She'd Fly
4 Capítulo 03 — Lucidez e tolice.
Notas iniciais
Janeiro de 2013.
Edward.
Isabella Swan parecia incrivelmente lúcida enquanto estava no meu carro. A não ser pela camisa de força que prendia seus braços, ela poderia apenas estar pegando uma carona comigo de tão sereno que seu rosto estava nas várias vezes que eu virei para olhar-lhe. Ela estava olhando — ou admirando, eu não sabia bem — as luzes da Califórnia, seus olhos tremulando vez ou outra. Ela estava lutando contra o sono.
Eu não sabia bem o que pensar, fazer ou até mesmo falar. Fazia tempo que eu não lidava com situações tão constrangedoras como essas. E eu nunca fui uma boa pessoa em consolar alguém ou acalmar. E se Isabella tivesse uma crise histérica? O que eu falaria? Com todas essas indagações, percebi que o ato de levá-la para minha casa era irracional. Eu não estava preparado para abrigar um visitante. Não estava preparado para lidar com ela.
Eu não podia lidar com ela.
No dia seguinte, eu a levaria de volta para o apartamento de sua tia. Seria mais fácil para todos nós. Ela teria um apoio de um familiar disposto a ajudá-la e eu teria… paz. Eu não me preocuparia em ter precauções que normalmente não teria. A coisa toda era: eu não seria incomodado. Era isso, francamente.
Eu deveria tomar vergonha na cara. Deveria parar de ser um filho da puta como estava sendo nos últimos dias. Eu conhecia Isabella desde sempre, desde que me conhecia por gente, ela sempre esteve lá. Sendo assim, eu deveria ajudá-la e ser mais complacente com a situação em que ela se meteu.
Mas o que eu poderia fazer? Forçar-me a ficar com ela era que não tinha condições.
— Como anda Alice? — Ela perguntou.
A voz dela era lúcida e exatamente como eu antes me lembrava. Nada tinha mudado. Não tinha nenhum tom agudo a mais ou a menos. Estava a mesma coisa — a percepção me chocou mais do que deveria.
— Alice? — Franzi meu cenho.
Tinha várias cartas nunca abertas dela em uma gaveta do meu armário. Eu nunca diria isso para Isabella.
— Eu não sei sobre Alice. — Eu não sabia porque não queria saber. — Perdemos contato depois que ela foi para França.
Ela balançou o rosto em afirmação, discretamente.
— Para onde você está me levando? — Isabella perguntou de novo. Eu queria que ela parasse de falar e de perguntar coisas. Urgentemente.
— Para a minha casa.
— Sua casa? — Ela estava incrédula. — Eu não queria incomodar.
Ela sempre falava aquilo. Eu sabia muito bem, no entanto não pude me evitar pensar, asperamente: Se você não quisesse incomodar, você não teria tentado se jogar da porra de um prédio.
— Deixe-me aqui. Eu me viro.
Tudo bem, pode sair do carro agora.
— Não seja ridícula, Isabella.
— Não me chame de Isabella. — Ela pediu. Ou mandou. A voz dela estivera sussurrante demais para eu perceber a entonação necessária para chegar a alguma merda de conclusão. De qualquer jeito, não me importava. Não faria o que ela havia me pedido. Eu a chamava como eu quisesse.
Eu não falei nada, então, com a raiva ardendo em seus olhos — eu podia perceber —, Isabella me olhou por alguns segundos. Como eu estava acostumado a fazer, não retribuí ao seu olhar cortante. Deixei que ela pensasse que as pessoas passando na faixa de pedestres fossem mais interessantes do que ela e seu olhar o qual estava ressentido — eu podia ver isso pelos cantos de meus olhos.
Eu estava a olhando como covardes faziam. Eu era um covarde de primeira quando as coisas eram sobre Isabella Swan.
Tive de pegar-lhe nos braços para tirá-la do carro uma vez que suas pernas não pareciam equilibradas por causa de seus braços totalmente imóveis. Contrariando a antipatia cuja eu sentia pela garota que eu levava nos braços, eu disse a mim mesmo que iria tomar providências para que aquela clínica estivesse fechada o mais rápido possível. Era o certo a se fazer.
— Eu tenho um quarto sobrando, você pode ficar nele. Se quiser.
Ela fechou os olhos. Inspirou profundamente pelo nariz.
— Eu não quero.
— Amanhã eu te levo para o seu apartamento. — Eu a disse.
Eu a havia dado escolhas na minha fala anterior e tirado nessa.
