She

18 Chapter XVII - Fire Against An Iced Heart


Notas iniciais
Era para eu ter postado este capítulo há duas semanas atrás. O porquê de eu não ter feito é que ficou muito próximo das minhas provas de final de semestre e eu tinha que me concentrar. O segundo é que eu fiquei indecisa se eu tomaria o caminho original que eu havia pensando para fic ou eu mudaria para outro que estava ponderando e isso me impediu de escrever a fic nos últimos dias. Optei pelo o caminho original. Então, por isso, digo que She está oficialmente no seu final. Teremos no mínimo mais três capítulos e um epílogo. Será a finalização de todos os plots de She e para o nosso casal favorito. Não querendo mais enrolar vocês, aqui está! Aproveitem o capítulo meus amores.

Dois dias depois...

A chuva batia suavemente na janela grande do quarto de hotel. Cleveland estava chuvosa e fria, o que fez com que Stefan e eu fossemos direto para alugar um quarto na cidade, já que estávamos nos sentindo preguiçosos. Estava esparramada na poltrona, com os joelhos grudados no peito. Stefan estava terminando de se arrumar para que nós... Bom, para que nós pudéssemos nos encontrar com o lado negro da Família Fabray que tanto ele quanto eu estivemos fugindo por tanto tempo.

Eu fechei os olhos, escutando o barulho da chuva e sentindo aquele cheiro de terra molhada. Eu me sentia em uma primavera. Aquela estação que te leva do verão ao inverno de uma vez só. Tinha certeza que estava saindo dos melhores dias da minha vida para reencontrar com os dias mais frios que já havia conhecido. Passei a mão pelo o cabelo e apertei minha têmpora. Estava tensa e estava com saudades de Rachel. Eu não a via desde que acordamos lado a lado no dia que fizemos amor. Eu queria mergulhar na sua pele mas ela ficou ocupada resolvendo burocracias que NYADA tinha exigido. No tempo em que ela esteve livre, ela praticamente implorou para que eu arrumasse um tempo para vê-la ou para que eu a deixasse vir até a casa de Stefan para me encontrar, mas ao inverso do que eu queria fazer, eu neguei.

Rachel estava transbordando de amor e eu mais do que tudo queria abrir meus braços para recebê-la. Ela estava desesperada por proximidade e eu também, mas quando me vi próxima de vir para Cleveland neguei sua companhia. Ela perceberia minha tensão e meu medo. E eu não conseguia lidar com o fato de estar mentindo para ela. Estava com os olhos fechados, mas o cheiro de sabonete que invadiu o quarto me fez acordar e eu encontrei Stefan. Vestindo uma camisa social azul-clara e calça caqui. Ele me encarava e eu sabia o que ele queria dizer. Está na hora de ir.

O silêncio no carro era pesado, mas nós não iríamos quebra-lo. Era como se estivéssemos dando tempo para que o outro se preparasse psicologicamente para o que iria acontecer. Estávamos chegando no restaurante que Frannie havia marcado. Ela havia mandado uma mensagem para Jacob com o horário e o lugar e ele havia me repassado. Eu finalmente teria que encara-la. Eu senti meu corpo formigar de medo mas isso foi cortado pelo o som do meu celular ligando. Era Rachel.

Engoli seco enquanto pensava se atenderia ou não.

"Não vai atender?" Stefan perguntou, com a voz calma. "Atenda." Ele disse mais firme. "É a sua garota. Vá. Atenda, Quinn."

E eu atendi.

"Quinn? Baby?" Sua voz estava pingando saudade. Eu me permiti sorrir suavemente.

"Oi, amor." Ouvi um suspiro o outro lado da linha.

"Estava tomando banho e só vi agora a mensagem que você mandou dizendo que chegou bem em Cleveland. Como está tudo por aí?"

"Está frio. Muito frio." Eu disse com a voz dengosa. Ouvi sua risada gostosa por trás da linha.

"Eu bem que poderia esquentar você, mas você foi para aí e nem ao menos se despediu."

