[Cenário: Um hotel qualquer em Tóquio, apartamento 505, quarto.]

[Leung acorda. Ele então vai dar uma olhada na janela do quarto. O sol está nascendo para um novo dia. Leung então vai se arrumar e veste seu gakuran de cor verde-água. Ele se olha no espelho.]

Leung: Bom dia, eu me chamo Shorinji Kaigaki. É um prazer conhece-lo.

[Leung então fica triste. Ele olha para seu reflexo e vê que o moço no espelho é apenas uma identidade falsa para se proteger da Hei Lianhua. Ele tem uma visão de seu antigo eu.]

Leung: Mas meu coração diz que eu sou Jian Leung... Grrr... O que estou fazendo aqui?

[Leung fica enfurecido e sai do quarto.]

[Cenário: Um hotel qualquer em Tóquio, apartamento 505]

[Leung e Atreus estão tomando seu café da manhã. E mais uma vez eles comem pão com manteiga e chocolate ao leite.]

Atreus: Algum problema?

Leung: Nada não.

Atreus: Ainda enfurecido com a sua identidade?

[Leung não diz nada.]

Atreus: Fui conversar com o Kagutsuchi-san agora pouco. Ele me falou alguns detalhes sobre Chiang Hua.

Leung: Hmm?

Atreus: Até agora ele percebeu que Chiang Hua tem duas personalidades. Uma hora ela é tímida e acanhada, mas em outra até que ela é bem feliz. As vezes até demais.

Leung: Deve ser porque ela se lembra de mim.

Atreus: Hmph. As únicas memórias que ela tem são as nossas. Ela ainda está vazia.

Leung: Isso por si só já é bom.

Atreus: Você não está entendendo.

[Leung não diz nada.]

Atreus: Hua pode ser um problema pra gente. Ela pode estragar nossos planos.

Leung: Não se a gente manter nossas identidades em segredo.

Atreus: Mas ainda assim... Precisamos nos manter firmes. Mesmo aqui em Tóquio nós estamos em perigo.

Leung: Eu sei.

Atreus: Hoje vamos ao museu nos encontrarmos com o Masaru e a Hua.

Leung: Para leva-la ao apartamento?

Atreus: Este apartamento é pequeno demais pra três pessoas.

Leung: Mas eu quero poder ficar com ela!

Atreus: Infelizmente nós temos um motivo para ficar no Japão, e ele não envolve ficar flertando com garotas.

Leung: Mas...

Atreus: Masaru pode tentar recuperar as memórias da Hua sozinho. Agora tudo o que resta é tentarmos viver uma vida simples e fingir que nada aconteceu.

[Leung fica enfurecido.]

Atreus: Se temos que sobreviver contra a Hei Lianhua, temos que trabalhar juntos.

Leung: E nós vamos! Mas a Chiang Hua, ela...

Atreus: Ela vai ficar bem com o Masaru. Ele vai ajuda-la. Eu confio nele, e você também tem que confiar nele.

[Leung fica calado.]

Atreus: (Parece que a presença de Chiang Hua está fazendo com que ele se desvie do seu foco principal. Mas por outro lado, ela é a primeira amiga que ele fez no Japão... E eles tem quase a mesma altura... Talvez não seja uma péssima ideia deixa-lo com a Hua... Mas por outro lado, as verdadeiras memórias dela podem não ser de uma pessoa decente. Tenho que me precaver, mas enquanto isso...)

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[Leung e Atreus vão caminhar pela cidade.]

Atreus: Eu tava pensando uma coisa... Que tal se você e a Chiang Hua fossem caminhar pela cidade comigo?

Leung: Tá brincando! Como foi que você mudou de ideia!?

Atreus: Bem... É que já que você se importa tanto com ela, a gente pode dar um passeio só nos três.

Leung: Mas você disse que...

Atreus: Olha, o que eu disse eu disse.

Leung: (Que estranho, ele parece estar interessado em querer passear com a Chiang Hua. Normalmente ele iria reclamar disso.)

[Atreus e Leung continuam caminhando.]

Leung: E então, para onde você acha que vamos?

Atreus: Para o bairro de Shibuya.

Leung: Uau. O que é Shibuya?

Atreus: Logo você saberá.

Leung: Legal.

[Cenário: Museu Nacional de Tóquio.]

[Leung e Atreus entram no museu. Eles vão conversar com Masaru e Chiang Hua.]

