She'd Fly

3 Capítulo 02 — Seattle. Oh, Seattle.


Notas iniciais
Heyy, gente! Sei que disse que ia postar antes do ano novo, mas realmente não deu. Então, eu demorei pra postar agora (planejava postar antes das sete, masss...) porque eu simplesmente ESQUECI O PADRÃO DO MEU CELULAR e entrei em pânico porque, olha que legal, também havia esquecido o meu email da conta do google. Já resolvi isso AHUSAHSUAHSUA então... quero agradecer a todas que comentaram no capítulo passado! Amei ler e responder todos os reviews! Obrigada, obrigada e obrigadaa! *corações* Gente, esse capítulo é narrado pela Bella e ela está no primeiro ano do Ensino Médio como vocês irão perceber mais adiante... Qualquer dúvida ou dica é só me falar por review ou MP! Beijos. E, ah, a Mia Trouble percebeu uma coisa legal: A Bella de depois só atende por "Bella" e não por "Isabella" como o Edward, no capítulo seguinte a esse, vai insistir em chamá-la. Em breve vocês vão perceber que todo e qualquer detalhe presente é importantíssimo! É isso, acho que já falei demais hahah.

Março de 2006.

Bella.

Não era começo do ano escolar letivo. Estávamos praticamente na metade. Quer dizer, eles estavam. Eu não estava em lugar nenhum até me sentar na banca dupla que teria na primeira aula do dia e ficar envergonhada e de cabeça baixa porque eu não conhecia ninguém e me sentia desconfortável como o inferno naquela sala de aula cheia de desconhecidos. Desconhecidos os quais não tentariam ser sequer discretos ao me olhar com curiosidade.

Oh, olhe aquele animalzinho novo ali! Ele não é interessante?

Eu, por ser novata, não sabia qual — e onde — era a minha primeira aula. Teria de andar até a secretária com as bochechas ardendo em vermelho escarlate pelo olhar inquisitivo das pessoas sobre mim. E eu estava tão envergonhada! No dia anterior tinha implorado à minha mãe para que ela me deixasse perder só aquele ano letivo inteiro. Não teria nenhum problema, eu era adiantada um ano, não entraria atrasada na faculdade. Renée apenas me mandou deixar de besteira e criancice e fosse logo dormir porque teria de acordar cedo. E eu estava tão envergonhada! Meus olhos estavam marejados por causa de minhas bochechas vermelhas!

Então, é, eu fui corajosamente até a secretaria e pedi, sussurrando, o meu mapa. Eu queria ter pelo menos algum amigo conhecido previamente aqui nessa escola de merda, mas eu duvidava que o único amigo que tive nessa cidade estudasse exatamente na mesma escola que eu. Havíamos perdido o contato quando eu me mudei para a Califórnia junto com a minha tia, Charlotte Swan.

Quando eu saí da secretária que estava abarrotada de alunos desesperados, um grupo de líderes de torcida — daquele tipo que, com quinze, havia colocado silicone para ter peitos maiores — passou por mim com um uniforme curto e descoberto demais para o clima de Seattle. Elas não me olharam como se eu fosse um animalzinho, acho que eu parecia mais uma aberração para elas.

De qualquer jeito, eu não me importava. Com a minha petulância crescente — e prejudicial à minha sociabilidade — devolvi o olhar.

A minha primeira aula era biologia e a droga do prédio era o último. Eu detestava essa escola por ser grande demais para o meu gosto e cheia de alunos que se conheciam entre si e sabiam quando tinha algum novato. Mas não tinha problema — ou pelo menos foi o que a minha mente me disse, em busca de conforto.

Demorei-me na caminhada para não chegar cedo demais na sala e correr o risco de me sentar em um lugar que já tivesse ocupado. E se a sala estivesse cheia? — Perguntei-me em um breve momento de pânico mental. E se eles decidissem que me odiaria pelo resto do Ensino Médio? E se… e se… ah, eu não conseguia nem respirar de tão aterrorizada que estava quando entrei no prédio.

Não me permiti parar para tentar respirar, é claro. Eu não queria parecer mais ridícula do que já estava parecendo com o rosto corado.

