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19 Chapter XVIII - Glory
Notas iniciais
Hoje faz um mês desde que vovô morreu.
Papai tenta fingir-se de indiferente, agindo como se já tivesse aceitado e superado a perda, mas eu sabia que não. Mamãe tentou conversar com ele depois do jantar, mas papai nem ao menos terminou de comer direito, disse que estava com dor de cabeça e foi direto se deitar. Ás vezes eu ainda o pego admirando as fotos da família em cima da mesa, ao lado da lareira. Eu não sabia como ele conseguia segurar e continuar sendo tão frio, mas depois que mamãe me contou de sua criação, eu consegui entender. Um pouco. Minha avó paterna era uma tremenda bruxa. Do pouco que eu ouvi, deu para ter noção dos castigos e angústia psicológica na qual ela subordinava os filhos.
Talvez por isso que papai e Tio Stef não se davam bem. Talvez por isso que eles se olhavam de canto, um para o outro, esperando o próximo ataque. Cresceram ao redor de medo, e apesar de que o vovô Leonard tentasse sempre colocar a paz na família, as marcas que a vovó implantou nunca saíram. Eles se tratavam como concorrentes, como inimigos e respeitavam-se apenas pelo o resto da família.
Então, foi aí que eu percebi o quão frágil o sobrenome Fabray era. Cheio de marcas de guerra, cicatrizes e mágoas. Foi aí que percebi que igualmente a isso, os Fabray também não possuíam o poder de curar-se delas, ou ao menos, de se livrar.
E depois de mais um mês sem visitas, eu soube que não veria Tio Stefan mais.
Acordei com cheiro de café vindo da cozinha. Esfreguei meus olhos, estranhando. Não era para ninguém estar aqui além de mim hoje. Eu poderia até ficar alerta, mas se fosse alguém perigoso não iria dar uma paradinha para tomar café da manhã. Levantei preguiçosamente e fui em direção a cozinha. Stefan estava lá, de costas e cozinhando. Vi panquecas virarem no ar e depois voltarem para panela. Ele vestia um avental branco e parecia feliz. Mas de novo, estranhei sua presença ali.
"Não era para você estar em Cleveland pelo menos até hoje a noite?" Perguntei. Ele olhou para trás, surpreso e então riu.
"Bom dia, sobrinha." Disse, voltando sua atenção para panela. "E sim, era. Mas Samantha recebeu uma alerta do hospital e teve que voltar."
"Sinto muito pelo o seu final de semana romântico." Stefan riu.
"Está tudo bem. Não estragou nada." Notei o tom animado em sua voz e ergui uma sobrancelha. Meu padrinho sempre fora aquele caras quietos e era difícil vê-lo assim. Samantha ganhou mais alguns pontos.
"Pelo o que vejo, deu tudo certo para você." Provoquei. Stefan desligou o fogão e tirou a panela, colocando as panquecas no prato.
"Ela aceitou namorar comigo." Stefan comentou, virando-se para mim. E eu amei seu sorriso. Era um sorriso que eu ainda não tinha visto antes. Era um sorriso imenso, no qual todos os dentes apareciam. Ri com a felicidade dele.
"Estou feliz por você, Stef." Ele me olhou carinhosamente, agradecido.
"E você? Cadê sua morena?" Perguntou, enquanto colocava os pratos com as panquecas na mesa. Me sentei e peguei uma para mim. "Opa, sua cara não está muito boa."
"Estou de castigo." Comentei, dando a primeira garfada.
"O que você fez?" Ele sentou-se na minha frente.
"Ela não sabia sobre Frannie. Nada sobre a situação, na verdade."
"Movimento ruim, sobrinha."
"Ela está magoada em mim, acha que eu não confio nela nem em seus sentimentos."
"E com razão." Olhei para ele, enquanto comia. "Você... já sabe o que vai fazer?"
Stefan estava perguntando sobre minha decisão. Respirei fundo. Sabia o quão delicado aquele assunto era para ele, por muito tempo foi um assunto delicado para mim também.
