She'd Fly

2 Capítulo 01 — Resgate.


Notas iniciais
Então... gente, plmdds, fiquei muito feliz com os comentários que eu recebi no Prólogo! Só não vim postar antes porque não deu tempo mesmo! Vocês são demais e eu estou muito agradecida por terem comentado! Se continuarem assim, postarei antes do ano novo. Prometo! hahah. Obrigada por tooodo o apoio, suas lindas! Espero que os que não comentaram, comentem agora! Adorarei responder e ler todos os reviews.

Janeiro de 2013.

Edward.

— Por que você está com essa cara? — Emmett perguntou quando eu entrei na viatura.

— Não estou com cara nenhuma. — Resmunguei, fechando a porta com mais força do que eu usava.

Ele deu de ombros e não insistiu. Emmett, de vez em quando, sabia quando era a hora de se calar.

Eu ainda estava estarrecido com o que havia acontecido há somente alguns minutos. Parte de mim ainda estava incrédulo, recusando-se a acreditar que Isabella Swan estivera mesmo prestes a se jogar do alto de um prédio. Para se matar. Nada fazia sentido para a mim… Esme havia falado… Uma pessoa não poderia decair tanto em três meses, poderia? E Bella… ela era forte. Eu sabia que ela era.

Reprimi a vontade de saber o que tinha acontecido com ela, reprimi porque eu também era covarde. Eu não queria saber. Definitivamente não queria saber. Aquela garota que estava chorando na beirada de um prédio não era a Isabella que eu conhecia, a minha Bella nunca faria isso consigo própria. Talvez eu tivesse deixado de conhecê-la assim que saí de Seattle, talvez a minha partida tenha sido o estopim…

Era por isso que eu não queria saber. Não queria me sentir culpado caso fosse mesmo aquele motivo. Se possível, me impediria até mesmo de cogitar a probabilidade. Eu deveria deixar de ser um maldito covarde como era, deveria ter olhado para a cara dela assim que desci e a entreguei a mulher que eu descobrira ser sua Tia. Mas eu não tivera coragem. Por quê? Porque eu era um idiota, covarde e frouxo.

Tudo que eu fiz foi virar o meu rosto e passar os dedos por meu cabelo — eu sabia disso porque estava consciente a cada ato que eu fazia, os olhos grandes e azuis de Bella não saíram de mim por todo o tempo em que estive por lá. Ela estava tão diferente… Pelo mínimo minuto que eu a olhei, enquanto descia as escadas, os seus olhos pareciam opacos e baixos. Envergonhados e marejados.

Diferentes até demais do que eu me lembrava.

Eu me perguntava o porquê de ser tudo tão malditamente coincidente. O que Isabella Swan de Seattle estava fazendo em São Francisco? Droga. Ela deveria ter ficado em Seattle, eu estaria muito mais confortável se fosse assim.

Eu até olhei-a mais de uma vez, certificando-me de que era ela. Isabella sempre correspondia ao meu olhar e eu sempre desviava os olhos primeiro, por quê? Por que eu era covarde. Eu não aguentava olhar para ela e perceber o quanto ela estava desgastada. Não aguentava aceitar que tudo tinha mudado tanto em quatro míseros anos. Se eu tivesse ficado as coisas teriam sido diferentes…

Teriam sido melhores.

Seattle também tinha alguns prédios altos. Por que ela tinha de vir para São Francisco para tentar se suicidar?

Além de covarde, eu era egoísta também. E insensível. Mas o que eu poderia fazer? Não conseguia impedir-me de pensar coisas como aquelas. Era involuntário. Eu sabia que era mais cruel do que o normal, porém eu havia deixado de ser uma pessoa decente há muito tempo. Três anos, para ser mais específico. Se é que um dia eu havia sido mesmo.