Os lábios dela continuavam presos entre os dentes, deixando-os avermelhados quando eu virei meu rosto para olhá-la mais uma vez. E, claro, os olhos dela estavam fechados. Não hesitante como se esperasse um beijo. Estavam fechados como se ela estivesse frustrada e estivesse tentando esconder tal sentimento. Eu não sabia… não conseguia mais decodificar os pensamentos de Isabella Swan e até cheguei a pensar, amargamente, que eu não o conseguia fazer quando mais precisava.
Deixei-a sentada no sofá enquanto ia buscar na cozinha uma tesoura para cortar o pano da camisa. Foi a vez dela de me ignorar, Isabella não me olhou ou desviou os olhos brevemente na minha direção enquanto eu cortava a camisa de força o suficiente para que seus braços estivessem livres. E eu chequei se ela estava me olhando várias vezes. Ela não estava, em nenhum momento.
— Você está com fome? Precisa de algo? — Perguntei com o máximo de gentileza que consegui. Se eu havia arrumado o problema, eu que cuidasse dele. Minha mãe sempre me falava isso.
— Preciso tomar banho. — Sussurrou ela.
Seus olhos vagaram pela janela, pela televisão e pelo carpete. Era uma represália por eu ter a ignorado no trânsito. Isabella sempre foi disso.
— Isabella, olhe para mim. — Eu pedi, pairando acima dela depois de deixar a tesoura dentro da gaveta do armário, abaixo da madeira solta. Assim como as facas e objetos perfurantes. Só por precaução.
— Não me chame de Isabella, inferno! — Exclamou ela.
— É o seu nome. — Seus olhos dispararam para os meus assim que ela me olhou.
— Sim, mas você sabe, a não ser que tenha passado por uma amnésia, que eu não gosto que me chame assim. Sou Bella. Sempre fui. — Seus olhos começaram a marejar, então ela os desviou para a entrada da cozinha.
Eu suspirei.
— Vou arranjar roupas para você.
Tanya de vez em quando esquecia umas calças jeans e umas blusas aqui em minha casa. De propósito, eu sabia, mas pouco me importava. Eu jogava as roupas esquecidas dentro do guarda-roupa e ficava por lá até ela choramingar que havia gastado todas as suas roupas limpas. Então ela recorria ao depósito que tinha aqui. Tanya vestia 36, eu soube disso naquele momento. Bella antes vestia 38, sabia disso porque eu havia namorado ela por três anos. Sabia praticamente tudo dela.
De qualquer jeito, quando ela saiu do banheiro com os cabelos molhados, a calça 36 de Tanya parecia encaixar-se perfeitamente nas coxas dela. Eu bem me lembrava da adoração que eu nutria por elas… gostava de passar as mãos e fazê-la estremecer. Eu lembrava que eu não conseguia fechar minha mão ao redor de uma coxa sua. Mas, naquele momento, parecia incrivelmente fácil fechar minha mão completamente. Ela havia emagrecido tanto…
Quando eu subi meus olhos, após ser pego no flagra, percebi que ela também estava sem sutiã. E seus seios permaneciam os mesmo, por mais incrível que pudesse me parecer. Não consegui não me demorar naquela parte. Só desviei meus olhos, brevemente constrangido, quando ela saiu de minha frente e cruzou os braços na frente do peito.
Isso me fez lembrar de que eu não a havia cedido nenhum sutiã para vestir. E ela estava sem nenhum por baixo da blusa que vestia antes. Tendo consciência disso, respirei fundo e disse a mim mesmo que em breve ela não estaria aqui e tudo ficaria em sua perfeita ordem mais uma vez. Sem Isabella Swan. Eu não teria mais nada para me preocupar, nenhuma criança crescida para cuidar.
— Você quer algo para comer?
— Não.
Eu ergui as sobrancelhas ao desviar meus olhos para ela.
— Quando foi a última vez que você comeu algo?
— Não interessa a você.
Suspirei pesadamente. Eu não podia forçá-la a comer, no entanto, pelo estado físico, ela parecia que morreria de desnutrição daqui a algumas horas. Tudo bem, talvez eu estivesse exagerando um pouco sobre a condição dela, mas eu estava acostumado com a Isabella que eu conhecia antes: saudável e sorridente. Na verdade, acho que o fato era que eu estava acostumado com os sorrisos fáceis dela.
A garota que zanzava pela minha sala não sorria. Não tinha um pingo de vida nela. Ela era zumbi sem os machucados grotescos… a não ser por uma linha vertical de mais de três centímetros que tinha em seu pulso direito.
— Você vai me falar o que aconteceu? — Eu perguntei, sem poder me conter.
