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14 Chapter XVIII - Turn


Notas iniciais
Olá, pessoas! Estou feliz porque achei que iria demorar mais do que isso para postar o capítulo, então finalmente cumpri com a promessa! Para avisar, o capítulo é duplo, porque ficou imenso e cansativo de ler então dividi em duas partes, por isso o final deste pode estar um pouco estranho, mas terá a devida continuação. Não sei se vou postar a continuação desde logo agora ou só amanhã, porque ainda tenho que revisar e tudo o mais. Comentem, por favor, estou com saudade de vocês! Prestem atenção porque esse e o próximo é o capítulo que vocês mais esperaram, hehe. Beijo meus lindos.

Havia uma cacofonia gostosa de se ouvir por trás das grossas cortinas vermelhas. Os murmúrios inquietos dos pais, amigos e outros telespectadores que curiosamente vieram dar um pouco do seu tempo para ver um musical de um colégio de ensino médio. Pois bem, do lado em que me encontrava também existia inquietação, porém uma inquietação nervosa. A equipe de apoio da peça, carinhosamente cedida por Julie Plec, ia para lá e para cá, ajeitando os últimos toques que o palco precisava para o primeiro ato do musical.

Eu — diferente do resto do Glee Club — estava distante. Sentada em cima de uma pedra, da qual eu tinha certeza que algum judeu figurante da peça iria morrer cima dela daqui algumas cenas. Eu apenas observava as pessoas da qual eu estava dividindo esse momento. Rachel estava em uma conversa ávida com Kurt e Blaine e sempre — eu digo sempre — me recusei a chegar perto quando eles estavam discutindo. Haviam acabado de restaurar a amizade porém andavam discutindo fervorosamente. Além disso, havia o fato que Kurt estava acostumado a me mandar olhares um pouco cínicos quando me encontrava pelos corredores do McKinley ou quando chegava perto de mim quando eu estava com Rachel. Eu nunca havia de fato gostado do garoto. Primeiro, por que há dois anos atrás ele dava em cima do meu namorado. Segundo, sua mania de formar castas sociais apenas pelo o jeito que as pessoas se vestiam me irritava profundamente. Ele já havia me chamado de puritana pelos meus clássicos vestidos básicos e floridos.

Oras, eu gosto dos meus vestidos.

E por último, ele nunca havia me dado sequer um motivo para simpatizar com sua pessoa. Uma vez eu o aconselhei sobre seu relacionamento com Blaine e o conselho pareceu ajudar. Ele nunca disse obrigado. Logo no começo da amizade, eu comentei isso com Rachel, aproveitando o fato dela estar distante dele. Ela não pareceu surpresa. Apenas afirmou que o garoto tinha esse jeito um pouco arrogante. Era seu jeito de ser extrovertido já que na verdade, ele era um pouco fechado em relação aos seus sentimentos e vida.

Me irritei com o que ela disse. Não porque Rachel estava dando uma desculpa para a arrogância de Kurt...

...Mas sim pelo fato de perceber que Kurt e eu somos extremamente parecidos.

Se passou dois dias desde que Rachel dormiu em casa, comigo. Naquela manhã eu acordei totalmente leve e bem, contrastando com o dia tenso e estranho que havia vivido anteriormente. Acho que a visão de ter Rachel acordando do meu lado foi o que fez o resto ter valido a pena. E também me encantou o jeito como ela corou quando chegamos na cozinha e Stefan nos recebeu de sobrancelhas erguidas e um sorriso presunçoso. Também se fazia dois dias que não conversava com Finn. O garoto parecia estar sempre apressado, o que era compreensível já que além de estar estudando suas tripas fora para conseguir uma vaga na universidade que quer, também tinha os treinos da temporada final dos Titans. Porém, mesmo compreendendo o fato do grandão estar ocupado, eu percebia o jeito cauteloso com que ele me olhava. Ele estava distante, propositalmente. O que me deixava com o coração apertado e com uma voz sussurrando coisas em meu ouvido.