Leung: Oi Chiang Hua!

Hua: Shorinji!

Masaru: É um prazer vê-los aqui.

Atreus: Como vão?

Masaru: Bem, nós estamos ótimos. Inclusive Chiang Hua está começando a se sentir bem.

Hua: O Masaru me trata como uma filha. Ele parece se importar comigo.

Leung: Mas claro, ele está tentando recuperar suas memórias.

Hua: Aposto que eu fui uma pessoa de bom coração durante todo este tempo.

Leung: Será?

Masaru: Isso é o que nós veremos.

Atreus: Masaru, irei levar Leung e Hua para Shibuya. Tudo bem pra você?

Masaru: Vamos ver se a Hua vai aceitar.

Hua: É claro! Gostaria de ir com o Shorinji-kun!

Atreus: Parece que ela aceitou.

Leung: Então... Vamos passear para Shibuya?

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[Nero continua caminhando pelas ruas de Tóquio em busca de Leung. Ele então se depara com vários rufiões querendo ataca-lo. Ambos os rufiões tem cabelos pretos e olhos cinzentos e vestem gakurans pretos com sapatos também pretos.]

Rufião 1: Nós somos os irmãos Tetsunaga. Me chamo Masato.

Rufião 2: Me chamo Chisato.

Rufião 3: E eu me chamo Takesato!

Masato: Embora não pareça, estamos cientes da existência de um mal-encarado nesta cidade.

Chisato: E é por isso que estamos aqui para provar a nossa força.

Takesato: Então renda-se agora.

Nero: Eu não vou perder meu tempo com vocês.

[Nero então tenta seguir em frente, mas os Tetsunaga não deixam.]

Masato: Lamentamos muito, mas somos bem claros em nossas metas.

Chisato: Não gostamos de pessoas que gostam de se gabar.

Takesato: Se quiser a gente te paga para que você suma daqui.

Masato, Chisato e Takesato: E então, quanto você quer de grana?

Nero: Não vou querer seu dinheiro. Eu já tenho um objetivo.

[Nero então vai seguir em frente mais uma vez, mas Chisato ataca Nero com um estilingue. Só que o que eles não esperavam é que Nero fosse capaz de pegar a pedra com o indicador e médio.]

Chisato: Meleca!

[Nero encara os Tetsunaga.]

Takesato: Nii-san, melhor corrermos daqui logo. Ele não me parece ser um camarada.

Chisato: Isso aí.

Masato: Acha que somos burros? Nós já encaramos os piores dos piores em nossa carreira.

Takesato: É com o dinheiro que nós conseguimos o que queremos.

Nero: Dinheiro...

“O mundo não gira em torno da bondade, benzinho. Ele gira em torno do dinheiro. Não se pode vencer na vida sem dinheiro.”

[De repente, Nero começa a se irritar.]

Nero: Então é assim... É com o dinheiro que vocês conseguem se dar bem?

Masato: Você é burro por acaso!? Tudo o que a gente fez na vida foi por causa do dinheiro. Grana, iene, plimplim... Diga o que quiser. O mundo não gira apenas com o dinheiro, ele capota com o dinheiro! Para o bem ou para o mal, o dinheiro pode fazer a diferença na vida de todo mundo.

Nero: Lembro que eu já ouvi estas palavras antes... E por causa delas... Eu estou aqui agora.

[Nero se aproxima mais e mais dos irmãos Tetsunaga, que se afastam por medo.]

Nero: O mundo gira em torno do dinheiro... Parece que vocês vão precisar deles para uma outra coisa...

[Nero então vai lutar contra os irmãos Tetsunaga. Ele luta contra cada um deles e mostra ser bem mais forte que eles. Lyre então aparece e chega para ver a luta entre Nero e os Tetsunaga. Para a surpresa de ninguém, os irmãos perdem a luta.]

Nero: Agora usem o seu dinheiro para se livrarem destes ferimentos!

Takesato: Tudo bem, nós nos rendemos!

Chisato: Por favor, só não ataque a gente de novo!

Masato: Nós faremos tudo o que quiser!

Nero: (O que quiser? Parece que esta é a oportunidade perfeita para explicar tudo o que está acontecendo...)

[Enquanto isso, Lyre acompanha toda a luta.]

Lyre: (Mas o que está acontecendo? Porque Nero faria uma coisa dessas?)

