Shelter
10 Goin' down
Notas iniciais
[música]
Took me down to the river
(me levou até o rio)
So I could drown, drown, drown
(assim eu poderia me afogar, afogar, afogar)
Looking up through the water
(olhando para cima através da água)
I kept sinking down, down, down
(eu me mantive afundando para baixo, para baixo, para baixo)
—Aishiteru Kise Ryouta – dando então um beijo na lateral do pescoço do menor.
Kise estremeceu deixando um leve gemido escapar.
I feel like I'm flying
(eu sinto que estou voando)
I've got my head in the clouds
(estou com a minha cabeça nas nuvens)
Never thought I was crazy
(nunca achei que fosse louco)
Until you came around
(até que você chegar)
—Você é tão sensível – falou Aomine com um leve sorriso de canto.
A voz saiu abafada pela proximidade com o pescoço alvo que agora apresentava uma bela marca avermelhada.
—Hmpf – pronunciou Kise indignado e extremamente envergonhado.
Definitivamente aquela situação o deixava incomodado. Não havia sido como na primeira vez que jogou com aquele Aho, agora as regras eram outras e, mais uma vez, Daiki se mostrava mais habilidoso que ele naquele jogo.
—Nee Ryouta — o moreno esperou a respiração voltar ao normal – desculpe acho que me precipitei...
—Kya aa a – disse o menor quase em desespero – gomen, é-é que... eu nunca...
—Hm... nunca? Nunca mesmo? – rebateu Aomine com uma verdadeira incógnita na cabeça, pela primeira vez tinha entendido algo sem que o loiro precisasse explicar.
Daiki realmente esperava que Ryouta fosse experiente nesse assunto, afinal, tratava-se de um dos modelos mais cobiçados pelas garotas de todo Japão, mas, pra falar a verdade, aquilo havia sido um alívio para o moreno, era como um... “bônus”, digamos.
—Iie – respondeu Kise encabulado, aquilo era vergonhoso de se admitir numa situação daquelas – nunca.
“Trabalho, treinos, ensaios...” raciocinou Aomine. Sim, aquilo fazia sentido, mas era cansativo de se pensar que ele teria de se conciliar com toda essa agenda do modelo. Mas isso eram problemas futuros.
—Você é como um prêmio – soltou Daiki num sorriso de canto arrogante e usual.
—Nee que forma de se falar Aominecchi – disse Ryouta fazendo bico e revirando os olhos.
—Nee, mas é mesmo, um belo, brilhante e intocado prêmio – sua face esbanjava luxúria a cada palavra pronunciada, o que fez Kise ficar cada vez mais e mais vermelho – Você fica uma gracinha vermelho assim – a cara de Daiki permanecia com a mais pura malícia.
Se o loiro já se sentia desconfortável, agora, sendo despido pelos olhos felinos do moreno, não haviam mais dúvidas. Aomine mantendo todo seu controle para não abusar do loiro naquele mesmo momento, inverteu as posições, colocando Kise sentado no sofá e ele em pé, debruçado por cima do menor. Aquele moreno possuía uma alma canibal. Mantendo um dos joelhos apoiado ao lado do corpo do loiro para não perder o equilíbrio, tirou a camisa de Kise deixando seu corpo a mercê da fome insaciável que sentia naquele momento. Apoiou uma mão ao lado da cabeça loira, beijou Ryouta de forma terna e com toda luxúria do momento pediu:
—Posso? – disse colado no ouvido de Kise.
You walk all over me
(você anda em cima de mim)
In silence I watch you go down, down, down
(em silêncio eu vejo você descer, para baixo, para baixo)
Não foram preciso palavras, Ryouta simplesmente soltou um gemido, o que foi suficiente aos ouvidos de Daiki. Toda a sanidade do moreno se foi com aquela doce, pura e não tão mais inocente voz. Trilhou uma linha de marcas avermelhadas desde o pescoço do loiro que ia descendo em direção a barriga até o cós da calça de moletom. Um olhar pedinte teria sido suficiente se aquele celular inconveniente não tivesse tocado e devolvido os dois a realidade.
—G-gomen Aominecchi – disse Ryouta ainda com a respiração descompassada e um volume aparente na calça.