Quando Isabella se virou para mim, eu pensava que ela se jogaria em meus braços e choraria de soluçar. Tudo que ela fez, no entanto, quando esteve próxima o suficiente, foi estender a mão para tocar o meu ombro. Provavelmente, como as pessoas loucas faziam, para se certificar de que eu tinha mesmo pele e osso. E não era um delírio de sua mente — como ela jurava que era no início.

Eu observei bem a sua reação. Ela não teve nenhuma! Seus olhos permanecerem marejados na mesma quantidade que estava antes, não houve sequer um arfar de surpresa. Mas era claro que eu estranharia. A Isabella que eu conhecia costumava ser bem expressiva quando não estava tentando ser indiferente — coisa que ela só fazia quando estava com muita raiva.

— Edward… — Ela sussurrou quando eu a olhei, pasmo, mais uma vez.

Eu a ignorei. Eu a ignorei.

Eu conseguia até mesmo me lembrar do timbre que a voz dela estivera. Baixo e falho como se ela estivesse sem ar — o que não era uma surpresa para mim uma vez que ela tinha pavor a elevadores e desceu os trinta andares pela escada. E o que mais eu poderia fazer a não ser acompanhá-la? De qualquer jeito, ela usava aquele tom de voz quando queria se desculpar. E eu não entendia. Não entendia nada dessa Isabella Swan.

Quer dizer, o que ela poderia falar? “Edward… desculpe-me por ter tentando me suicidar”. Tudo que eu queria era que ela me garantisse que não iria tentar mais uma vez, e então eu ficaria muito mais tranquilo. E depois ela poderia voltar para Seattle e decidir que detestava São Francisco — assim ela não viria nunca mais.

— Bella — a tia dela chamou-a, segurando em seus ombros com as duas mãos. —, prometa-me que não vai fazer mais isso.

Ela não prometeu nada. E a Isabella de antes costumava ser bem adepta a promessas, ela gostava de ter garantias, gostava do compromisso que uma promessa envolvia somente por existir. Um dia, deitada ao sol no jardim da minha casa, ela havia me falado isso. Eu bufara, é claro, dizendo-lhe que promessas podiam ser quebradas facilmente. Bella apenas falou um “Não as verdadeiras” simplório que não me deu condições de rebater.

— Se continuar assim, eu vou internar você. — Ameaçou suavemente. Eu podia perceber que a tia dela chegara a seu limite e aquela era a sua única alternativa.

— Eu não sou louca para ser internada. — Sussurrou a Isabella de depois.

Eu já achava ao contrário.

— Eu sabia quem ela era. — Emmett admitiu, arrancando-me bruscamente de meus devaneios. — Vi o nome na ficha que me entregaram… Sabia que era a garota de quem tanto você falava quando entrou na Academia. Então, eu pensei: Por que não? E eu não estive errado, na verdade. Você sequer precisou argumentar muito para que ela desistisse de pular.

— Ela não saiu da beirada pelo motivo que você está pensando, ela saiu apenas porque não queria que eu presenciasse o seu suicídio. — Murmurei. Ela era orgulhosa demais para isso.

— Não importa o motivo que ela saiu. O importante é que ela o fez.

— Ela vai se matar depois, Emmett, quando tiver oportunidade…

— Como você consegue falar com tanta calma sobre isso? Ela era a sua namorada, cara. Você a conhecia…

— Exatamente! Conhecia. Não sei mais quem é aquela garota.

Eu deveria estar tão indiferente quanto estivera ao falar sobre Isabella com Emmett, mas eu não pude me impedir de tentar ligar para minha mãe. Eu havia ligado ontem e duas ligações minhas seriam, no mínimo, suspeitas. Eu queria saber tudo que ela sabia sobre o que havia acontecido de tão grave a ponto de Bella se transformar tanto em tão pouco tempo. Estava ansioso por respostas, mas a minha curiosidade não era aquela que você usa para ajudar a pessoa através do seu conhecimento.

Era apenas mera curiosidade.