Pelo visto, eu me demorei demais na caminhada uma vez que todos da sala desviaram o rosto para mim quando eu abri a porta da sala. Inclusive o professor que me olhou de cima abaixo. Não era um olhar avaliativo — aquele que meninos lhe davam quando consideravam se lhe pegavam ou não. — era um olhar claramente de desprezo.

— Creio que entrou na sala errada. — Ele disse.

Alguns alunos riram como hienas histéricas. Minhas orelhas arderam.

— Sou aluna nova.

E o burburinho começou. Eu queria sair correndo da sala.

— Deixe-me ver seu mapa. — Ele ordenou e antes que eu tivesse o estendido, o tomou da minha mão.

Ah, eu sentia falta da Califórnia e de seus professores educados e que praticamente me idolatravam.

— Isabella Swan.

— Bella. — O disse.

— Isabella. — Ele insistiu e então sorriu. Não foi um sorriso amistoso, foi forçado como se ele estivesse tentando ser gentil e não conseguindo. De propósito. — Há uma banca vazia no final da sala. Está bom para você?

Eu sorri forçada e cordialmente para ele enquanto me encaminhava para lá. Tentei não olhar para os meus pés e tentei também não passar encarando todo mundo que me olhava com interesse, tentei somente ser natural. No meu estado de espírito — envergonhado, raivoso, frustrado —, por algum milagre divino eu consegui ser natural ao caminhar rapidamente até o meu lugar.

— E, Sr. Cullen, saia agora mesmo de perto de Chelsea. — Mandou o professor.

Cullen. Eu conhecia aquele sobrenome.

— Ah, não, professor. — Uma voz aguda que eu presumia ser da tal da Chelsea choramingou.

Aliás, quem tinha aquele nome? Chelsea… parecia uma homenagem ao time de futebol da Espanha. Eu sabia disso porque meu pai era fanático, ele costumava gritar: “O Chelsea vai jogar hoje!” para a minha mãe, então ela iria assistir junto com ele e com uma bacia de pipoca quente e salgada.

— Sente-se com a Srta. Swan.

— Piranha. — A tal da Chelsea que estava a duas bancas de distância de mim, xingou. — Swan, que sobrenome ridículo.

Perguntei-me o que diabos eu havia feito para merecer tal aversão, eu sequer havia falado cinco palavras naquela droga de sala! De qualquer jeito, não me importei muito para o ódio incoerente de Chelsea, ela provavelmente estava com ciúmes de Edward Cullen por ele estar, agora, acomodando-se à cadeira ao lado da minha enquanto não tirava os olhos de meu rosto corado.

Eu sabia disso porque conseguia ver com o canto dos olhos que eu mantinha fixos a sala à minha frente. Sabia disso porque era isso que o agora glorioso Edward Cullen faria.

Eu e Edward nos conhecíamos desde pequenos, nossas mães eram amigas de longa data e, consequentemente, em uma das visitas que fiz à sua casa, acabamos nos conhecendo. Não foi muito legal nos primeiros dias já que toda vez que Edward me via ele franzia o nariz cheio de sardas e resmungava algo como “Garotas!”. Eu, claramente, o achava patético e me escondia para chorar quando estava na casa deles.

Minha mãe não me dava a opção de não ir. Com quem eu ficaria? — Ela sempre me perguntava e eu sempre respondia o óbvio: “Sozinha”. Renée sorria e murmurava para mim: “Você só tem seis anos, querida” e o que mais eu poderia teimar? Eu não poderia simplesmente dizer a ela que me achava uma adulta no corpo de uma criança. É assim que todas as crianças se sentem, afinal.

Tudo que me restava, depois da aversão de Edward, era chorar escondida em um porão superclaro que ficava no canto da escada. Eu tinha uma queda por ele. Gostava dele já no segundo dia que o havia visto. Era a afeição incoerente que crianças sentem umas pelas outras e já pensam ser amor. Eu chorava porque ele me desprezava e era sempre tão arisco sem eu ter feito nada para merecer.

Certo dia, ele me trancou lá. No porão. Ele me trancou porque crianças de seis anos brincam umas com as outras de um modo muito terrível. Até aquele dia eu não sentia nenhuma repulsa por porões, juro. Tive de gritar, em pânico, por minutos até alguém se dar conta que oh, a garota sumiu!

— Como foi parar lá, meu amor? — Minha mãe perguntou.