Eu estava com medo.

Will fez um sinal para o coral, que estava disperso em conversas, fizesse um círculo para que ele pudesse dar seu típico discurso de encorajamento antes da peça/musical começar. Eu espiei Rachel pelo canto do olho e ela estava tranquila, apesar de estar com a boca fechada em uma linha tensa, da qual eu tinha certeza que tinha se originado de seu breve desentendimento com Kurt. Fora isso, sua tranquilidade não era surpresa para mim: Rachel não dava a mínima para essa peça. Não tinha significado algum para ela e para mais algumas pessoas do coral, mesmo que certas pessoas quisessem tal oportunidade para arranjar olhos para si. O que, ao mesmo tempo não me era novidade, me surpreendia a dimensão do brilho de Rachel Berry; ela não ligava para a peça e ainda sim era sua maior estrela. Nos ensaios, sem nem sequer se esforçar — e de fato ela não estava se esforçando — conseguia ter uma performance intacta e límpida. Extinta de erros e falhas.

Houve uma certa revolta entre os membros quando Artie escolheu Rachel como sua atriz principal, já que todos sabiam do seu desinteresse pela a peça, porém todos pareciam aplacados (com exceção de Mercedes), o talento de Rachel era tão grandioso que, as pessoas que desejavam o sucesso da peça não se importaram em uma troca de atriz. O melhor para o desempenho da peça era se Rachel estivesse no foco. Muitos não admitiam, mas sei que era uma linha de pensamento que todos possuíam. Até mesmo Mercedes, que apesar de extremamente talentosa era também preguiçosa e seus ensaios tardios não resultavam em um nível igual ao de Rachel.

Fui pega observando. Rachel sorriu para mim. Eu iria devolver o sorriso mas ela logo desconectou nossos olhos, apenas para rapidamente dar a volta no círculo quase formado para ficar junto a mim. Ela sorriu para Sam quando roubou o lugar dele ao meu lado. Pelo o canto do olho vi Finn rapidamente desviar os olhos e abaixar a cabeça. Rachel agarrou-se em meu braço, ficou nas pontas dos pés e sussurrou em meu ouvido:

"Adorei você nessa farda de soldado."

Eu a encarei, absorta no flerte e ela piscou para mim, logo desviando sua atenção para o professor, que finalmente tinha conseguido organizar o coral. Faltava 30 minutos para a peça começar. Mr. Schue começou a se destrinchar em palavras e frases potencialmente inspiradoras. Eu não ouvi nada. Viajei nos últimos dois dias, nos quais o ar entre Rachel e eu pareceu mudar. Nós não havíamos nos beijado desde da sala do coral, com exceção do selinho que roubei logo quando ela acordou ao meu lado. Fora isso, apesar da ausência de beijos, tudo pareceu mais leve. Rachel parecia leve e muito mais a vontade comigo. Flertes, piscadelas e provocações estavam um pouco frequentes e todas haviam se originado da baixinha. Eu estava amando isso.

Eu amava o jeito que o sorriso dela se apresentava para mim, todo inocente, porém com um brilho provocativo em seu olhar. Eu amava quando ela ficava nas pontas dos pés para sussurrar em meu ouvido ou beijar meu maxilar (algo que ela adorava fazer). Eu amava o jeito como seus dedos adoravam correr pelos os meus ombros até minha nuca provocando um arrepio delicioso.

Eu simplesmente a amava. E apesar de tudo estar indo bem entre nós, o sentimento estava começando a pesar. A minha língua começando a coçar. Não sei porquê, mas sinto como se meu tempo estivesse acabando e eu tivesse que dizer isso á ela. Não sabia porque desconfiava que o afastamento súbito de Finn não iria afetar somente minha amizade com ele mas também o que eu tinha com Rachel.

Eu havia começado a construir um castelo de inseguranças. Mas de certa forma, o jeito em que Rachel segurava meu braço despreocupadamente e naturalmente agora me fazia pensar que todas essas cartas de fuga da qual eu queria me afogar não possuíam sentido algum. Ela havia me pedido para esperar. Eu esperaria.