Não consegui minhas respostas naquele dia, porém. O celular da minha mãe estava desligado e eu não me permitiria deixar uma mensagem. O que eu a falaria? “Oi, mãe. Sei que não ligo duas vezes na semana, mas esse é um caso especial. A garota que a senhora me garantira estar bem tentou se suicidar hoje. E sabe quem foi salvá-la? Isso mesmo: eu. Espero que retorne essa ligação porque eu estou muito curioso com o que aconteceu com ela.”. Eu decerto poderia esperar até semana que vem.

Aquilo era patético. Eu não sabia o que havia acontecido e me sentia quase desesperado por saber, embora não fosse fazer nada de especial pela garota. Eu me sentia patético por estar pensando em Isabella. Eu me sentia patético por não saber o que eu estava sentindo — raiva ou frustração — e por… estar tão pacífico quanto à tentativa de suicídio da garota que eu era plenamente apaixonado.

Talvez eu devesse ir vê-la, falar com ela… como pessoas normais fariam.

Não fui naquele dia, eu estava cansado demais para, depois do banho, ir atrás de uma pessoa que eu sequer sabia onde estava. No outro dia eu iria, estava determinado a ser menos covarde do que fui e falar com ela, perguntar-lhe o que havia acontecido para tal decaída. Talvez, quem sabe, não tivesse sido apenas um… momento? Talvez ela estivesse bem como sempre esteve.

Acordei-me de dez horas da manhã, cedo demais para a hora que eu havia ido dormir, mas ainda assim… eu não consegui dormir por muito mais tempo. O motivo era completamente absurdo: Isabella Swan. Eu ainda estava pensando na garota! Tudo bem, ela não era mais uma garota — ela provavelmente estava com vinte e um anos —, mas sempre seria para mim que a conhecia desde criança. De qualquer jeito, eu continuava pensando em Isabella, indagando-me silenciosamente o que tinha acontecido.

Foi aquela motivação que me fez decidir que eu iria atrás dela. Onde quer que ela estivesse. Depois de comer pão com geleia — meu típico café da manhã de cara solteiro —, peguei as chaves de meu carro e a minha carteira, enfiando tudo dentro do bolso de minha calça jeans. A porta mal estava aberta quando percebi a o cabelo loiro de Tanya jogando-se para cima de mim, apertando os braços ao redor de meu pescoço antes mesmo que eu tivesse oportunidade de raciocinar.

— Ah, Edward — Ela sussurrou com a típica voz chorosa que ela utilizava quando estava fazendo drama. — Eu senti sua falta. Por que você não me abraça de volta? — Afastou-se para olhar em meus olhos. — É por que eu desapareci por duas semanas inteiras? É por isso? — Eu poderia jurar que os olhos dela estavam marejados mesmo enquanto falava comigo.

— Tanya…

— Me desculpe! Por favor, você sabe como…

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei.

Ela juntou os lábios vermelhos pintados de algum batom que ela passara antes de sair de casa.

— Senti sua falta. — Ela disparou depois do breve momento de hesitação. — Senti sua falta e preciso de você. Essas duas semanas foram infernais, você nem imagina.

Tanya tinha vinte anos, uma adolescente praticamente. Eu sabia. Ela também era linda, isso era óbvio até para quem a visse de longe e por breves milésimos de segundo. Foi isso que aconteceu comigo. Eu a vi na delegacia de relance há dois meses e meu rosto rapidamente voltou-se para a figura dela mais uma vez e mais outra. Até que ela também estava me encarando. A atração foi instantânea, é claro.

Ela tinha longos cabelos loiros e olhos azuis pálidos que estavam sempre no meu rosto, a espera de uma resposta.

— Edward… — Ela choramingou. — Eu passei duas semanas longe de você e tudo que você faz é me perguntar o que eu estou fazendo aqui! Se for um problema eu estar aqui, eu vou embora agora mesmo…

— Você sabe que é…

— Esqueça isso por alguns dias, Edward. — Ela também parecia ter uma fixação pelo meu nome, falando-o toda vez que tinha a oportunidade. — Eu preciso de você. Está entendendo o que eu quero dizer?