"Eu vou... ouvi-los." Hesitei. "Quero olhar para os rostos deles. Quero escutar o que tem a dizer. Mas... não sei. Acho que não vamos conseguir voltar ao que era antes."
"Por que não? Você pareceu dar uma chance á Frannie ontem. Me pareceu que iria dar tudo certo."
"A Frannie? Talvez. Mas não a Judy e Russel. Eles já me expulsaram de casa por estar grávida, não sei o que irão fazer com uma filha gay."
Stefan olhou para mim, espantado.
"Você está dizendo que você vai..."
"Me assumir? Sim. Eu irei. Logo quando formos conversar, vou jogar todas as minhas cartas na mesa. E se eles realmente quiserem minhas desculpas, se realmente quiserem me ter como filha de novo... Terão que me aceitar como sou. Terão que aceitar meu amor por Rachel."
Stefan sorriu para mim, orgulhoso.
"Você sempre terá uma casa." Ele disse. Eu levantei e fui até ele, ele me recebeu em seus braços na cadeira e eu o abracei apertado.
"Eu amo você, pai-drinho."
"Essa é a melhor coisa que eu já escutei na vida." Ele gargalhou. "Eu também amo você, menina."
E eu soube que estaria bem. Não importa o que acontecesse. Eu nunca deixaria de ser grata á Stefan. Nunca.
*~*~*
Depois de ligar duas vezes para o celular de Rachel e ela não atender, resolvi ir até a casa dos Berry. Estacionei o carro na frente da casa e desci, vendo que a luz do seu quarto estava acesa. Sorri ao perceber que estava mesmo sendo ignorada, mas estava na hora de resolver as coisas. Andei até a porta da frente e apertei a campanhia.
"Hiram." Cumprimentei. O homem de cabelos pretos encaracolados sorriu para mim.
"Quinn, querida, entre." Ele abriu passagem para mim e eu entrei. Olhei para as escadas, ansiosa.
"Ela estava um pouco chateada com você." Hiram disse e eu virei, o encarando tímida.
"Fiz besteira." Disse, corando. "Mas estou aqui para consertar."
Ele sorriu para mim.
"Eu sei que está." Ele fez um movimento com a mão, em direção as escadas. "Vá, suba logo."
Sorri para Hiram e virei, subindo as escadas. Me aproximei a passos leves do quarto de Rachel e pude ouvir uma música suave no fundo, reconheci sendo So Far Away, da Sara Beireles. Bati na porta duas vezes e esperei.
Então, Rachel abriu a porta e eu salivei.
Ela vestia apenas uma calcinha branca e uma camisa roxa fofinha de manga longa. Os cabelos caindo sobre os ombros. Linda. Minha vontade era agarra-lá agora mesmo mas provavelmente levaria uma bofetada.
"Quinn."
"Oi, amor." Eu disse, animada. Como se ela não estivesse magoada comigo. Eu percebi que ela segurou um sorriso e fiquei feliz, ela apenas levantou uma sobrancelha. Talvez um hábito que ela tirou de mim.
"Entra." Foi tudo o que ela disse, e eu entrei.
"Vim conversar." Comecei, ela não esboçou reação. "E pedir desculpas."
Ela se sentou na cama e olhou para mim.
"Estou ouvindo."
Suspirei antes de começar.
"Me desculpa por não ter contado nada á você." Eu disse e me ajoelhei em sua frente na cama. "Por não ter confiado no que você sentia por mim, mas é que... Eu fiquei com medo, sabe? Medo de você enxergar como a velha Ice Quinn por causa da minha família."
"Quinn..." Rachel me encarou, triste.
"Eu só queria deixar todo esse passado longe de nós e achei que estaria te protegendo disso. Te poupando de ouvir minhas misérias..."
"Isso é um absurdo." Rachel falou, mas sua voz estava carinhosa. Peguei suas mãos e beijei, lhe olhando no olhos.
"Eu sei. Eu sei que é um absurdo porque você é maravilhosa e tem o maior coração do mundo e nunca me julgaria."