Eu estava soluçando demais para falar algo decente.

— Aquela porta não se fecha sozinha… Edward! — Raciocinou Esme.

— O quê? — Ele perguntou, erguendo as sobrancelhas. — Ela se trancou lá porque quis.

— Não seja desse jeito, Edward Cullen! — Disse a sua mãe severamente. — Desculpe-se com Bella e depois disso, vá pegar uma flor para ela no jardim.

— Mãe. — Choramingou ele.

— Agora, Edward Cullen. — Mandou ela — Você não quer que eu fale isso a seu pai, quer?

Depois de muito resmungar, ele o fez. E parecia realmente envergonhado com o seu ato esdrúxulo — palavras de Esme que foram repetidas por ele.

— Como você sabia que eu gosto dessa? — Perguntei ao pegar a tulipa em minhas mãos, olhando-o encantada e com os olhos inchados.

Eu não gostava, começaria a fazer a partir daquele momento.

Edward deu de ombros.

Não sei como ou o motivo, a partir daquele dia eu e ele passamos a ser melhores amigos. Eu pedia para ir à casa de Esme para ficar com Edward e vice-versa. A amizade que tínhamos era tão recíproca quanto eu poderia imaginar que seria. Eu estava satisfeita, tudo que eu precisava era de um melhor amigo que me defendesse dos meninos maiores e que sempre puxavam o meu cabelo — eu parecia atrair esse tipo de pessoa.

Eu tinha doze anos quando Edward, depois da escola, me chamou para ficar à tarde no jardim de sua casa. Claro que eu aceitei, não queria ficar sozinha em casa — minha mãe estava no mercado e papai estava no trabalho — e ficar com Edward no jardim era uma coisa que me parecia ótima, porém eu não iria me oferecer. Se ele quisesse, ele me chamaria. E chamou — foi uma percepção agradável até demais.

— Esme foi à biblioteca. — Ele disse, desgostoso. — Sem brownie por hoje. — Parecia estar se desculpando.

Eu dei de ombros e deixei minha mochila no chão perto do balcão da cozinha.

— Mas tem biscoito, se você não se importar.

Eu sorri brevemente, grata por ele ser tão atencioso.

— Por que você está tão silenciosa? — Edward perguntou, sentando-se à mesa e colocando a vasilha de biscoitos no centro dela.

— Não é nada. — Disse-lhe enquanto me sentava à sua frente.

— Bella.

— Quem era a garota que você estava conversando hoje no almoço? — Disparei antes que eu pudesse sequer me impedir.

— Ninguém importante. Ela está na peça que a Sra. Youth está organizando.

A peça a qual eu não havia sido escolhida porque meu cabelo era escuro e eu não daria uma boa protagonista. Edward, por outro lado, havia sido a escolha certeira da Sra. Youth por ser… praticamente ruivo e lindo. Ele daria um ótimo personagem central, um daqueles que as garotas suspirariam de amor ao ver a peça. Maldita peça.

— Ela é a protagonista?

Ele assentiu por estar mastigando um biscoito.

Pela distância que eu vi — pela mesa do almoço ser longe demais — ela parecia ser linda e loira. Apostava que até sardas adoráveis nos ombros ela tinha e gostava disso porque o expunha demais e parecia extremamente consciente dele. Ela parecia também muito interessada em tocar Edward, seus dedos finos e delicados tocando-o no braço e no ombro, perto da clavícula.

— Não estou mais com fome. — Declarei e levantei-me da mesa.

Era uma patética crise de ciúme.

Eu estava deitada na grama verde e morna quando vi os sapatos de Edward vindo em minha direção. Quando virei-me um pouco mais vi que ele trazia o pote de biscoito em suas mãos. Por que ele era tão adorável? Ele se esforçava muito para ser daquele jeito? E, mesmo com essa percepção, eu me recusava a achar que eu estava apaixonada por ele.

Edward se sentou calmamente ao meu lado.

— Garotas! — Ele suspirou.

Reprimi um sorriso.

— Tem certeza de que não quer biscoito?

— Tenho. — Fechei os olhos e senti o sol aquecendo a minha pele enquanto tentava tirar de dentro de mim aquela sensação estranguladora de ciúme. Eu não tinha de ter ciúmes de Edward, isso era patético em muitos níveis elevados.