Tanya não me deixava completar nada do que eu queria e tinha a intenção de falar. Ela não costumava ser muito paciente e foi pela a sua impaciência que ela ergueu-se nas pontas dos pés e puxou a minha nuca para baixo a fim de que minha boca estivesse na sua. Ela também não costumava ser muito calma porque foi logo, mesmo nós estando parcialmente à vista de outras pessoas, enfiando a mão dentro de minha calça.

E o que eu poderia fazer a não ser retribuir? As duas semanas que ela passara longe foram terríveis porque eu queria me enfiar dentro de alguém e não podia — ou não conhecia mulheres que fossem para a cama com um telefonema pervertido do tipo: “Oi, você não me vê faz uns mil anos, mas eu estou muito a fim de transar e seria ótimo se você fosse minha parceira”. Fim de telefonema. Eu provavelmente seria acusado de assédio sexual por estar desesperado por sexo.

Mas nada importava mais agora. Tanya estava aqui e parecia tão desesperada quanto eu para mais um de nossos dias gastos completamente na cama. E parecia melhor do que era, na verdade. Em um dos sussurros arfantes que ela foi capaz de dar, Tanya falou que tinha uma semana inteira para ficar comigo. Uma semana inteira, ela destacou, enquanto puxava a minha camisa escura de qualquer jeito para cima.

E àquela altura eu já tinha me esquecido do porquê de eu estar indo sair quando ela chegou. Quem se importava, afinal? Ferre-se. Eu não iria sair de casa até estar plenamente satisfeito — o que demoraria muito.

— Há algum problema? — Tanya perguntou enquanto enroscava a sua perna na minha.

— De quê? — Perguntei, distraído.

— Edward! — Ela exclamou. — Por que você está tão aéreo enquanto fala comigo? Durante o sexo você sequer estava aqui!

— Não, não há nenhum problema. — Murmurei, respondendo a sua pergunta anterior.

Eu não pensava em Isabella até então. Eu estava até poucos minutos atrás não pensando em nada coerente. Por que eu estaria aéreo? — Perguntei-me quando Tanya sugeriu. Eu não tinha nenhum motivo para estar aéreo a não ser… Isabella — o pensamento foi um tipo de baque mental. Como eu pude esquecer-me dela por um dia inteiro? Eu sabia que tinha motivos bastante sólidos, no entanto era chocante o quanto eu poderia abstrair-me do fato de que ela tentara se suicidar ontem.

Eu sabia que não estava normal. O Edward de antes nunca seria tão indiferente a isso quanto eu estava.

— Você não vai me responder? — A voz dela foi baixa, o seu famoso choramingo manhoso.

— Eu não estou aéreo, Tanya.

— Sei que não tenho o direito de te exigir nada — Ela disse baixinho. —, mas se tiver alguma outra mulher… digo, se estiver transando com outra mulher, me diga. Eu quero saber. É mais reconfortante.

Ela esperou, olhando-me por todo o longo minuto em que o fez. Sendo assim, neguei com o rosto.

— E então? — Pressionou.

— E então o quê? — Perguntei.

— É sobre isso que eu estou falando! Você não está sequer prestando atenção no que eu estou falando. É uma mulher, não é?

Isabella não era uma mulher, era uma garota. E eu não estava transando com ela.

— Então por que você está tão aéreo? — Ela indagou mais uma vez. Aquela maldita insistência estava começando a me dar nos nervos. — Diga-me. — Tanya deslizou um dedo por meu peito em uma carícia íntima até demais.

— Pare de agir como se o que tivéssemos fosse a porra de um relacionamento sério. — Eu disse mais áspero do que deveria, afinal, ela era o lugar onde eu me afundava. Eu precisava de Tanya disponível para mim. — Você é casada se não se esqueceu!

