Seny lhe ajudava a cuidar de suas feridas, ele pôde acabar com algumas de suas dúvidas. Ela lhe contara que Laxus estava roubando magia do mundo aonde Freed viera para poder produzir energia elétrica com seus raios. Criara um local, sede de sua empresa onde ficava uma máquina chamada anima, que sugava parte da magia daquele mundo. Assim ganhara fortunas e se tornara um dos homens mais ricos e influentes. Naquele mundo, não se conseguia usar magia além para se fazer energia. Contara também que desde que Laxus conseguira estabilidade em sua empresa, ele vivia dizendo que traria Freed para aquele mundo.

Conforme o tempo ia passando, ele conseguia fazer com que ela falasse mais, uma vez que era muito tímida. Ficaram conversando por bastante tempo até que ela terminara os curativos. Freed parecia uma múmia. Estava com o corpo todo enfaixado, comentário que não pôde deixar de fazer para fazer a garota sorrir. Tinha pena da situação em que ela estava e estabelecera para si mesmo que quando fugisse a levaria junto. Quando Seny saiu, Freed aproveitou o momento para poder pensar em um plano. Precisava ter cuidado. Se fossem pegos, Laxus poderia torturá-lo, mas tinha quase certeza de que ele mataria a garota. Falhas não podiam existir.

Preferiu pensar em uma rota de fuga antes de comunicar a garota sua decisão. Deitado na cama ficou tentando pensar em algo até que caiu no sono devido ao cansaço. Acordou no dia seguinte, com Laxus o beijando.

Desorientado, ele custou a entender o que estava acontecendo, sentindo uma pontada de dor ao virar o corpo com o susto. O loiro apertava o corpo do menor contra seu peito enquanto invadia a boca do outro com a língua, que acabou o empurrando.

- Qual é o seu problema? – dizia enquanto limpava a boca com a manga da camisa.

- Não seja insensível, é apenas um carinhoso beijo de bom dia. – o loiro mal acordava e já estava sendo irônico. – Vamos, levante. Já é hora do café da manhã.

Freed iria recusar, mas estava faminto. Parecia que a perca de sangue do dia anterior aumentara seu apetite. Fazendo questão de deixar claro sua insatisfação com a ação do outro através do seu olhar, ele se levantou da cama. Ao fazer isso, Laxus pode ver seus braços e peitos enfaixados, sorrindo ao lembrar-se da noite maravilhosa que tivera. Abriu a porta do quarto, fazendo um sinal para que Freed o seguisse. Passaram por vários corredores que assim como o quarto de Freed estavam muito bem decorados. Ao chegar à sala de jantar, sentiu seu estomago se mexer ao ver comida. Apressado, sentou-se à mesa, antes mesmo de Laxus, já começando a comer. O outro ficara sentado, com um jornal na mão, observando o menor comer apressado, com certeza ele estava faminto.

Seny entrou na sala, trazendo uma bandeja com frutas para Laxus. Vendo a garota entrar, Freed a cumprimentou, sorrindo. Tímida, a garota lhe respondeu sorrindo da mesma forma que ele. Aquilo chamou a atenção de Laxus. Sabia que Freed não criava amizades assim tão rápido. Por que estaria agindo daquela forma? Teria de ter cuidado. Mandou Seny sair, não queria vê-la, muito menos com aquela intimidade com Freed.

- Termine de comer e volte ao seu quarto. Nem tente nenhuma gracinha. Não terei pena por que está machucado. – Laxus lhe ditou antes de morder uma maçã, o olhando com desconfiança.

O menor apenas o olhou demonstrando sua irritação com o outro, voltando a olhar para o prato antes de dar uma última garfada. Levantou-se e tornou a caminhar para seu quarto, puxando Seny pelo braço ao encontrá-la no corredor.

Sem entender, a garota o acompanhou até seu quarto, onde Freed pedira que ela o ajudasse com seu plano para fugir dali. Explicou que ele planejava levá-la consigo, para ambos ficarem livres daquele sofrimento. A garota ficou sem reação. Nunca ninguém fora tão gentil com ela. Na verdade, nenhum homem.

Começava a se afeiçoar cada vez mais pelo rapaz que demonstrava ser o perfeito cavalheiro que os contos de fadas citavam. Ele viera de uma guilda chamada Fairy tail. Seria coincidência? Sentia que não. Olhava para ele, com as bochechas coradas, mas não ouvia sua voz, apenas o admirava perdida em seus próprios pensamentos. Sabia que fugir dali era loucura e que punições severas cairiam sobre ambos se fossem pegos, mas por um momento sentiu esperança.