Levantei-me depois de alguns minutos deitada, meus braços coçando por causa das formigas curiosas que o exploravam. Tinha certeza de que daqui a três minutos teria marcas de picadas delas por todo o meu antebraço e eu teria de usar aquela pomada com cheiro forte que minha mãe passava quando aquilo acontecia.

— Tem uma formiga no seu rosto. — Edward disse ao me olhar.

Eu podia sentir as patas da exploradora por minha testa, levemente. Mas eu me parei quando foi a mão de Edward que a tirou de lá de um modo afetuoso demais. Para mim, claro. A formiga provavelmente havia sido esmagada durante o processo. Permaneci sem respirar pelos exatos dez segundos que ele delineou o meu rosto com o dedo indicador.

Tudo bem, eu e Edward não costumávamos nos tocar muito. Nunca fomos do tipo de amigos que se abraçavam e se beijavam o tempo todo, ou que trocavam carinhos íntimos tantas vezes que já era fácil o fazer. Éramos apenas normais… amizade sem carinhos, apenas sorrisos cúmplices e astutos… todas essas coisas.

— Você acabou de esmagar uma formiga na minha testa. — Eu falei.

Ele riu tortamente pelo nariz.

— Juro que foi sem querer.

Ele nunca me pareceu tão lindo quanto naquele momento com os olhos pressionados por causa do sol, o cabelo mais claro que o normal, o rosto branco demais parecendo reluzir… e um sorriso torto em seus lábios. Eu evitava perceber o quanto Edward era bonito, não o fazia para não começar a suspirar como uma idiota. Como pessoas apaixonadas fazem: suspiram por nada.

Céus, eu estava apaixonada por ele — a percepção foi um pouco aterrorizante demais. E isso era errado… porque era óbvio que eu não era ou seria correspondida. Eu não era bonita nos padrões de Edward Cullen.

Ele inclinou o rosto um pouco para frente e eu pensei: Ah, céus, ele vai me beijar! Mas ele não o fez, apenas ficou dividindo olhares entre os meus lábios e os meus olhos que estavam mais perdidos do que nunca. Apostava também que ele havia percebido a cor indo para as minhas bochechas. Eu estava tão envergonhada! E incapacitada de me mexer porque eu queria… não queria… queria que ele fizesse isso.

— Você já beijou alguém? — Ele perguntou. — Na boca?

Nunca tive pretendentes, Edward. Em vez da resposta, neguei com o rosto.

— E você? — Perguntei.

— Não também. — Edward sorriu levemente. — Eu posso… beijar você?

Eu engoli em seco, desviando os olhos para seus lábios úmidos.

— Você promete que as coisas não ficarão diferentes entre você e eu se eu te beijar? — Ele perguntou.

Eu não prometi nada porque não tinha certeza se seria capaz de passar por cima de toda a minha vergonha no outro dia, caso eu viesse a o beijar. Quer dizer, eu estava desejosa por sentir os lábios dele ao mesmo tempo em que me sentia quase como se pudesse explodir. De vergonha e de vontade. Eu estava tão constrangida… tão constrangida que olhei para baixo e mordi o lábio inferior, indecisa.

No segundo seguinte eu estava claramente mais decidida ao senti-lo inclinando meu rosto para cima, gentilmente, com o dedo indicador. Acho que fechei meus olhos mais cedo do que deveria porque demoraram uns três segundos — contados em minha mente envergonhada — para que os lábios dele estivessem nos meus. A pressão que ele fazia contra a minha boca era… ah, era perfeita. Não conseguia imaginar como um beijo poderia ser melhor do que aquele estava sendo.

E eu era tão boba! Percebi isso quando ele se afastou e eu pensei em pânico: O quê? Já acabou? Minhas bochechas estão coradas só para isso? Tudo bem que meu coração praticamente corria uma maratona dentro de minha caixa torácica, mas… mas havia sido tão rápido! Por que ele não se aproximava novamente?

Irracionalmente, como uma criança que está aprendendo a andar e o quer fazer com mais rapidez, inclinei-me mais uma vez para frente, selando nossos lábios mais uma vez. E mais outra quando eu arfei, sem ar por estar prendendo a respiração. Ele agarrou a minha nuca com cuidado — quase como se eu fosse feita de um vidro fino e quebrável ao toque — e eu entrelacei meus dedos em seu cabelo já crescido demais.