Ela me olhou com os olhos azuis pressionados e marejados — Tanya também chorava com uma facilidade irritante —, levantando-se da cama em um rompante e saindo do quarto onde eu estava, batendo a porra da porta com mais força do que fazia se não estivesse com raiva. Ela odiava que eu lhe passasse na cara o fato de ela ser uma mulher casada, mas aquilo nada mais era do que uma verdade que ninguém podia contestar.

Era um pedaço de papel oficial que tinha a assinatura dela e do marido e um pedaço de metal também com uma safira que ficava no seu dedo anelar da mão esquerda. Tanya tirava esse anel quando vinha se encontrar comigo, como se aquela sua atitude fosse melhorar ou abstrair alguma coisa. Não melhorava nem abstraía, porém eu realmente não me importava sobre isso.

Tanya também não ficava por muito tempo com raiva de mim, eu nunca tinha de me preocupar em ir atrás dela ou implorar por perdão. Ela era fácil como respirar. Não era uma coisa ruim na situação em que estávamos. Eu contei exatos trinta minutos para vê-la abrindo a porta do meu quarto com cautela e se agarrando a mim na cama. A parte ruim de tê-la disponível para mim por uma semana inteira era que Tanya, por sua pouca idade, era grudenta ao extremo.

— Me perdoe. — Ela pediu.

Eu apenas assenti.

No outro dia eu tinha de ir para o trabalho, por isso deixei uma Tanya adormecida e nua deitada na minha cama com a certeza de que ela estaria lá quando eu chegasse. Se eu quisesse sexo, ela estaria lá para saciar as minhas vontades porque ela era tão disposta quanto eu nesse quesito. E, embora eu achasse que ela nutrisse sentimentos por mim, sempre deixei claro a ela que não era uma coisa recíproca.

Era somente atração e sexo.

— Quer que eu faça café da manhã para você? — Tanya perguntou quando eu entrei no quarto já com a farda.

— Já comi.

— Eu já te disse o quão bonito você fica com esse coldre na cintura?

Ela se levantou da cama e andou preguiçosamente na minha direção com os braços abertos como se estivesse há muito tempo carente por um abraço. Ela os envolveu ao redor de meu pescoço e beijou carinhosamente o meu peito.

— Eu tenho de ir, Tanya. — Disse com desconforto, afastando-a com o máximo de delicadeza que consegui.

Eu não podia criar laços afetivos com Tanya — o que não me era tão difícil assim, era demasiadamente fácil —, mas ela parecia decidida a criá-los comigo. Ela parecia não perceber que todo o relacionamento que tínhamos — se era válido — era consistido no sexo e só. Nada mais que isso. Eu tinha quase certeza de que em sua mente ela pensava “fazer amor” em vez de “transar”. Aliás, quem diabos fazia amor? Fazer amor… fazer amor. Era incoerente.

Não tinha sentido nenhum. Eu não conseguia entender de onde essa definição para sexo havia surgido.

— De que horas você volta? — Perguntou.

— Sete ou seis.

Emmett chegou ao mesmo tempo em que eu, estacionando o seu carro ao lado do meu e descendo com o que ele dizia ser “ar sexy”. Ele tirou os óculos escuros antes de falar comigo. Por incrível que parecesse, ele não tinha o sorriso petulante que sempre estava em seu rosto quando chegávamos ao mesmo. Ele sempre dizia: “Está me seguindo, Cullen?” e eu revirava os olhos com incredulidade.

Ele estava sério, na verdade. Mais sério do que nunca esteve.

— Você sabe de Isabella? — Emmett perguntou.

Isabella!

— Não. — Até então eu tinha me esquecido de sua existência.

— Cara, o que está acontecendo com você? Faz uns dois meses que você anda estranho…

— É impressão sua.

— E Isabella? Você sequer procurou saber?

— Não tive tempo para isso. — Respondi asperamente. Falar sobre ela era tão desgastante! — Não quero falar sobre Isabella, Emmett. Como eu disse antes, não a conheço mais.