— Não. — Ela se encostou à bancada da cozinha, casualmente.
Antes de me retirar para tomar banho, tirei do alcance de Isabella todo e qualquer objeto que ela pudesse usar para se suicidar. Eu estava pouco me importando se ela queria se matar ou não, ela o faria de um jeito ou outro, mas eu realmente não gostaria de sair do banho e encontrar um corpo na minha sala de estar. E, além do mais, eu estava cansado demais para sair de casa mais uma vez naquela noite.
É claro que ela percebeu a minha intenção, mesmo eu não a tendo visto virando o rosto para me olhar. Mesmo estando há quatro anos longe dela, eu ainda a conhecia minimamente. Pude perceber o desprezo em seu olhar quando eu, enfim, terminei.
— Você é um tolo. — Murmurou ela. — Sempre foi.
Desviei os olhos e inspirei profundamente.
— E você é tudo menos lúcida. — Rebati alto o bastante para que ela escutasse.
Isabella ergueu as sobrancelhas. Eu nunca soube muito bem o que o tempo havia feito com ela.
Tomar banho foi… relaxante. Eu não queria sair de dentro do boxe e me deparar com uma Isabella sombria em minha sala, não queria me deparar com ela nunca mais, se fosse possível. E ao mesmo tempo, indagava-me como ela ficaria se eu apenas a deixasse por conta própria. Eu sabia que ela se mataria. Sabia e queria impedir. Contrariamente, eu queria apenas voltar à despreocupação anterior.
Eu sempre tive sentimentos contrários direcionados a Isabella. Em uma hora, eu pensava que poderia explodir de amor por ela, e na outra, de ódio pela sua estupidez. Claro que, com a minha mente apaixonada e rendida a ela, esses sentimentos odiosos logo saíam de minha mente porque era eu o culpado. Nunca ela. Eu era um tolo apaixonado. Sempre fui.
Em dias normais, eu vestiria uma cueca qualquer e zanzaria pela casa sem me preocupar com nada. Em dias anormais, eu vestiria uma camisa e uma bermuda. Estávamos em um dia malditamente anormal. E eu não estava bem sobre isso.
— Você não deveria ligar para a sua tia? — Perguntei.
— Deixe que ela se preocupe um pouco mais. — Isabella deu de ombros. — Uma punição por me colocar naquela clínica terrível.
Ela sempre foi cruel.
Coloquei o ar para dentro de meus pulmões com força, raivosamente e me encaminhei para a cozinha. Se eu fosse uma boa pessoa, teria me certificado que Isabella não estava com fome. Não fiz isso porque estava roendo-me de raiva dela e se proferisse algumas palavras a ela, estas seriam de xingamento por ela ser… daquele jeito. Se Isabella continuasse a mesma pessoa de antes, tudo seria muito mais fácil.
Mas, aí eu me dei conta de que a Isabella de antes sequer estaria tentando se suicidar. A Isabella de antes… eu sentia falta dela. Não diria de novo.
Esquentei o frango que Tanya havia me feito ontem. Parecia que havia se passado mil anos. Comi enquanto dividia olhares entre Isabella e o meu prato — que era mais interessante já que a garota decidiu ficar sentada no terraço por todo o meu jantar. Se eu não fosse atento, diria que ela não se mexera durante os quinze minutos que eu passara sentado à mesa. Mas ela se mexera, descruzara as pernas, os braços… respirara, movera o rosto. Com o movimento do rosto, seu cabelo deslizou para os seus ombros, deixando à amostra a tatuagem de âncora em sua nuca.
A âncora significava manter os pés no chão e ela amara o significado porque era simplesmente a sua cara. E era mesmo. Antes. A Isabella que estava em meu terraço só queria alcançar o chão se fosse se jogando de um prédio. Ela queria alcançar o chão e explodir sua cabeça em mil pedaços vermelhos. Ela queria ser parte do chão, fundir-se a ele.
Não consegui dormir naquela noite. Por causa de Isabella, eu não tinha nem mesmo a discrição de negar tal fato. Passei boa parte da madrugada zanzando pela casa, vendo se não tinha nenhuma faca faltando, se eu não tinha esquecido nenhuma arma em cima do sofá. Se eu escutava algum barulho estranho do quarto onde ela estava. Não vinha nenhum barulho a não ser os fungados baixos que ela soltava. Eu a conhecia. Ela estava chorando.
Mas, quando ela falou comigo, sua voz estava composta. Sem nenhum sinal de fraqueza.
— Vá embora, Edward! — Ela gritou de dentro do quarto.