Ele capturou meu lábio superior entre os seus e, de modo gentil, o sugou. Fiz o mesmo que ele, o que mais poderia fazer? Tudo que eu sabia sobre beijos era o que eu tinha visto em filmes. Filmes estes que eu sempre corava e desviava os olhos.

Edward se aproximou de mim e enlaçou o seu braço livre ao meu redor, abraçando-me ao mesmo tempo em que traçava o meu lábio inferior com a ponta da língua. Arfei mais uma vez e foi a oportunidade perfeita para que ele entrelaçasse a sua língua com a minha, fazendo com que um arrepio passasse por meus braços.

O ar faltou rápido demais. Tivemos que separar nossos lábios afinal de contas, mas Edward beijou todo o meu rosto enquanto eu respirava a procura do ar que ele havia me roubado. Ele beijou o meu queixo, os meus lábios mais uma vez — um simples selinho —, a ponta do meu nariz, minhas bochechas, a ponte de meu nariz, as pálpebras fechadas e, por fim a minha testa. Àquela altura eu já estava sorrindo doce e bobamente enquanto era acarinhada.

— Namore comigo, Bella. — Ele pediu.

Eu sorri mais largamente.

— Você é inacreditável. — Eu o disse. Era um sim.

Voltei à realidade quando Edward — o Edward de um ano e meio depois — deixou seus livros e cadernos na cadeira ao meu lado, não deixando de me encarar por nenhum segundo. Eu já estava o olhando acanhadamente, esperando com paciência que ele falasse algo porque eu definitivamente não sabia o que o dizer. Pedir desculpas? Ser uma idiota e o ignorar? Agir como se eu não tivesse saído da cidade depois do nosso namoro ter começado? Eu realmente não sabia.

Como se para prolongar o suspense, ele permaneceu me observando por alguns segundos a mais.

— Bella. — Ele disse. Depois de tanta espera, essa foi a sua frase genial.

— Edward. — Cumprimentei.

— Você mudou, Bella. — Ele notou com um sorriso torto que costumava me pertencer. Mas estava distorcido demais para eu tomá-lo para mim outra vez, estava malicioso e galanteador. Eu não queria que ele sorrisse daquele modo para mim de novo.

Eu assenti e voltei meu rosto para frente quando o professor pigarreou para começar a aula. Sentia-me quase intimidada na presença tão próxima de Edward porque eu tinha a sensação de que eu tinha perdido um período muito grande da vida dele, sendo assim não o conhecia mais. Ele estava tão diferente… estava forte e galanteadoramente sorridente. Sorridente demais. Como se eu fosse mais uma de suas conquistas baratas — ele me parecia, agora, um daqueles garotos que todo dia tinha uma menina na palma de sua mão.

Chelsea — apostava que era uma de suas garotas, na melhor da hipótese sua namorada —, durante a aula, não parou de virar-se para trás para checar se eu não estava aos beijos com o seu Edward. Ela agia como se eu fosse uma mera novata que estivesse encantada com a beleza arrasadora dele. Mal sabia ela que eu já havia tido tempo o suficiente para me acostumar… mais do que ela teria em toda a sua vida.

Acima de tudo, eu queria perguntar a Edward sobre o que eu havia perdido. Queria que tudo fosse como antes.

— E então? — Ele perguntou quando o professor virou-se para copiar no quadro branco. — Qual é a sua história?

— Você sabe.

— Não sei. — Insistiu Edward.

Suspirei, puxando o meu cabelo para o meu ombro.

— Edward.

Ele abaixou os olhos para o seu caderno e os levantou novamente direto para mim. Ele finalmente parecia mais sério do que antes — o que não era nada reconfortante porque demonstrava que ele queria mesmo saber. Queria saber por que eu havia sumido… por que eu simplesmente não fiquei em Seattle quando as coisas estavam enfim tomando um jeito. Eu não sabia se estava disposta a lhe fornecer as respostas.

— Por que você não me ligou?

Por que você não me ligou?

Balancei meu rosto uma vez de um lado para o outro. Não tinha como simplesmente dizer-lhe que eu estava arrasada demais para conseguir falar com alguém no telefone, até mesmo a minha mãe que parecia tão devastada quanto eu. E, depois que eu me recuperei, não tive coragem o suficiente para ligá-lo. Não queria sentir saudades… e sentiria se simplesmente me deixasse ligar para ele.