"Hey! Foi você que ficou toda ocupada primeiro!"

Ela riu mais uma vez.

"Então, bom, sinto muito. Arranje um jeito de se esquentar."

"Vou me esquentar em outra garota."

"Quinn Fabray!" Foi minha vez de rir. "Oh, okay, então. Quer que eu te esquente?"

"Mhm..."

"Saiba que estou apenas enrolada na toalha e deitada na cama."

Meu queixo caiu. Ele literalmente caiu. Rachel estava jogando baixo. Como ela poderia me provocar desse jeito? De qualquer forma... Funcionou. A imagem de Rachel de toalha esquentou o meu sangue em tempo recorde.

"Baby? Morreu de hipotermia?"

Limpei minha antes de falar, mas minha voz saiu rouca mesmo assim.

"Você vai me pagar."

"Oh, com certeza eu vou."

Vi Stefan com as mãos no volante mas olhando para mim de canto de olho e rindo. Mas antes que eu pudesse voltar minha atenção á Rachel de novo, a expressão de Stefan voltou a ficar séria, ele gesticulou com a mão e eu segui o movimento, olhando para frente.

Foi quando eu vi o Beatle Vermelho que minha irmã mais velha dirigia. Engoli audivelmente. Tinha chegado a hora. Stefan começou a estacionar o carro quando voltei a falar com Rachel.

"Rach... Eu tenho que ir agora, te ligo depois?"

"Mas já? Nem deu tempo de falar com você direito!"

Fechei os olhos. Deus, eu amava aquela garota. E eu a queria mais que tudo, mas não agora. Não no meio da porcaria bagunçada que os Fabray tinham que arrumar.

"Eu sei, eu sei... Tenho que ajudar Stefan a arrumar algumas coisas aqui. Posso te ligar depois?"

Houve um suspiro pesado.

"É claro que pode, Quinn. Mande um beijo para Stefan."

"Eu vou mandar."

"Eu amo você, Q."

Abri a boca para responder a sentença mas não tive a chance. Rachel desligou. Meu coração encolheu-se em preocupação. Rachel poderia estar chateada de verdade comigo?

"Quinn, vamos logo." Stefan me chamou e eu voltei a realidade. Sai do carro e bati a porta. O restaurante que Frannie havia escolhido era bonito e simples. Havia uma parte descoberta, onde havia mesas com guarda-chuvas e algumas árvores, mas eu sabia que não veria Frannie ali. Uma coisa que minha irmã é, é discreta. Ela não quer chamar atenção. Então, ela com certeza tinha reservado uma mesa na parte interior.

Stefan entrelaçou seu braço no meu em sinal de suporte. Entramos no restaurante e varremos o redor procurando pela a figura de minha irmã. Minha garganta estava apertada e a tensão de Stefan era evidente ao meu lado. Estava quase pedindo para que fossemos embora e voltássemos para sua casa em Lima. Eu não preciso de Frannie. Não preciso de Judy, ou de Russel. Fiquei muito bem sem eles nesse momento.

"Quinn? Tio... Stefan?" Apertei o braço de meu padrinho com força quando ouvi a voz atrás de nós. Eu me virei, tentando aplicar tudo o que aprendi sendo anos a HBIC do McKinley. E quando o fiz, dei de cara com minha irmã. Ela parecia a mesma, mas completamente diferente. O visual mais maduro. Os cabelos loiros mais claros que o meus e os olhos azuis de mamãe. Sempre foi assim. Frannie foi uma cópia idêntica de Judy e eu de papai. Algo que nunca me agradou. Ter o sangue dessa família nunca me agradou.

Frannie engoliu seco.

"Sabia que você estava morando com ele mas eu na-"

"Esperava que eu viesse?" Stefan disse. "Bom, eu não deixaria Quinn sozinha." Ela o encarou, supresa. Eu continuava impassível. Frannie olhou pela a parede de vidro do restaurante e mordeu o lábio, como se não esperasse algo bom.