— Eu estou em minha casa. — Murmurei a ela. Não estava com humor ou animação para brigar.
— Então eu vou embora!
— Se você levantar dessa cama, eu juro que lhe arrasto de novo para aquela clínica e você vai apodrecer na porra do porão. — Ameacei, ainda fora do quarto. — Está me entendendo, Isabella?
Poderia ser uma cena cômica para quem não pudesse captar a acidez das palavras que soltamos.
— Só… — E então, finalmente, a voz dela se partiu. — Saia da porta.
Foi o que eu fiz, sem hesitar ou retrucar nada mais. Isabella sabia a porra que estava fazendo consigo mesma, não precisava de ninguém a vigiando. Ela sempre foi extremamente autossuficiente. Nunca precisou de ninguém. Não precisaria daquela vez: ela conseguiria se matar sem ajuda.
Eu estava um caco no outro dia por não ter conseguido dormir mais de dez minutos naquela maldita noite — minha folga! Estava decidido que Isabella não continuaria mais na minha casa, eu precisava dormir direito no outro dia, precisava de privacidade, precisava de coisas que seriam impossíveis com uma suicida em potencial no mesmo espaço que eu.
Ela também não comeu nada no café da manhã. Eu já sabia qual era o seu plano: morrer de inanição. Aos poucos.
Estúpida, estúpida, estúpida!
— Isabella, coma algo.
Ela não me respondeu, apenas virou o rosto obscuro para o outro lado. Já era de noite e ela continuava no maldito terraço. Sem comer. Afora a madrugada, eu não escutei a voz dela naquele dia.
Foi mais fácil dormir naquela noite. O cansaço acumulado da noite passada e o cansaço que Isabella me infligia facilitaram o processo, então eu pouco me importei se, no quarto ao lado, Isabella estava se matando ou chorando até desidratar. Eu não queria ajudar. Ela não queria. Eu não podia. Sendo assim, eu não gastaria meus esforços por uma coisa que eu sabia que não teria resultado algum.
Ela ainda estava dormindo quando eu abri a porta — sem chave para não ter a possibilidade de trancá-la, claro — para ver se ela ainda estava viva. Estava. Bella costumava dormir de bruços, com o rosto virado. Isabella, naquele momento, estava dormindo praticamente agarrada as suas pernas, encolhida no canto da cama. Bem perto da parede. Eu não a conhecia. Nunca o fiz.
Ou aquela garota adormecida não era Bella. Ela era outra pessoa. Eu estava quase convencido daquilo.
“Eu volto às cinco e meia. Tente ligar para a sua tia. Não faça nenhuma besteira dentro de minha casa. Coma. Edward Cullen.” Eu escrevi em um papel que deixei pregado por dentro da porta de seu quarto.
— E aí, cara! — Williams me parou assim que eu passei pela porta de entrada.
— E aí. — Cumprimentei.
— Sua garota está aqui. — Ele disse.
Williams era… extremamente inconveniente. Conhecíamo-nos desde o Ensino Médio, ele fazia parte do time de futebol americano e viemos para a Califórnia na mesma época. Ao contrário de mim, ele era um policial normal que prezava pela segurança de São Francisco, porém eu ainda tinha para mim que ele se sentia desconfortável por eu estar nas Operações Especiais e ele, não. Williams fora feito para estar acima de todos. O cabelo aloirado, o nariz empinado e o jeito dele demonstrava isso.
E ele fazia questão de ser arrogante. Mas o que eu poderia fazer e falar sem ser hipócrita? Eu era um filho da puta e ele era arrogante. Já estávamos acostumados.
— Que garota? — Eu perguntei, franzindo o cenho.
— Tanya. — Ele sussurrou.
Seus olhos azuis desviaram-se para o lado, como se estivesse indicando uma posição.
Com um incrível oportunismo, passamos pela sala onde ela estava. O cabelo dela estava preso em um coque que deixava algumas mechas soltas pelo seu rosto. Estava linda, é claro. Quando ela não estava? Linda e desatenta. Tanya teria levantado uma mão para acenar para mim se seu marido, o Tenente, não estivesse brevemente atento a ela. Ela apenas piscou com um olho, sorrindo com malícia quando teve oportunidade.
Afastei os olhos.
— Ela deve ser um furacão na cama. — Refletiu ele.
Revirei meus olhos com impaciência. Apertei o botão que chamava o elevador e o dispensava de uma vez por todas.
— Você está muito estressado, Edward. Tem algo a ver com Isabella? — Ele perguntou.
— Como você…? — Virei-me em sua direção asperamente demais.