Acho que amadureci demais em apenas meses. Talvez eu tenha perdido a melhor parte da minha pré-adolescência… junto com o meu pai.

— Consegue entender que eu fiquei louco de preocupação?

— Não sei por que você está me falando isso agora. — Sussurrei.

— Porque você não me deu a oportunidade de dizer antes! — Exclamou ele, exasperado.

Eu o olhei apenas por alguns segundos e me arrependi por ter notado que seus olhos estavam tão verdadeiros quanto costumavam ser antes. Sendo como fosse, eu ainda não conseguia entender o porquê de ele estar trazendo esse assunto a tona mais uma vez. Tudo havia seguido em frente. Eu havia seguido em frente — de algum modo extraordinário — assim como ele.

O que era passado deveria permanecer lá. Eu não tinha interesse algum em lembrar tudo novamente…

— Bella. — Ele sussurrou, me chamando.

Eu desviei meus olhos mais uma vez para ele.

— Pode me dizer, Srta. Swan, o que acontece na Citocinese? — Eu ainda não sabia o nome daquele professor, no entanto já podia sentir uma antipatia por ele. Por que ele simplesmente não me deixava quieta em meu lugar?

Virei meu rosto para frente lentamente, esperando que a minha santa paciência retornasse.

— Acontece a divisão que leva a individualização das células. — Respondi com tédio.

— Divisão do quê? — Ele ergueu as sobrancelhas.

— Citoplasma.

— Células mãe ou filhas?

— Filhas.

O professor ergueu as sobrancelhas e as abaixou, em uma breve expressão de incredulidade, porém não fez nenhum elogio ou coisa parecida como eu estava acostumada. Revirei meus olhos com impaciência, pensando que eu queria que as escolas de São Francisco fossem aqui, com os mesmos professores amáveis e sorridentes. Nada rabugentos. Ok, talvez eu estivesse antagonizando Seattle, mas pouco me importava.

Aquele professor de Biologia havia acabado com a minha vontade de conhecer todos os outros — se é que eu a possuí antes.

— Ainda estamos na Anáfase. — Edward murmurou, do meu lado.

A Anáfase ficava antes da Telófase que ficava antes da Citocinese.

Felizmente, a aula acabou antes mesmo que eu tivesse tempo de retribuir aos vários olhares inquisitivos que Edward me mandava. Ele sempre parecia prestes a falar algo, mas então desistia e voltava seu rosto frustrado na direção do quadro. E depois, como se tivesse se arrependido, voltava a me olhar. E, como resposta, eu me encolhia dentro de meus cabelos agora longos.

— Qual é a sua próxima aula? — Ele perguntou assim que o professor Tanner dispensara a turma.

— Hmm… trigonometria. — Falei olhando para o meu mapa.

— Se quiser, eu te levo no prédio de…

— Ed! — Chelsea o chamou. — Você vai demorar muito mais?

Quando eu me virei para trás para lhe olhar, ela estava me olhando com os olhos pressionados e injetados de raiva. Por eu estar roubando o seu Edward. Na verdade, eu queria dizê-la que era ele quem estava puxando assunto comigo. Eu sequer estava fazendo esforço para ele vir falar comigo e me dar toda a atenção que lhe era destinada antes. E, não, eu não estava declarando vitória ainda.

— Vou, Chelsea. Talvez você devesse ir andando para a sua aula.

— Sozinha? — Ela parecia histérica com a possibilidade.

— Sim.

Ela sustentou o olhar dele por mais alguns segundos e depois desviou os olhos verdes para mim, descarregando toda a raiva que ela sentia somente por aquele simples gesto. Eu deveria ter dito um “Não tem problema, Edward, eu sei onde é. Não se dê ao trabalho.”, mas eu não queria andar sozinha. Não suportava o olhar curioso dos veteranos sobre mim e talvez Edward me distraísse o suficiente para me fazer esquecer de que eu estava sendo encarada.

— Espero que acerte as coisas com a sua namorada.

— A Chelsea? — Quando eu o olhei, ele parecia incrédulo que eu tenha chegado àquela conclusão. — Não namoramos. Ela só está no meu pé, sabe como é.