Freed continuava a falar prestando atenção na porta para o caso de Laxus aparecer, de forma que não percebera que a garota nem ouvira o que ele falava. Ouviu passos pesados por perto e presumindo que fosse Laxus, pediu que ela saísse e voltasse mais tarde, colocando as mãos em seus ombros e a acordando de seu devaneio. Neste momento a garota ouviu passos por perto e correu até porta, batendo em Laxus que já estava entrando no quarto.

- O que faz aqui? – Laxus não estava gostando nada de sua proximidade com o outro.

- E-eu só estava trocando os lençóis da cama, Laxus meu senhor. – A garota abaixara novamente a cabeça, gaguejando ao falar.

O loiro a pegou pelo braço a colocando para fora do quarto, batendo a porta ao fechá-la. E antes que Freed lhe dissesse algo ele começou a falar.

- Eu te conheço o suficiente para dizer que você está escondendo algo. Eu só vejo duas alternativas. Ou você está gostando daquela vadia ou está lhe pedindo ajuda para fugir. E se eu o conheço bem, provavelmente é a segunda opção.

Freed sabia que não poderia deixar que Laxus suspeitasse de ambos com relação ao plano de fuga, de forma que viu a primeira opção que ele citara como uma saída para acabar com as suspeitas do outro.

- E-eu gosto dela!

Laxus o olhou desconfiado e percebendo seu olhar, Freed desviou o olhar olhando para o lado. Fingia que aquele assunto o deixava envergonhado. Pena que não podia fingir estar corado.

- Sabe muito bem que detesto mentiras-

- Eu estou falando a verdade. – Freed o interrompeu, colocando o máximo de firmeza que conseguia naquele momento em suas palavras. Fingia o máximo que conseguia naquele momento, tentando parecer envergonhado ao falar naquele assunto.

O loiro ficou lhe encarando. Não sabia dizer se aquilo era fingimento ou não, mas se fosse Freed estava fazendo isso muito bem. Decidiu acreditar no que ele falara, pois Freed não tentaria fugir na situação em que estava e sem magia. E também, ficara muito tempo sem ver o menor, o que fez acreditar que talvez ele tivesse mudado. Pelo menos era isso o que ele pensava. Para ele, seria melhor que o menor tivesse admitido estar querendo fugir.

- O que é que você viu naquela vadia?

Laxus abaixara a cabeça. Estava visivelmente nervoso, ou melhor, com ciúmes.

Freed o olhou, espantado por conseguir fazer o loiro acreditar na sua atuação. Desde quando ficara tão bom em mentir? Agora já tinha entrado na chuva e teria de provar que estava molhado. Mal pensava no que falaria antes de abrir a boca.

- E-eu não sei .... ela é bonita e carinhosa. Além disso, tem o cabelo comprido.....

Laxus se lembrou naquele momento no dia em que perguntaram a Freed qual era a mulher mais bonita da Fairy Tail e sem pensar, ele apontara Mirajane, principalmente pelo seu cabelo comprido. Nesse mesmo dia, Bickslow tentou arrumar um encontro para os dois, o que resultou em uma confusão enorme na guilda. Mas aquilo não era importante. O problema que surgia agora era o fato de Freed estar gostando de outra pessoa e não dele. Aquilo o deixava nervoso, muito nervoso. Impulsivo, pegara Freed belo braço, o jogando na cama. Freed soltou um gemido de dor, ao sentir seus cortes serem prensados no colchão.

Do lado de fora, Seny ouvira tudo que ambos falaram, ficando extremamente feliz ao ouvir as coisas que Freed falara ao seu respeito. Sentia-se amada, pela primeira vez desde que fora tirada de seus pais quando era nova para ser vendida como escrava. Seus olhos se encheram de lágrimas de felicidade, que desapareceram ao ouvir o gemido do outro dentro do quarto. Descontrolado de raiva, Laxus virara Freed e começara a enforcá-lo. Freed se debatia, sentindo suas feridas se abrirem e manchar as ataduras enquanto ele tentava tirar a mão do outro de seu pescoço.

Desesperada com os barulhos que ouvia, Seny correu até o telefone. Discou alguns números e em poucos segundos o celular de Laxus começara a tocar. Estando com ele no bolso, Laxus acordou de sua onda de fúria com o barulho, percebendo o que estava fazendo. Soltou o pescoço do menor que começou a tossir, virando o corpo para a beirada da cama. Ofegante, Laxus olhava o outro se recuperar, assustado com sua própria reação. Não sabia dizer por que fizera aquilo, do porque ter se descontrolado daquela forma. Preocupado, tentou puxar Freed pelo braço para ajudá-lo, mas o menor lhe mostrou agressividade, o empurrando.

Neste momento ele percebeu o porquê dele estar gostando da garota.

Para Freed, Laxus não passava de um monstro.