Nero: Eu procuro por um honconguês que está nesta cidade. Ele diz saber dos segredos de uma famosa jóia que diz ter propriedades mágicas.

Chisato: Honconguês!?

Takesato: Não conhecemos nenhum chinês nesta área!

Masato: Burro, ele disse honconguês!

Takesato: E qual é a diferença!

Nero: Vejo que vocês não sabem de nada sobre o assunto. Nesta situação eu podia espanca-los até a morte... Mas como vocês não são o meu alvo... Vou deixa-los passar.

Masato, Chisato e Takesato: O quê!?

Masato: Vai nos deixar passar!?

Chisato: Mesmo depois de tudo!?

Takesato: Mano, isso é...

Nero: Mas da próxima vez que tentarem me intimidar... Não terei compaixão.

Masato, Chisato e Takesato: Está certo! Não iremos te importunar mais!

[Os irmãos Tetsunaga fogem.]

Masato: Qual é a deste cara!?

Chisato: Eu tô fora!?

Takesato: Tomara que nossos pais não vejam isso.

Nero: Hmph.

[Nero segue seu caminho. Lyre testemunha o que viu.]

Lyre: (Porque... Ele faria uma coisa dessas... E quem é este garoto honconguês de que ele estava falando? Não! Ele não pode ser tão ruim! Ele não pode ser tão mau! Ele tem que ter um lado bom. Mas primeiro tenho que encontrar o tal garoto honconguês que ele tanto procura. Ele está aqui nesta cidade, não está? Mantenha a calma, Lyre, você não deve mais voltar a sofrer. Você deve ser forte. Então e melhor fazer alguma coisa para ajuda-lo... Mesmo que ele seja o que ele pensa que é.)

[Lyre então vai em busca do tal garoto honconguês, sem saber que ele é na verdade Leung.]

[Cenário: Fiteiro Coconuts.]

[Reiji e Ayane continuam ajudando Yukihiro para pagar as dívidas dele. E mais uma vez, Reiji está vestido de coco e Ayane está vestida de baiana.]

Reiji e Ayane: Os melhores sucos você encontram aqui. Coco, Nuts! Coco, Nuts! Coconuts!

Reiji: Você podem comprar vários tipos de sucos! São os mais deliciosos de todos!

Ayane: Você também podem encontrar doces e salgados. São os melhores e os mais gostosos!

Reiji: Mas o maior trunfo de todos.

Ayane: Está aqui!

Reiji e Ayane: Os cocos!

Reiji: Cheios de vitaminas e minerais!

Ayane: 100% naturais!

Reiji: Seriam esses manjares dos deuses?

Ayane: Esta é uma pergunta que nunca terá uma resposta!

Reiji e Ayane: Mas ela será respondida aqui no... Coconuts!

Reiji: Coco!

Ayane: Nuts!

Reiji: Coco

Ayane: Nuts!

Reiji e Ayane: Coconuts!

[Horas mais tarde, Reiji e Ayane vão ter uma conversa com Yukihiro.]

Yukihiro: Tenho que admitir. Vocês são muito bons como empregados.

Reiji: Não precisa dizer mais nada.

Ayane: Nós só estamos fazendo isso para pagarmos suas dívidas.

Yukihiro: Hmph.

Reiji: Ainda temos um longo caminho a percorrer. Quanto de dinheiro falta?

Ayane: Pra falar a verdade não faço nem ideia.

Yukihiro: 5800000 ienes.

Reiji: Uau. Apenas uau.

Yukihiro: Tenho que admitir, gostei da escola de vocês. Ela até que é bem acolhedora apesar de seus problemas.

Ayane: Somos uma das melhores escolas de Tóquio. Mas Reiji e a grande estrela do show.

Reiji: Você não vai querer saber o tipo de pessoa que eu sou. É pro seu próprio bem.

Yukihiro: Eu estava pensando se eu podia mais uma vez ajudar seus colegas de classe. Quero dizer, comparado com meus atuais clientes, eles vem pra mim toda hora.

Ayane: Bem, eles são alunos. Fazem qualquer coisa para comprar o lanche na hora do intervalo.

Reiji: E consequentemente esta é uma das razões porque há constantes brigas no colégio. E eu tenho que tentar pará-las.

Yukihiro: Nossa.