—Hai... hai – retrucou o moreno.
Do que adiantaria reclamar? Já sabia que isso iria acontecer cedo ou tarde. Pra falar a verdade, já tinha tido até a impressão de ouvir baterem na porta, mas nem deu muita importância.
Kise havia atendido ao telefone e logo fizera uma cara de choro. Daiki podia ouvir alguém gritar do outro lado da linha ali mesmo de onde estava. “Droga de loiro chorão” pensou consigo mesmo.
—Nee, que foi Kise? – perguntou transparecendo um pouco de sua preocupação.
Ryouta não respondeu. Apenas ouviu mais alguns berros, o loiro responder “Hai” de forma extremamente submissa e então desligar o telefone.
—Nee Aominecchi, pode, por favor, ir para o quarto e não sair de lá? – pediu o loiro cabisbaixo num tom levemente autoritário.
—H-hai, mas o que houve? – perguntou se aproximando do loiro.
—Não importa só me promete que você não vai sair de lá, de jeito nenhum – suplicou.
Aquilo não parecia nada bem.
—Me prometa! – pediu o menor mais uma vez com lágrimas nos olhos.
—Droga Kise, eu prometo!
Os dois se dirigiram até o quarto, Aomine acompanhou com o olhar Ryouta pegar um moletom, mesmo naquele tempo estupidamente quente, e vesti-lo.
—Kise... – chamou antes que ele pudesse sair do quarto e seu um singelo beijo no loiro.
—Gomen... – pronunciou Ryouta antes de deixá-lo lá com a sua promessa.
•
Ia fazer quase uma semana que o astro mirim Kise Ryouta estava sumido da mídia com a desculpa de “ir visitar seu pai”. Logo, obviamente, boatos e mais boatos começaram a surgir pelas redes sociais. Supostos rumores que o modelo havia estado numa farmácia com o braço enfaixado, teria tido seu cartão bloqueado e de uma aparição suspeita num supermercado afastado do centro começaram a rodar pela mídia e a tomar proporções cada vez maiores e mais escandalosas. Aquilo não agradou nem um pouco àquele que mantinha severo olhar perante a carreira do loiro: ninguém menos que seu pai. Posto a par da situação em que se encontrara o apartamento de Ryouta da última vez que seu agente tinha ido visitar seu filho, sua paciência estava perto de um limite extremamente perigoso que foi gravemente quebrado quando o velho veio a saber de umas visitas frequentes feitas por um ex-colega de seu filho. “Frequentes até demais” como descrito pelo agente. Já estava na hora de botar pontos em suas interrogações.
•
“Que diabos está acontecendo? Porra, por que ele nunca me conta nada?” Aomine se perguntava de dentro do quarto. “Por que ele me fez prometer que não sairia do quarto de jeito nenhum? Que merda Ryouta!”.
Kise tentou inutilmente conter o choro enquanto ia abrir a porta de entrada. O loiro nunca foi religioso, mas rezou sabe-se lá quantas vezes da porta de seu quarto até a porta de entrada. Talvez algumas milhares. Respirou fundo e abriu aquela maldita porta. Foi recebido com um fortíssimo tapa no rosto que o fez cair no chão.
—Levante e feche essa porta – disse seu pai de forma seca e ríspida.
Entrou o velho e logo atrás seu agente o acompanhando. Kise respirou fundo mais uma vez, levantou-se e sem mais nenhuma dignidade fechou a porta, sem trancá-la.
Aomine do quarto só pode ouvir o barulho de um tapa e algo indo ao chão, ele estava inquieto. Não poderia manter sua palavra por muito mais tempo se continuasse dessa forma.
—Você sabe muito bem o porquê de eu estar aqui.
—Iee, desculpa, otousama – o loiro até desconfiava, mas isso não traria seu pai até lá.
—Senhor, eu não vi ninguém sair do apartamento – pronunciou o agente.
—Bom, já que meu filho vai se fazer de besta terei de tomar meios não muito convencionais para chegar aonde eu quero.
Dito isso o velho desferiu mais um forte tapa de som extremamente alto.