"Então... Acho que devemos ir sentar, e conversar. Direito."

Stefan e eu assentimos.

Nos sentamos em uma mesa no canto do restaurante, bem á frente a parede de vidro. Fizemos os pedidos em silêncio. Stefan pediu um prato mas tudo o que pedi foi uma bebida. Não sentia como se pudesse comer algo, não estava no clima para isso. Ouvi Frannie suspirar e então finalmente pronunciar-se.

"Sei que a nossa situação como família anda..." Ela pensou na palavra, mas escolheu ser honesta. "...inexistente. Mas mamãe e eu, e até papai estivemos tendo problemas financeiros, principalmente com o divórcio."

Eu apenas a encarava. Eu queria gritar e dizer verdades mas eu não tinha forças para isso. Eu apenas iria ouvir e tentar ir embora dali com a consciência que dei a chance para ter explicações. Frannie olhou para Stefan, tensa.

"Eu estive em Boston por muito tempo sem saber disso, quando soube, papai estava enfurecido e mamãe doente." Ergui minha sobrancelha. "Quando soube, fiz tudo para voltar mas por causa do divórcio e da custódia, ficou difícil arranjar os documentos para que eu pudesse voltar a pisar em Ohio." Ela passou a olhar para as próprias mãos. "Mas agora que voltei, fiz de tudo para garantir a paz entre papai e mamãe. Tivemos problemas com a justiça por causa do excesso de bens da família, mas quando mamãe parou de ameaçar o papai e papai retirou a medida, eu fiquei livre para vir até você."

Eu absorvia tudo. Eu a analisava. E sabia que ela não estava mentindo. Mas o que me faz crer em uma paz definitiva entre Russel e Judy? Quase nada. Só sei que não quero ficar no meio da confusão. Não quero ser expulsa de casa de novo.

"Sei no que está pensando." Ela sussurrou. "Mas assim que sair o documento oficial, vou ficar livre para voltar á Lima. Vou colocar você para dentro de casa de novo e papai vai pagar sua faculdade."

"Não." Foi tudo o que eu disse. Stefan segurava minha mão firmimente. "Eu não confio mais. Eu não- Eu não posso Frannie."

"Quinn, escute! Acabou!" Ela agarrou meus pulsos. "Mamãe estava bebendo demais por causa do divórcio e papai estava longe. Foram longos 13 meses difíceis mas a paz voltou. Você vai morar com a mamãe até o final do ano e vai estar tudo okay quando você for para a faculdade." Ela soltou em um fôlego só. "Eu sempre soube que nossa família fosse implodir um dia. Aconteceu mas nos restauramos, e você tem que voltar para nós. Tem que voltar e dar a chance que mamãe e papai querem para pedir desculpas."

Minha garganta está apertada e meu peito também. Era uma mistura de angústia e saudade. Meus olhos estavam rasos de lágrimas e meu rosto já devia estar vermelho mas era algo que eu não podia impedir. Eu sentia falta. Mesmo que todo o meu orgulho não permitisse que eu admitisse isso, eu sentia. Sentia falta de mamãe e eu tinha esse pensamento ridículo de desculpar Russel. Porque eu entendia. E além de tudo, eu sentia falta de Frannie, que sempre fora minha parceira no crime para toda as horas. Meu porto seguro. A pessoa que me via através da HBIC que sempre fui por ser tão semelhante a Russel Fabray.

"Deixemos que voltamos a ser algo, Quinn. A gente pode aprender a ser uma família de novo."

Então eu desabei. Stefan me abraçou. Frannie começou a chorar e agarrou minha mão novamente.

"Eu amo você, irmã. Nos dê uma segunda chance."

E eu dei.

Eu assenti e me levantei. Frannie me abraçou de um jeito tão forte. Tão forte quanto aquele dia que ela saiu de casa para ser quem realmente era. E agora ela está me dando a chance de voltar para casa como eu realmente sou. Eu a amo.