Ayane: Por causa disso, muita gente gosta do Reiji. Ele pode ser meio duro mas pelo menos ele se importa com seus colegas de classe.

Reiji: É... Eu tenho um bom coração apesar de tudo.

Yukihiro: Então você tenta se meter nas brigas dos outros para impedir o pior? Tch. Isso não é algo educado, mas quem sou eu para dizer isso?

Ayane: Huh?

Yukihiro: Ayane, certo? Seu amigo não é a única pessoa que faz estas coisas com boas intenções em mente.

Reiji: Espere um instante... Você não é...

Yukihiro: Oh, eu já fiz isso várias vezes, em um colégio lá de Kyoto. Eu era conhecido como Yukihiro, o Leão de Amakusa.

Ayane: Amakusa... Tipo aquele pastor de nome Shiro Amakusa?

Yukihiro: Este era o nome do colégio que eu estudei quando criança. Lá eu não tinha uma boa reputação. Na época eu era considerado como uma causa perdida, não que a Amakusa seja melhor do que isso.

Reiji: Nossa, isso é incrível... Quero dizer, tem escolas que ainda são um caso perdido, não é mesmo? Bem, eu também sou assim... Se bem que pelo menos eu tenho meus limites. As pessoas não estão preparadas para os banchos... Aqueles de verdade que cuidam das escolas, não que oprimem os outros por glória.

Yukihiro: Nem me fale. Meus pais não tinham uma renda física acima da média, portanto eles me deixaram na Amakusa. Era lá ou ficar em uma escola pública.

Ayane: Você deve ter tido uma juventude complicada.

Reiji: Considerando que você viveu a vida toda como um delinquente, não me surpreende você ter ficado meio tonto quando você foi para a Hyouki. Quero dizer, ela é quase como a Amakusa, só que várias vezes melhor.

Yukihiro: Hahahaha... Bem, eu tive sorte de ter completado todos os anos letivos da Amakusa antes de ir para Tóquio, ainda que o saldo final só me faça ser dono de fiteiro.

Ayane: Pera, como assim?

Yukihiro: Um ano depois de eu ter me graduado, fiquei sabendo que a Amakusa foi demolida. E não apenas isso. Ela faliu graças a problemas financeiros, junto com uma gestão deficiente. Quando soube da notícia, eu fiquei abalado, mas não pude ajudar exceto pensar o que eu podia ter feito se eu ainda estivesse estudando por lá. Agora a Amakusa é apenas uma lembrança do passado.

Reiji: Oh...

Yukihiro: Mas tudo bem. Eu fico feliz de ter encontrado uma escola bem legal em Tóquio.

Reiji: Legal.

Ayane: Bem, a Hyouki não é grande coisa. Tem colégios que conseguem ser melhores do que este. Por exemplo, tem o colégio Rekka, que é bem famoso na cidade.

Yukihiro: Rekka?

Reiji: Oh, ele é um colégio cheio de alunos comportados, salvo uma exceção.

Yukihiro: Será que a Rekka é tão boa quanto a Hyouki?

Ayane: Na verdade eles são bem iguais em alguns aspectos.

Reiji: Talvez você queira algum dia poder visitar o colégio. Ele até que é bem legal.

Yukihiro: Vai ser um prazer.

Ayane: Nossa, parece que vamos fazer mais uma visita a um colégio. E desta vez vai ser na do Kogoro e da Tsubame.

Reiji: É.

Yukihiro: Quem são estes caras que vocês estão falando? São alunos da Rekka?

Reiji: Sim, e Kogoro é o bancho de lá. Mas não se preocupe, ele não é violento... Pelo menos na maior parte do tempo.

Ayane: E ele também é um arrombado.

Reiji: Oe, sem exageros.

Ayane: Tem que ser muito tolo para preferir uma bolsa de fogo a uma bolsa com flores.

Reiji: É uma longa historia.

Yukihiro: Hmmm...

[Yukihiro vai sair um pouco.]

Reiji: Ayane, eu acho melhor você vender sua outra bolsa e comprar uma mais adequada para o Kogoro...

Ayane: Só por cima do meu cadáver!

Reiji: Olha, as coisas já estão todas resolvidas. Melhor a gente nos concentrar em pagar as dívidas do fiteiro.

Ayane: Eu nem queria estar aqui para começo de conversa...

Reiji: Pois adivinha... Eu também não.