O discurso de Will teve seu fim. Todos foram até seus devidos lugares para enfim as cortinas serem abertas.

Finn exclamou um "Quebre a perna." tímido para Rachel antes de ir até a sua posição no palco. O elenco todo trocou olhares incentivadores e eu retribui alguns que recebi. Rachel virou-se de frente para mim, minhas mãos estavam em seus cotovelos enquanto as dela estavam em meus ombros. Trocamos um olhar e um sorriso cheio de significados. Me inclinei e encostei meus lábios em seu ouvido.

"Lidere seu público." — Repeti a frase que já havia dito a ela anteriormente. Um quebre a perna ou um boa sorte não estavam á altura de Rachel Berry. Eram desnecessários para ela. Rachel reconheceu isso.

Senti a respiração dela, pela a primeira vez na noite, sair do normal. Ela me deu um breve beijo no pescoço antes de se afastar, radiante. Aguardei no na backsatge junto á Mike, Tina e Blaine que apenas entravam algumas cenas depois, igualmente a mim.

Do jeito que eu pude, tentei sempre estar olhando para Rachel. Em cena, minha melhor atuação não foi minha personagem em si e sim o disfarce do qual eu usava para não parecer extremamente apaixonada por ela em pleno palco. Ver Rachel Berry cantar ou atuar é magnífico e ao mesmo tempo, atuar junto á ela se torna um desafio emocionante. As expressões da qual ela usava pareciam originais e claras para mim. Sua voz forte e ao mesmo tempo fiel á personagem insegura e corajosa era estrondoso de se presenciar.

Mas, eu só realmente entendi e enxerguei a magia de Rachel Berry na hora em que dividi uma cena com ela. Pareceu tão óbvios os porquês de Finn se apaixonar, já que ele tem e teve essa oportunidade infinitas vezes durante o nosso ensino médio. Porém, hoje seria minha primeira vez tendo Rachel como parceira de uma cena, de palco...

Era eletrizante. Brutalmente mortal.

"Não vais por esse caminho!" — Exclamei. Bati forte minhas botas no palco para dar o efeito que Artie pediu. Fiquei a três passos de distância dela. — "Reich está em todo o lugar. Por favor, não te arrisques. Siga o plano que Octavian escolheu para ti."

Rachel, que estava de costas para mim, se vira bruscamente para me encarar. Seus olhos estavam irreconhecíveis. Me arrepiei por completo.

"Não me arriscar? Se não morrerei lá, morrerei aqui. Ou uma opção diferente desta matará Octavian e também matará á ti. Apenas não quero aceitar a morte de bom-grado."

Deixo meus ombros caírem. Seguro as mãos de Rachel com os nossos corpos ainda distantes.

"Não se entregue docemente. Revolte-se contra o apagar da luz e terás ainda muito mais vida, mesmo que a morte venha." — Rachel me encara por alguns segundos e minha respiração se vai quando percebo o seu olhar potencializado pelos holofotes. Ela me abraça e então, rapidamente, se afasta a passos largos.

"Vou orar por ti!" — Eu grito. — "Isso também passará."

"E o que não passará? O que faço com o que resta daqui?" — Rachel diz, quase saindo de cena, me deixando sozinha no centro do palco.

"Leve consigo e lembre-se de uma tal ariana que não era igual aos outros. Lembre-se de mim, por favor. Não me deixe esquecida entre os demônios brancos e todo esse risco terá seu valor eterno."

Minha personagem cai de joelhos no palco enquanto dá adeus para personagem de Rachel. Ela para á alguns passos da escuridão do backstage, um centímetro antes que a iluminação a tire da visão do público.

O jeito em que sua respiração foi pausada simetricamente e seu tempo de fala perfeito fez com que eu sentisse algo se explodir dentro de mim. Parecia uma implosão, tão poderosa e forte que não impedi que transparecesse em minha personagem.