Não, eu não sabia como era.

— E, além do mais, você nunca acabou aquele namoro comigo. — Ele sorriu tortamente do modo certo.

— Me recuso a acreditar que você se prendeu a isso.

— Você ainda está com o anel que eu te dei. — Edward observou.

Eu corei e puxei mais uma vez meu cabelo para o meu ombro direito.

— Você sempre soube que eu gostei dele. — Virei meu rosto na sua direção mais uma vez, só para checar como estava a sua expressão. Estava infantilmente sorridente. — Não se ache tanto por isso.

Estava nublado quando eu finalmente percebi o céu sobre nós — o que era uma tristeza para uma adoradora de sóis como eu. Eu queria que minha mãe tivesse ido para a Califórnia assim eu poderia ficar com ela e com o sol. Ao mesmo tempo, eu sentia falta do nosso apartamento pequeno e alto, sentia falta do clima calmo que Seattle me envolvia. Sentia falta de tudo. Desde clima até — a amizade de — Edward Cullen.

— Qual é a sua aula depois dessa? — Ele perguntou quando parou em frente ao prédio.

Edward se encostou casualmente a parede com a pose de modelo a qual ele tinha adquirido recentemente. Eu me perguntava apenas como ele havia ficado tão bonito em tão pouco tempo. Perguntei-me também como o maxilar dele tinha se acentuado tanto… ele estava tão bonito que eu quase entendia o porquê de Chelsea ter um ciúme tão grande dele. Ela tinha razão em querer monopolizá-lo.

— História.

— Nos vemos por lá. — Ele sorriu.

Perguntei-me se era ironia do destino que quase todas as aulas de Edward estivessem coincidindo com a minha.

O dia se passou incrivelmente normal. Os outros professores, eu descobri depois de conhecê-los, eram melhores que o Sr. Tanner, mais simpáticos e discretos. Nenhum deles me fez nenhuma pergunta ou agiu com azedume para o meu lado, graças aos céus. Meu dia não estava sendo particularmente bom.

Tudo pareceu piorar quando eu arranjei uma mesa sozinha para ficar uma vez que eu não conhecia ninguém. Eu não me incomodava de ficar sozinha, eu iria pegar meus fones e escutar umas músicas enquanto não acabasse o horário de almoço. Edward, assim que entrou no refeitório seguido por alguns jogadores de futebol americano — eu sabia disso pelos coletes idênticos que eles usavam e o porte imponente —, desviou os olhos para mim. Pela primeira vez, eu percebi que Edward também vestia um dos coletes. Isso explicava bastante o porquê de ele estar tão forte…

Ele era um daqueles garotos de filme americano: popular, lindo e jogador de futebol americano com aqueles ombros largos e fortes. Nunca pensei que o Ensino Médio fosse exatamente ao que os filmes retratavam. Eu me surpreendi com quão desatenta eu estava em São Francisco para não notar…

Ele pegou a sua bandeja e caminhou na direção da mesa onde eu estava sentada, praticamente encolhida.

— Ei, cara. — Eu vi um dos amigos jogadores de Edward o chamando.

— Hoje não, John. — Ele disse.

O tal do John pressionou os olhos, descrente e olhou para a direção onde seu querido amigo estava vindo. Para a minha mesa. Desviei os olhos dele rapidamente, intimidada.

— Posso? — Edward perguntou quando parou ao lado de uma cadeira.

Corada até a raiz do cabelo, assenti.

Só quando desviei os olhos de sua figura, percebi que metade do refeitório estava nos encarando com expressões que passavam de incredulidade para raiva. A outra metade que não olhava estava sendo chamada para olhar.

Notas finais
Se alguéeeeem quiser me mandar, sabe, opiniões sobre esses capítulos de Bella eu aceitarei, viu? Porque tipo... esses capítulos narrados pela Bella são um tipo de "flashback" sobre o Ensino Médio e o tempo em que Edward estava lá em Seattle junto com ela. Então se quiserem me mandar sugestões sobre o que escrever nesses capítulos eu aceito de muito bom grado! Venho postar em breve, suas lindas! Obrigadaaa por estarem comentando! Fantasminhas, comentem, hein? A opinião de meus leitores é muito importante pra mim!