[Cenário: Bairro de Shibuya, Tóquio]

[Atreus, Leung e Hua estão caminhando pelo bairro de Shibuya. Eles dão uma olhada em várias coisas por lá. Leung e Hua se divertem bastante pelo bairro, enquanto Atreus fica atento em seu objetivo. Horas mais tarde, os três ficam sentados em um banco.]

Leung: Então este é o bairro de Shibuya? Nossa, ele é incrível pra caramba. Então Hua-chan, qual sua opinião sobre aqui?

Hua: Bem...

[Hua fecha os olhos e dá um sorriso.]

Atreus: Talvez ela tenha gostado.

Leung: De fato... Uchikawa-san.

Atreus: Eu entendo onde você quer chegar.

Hua: Pensando bem... Até que gostei de caminhar um pouco com você. O lugar é bonito.

Leung: Sim.

Hua: Qual é o nome do lugar mesmo?

Atreus: Shibuya. Conhecida também como a cidade dos jovens.

Leung: Uau.

[Leung e Hua observam o bairro.]

Leung: Olhar para este local me faz lembrar da minha casa bem longe.

Hua: Huh?

Atreus: O Shorinji, ele é... Meio exagerado em relação a estas coisas.

Hua: Oh.

Atreus: Shorinji...

Leung: Ora, eu não posso ajudar. É longe de casa mesmo.

Atreus: (Ótimo, é só uma questão de tempo para que o nosso disfarce esteja estragado.)

Hua: Shorinji... O que você faz quando está em sua casa?

Leung: Bem...

[Leung vê que Atreus está furioso. Ele então olha pra Hua.]

Leung: As mesmas coisas de sempre. Eu fico em casa cuidando das coisas, fazendo coisas e ainda vem mais coisas. É tudo coisa com coisa.

[Atreus fica com a mão no rosto.]

Leung: Quer dizer, eu não costumo falar muito do que eu faço para ninguém.

Hua: Oh... Tudo bem.

Leung: Mas o importante é aproveitar o presente para dar um salto para o futuro!

Hua: Futuro...

Atreus: Eu sempre vi Shorinji como um filho. Ele pode ser meio imaturo, mas no fundo... Ele é uma pessoa especial pra mim.

Leung: Do mesmo jeito que você é pra mim.

Hua: Sho-Shorinji...

Leung: Bem, que tal caminharmos mais um pouco?

Hua: Legal.

[Leung e Hua vão caminhar mais um pouco por Shibuya. Atreus acompanha os dois. Os três caminham pela cidade. Eventualmente eles acabam parando na fachada de uma pequena loja de roupas com alguns manequins de mulheres vestidas em diferentes poses.]

Leung: Você acha que a gente pode parar para ir a um restaurante? Eu tô com fome.

Atreus: Não, os pratos daqui são muito cheios. Uma lanchonete seria melhor.

Leung: Beleza.

Atreus: Mas vamos ver se a gente pega os mais baratos que tiver.

Leung: Tá bom.

[Atreus e Leung vão caminhar, mas Hua ainda está parada observando a fachada loja de roupas. Leung vê que tem alguma coisa errada e volta para a loja para buscar a amiga. De repente, as emoções de Hua deixam de ser felicidade e passam a ser de medo. Ela começa a observar os manequins de um jeito bem mais desconfortável e começa a se afastar mais e mais da fachada.]

Leung: Hua, você está bem?

[Hua não diz nada. Leung então vê que sua amiga não está bem.]

Leung: (Tem alguma coisa errada... Melhor avisar ao Gaspard.)

[Leung então corre para avisar a Atreus. De repente, os manequins começam a se tornar garotas de verdade vestindo roupas de pano de saco.]

Hua: Não... Não pode ser...

[As garotas vestidas de pano de saco então começam a olhar pra ela.]

Garotas vestidas de pano de saco: Porque não nos salvou? Porque não nos salvou?

Hua: Não... Não...

[Atreus e Leung chegam para tentar “salvar” Hua.]

Leung: Hua, você está bem!? Me responda!

[Leung então olha para a fachada da loja de roupas.]

Leung: (Será que é por isso que Hua está nesta situação?)

Atreus: Chiang Hua! Acorde! Eu tô mandando!

Hua: Não... Não...

Garotas vestidas de pano de saco: Se não fosse por você... Teríamos tido uma vida melhor... Mas você... Nos abandonou.