"Deixo aqui, um grande pedaço de mim á você. Ponho em suas mãos, a tal escolha. Vire-se e viva sua vida como tem que ser, e lembrarás de mim como sua velha amiga. Daqui há algum tempo, irá imaginar o que aconteceu comigo. Eu nem mesma sei, mas uma parte de mim está completamente salva dentro de ti. Pense e imagine que, uma forma ou de outra — vivendo ou morrendo — eu encontrarei o céu. E assim sendo, viveres contigo até ambas tenhamos o vosso fim."

Rachel termina a cena com sua saída, fazendo com que as luzes do palco se apagassem também e me ocultassem. Eu saio do palco — que foi a minha última cena — de pernas bambas, permitindo que as duas cenas finais tivessem o seu decorrer. Blaine, Kurt, Sam e Rachel tem o final da peça em mãos. É lindo de se ver.

Mas de qualquer forma, não consigo pensar em mais nada. Penso na cena que dividi com Rachel e pergunto-me se tal escolha de personagens não tivesse sido feita de propósito. Duas amigas, uma alemã e outra judia. Ambas condenadas á algo desconhecido e que não lhes permitia fuga, até que uma arranja um rota e se vai, deixando apenas lembranças e memórias para a que ficou, cantando um bom presságio antes de realmente se ir. Os finais foram felizes? Sim, mas com ambas completamente separadas.

Tenho que admitir que senti um pouco de semelhança entre certos fatos. Um sentimento me coçou a espinha e casou um frio na barriga. A experiência de atuar com Rachel era devastador — atribuía um bom significado á palavra. Minhas mãos suavam frio e meus lábios tremiam um pouco. Queria dizer que era efeito de se apresentar para uma platéia lotada mas sei que era meu corpo reagindo á Rachel.

E de certa forma, minha reação não foi apenas originada de outra ação como vai causar outra. Não tenho mais nada a temer. Meu coração está feliz, porém pesando desconfortavelmente. Sei que, depois da peça, todos nós iremos até a fazenda da família de Sugar (que felizmente se encontrava na platéia) para comemorar não só a estréia da peça como a aprovação de Rachel em NYADA.

Respirei fundo três vezes antes de fazer uma decisão. Meu presente á ela seriam três singelas palavras.

E meu coração implorava para que elas fossem recebidas honrosamente e não como um cavalo de Tróia.

A peça acabou. O público aclamou de pé, por aproximadamente três minutos. Ouve um breve discurso de agradecimento de Mr. Schue e Rachel e enfim, todos seguiram até o ônibus que nos esperava na porta do teatro municipal. Todo o Glee Club estava animado em passar o final de semana na Fazenda Motta com os seus três lagos naturais, rancho de cavalos e hidromassagens.

Recebi uma ligação de Stefan e fiquei sabendo que ele estava na platéia, porém não pôde me ver no backstage porque Samantha, seu affair, estava o esperando para um encontro. Eu ri e disse que isso não tinha problema. Meu coração acelerou calorosamente com o carinho e consideração do meu padrinho. Era bom ter esse tipo de atenção de um parente de novo.

Tentei não pensar que Frannie está vindo para cá em cinco dias.

Caminhei até ficar junto ao grupo que esperava o ônibus estar pronto para entrarmos. O grupo estava conversando e o tema principal era peça e quem acabava que quem tinha se sobressaído. Os nomes mais citados eram Rachel, Kurt e surpreendentemente Sam. Ele tinha sido maravilhoso. Parei perto do ônibus e rodei os olhos pelos meus colegas e amigos; Sugar e Artie estavam conversando com Brittany e Santana, e a última estava com uma cara desconfiada que me fez rir. Kurt e Blaine estavam rindo com Sam e Finn. Mike e Tina estavam colados trocando palavras com Puck e Mercedes. No momento que percebi a falta de Rachel, eu senti um braço entrelaçando-se ao meu. Olho para baixo e a encontro sorrindo para mim.