Stefan levantou-se e parou atrás de mim. Pelo o se olhar, soube que ele estava preocupado. A mágoa dele era enorme e eu nunca pediria nada á ele que ele não suportasse. Eu o entendia tanto quanto eu entendia esse sentimento dentro de mim que me fez abandonar toda a merda para trás. Olhando nos olhos de Stefan naquela hora, eu soube no que fazer.

Eu não tinha certeza que a Família Fabray seria uma família novamente mas para ter, eu iria tomar algumas atitudes. Mesmo com uma sombra nos olhos, Stefan pareceu aliviado e sorriu para mim e Frannie. Rimos quando percebemos que estávamos fazendo uma cena no restaurante e, mesmo com a desconfiança no meu peito, eu apostaria algumas moedas em Frannie novamente. No final, combinamos que eu voltaria com Stefan naquela noite para Lima, então ele faria seu caminho de volta para passar seu final de semana com Samantha aqui. Eu ficaria em casa pensando, com o tempo que eu tinha para saber com agir. Eu organizaria minhas coisas. E então eu tomaria minhas rédeas assim como Frannie fez hoje.

Mas por agora, eu só pensava em uma boa noite de descanso e pela manhã, ir atrás de Rachel. Eu precisava dela. Era como se eu sentisse que minhas conclusões não pudessem se tornar finais sem ela. Eu precisava conversar, pedir desculpas e principalmente senti-la comigo.

Antes de voltarmos á Lima, Stefan e eu combinamos de conversar após ele voltasse de seu ninho de amor com Samantha. Eu sabia que precisava fazer isso, justamente após o que eu pretendia fazer.

*~~*~~*

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breze driftin' on by you know how I feel

Eu não sei de onde nasceu essa mania de ouvir música enquanto se faz sexo, mas deve admitir que estou apta a torná-la mais frequente entre Rachel e eu. Eu voltei de Lima exatamente 8 horas depois de minha conversa com Frannie. Quando cheguei, fui para casa e tentei organizar meus pensamentos mas foi inútil. Eu precisava de Rachel e, quando cheguei em sua casa quase no final da tarde ela ficou surpresa, mas tudo o que fez foi me puxar pela a gola do casaco e matar nossas saudades. Estávamos em sua cama. Nuas. Eu encarava o teto de seu quarto — cheio de estrelas — enquanto a voz de Michael Bublé ressonava pelo o quarto. Rachel estava deitada no meu peito, fazendo círculos ao redor do meu mamilo. Nossos corpos estavam levemente suados e tudo o que eu poderia dizer era que eu amava essa garota, eu amava esse aconchego e que eu também amava o fato dela ser meu melhor remédio.

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

"Acho que já esperei bastante por você. Não vai me contar o que está acontecendo?" Rachel diz, no entanto, sua voz é calma. Eu já esperava pela pergunta, então eu começo a fazer carinho em suas costas.

"Me desculpe por isso. E sim, eu irei contar. Apenas deixe-me ter esse momento." Sua cabeça ergue-se do meu peito.

"Porquê? Contar estragaria o momento?" Ela perguntou, impaciente. Fechei os olhos.

"Estragaria." Confessei. Seu corpo se distanciou mais do meu e ela sentou na cama.

"Quinn, acho que você deve me contar a agora." Rachel diz, firme. Ela está linda com a pele corada enrolada no lençol e o cabelo bagunçado. Suspiro.

"Eu menti. Não fui a Cleveland com Stefan por causa de Samantha, fui porque Frannie me chamou para conversar e até então não podia vir até Lima."

Suas olhos me estudam por alguns segundos, esperando que eu estivesse mentindo.

"Frannie? Sua irm- O quê? Explique isso."

"Ela... Ela voltou de Boston e veio até Cleveland porque ainda não tem os documentos para pisar em Ohio, tudo por causa da briga por nossas custódias de Russell e Judy. Frannie conseguiu fazer contato comigo por Jacob e-"

"Jacob? O irmão de Noah?" Ela perguntou, perdida. Seus olhos me encaravam com uma mistura de preocupação e indignação. Rachel segurou o lençol mais forte ao redor de si e eu me movi para pegar meu top esportivo, já que eu ainda estava com os meus shorts.