— Soube alguns meses atrás que ela não estava muito bem, depois soube da tentativa de suicídio e que foi você quem a salvou. Sabe como é, as notícias correm. — Williams deu de ombros despreocupadamente. — E eu sempre soube que você… sabe, gostava muito dela antes. Presumi que isso estivesse te preocupando.
— Seja menos absurdo.
— Onde ela está, Edward? — A voz dele endureceu. Como se estivesse exigindo saber, eu quis socar a sua cara por tal coisa. — Eu não acredito que você está se deixando desviar do seu objetivo principal!
— Vá se ferrar, John. — Eu precisava socar ele. Até aquele rosto ridículo estar deformado.
— É Williams, porra. Você sempre soube que Isabella nunca foi para o seu bico. Não foi no Ensino Médio e não é agora! Ela enlouqueceu completamente, está tentando se suicidar… provavelmente vai morrer com alguma droga de veneno.
— Você só deveria calar a porra da sua boca! — Eu disse, exasperado.
John esbugalhou os olhos. Eu normalmente era mais paciente com ele e com todo mundo — e era culpa de Isabella que eu estivesse tão estressado —, no entanto ele tentou manter a dignidade ao andar para longe de mim quando o elevador, oportunista, finalmente chegou. E eu ainda achava que ele poderia aumentar a sua dignidade retrucando algo, então eu poderia socar a cara dele com alguma desculpa. Como eu queria. Já fazia um tempo.
— Você viu que o Tenente Foxyn está aqui? — Emmett perguntou quando eu cheguei ao décimo segundo andar.
Eu assenti, tediosamente.
— E Isabella?
Eu queria dar de ombros, indiferente, dizer que não sabia onde aquela infeliz estava, mas infelizmente eu sabia, sim, onde ela estava. Estava na minha casa. E era provável que estivesse morrendo de inanição aos poucos em cima da cama de casal do quarto de visitas… provavelmente estava fazendo alguma besteira como cortar os pulsos com as malditas giletes que eu havia me esquecido de esconder.
Droga, droga, droga! Seria ótimo chegar a minha casa e descobrir o corpo de Isabella Swan. Eu já até podia imaginar a cena.
— A levei para minha casa. — Eu falei a ele. Emmett ergueu as sobrancelhas, incrédulo. — Pois é, eu me arrependi na primeira hora que ela passou lá.
— Por quê?
— Ela enlouqueceu completamente, Emmett. Não come nada, chora de noite, mal fala comigo. — Citei. — Parece um zumbi. Não sei o que fazer, acho que vou levá-la de volta a clínica em que ela estava ou para o apartamento de sua tia.
— O mesmo apartamento em que ela tentou se matar? — Emmett indagou em um tom que claramente duvidava da minha capacidade mental. — Você perdeu a mente, Edward? Pessoas suicidas não podem… viver em prédios em que possam ser tentados a se matar.
— E o que você quer que eu faça? Já fiz demais a tirando daquela clínica.
— Em que ela vai ser posta novamente caso você a leve para casa da tia dela.
Eu suspirei pesadamente. Não tinha pensado por esse lado.
Minha mente se revirou em busca de soluções racionais para esses problemas que Emmett agora estava expondo. Não tinha solução alguma. Eu, pelo menos, não conseguia ver nenhuma. Mas eu ainda mantinha a esperança de que, em breve, eu encontraria uma saída boa para nós dois. Ou só para mim. Eu só queria me livrar o mais rápido possível do problema que eu mesmo havia ido procurar.
— Eu posso tentar conversar com ela para colocar a sobrinha em um lugar melhor. Só sei que eu não posso continuar com ela em minha casa. Sequer estou dormindo direito!
— Talvez a tia não se importe com isso.
— Eu não sou responsável por Isabella! — Falei, passando a mão por meus cabelos.
— É, você não é. Mas você não acha que ela faria isso por você caso fosse ao contrário?
— Não me dê essas porras de lições de moral. Isso é ridículo. — Murmurei, encolerizado. — E eu não estaria nessa situação deplorável que ela está, eu não tentaria me matar, eu não seria desse jeito!
— Você ao menos sabe o que aconteceu com ela?
— Não, mas…
A partir do momento em que neguei, soube que havia perdido toda e qualquer razão que eu talvez possuísse.
Não tinha nenhuma diferença mesmo, eu compreendi algum tempo depois, quando saí do trabalho e fui correndo de volta para casa. Em minha mente, eu já sabia que Isabella ficaria. Eu havia arranjado o problema, eu que cuidasse e me livrasse dele.
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