— Edward! — Ele me repreendeu. — Claro que você a conhece…

— O que é agora, porra? — Virei-me exasperadamente na direção dele. — Você virou defensor de uma pessoa que você nem conhece?

— Virei, porque você está agindo como um idiota! — Ele elevou a voz assim como eu fiz.

— Vá se ferrar, Emmett.

Emmett era um cara legal na maioria das vezes, viramos amigos assim que entrei na Academia de Policia em São Francisco porque ele também havia deixado uma garota na cidade de onde ele veio, Salt Lake City. Rosalie era loira e linda, segundo a descrição detalhada que me foi dada. Rosalie viria para a Califórnia quando terminasse o Ensino Médio uma vez que ele era um ano mais velho que ela. E veio. Agora eles estão casados e tudo está bem.

Eu me lembro de que, na época, eu senti inveja dele por poder ficar com a garota que queria sem muitos problemas. Era tudo tão mais fácil para todas as pessoas… sem ser eu. Cheguei até a cogitar, com a minha mente infantil de dezoito anos, que era um tipo de maldição eu ter de ficar longe de Bella.

Mas não era maldição nenhuma, era apenas o destino. E sua mãe, Renée Swan, que se recusou a mudar-se de estado junto com a filha. E é claro que Bella sequer cogitaria escolher algo.

Afora todos os acontecimentos, a semana se passou normalmente. Eu já havia decidido que iria atrás de Isabella quando… estivesse com vontade — o que eu duvidava acontecer. Mas aconteceu. Uma vontade agoniante e que você não pode ao menos pensar em negar-se. Assim que, na segunda-feira seguinte, Tanya foi embora para a sua casa, eu me peguei pensando em Isabella mais uma vez. Perguntei-me se ela já havia melhorado… se havia se matado. Apesar de não ser claro para mim, eu preferia cogitar a primeira opção.

Como eu estava dizendo antes, a vontade foi tão impetuosa que, depois de chegar do trabalho, fui direto a sua procura mesmo sem saber onde achá-la. Eu precisava, ao menos, saber que eu tinha tentando, afinal de contas. Só para me sentir um pouco menos egoísta do que estava sendo ultimamente.

Depois de conseguir o número do apartamento da tia de Isabella, fui lá. Ela saberia onde sua sobrinha estava, não era? Eu esperava, de verdade, que sim.

— Oi. — Eu disse desconfortavelmente quando ela abriu a porta para mim.

— Oi, Policial Edward. — Cumprimentou formalmente.

— Me chame de Edward. — Pedi.

Ela assentiu.

— Vim aqui para saber sobre Isabella. — Continuei, passando os dedos por meu cabelo, o puxando para trás com força. Eu estava me sentindo tão estúpido! — Ela está?

— A Bella? — Ela franziu o cenho e puxou o seu cabelo loiro para o ombro. — Ah… a Bella não está aqui. Eu a internei numa clínica de reabilitação. — Seus olhos claros pareciam culpados quando ela os abaixou para seus pés.

— Onde?

— Por que você está tão interessado na minha garota? — Ela perguntou.

— Eu… — Hesitei, fechando meus olhos com impaciência enquanto franzia o cenho. Eu o quê, seu merda? — Eu a conheci antes… éramos amigos quando eu ainda morava em Seattle.

— Edward. — Ela ponderou, o cenho franzido. — Seu sobrenome não seria Cullen, seria?

Meu silêncio foi a resposta certa e culpada para ela.

— Vá consertar a merda que você fez com a garota. — A expressão dela se tornou raivosa e magoada. Como se a “merda” que eu fiz tivesse sido com ela.

Eu fui porque acreditei de verdade que era culpado pela depressão (essa seria a palavra correta para usar? Eu não sabia) de Isabella, fui porque estava querendo me desculpar — eu deveria? — com a garota internada, fui porque queria vê-la, constatar esperançosamente uma melhora nela. Eu não precisava de mais nada para me sentir culpado. Queria tirá-la da lista de coisas sobre as quais eu me sentia culpado.