"Quinn... Você pode simplesmente sentar e falar comigo?" Sua voz saiu forte e meu corpo tremeu com o tom. Ela nunca soou assim.

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean

A música já não combinava mais com o clima. Rachel puxou seu iPhone e apertou o pause, deixando que o silêncio começasse a pesar entre nós. Eu respirei fundo e passei a mãos em meus cabelos, desarrumando-o em agonia.

"Quinn." Ela ordenou.

"Isso... é tudo. Rachel você não precisa saber dessas coisas, são porcarias da minha família. E-"

"Você não está entendendo. Está ocorrendo algo com você há dias e você não me conta nada. Estávamos em um clima ótimo até eu perceber que algo estava começando a pesar em você e você não mostrou o mínimo interesse em me contar. E eu esperei. Eu esperei, Quinn e você não me disse nada!"

Eu estava em pé, em sua frente. De cabeça baixa como se fosse uma criança recebendo uma bronca, e talvez eu fosse exatamente isso. Rachel havia ficado de joelhos na cama e segurava o lençol com força.

"Espere, Rachel! Me entenda! Eu sabia que você iria fica chateada por eu não ter contado a você nada, mas não esperava que você realmente quisesse saber de tudo. Essa merda é muito complicada e eu não queria meter você nisso. É um estresse a mais e eu... não quero me sentir um peso para você, ok?"

Ela balançou a cabeça, como se não acreditasse no que eu estava falando. Seu olhar era puro decepção. Meu peito se apertou e Rachel levou uma mão aos seus cabelos.

"Eu estou magoada com você."

Sei que não deveria mas tive raiva. Rachel deveria entender que isso tudo é horrível para mim e ela não tem que lidar com isso. Eu não tenho certeza se minha vida irá se acertar ou não e eu não queria enfia-lá nessa gangorra que os próximos dias irão ser. E então, porque merda ela estava me punindo?

"Você não tem o direito de ficar com raiva. Eu só estou tentando deixar você fora dessa confusão. Quando eu tivesse tudo acertado você saberia e-"

"Cale a boca. Deus, cale a boca." Meu sangue esquentou mais um pouco com a ordem mas obedeci. "Eu vi que você estava bem e você não confiou em mim. E você tinha prometido! Você me prometeu que iria contar tudo para mim! Droga, Quinn! Eu quase enlouqueci tentando descobrir o que estava havendo! Cheguei até pensar que... que você estava arrependida de algo." Sua voz embargou e ela levantou, sem me olhar. Abriu o guarda roupa e tirou uma camisola lá de dentro. Enquanto ela se vestia, tentei de novo:

"Eu..." Minha voz quebrou. "Eu estive com muito medo de rever minha irmã. E você estava tão feliz. Eu estava tão feliz com você. Eu só não queria trazer isso para nós." Passei a mão pelo meu rosto e percebi que minha pele estava quente. "Eu- não quero que você fique chateada comigo. Eu só-"

"Eu sei o que você tentou fazer, Quinn. E Deus, como você pode pensar que é um peso para mim? Eu sou sua namorada! Eu tenho que estar lá para você! Estive sonhando comigo e com você por tanto tempo que não poder estar junto ou nem ao menos poder te apoiar nesse momento me frusta..."

E pela a primeira vez percebi que ela estava magoada de verdade comigo. Meu corpo formigou e eu caminhei até ela. Segurei sua cintura mesmo que ela tivesse cruzado os braços para manter distância.

"Me desculpa. Mas eu só não entendo!" Minha garganta apertou. "Eu tenho medo dessa parte de mim, você não deveria ter a coragem de querer vê-la."

E então ela me olhou. Realmente olhou para mim e eu me perdi naqueles olhos castanhos de café. Ela descruzou os braços e apertou os meus lados, de um jeito forte.

