Shelter
18 Painkiller
Notas iniciais
[música]
—Me mostra as marcas.
—M-mas por quê? – retrucou Ryouta rapidamente olhando um canto qualquer no quarto vazio.
—Eu quero ver quantas vezes você precisou de mim e eu não tava ai – sussurrou o moreno mais pra si mesmo que para qualquer outro ali.
O clima naquela conferência começava a pesar, como sempre.
You know you need a fix when you fall down
(você sabe que precisa de uma solução quando cair)
You know you need to find a way
(você sabe que precisa encontrar uma maneira)
To get you through another Day
(de levá-lo através de um outro dia)
'Cause I know what you fiend on and what you lean on
(pois eu conheço o seu vicio e do que você depende)
Algo ali havia mudado. Tantos sonhos, esperanças... ilusões? Era tudo tão frio, tão duro. Doía aos ouvidos, ao coração.
Já faziam oito malditos meses.
Oito meses: um lá, outro cá. Um moreno, outro loiro. Alto o outro... não tanto? Não importava mais, tudo parecia escorrer por suas mãos como água. Água do mar quando cai em ferida aberta. Talvez tudo isso fosse karma, quem sabe?
Aomine estava simplesmente seguindo a vida, tentando não parar. Ia para a faculdade pela manhã, treinava no período da tarde e voltava para o dormitório esperando algum sinal de vida do loiro para então dormir. Era relativamente decepcionante, o basquete agora só servia para distraí-lo do que não tinha controle.
E ele não tinha mais controle de nada.
Kise havia se mudado para um novo apartamento, até para uma nova agência de modelos. O negócio era realmente grande dessa vez, tinha muito dinheiro e fama envolvidos; e obviamente muita pressão. E Ryouta não funcionava bem sobre pressão.
Controle era algo que ambos desconheciam naquele momento. Era angustiante; e angústia é um sentimento muito perigoso; é a matéria prima da dor.
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I, I can be your painkiller
(eu, eu posso ser seu analgésico)
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Trim! Trim! Trim!
—Merda de telefone – resmugou o moreno que se encontrava sozinho no dormitório jogado em sua cama.
Trim! Trim! Trim!
—Quem é o filho da puta que vai me ligar seis horas da manhã no sábado?
Trim! Trim! Trim!
[...]
(silêncio)
—Finalmente – cuspiu e virou-se na cama.
[...]
Trim! Trim! Trim!
—Caralho de telefone – gritou logo após se levantando.
Quem raios, em sã consciência, o ligaria àquela hora? Quase se podia ver a aura negra em volta da figura alta na penumbra do quarto escuro onde mal havia começado a amanhecer.
Trim! Trim! Trim!
—Tsk.
Trim!
—Alô – respondeu seco com seu mal humor aparente.
—G-gomen! Gomen... gom... en... – ouvia-se apenas um choro estridente do outro lado da linha e a voz entrecortada.
“Gomen”? Uma ligação do Japão? Mas por que raios o ligariam do Jap...
Um único calafrio, tão intenso como nunca antes, percorreu todo o corpo do moreno. Todos os seus pesadelos de noites a fio pareceram lhe vir à mente num milésimo de segundos. Sua mente era uma bagunça.
—K-Kise..? – perguntou receoso e como nem se parecia possível, o choro do outro lado da linha tornou-se mais alto – Quem é? Raios! – gritou num impulso; seu medo era presente em sua voz.
—O... K... Ahomine-san... o Kis... – a voz era feminina e exprimia uma dor agonizante, algo que nem palavras conseguiriam exprimir.
—M-Ma-May-chan? – o medo, ah o maldito e doce medo.
I know what you want so desperately
(eu sei o que você quer tão desesperadamente)
You'll love me 'til it's all over, over
(você irá me amar até tudo estar acabado, acabado)
De alguma forma já sabia o que tinha acontecido ali, conhecia esse tom, esses choros, essa dor de perda. Exatamente essa dor.
Sua cabeça latejava, o peito queimava, sua visão parecia turva. Seria isso mesmo? Seria esse o fim de tudo? De tudo que eles lutaram por todos esses meses? Assim? Por pura... desistência? Apenas o pensamento já era doloroso o suficiente.
The shoulder you cry on
(porque eu sou o ombro em que você chora)
The dose that you die on
(a dose em que você morre)
Só tinha certeza de uma coisa: sua cabeça girava. Ou seria o mundo a sua volta? Não sabia. E enquanto o choro continuava do outro lado do telefone, ele se encostou à parede e, perdendo as forças, terminou escorado no chão, como se fosse possível ele cair e continuar caindo até o fim se não houvesse aquele frio chão para ampará-lo.
A vida é irônica, mas a ausência dela é completamente devastadora.
E com palavras meio ditas, Aomine teve certeza, e então pode senti-la. Ah! A doce dor. O choro era incessável, a dor, inesgotável, e o mundo parecia não existir mais. Ao menos o seu mundo não existia mais. Nada existia. Nem mundo, nem ar, nem Ryouta e muito menos Aomine Daiki.
—C-como? – perguntou com o último fôlego que possuía; não queria realmente saber, mas parecia uma pergunta necessária.
—E-eu... Eu não sei... – ouviu-se apenas o chorar contínuo – E-el... tinha me ligado... eu fui correndo... e... e quando eu cheguei... a janela da sacada... estava aber... algumas fotos... ela voavam de uma caixa... E-eu não sei como! – ela berrou e tornou a chorar – Tu-tudo parecia tão bem... – e o som pareceu se tornar cada vez mais baixo e o quarto cada vez mais escuro.
Did you find another cure?
(você encontrou outra cura?)
Quando deu-se por si, estava em algum lugar distante. Longe de toda a dor, de todo o amor, de tudo e todos. Um lugar inalcançável, até para o seu Kise.
Aquilo só podia ser o inferno.
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The shoulder you cry on
(porque eu sou o ombro em que você chora)
The dose that you die on
(a dose em que você morre)
I, I can be your painkiller
(eu, eu posso ser seu analgésico)
Killer, killer
(assassino, assassino)
Never gonna let you get away
(nunca vou deixar você ir embora)
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