"Você foi magnífica." — Eu digo para ela, deixando meus olhos brilhassem o quanto quisessem.

"Bom, eu sei." — Eu solto uma risadinha. — "Mas você surpreendeu todo mundo. Atuou extremamente bem."

"Só quando você estava na cena também." — Eu sussurro, como se isso fosse um segredo só nosso. Ela cora e seu sorriso aumenta. Eu me inclino e beijo sua testa. Sussurro de novo contra sua pele:

"Você vai sentar ao meu lado no ônibus?"

"Bom, eu não vou." — Estranho sua resposta. Com as sobrancelhas franzidas me afasto um pouco e a encaro.

"Porquê?"

Ela morde o lábio, um pouco nervosa.

"Porque na verdade, outra pessoa quer sentar do seu lado hoje." — Ela diz e olha para um ponto atrás de mim. Fico confusa e então me viro, apenas para saber de quem ela está falando.

Quando olho para trás, encontro Kurt parando há alguns metros de nós. Os braços cruzados em frente ao corpo, as sobrancelhas erguidas e um sorriso um pouco cínico no rosto. Atrás dele, Blaine sorria com o comportamento do namorado. Volto a encarar Rachel, ainda confusa.

"O que isso significa? Kurt está querendo falar comigo?"

Rachel assente.

"Sim, já faz um tempo que ele quer isso. Desde que nós voltamos nos falar, exatamente."

"Ôh." — O som sai da minha boca debilmente. — "Então ele realmente sabe sobre nós?"

"Sim." — Rachel responde rápido. — "Você não sabia disso?"

"Apenas desconfiava." — Respondi, um pouco nervosa. Encaro Kurt que ainda olhava para nós. Me desafiando a negar sua companha no ônibus.

Desafio aceito.

Me viro para Rachel e ela sorri para mim novamente.

"Você vai ficar bem." — Ela diz baixinho e rezo para que isso seja verdade. Rachel deixa um beijinho no meu maxilar e então se afasta. Ela caminha até Blaine que a abraça e eles sobem no ônibus logo quando Will abre a porta, dando tchau para cada um já que o professor não vai até a fazenda. Subo no ônibus quando metade dos bancos já estão ocupados, Rachel ri de mim sentando ao lado de Blaine enquanto eu caminho até os últimos assentos e fico por lá.

Não demora muito para Kurt sentar do meu lado. Quando todos já estão em seus lugares, Sugar grita um último "yay!" antes da viagem de uma hora e meia até sua fazenda começar. O ônibus começa a andar, assim como minha conversa com Kurt.

"Você teve um desempenho impressionante na peça, Quinn." — Ele diz, cruza as pernas e põe as mãos em cima do joelho dobrado. Talvez ele não gostasse quando Santana o chamava de Dama ou Porcelana, mas eram apelidos que se encaixavam muito bem.

"O mesmo sobre você." — Torço o nariz quando pareço falsa. Kurt sorri. Cadê os dentes dele?

"Sei que você não aprecia muito minha pessoa." — É a minha vez de sorrir. — "Mas, bom, de qualquer forma, eu amo Rachel. Ela é minha melhor amiga e minha vontade de protege-la não desaparece quando você... sei lá, não vai com a minha cara?"

"Você apenas não me deu motivos para gostar de você. Isso não significa que eu sinta o contrário." — Esclareço, calma. Ele percebe o meu desinteresse pela a conversa. Sei que ele vai opinar sobre o que sinto por Rachel. Sei que ele vai falar sobre o que está acontecendo mas simplesmente não me importo com o que ele pensa.

"Serei rápido." — Ele começa. — "Minha amizade com Rachel voltou a ativa há algumas semanas e ainda sim... Estou surpreso pelo fato de vocês duas estarem tendo um affair." — Mordi a língua. Quis dizer que nós tínhamos mais que um affair porém não possuíamos nenhum rótulo. Além do mais, Finn ainda está na jogada.