Aomine rodava pelo quarto procurando paciência e força para manter-se lá dentro. Ele podia não entender o que era dito, mas aqueles barulhos sufocavam cada vez mais sua sanidade.
—Eu sei que você está ai! Por que não sai? – gritou o velho com raiva – Então lá vai – deu um chute na barriga do garoto – Viu Kise? Está vendo seu moleque inútil? – gritou – Ninguém veio te ajudar! – encheu a boca para falar – Se esse garoto não veio te ajudar então ele não te ama – cuspiu com nojo – Deixe de ser estúpido Ryouta e acorde pra vida.
Sinking down down down
(afundando cada vez mais baixo, baixo, baixo)
Não dava mais, aqueles barulhos eram muito altos. Daiki saiu daquele quarto pronto para matar alguém se não tivesse visto primeiro o loiro no chão.
—N-não Aomine! – gritou o menor.
—Seguranças – chamou o velho sem muito alarde.
Entraram dois homens no apartamento. O primeiro golpe foi desferido no rosto do moreno, que mal soube de onde veio, mas foi o suficiente para apagá-lo por alguns segundos. Kise foi de encontro com um dos homens para tentar ajudar Aomine, o que de nada adiantou.
—Coloque-o no quarto antes que eu atente em dar mais uma surra nesse moleque. Parece que desaprendeu a obedecer aos mais velhos. Pior, perdeu toda a sanidade, onde já se viu um gay nessa família!
Arrastaram o loiro sem cerimônias, prendendo-lhe no quarto. Só pode ouvir inúmeros tapas e socos enquanto ele mesmo tentava, de qualquer forma, abrir aquela maldita porta.
—Que foi que você fica ai ajoelhado sem falar nada, não era corajoso? Você é só um gay de merda! Já sei porque fica ai, quer pagar um boquete pros meus seguranças é isso? – disse o velho rindo de sua piada nojenta – lamento informar que não terá isso – foi surpreendido com um cuspe em sua direção – Ora moleque insolente – e desferiu, ele mesmo, uma sequencia de chutes no estomago do moreno – Podem terminar, já me cansei dele – Fique longe do meu filho – murmurou baixo perto de Daiki dando um último soco no rosto do menor.
Talvez cinco ou dez minutos tenham se passado, mas com certeza foram os mais longos de toda sua vida, até que ouviu o destrancar da chave. Kise correu para fora do quarto em direção ao moreno que se encontrava ajoelhado em frente a seu pai. Não pode evitar o abraçar de forma protetora sem conseguir conter as lágrimas. Aomine permanecia lá, ajoelhado de cabeça baixa engolindo em seco seu orgulho junto com a sua dor. Um dia ele decidiu que seria forte por Ryouta e iria manter sua palavra.
Antes de o velho ir, ele deu o golpe final. Abaixou-se ao lado do loiro que se encontrava ajoelhado abraçando o moreno e desferiu suas últimas e piores palavras:
—Sua mãe teria vergonha de você se estivesse aqui.
Kise rezou pra morrer, implorou. Aquilo estava fora de seus limites, qualquer coisa que aquele homem desgraçado tivesse dito, nada se compararia àquilo. Não sobre aquela doce mulher que ele pouco lembrava, mas tanto amava. Muito menos se perdoaria pelo que fizeram com o homem que ele ama. Nunca.
Os quatro se retiraram do apartamento sem maiores discursos, deixando apenas os dois lá.
—Gomen Aominecchi, gomen – implorava o loiro que foi interrompido por um beijo.
—Koishiteru – murmurou o moreno no meio do beijo.
—P-por que você saiu do quarto? Por que você não cumpriu o que me prometeu? – Kise foi interrompido por mais um beijo.
—Você fala demais sabia? – disse breve e rouco.
—Então me responda – implorou Ryouta.
—Eu jamais me perdoaria se algo de ruim acontecesse com você novamente Kise – disse Aomine selando seus lábios uma última vez – Nunca.
I feel like I'm dying
(eu sinto que estou morrendo)
I've got one foot in the ground
(eu tenho um pé no chão)
Never knew what love was
(nunca soube o que era amor)
Until you came around
(até você chegar)
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