"Porque eu a amo! Eu te amo! Todas as partes de você! Todas!" Ela se distanciou de mim e eu senti um frio no estômago. "Tínhamos acabado de fazer amor e tudo o que tinha que fazer era se abrir para mim. Eu iria pegar você se você caísse! E seria nenhum sacrifício para mim! Porque eu quero isso mais do que tudo. Ser a pessoa que vai estar lá, você não vê?"

Meus olhos arderam e uma lágrima solitária desceu pela minha bochecha. Eu tenho esse aperto e esse medo de que ela me veja de outra forma ao saber dos detalhes sobre a Família Fabray. Tudo bem que eu havia decidido dar uma nova tentativa a Frannie e ver se eu realmente iria conseguir encarar meus pais e isso era algo bom. Mas quando Rachel e eu nos aproximamos, essa realidade estava longe de mim. E eu não permitiria que nada nos afaste. Levantei os olhos e Rachel me encarava de forma fria, mas eu ainda consegui ver a lágrima que fugiu do seu olho. Isso me quebrou.

"Rachel, eu-" Mas antes que eu pudesse terminar, ela me interrompeu. Rachel apontou um dedo para mim, enquanto esforçava-se para não chorar mais.

"Você vai se vestir e vai embora. Você estragou nosso momento. E só vai voltar quando perceber que você deve confiar em mim e nos meus sentimentos! Você não vai me perder! Então só volte quando achar que sou digna de saber sobre o que aconteceu sobre você."

Eu abri minha boca, mas nenhum som saia. Eu estava surpresa. Rachel tinha pegado as rédeas e estava fazendo eu encarar a situação do pior jeito possível. Me fazendo sentir culpada por estragar o que estávamos tendo.

"Eu amo você." Sussurrei, fraca.

"Então se me ama, confie em mim." Eu poderia até pensar em rebater, mas Rachel se tranca no banheiro e eu entendo que está na hora de lidar com as consequências e ir para casa.

Sem ela.

*~~*~~*

Cheguei em casa parecendo o ser mais derrotado existente. Joguei minha mochila na cama e sentei pesadamente na minha cadeira da escrivaninha. Olhei para o mural de fotos colocado cuidadosamente na minha parede e suspirei. As minhas fotos com Finn, Rachel e Stefan me provocaram uma sensação de nostalgia. Eles foram os únicos ali. Porque eu sentia essa necessidade de olhar para o rosto de minha mãe e meu pai e então, escutar? Porque eu ainda sentia que estava ligadas a eles?

Um frio passou por meu corpo e eu esfreguei meus braços. Era para Rachel estar ali, do meu lado. Porque toda vez que meu sobrenome vem a tona parece que a Ice Queen vem também? Porque eu sinto essa necessidade imensa de me isolar? Travei meu maxilar e fiz uma decisão.

Está na hora de arrumar essa bagunça que minha família provocou dentro de mim. Está na hora de ser forte igual como Rachel já me ensinou uma vez. Não vou mais deixar isto me afetar ou afetar as pessoas que amo. Eu vou enfrenta-los e tratei de volta as coisas ao seu devido eixo. Rachel irá ver. Stefan também. Olhei para o meu celular em cima da mesa e repreendi a vontade de ligar para minha pequena. Estou sendo castigada e percebi que ela tem razão. Está na hora de eu me livrar disso, mesmo que algumas feridas possam se abrir no percurso. Esta tudo bem.

Porque Rachel irá me curar no final.

Notas finais
Feeling Good - Michael Bublé. Quinn finalmente tomou coragem para enfrentar o pior fantasma do seu passado e isso é importante para o final da fic. Espero que tenham gostado do desenvolvimento. Outra coisa que quero falar para vocês que estou fazendo um Pre-writing para uma fanfic nova que postarei logo quando She for finalizada. Ela se chamará "Palm Trees Or Lost Souls" e eu estou muito animada para que vocês lêem! Por enquanto, esperem por She. Bye-bye xx @fabrayers ask.fm/fabrayers