"Na verdade, eu descobri quando meu irmão chegou em casa chorando." — Meu coração se apertou. — "Então, eu muito transtornado pela a situação fui até a casa dela e pedi explicações. Discutimos muito e os pais dela ainda entraram na discussão. Demorou um tempo até eu realmente entender e aceitar o que vocês estavam tendo."

"E o porquê dessa dificuldade toda?" — Perguntei, incomodada.

"Oras, porque você é Quinn Fabray e ela é Rachel Berry?" — Ele diz como se fosse óbvio. Dou de ombros. — "Enfim... Estou aqui para cumprir meu papel de bff e te perguntar... Você está realmente pronta para entrar em um relacionamento sério com a Rach?"

"Já estou pronta a muito tempo, Kurt." — Respondo, firme. Olho nos olhos dele enquanto digo isso. Não quero continuar mesa conversa. Não tenho paciência para esse blablabla dele.

"Estou falando sério, Fabray. Você quebra tantos corações como Angelina quebrou quando pôs uma aliança no dedo. Você é tão inteligente quando sei lá, Einstein? Mas mesmo assim, é muito insegura e tenho medo que você ande para trás."

Mesmo que ele tenha me elogiado, me sinto ofendida.

"Olha... Eu só preciso dar minha palavra para Rachel e não para você. Se eu estiver com ela, então eu estarei com ela. Em todos os sentidos possíveis. Satisfeito?"

Kurt não responde mas parece satisfeito.

"Você sabe, não sou seu inimigo nem quero botar coisas em sua cabeça. É que além de Mercedes e Finn, Rachel é a única pessoa que tenho na vida."

"Eu entendo." — Sussurro. — "Mas ainda sim, poupe-se disso. Não é como se Rachel já estivesse me escolhido ou decidido ficar comigo ou não.."

Ele bateu uma mão na outra.

"Aí está! Não disse que você ainda é insegura?" — Ele diz, e o jeito como bateu as mãos assustou Tina — ela estava no assento da frente — que olhou para trás e mandou um dedo do meio para ele. Me segurei para não rir.

"Sério, Fabray? Você acha que Rachel ainda precisa escolher? Se decidir?" — Ele fala como se eu fosse uma criança. Me viro para Kurt, irritada.

"Não está na hora de você ir se sentar com seu namorado?" — Kurt ri. Ele se levanta e segura-se no ferro do assento, já que o ônibus balança na estrada de terra. Ele se inclina novamente e diz:

"Vamos lá, Quinn. Ela só está nervosa. Dê coragem a ela." — Então volta a caminhar até onde o namorado estava sentado. Ele se senta ao lado de Rachel, deixando a morena entre os dois. Quando ela o vê, olha para trás e sorri para mim. Tento devolver o sorriso mas estou inquieta, então deve ter parecido que estou sentindo dor. Antes que eu pudesse me comunicar com Rach de alguma forma, outro corpo cai ao meu lado no assento e ergo as sobrancelhas quando vejo que é Santana.

"O que é?" — Ela pergunta quando vê o modo que eu estou a encarando. — "Brittany está conversando com Sugar e eu realmente não estou entendendo porra nenhuma do que elas estão falando. Além disso, to afim de dar uma dormida." — Eu começo a rir enquanto ela dá de ombros. — "Se importa, Fabray?" — Ela diz olhando para o meu ombro.

"Vá em frente." — Então ela deixa a cabeça cair em meu ombro e dorme quase instantaneamente. Encosto minha cabeça na janela e penso no que me espera na Fazenda Motta.

Só espero que seja mais do que um gay intrometido e uma latina adormecida.

Notas finais
O próximo não vai demorar nadinha para sair, mas comentem porque, bom, o próximo capítulo (continuação desde) é o mais importante de todos! Haha Vamos lá, não me decepcionem, comentem que vou tentar postar o próximo o mais rápido possível. @fabrayers ask.fm/fabrayers