Shelter
17 Hurts like heaven
Notas iniciais
“Como se ajuda alguém que não quer ser ajudado? Desculpa...
Sugi.”
Já devia ser o milésimo e-mail que trocavam somente aquele mês. Ela contava como as coisas iam por lá, enquanto o Aho contava sobre o outro lado do mundo e assim seguiam. Porém as coisas são muito frágeis, a vida é.
Ao menos para ele.
Já fazia três meses que Daiki havia ido para a América. Há três meses as flores de cerejeira não tinha mais cor no Japão. Há três longos meses Kise se limitava a seu apartamento e a agência, nada mais. Tomava remédios para dormir e remédios para acordar. Tudo muito frágil.
Flashback on.
Somente ouviam-se gritos abafados do corredor e alguém sutilmente batendo na porta.
—Kisecchi... – sussurrou Mayumi quase que pra si mesma encostando a testa na porta.
Algumas lágrimas teimosas cismaram em cair. Aqueles berros doíam tanto, eram tão sinceros. Pareciam ter sidos arrancados da sua própria garganta.
Houve silêncio.
Ela bateu na porta mais uma vez.
—Kise... – disse baixo com o punho fechado sobre a superfície de madeira – abre logo essa droga de porta – terminou lenta e pausadamente.
Só se pode ouvir o barulho da tranca.
Respirou fundo e abriu a porta.
O mais completo e absoluto nada.
O apartamento estava intacto, vazio. Empacotado. Sim, empacotado: tudo dentro de caixas de papelão lacradas. Nenhuma surpresa, já havia algumas semanas que os dois preparavam tudo para a mudança do loiro. Não que o moreno soubesse, mas tudo ia relativamente bem: Kise estava numa nova agência, maior, ganhando relativamente melhor e indo para um apartamento que o elevador não demorava um minuto para subir cada andar. Quer dizer, nada que um cigarro e um uísque não resolvessem.
Até agora.
—O que houve? – perguntou num tom razoavelmente alto, para que ele pudesse ouvir seja lá em que canto ele estivesse.
—Aqui – gritou do quarto.
—O que foi toda essa gritaria? – continuou relutante.
Ryouta se resumiu a virar o rosto avermelhado do choro e sorrir mostrando algo que tinha em mãos em meio a algumas outras coisas espalhadas pelo chão.
—Uma camisa? – o loiro deu um sorriso bobo pra ingenuidade da amiga.
—A camisa do... – seus olhos lacrimejaram – Dai... – engasgou.
—Daiki – sorriu colocando uma mão amparando o rosto alheio.
Ele chorou.
E então chorou mais um pouco. Quando não conseguia mais, concluiu o pensamento.
—May...
—Hm?
—Eu to com saudades dele.
—Eu sei.
—Não, eu to morrendo de saudades dele – ponderou – acho que morreria pra ter ele aqui.
—Não fala assim.
—Mas eu morreria!
Os dois riram.
—Ele tá me matando – disse com um olhar carinhoso de pesar encarando um canto qualquer e secando uma lágrima teimosa.
—Loiro chorão – Sugihiro brincou imitando a voz do moreno – O que mais você tem ai?
—O maço de cigarros mentolado que ele comprou pra me devolver antes de ir – sorriu.
—Aberto? – perguntou divertida – Isso deve estar uma desgraça.
—Sim! – riu – Nós dividimos um último.
—E ele quase perdeu o voo por causa disso – lembrou.
Riram mais uma vez.
Por que a saudades não podia ser sempre assim?
Flashback off.
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Oh you use your heart as a weapon
(oh você usa seu coração como uma arma)
And it hurts like heaven
(e dói como o paraíso)
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