Hua: Do que está falando!? Eu nunca conheci vocês na minha vida!

Garotas vestidas de pano de saco: Não se engane, Hua... Você nos conheceu uma vez... Mas nos deixou pra trás pra sofrer...

Hua: Isso é mentira! Isso é mentira!

Garotas vestidas de pano de saco: Por causa de sua covardia.

[Hua se ajoelha e começa a chorar.]

Hua: Não... Não é verdade! Me deixem em paz! Me deixem em paz! Me deixem em paz! Me deixem em paz! Me deixem em paz! Me deixem em paz!

[Atreus e Leung observam as reações de Hua.]

Atreus: (Parece que estas reações deve ter algo a ver com suas memórias... O que aconteceu com ela para chegar a este ponto?)

Leung: (Hua... Mas o que está acontecendo?)

[Atreus pega Hua pelo braço.]

Hua: Não! Me deixe ficar com elas uma última vez! Eu não quero perdê-las de vista!

Atreus: Mas elas não são reais! São só manequins!

Hua: Não! Elas não reais! E por alguma razão... Eu as deixei pra trás...

Leung: Hua, o que está acontecendo!?

Hua: Leung... Isso é terrível! Elas...

Leung: Elas...

Atreus: Parece que estes manequins conseguiram atingir as memórias dela. Por algum motivo ela deve ter algumas memórias com eles.

Leung: Mas por quê?

Atreus: Infelizmente eu ainda não sei. Mas deve ser um passado bem tenebroso que ela tem medo.

Leung: Oh...

[De joelhos, Hua continua chorando. Leung então ajoelha junto pra falar com ela.]

Hua: Está tudo bem. O que passou passou.

[Leung abraça Hua.]

Hua: Leung...

[De repente, as pessoas da visão de Hua voltam a ser manequins. Hua então se levanta.]

Hua: Pessoal... Eu vi uma coisa terrível.

Leung: Sei disso.

[Leung também se levanta.]

Atreus: Melhor levarmos Hua de volta ao museu. Talvez Masaru saiba de alguma coisa sobre o que está acontecendo.

Leung: Beleza.

[Cenário: Ruas de Tóquio.]

[Atreus, Leung e Hua vão passear pelas ruas da cidade, para que eles possam voltar ao museu nacional.]

Hua: Shorinji... Queria poder te contar uma coisa.

Leung: Pode contar...

Hua: É terrível, mas quando estava olhando para os manequins da loja... Comecei a sentir um grande peso na consciência.

Leung: Peso?

Hua: Eu não sei porque, mas sinto que no passado eu já tinha vivido uma vida triste.

Leung: Entendo...

Atreus: Talvez você possa falar mais sobre isso com o Masaru. Ele pode te ajudar.

Hua: Certo.

Leung: Mas enquanto isso você não vai mais precisar se preocupar. Estou do seu lado.

Hua: Obrigada.

[Leung e Hua continuam caminhando.]

Atreus: (Hua diz que começou a sentir um peso na consciência logo após ela ter observado os manequins da loja. O que isso tem a ver com as memórias dela? Seja lá quem for, isso faz parte da história da Hua, e eu tenho que decifrar toda a verdade. Hua, quem é você, e o que você faz no Japão?)

[Hua então tem um flashback. Ela se lembra de que está dentro de um navio com várias garotas vestidas de saco de pano, com Hua sendo uma delas. No navio também contem homens completamente mal intencionados que maltratam as garotas constantemente. O flashback então acaba.]

“Porque não nos salvou?”

[Hua continua caminhando. Ela está ciente de que ela possui uma terrível memória de seu passado. Mas porque ela esteve em um navio com várias garotas tristes e homens mal intencionados?]

Narrador: Uma memória do passado incomoda Hua. Agora que ela consegue se lembrar dele, é só uma questão de tempo para que sua verdadeira identidade seja revelada. Sem que ela saiba, porém, Leung e Atreus também estão escondendo suas verdadeiras identidades. Além disso, vários inimigos estão no Japão atrás deles e isso pode ser um problema. Leung não apenas precisa fugir do país o mais rápido possível, como também decifrar a charada por trás de sua nova amiga. Será que ele vai conseguir superar todas as suas dificuldades, ou ele não terá outra escolha exceto se render?

[O capítulo acaba com Atreus e Leung levando Hua de volta para o museu, para que eles possam analisar parte de suas memórias.]