Apenas isso. Eu não tinha nenhuma intenção a mais, juro.

— Não estamos em horário de visita, sinto muito, senhor. — A atendente ruiva disse, parecendo nervosa.

De onde eu estava, eu podia escutar gritos desesperados. Ergui as sobrancelhas, incrédulo.

A clínica onde Isabella estava internada tinha uma aparência boa, decente e limpa, passava segurança para quem não escutasse os gritos que eu escutava. E, tudo bem, eu sabia que era uma clínica psiquiátrica, mas nenhum ser humano seria capaz de soltar gritos tão altos por vontade própria.

— Eu vou entrar. — A disse. — Se eu não o fizer, juro que denuncio essa porcaria por maus-tratos assim que sair daqui.

Ela engoliu em seco.

— Qual é o número do quarto de Isabella Swan? — A perguntei.

— Eu vou chamar os seguranças.

— Acredite — Eu sorri com escárnio, inclinando-me sobre o balcão. Ela desviou os olhos para a minha farda —, você não vai querer envolvê-los nisso, vai?

A ruiva suspirou.

— Ela não está em um quarto. — Sussurrou.

— Fale alto!

— Ela não está em um quarto. Isabella foi punida por desobediência, então está no… — Ela hesitou. — porão.

A primeira coisa que eu percebi quando abri a porta do porão era que aquele maldito lugar tinha cheiro de infiltração e era escuro. A Isabella de antes costumava ter medo de porões, eu sabia disso porque ela passara um dia todo chorando quando eu a prendi no porão de brincadeira. Eu não tinha a intenção de machucá-la, só era uma brincadeira que crianças de seis anos faziam uma com as outras. Eu não sabia que ela tinha medo de porões, juro.

Passei um dia inteiro a consolando e pedindo inúmeras desculpas.

— Isabella? — A chamei, descendo os primeiros degraus.

Eu escutei um fungado baixo e logo em seguida um choramingo dolorido.

— Bella? — Tentei mais uma vez.

— Edward. — Sussurrou ela em reconhecimento.

Engoli em seco, tateando as paredes úmidas a procura de um interruptor que ligasse a maldita luz. Eu precisava saber onde ela estava para pegá-la. Mas aquele lugar terrível não tinha luz, descobri isso ao achar a merda do interruptor e ele não acender nenhuma luz. Eu sabia que aquela falta era proposital.

— Onde você está? — Desci os degraus cautelosamente, temendo pisar nela em um de meus passos.

— Aqui em baixo.

Isabella se encontrava encolhida contra uma parede e, apesar de não fazer frio, ela tremia violentamente, seus dentes batendo enquanto ela soluçava para si própria. Abaixei-me onde ela estava, tocando o seu braço e em seguida a cintura que estava coberta por uma camisa de força. De repente, uma fúria animalesca atingiu-me. Senti vontade de sair quebrando tudo dentro daquela droga de clínica.

— Venha cá. — Pedi.

— Eu não posso, não consigo… — Chorou.

Amparei-a contra o meu peito, envolvendo meus braços ao redor de sua estrutura frágil e fina, então me levantei com pouco esforço — ela parecia incrivelmente mais magra — e a tirei daquela droga de porão escuro com o máximo de cuidado que consegui. Isabella não desenterrou o rosto de meu peito enquanto eu o fazia, parecia pressionar os olhos com força como se não quisesse ver nada.

Foi a culpa cortante que eu sentia que me fez sair da clínica com ela em meus braços, ignorando os chamados da atendente.

Notas finais
Esse Edward bonzinho do final do capítulo não é o Edward de sempre, o Edward ainda apronta várias... E o próximo capítulo é POV da Bella o/ Acontece em 2006, quando eles estão no primeiro ano do Ensino Médio!! Comentem, sim? Quero saber tuuuuuuudo que vocês acharam! Beijos, gente!