"E também porque eu te amo." Rachel completou, aborrecida.
"E porque você me ama." Repeti. "E eu te amo tanto..." Coloquei minhas mãos em seus lábios e a beijei, suspirando aliviada quando ela retribuiu. Me sentei ao seu lado na cama e continuei o beijo, que era completamente carinhoso. No final, encostei nossas testas.
"Eu ainda não perdoei você." Ela sussurrou e eu me afastei, confusa.
"Porquê?"
"Por que você ainda não me contou nada!" Ela exclamou, sorrindo.
"Tudo bem." Eu sorri de volta. Me encostei na cabeceira da cama e lhe fitei. "Vem cá, vou lhe dizer tudo."
Então ela se aninhou em mim e eu contei tudo. Desde quando soube de Frannie e da situação dos meus pais. Rachel me escutava atentamente e me abraçava mais forte quando sentia que eu ficava tensa, e isso era tudo o que eu precisava.
No final, nossos rostos estavam próximos, Rachel segurava meu rosto e acariciava meus cabelos.
"Estou orgulhosa de você." Ela disse, passando o polegar por minhas bochechas. "De verdade, você tem sido forte. Eu só queria ter estado lá para você."
"Você estava. Não sabia o que estava acontecendo, mas você me deu forças, para isso, okay?"
Ela sorriu para mim.
"Você é a coisa mais fofa do mundo agora."
E então eu a puxei para um beijo e suguei sua língua, sentindo sua pele arrepiar-se. Rachel se moveu e ficou em cima de mim, com a pernas para cada lado da minha cintura. Estremeci quando ela começou a rebolar.
"Rach, a porta..."
"Trancada." Ela disse, de forma abafada e começou atacar meu pescoço.
Levei minha mais até suas coxas e acariciei, sentindo a carne farta nas minhas mãos, subi as mãos até sua bunda e apertei. Soltando um gemido safado ao sentir as nádegas nos meus dedos.
"Eu amo sua bunda." Eu sussurrei, e Rachel gargalhou. Como incentivo, ela ficou de joelhos e puxou a blusa para cima, deixando os seus seios expostos sem o sutiã. A excitação cresceu poderosamente em mim, a visão dos peitos de Rachel sempre me causava isso. Eu a imitei e joguei minha camisa para fora, ficando com o sutiã preto. A puxei pela cintura e colei nossos corpos de novo, dessa vez girando para ficar por cima.
Senti as mãos de Rachel desabotoando meus jeans e depois puxando o zíper para baixo. Ajudei e chutei meus jeans para fora, somente para depois voltar e começar a distribuir beijos pelo seu colo. Minha mão esquerda começou a apalpar seu peito esquerdo enquanto eu sugava o outro. Rachel levou as mãos até meu cabelo e puxou com força, me deixando mais louca ainda. Ela soltou um gemido preguiçoso quando eu dei uma mordidinha em seu mamilo, prendendo-o entre os dentes.
Comecei a arrastar minha mão até sua calcinha, enganchei os dedos na lateral e comecei a retirar, e ela ajudou fazendo com que o movimento fosse mais rápido. Quando meus dedos tocaram seu clítoris, ela segurou minha mão. Levantei meu olhos até ela, confusa. Seu rosto estava vermelho.
"Assim não." E deu um sorriso safado que eu estremeci. E então, ela virou nossos corpos, ficando por cima de mim, apoiando suas mãos em meus ombros.
"Faça." Ela sussurrou e eu com a mente nublada, obedeci.
A penetrei com dois dedos e suas unhas fincaram-se nos meus ombros. Meu corpo esquentou ao ver que Rachel estava começando a cavalgar em mim. Enfiei meus dedos de um jeito mais fundo e Rachel apertou os olhos bem fechados, acelerando os ritmos dos quadris.
"Você está tão apertada." Gemi, quando senti suas paredes apertando gostosamente meus dedos.
"Quinn-n"
"Deus."
Acelerei os movimentos dos dedos e vidrei meus olhos nos seios de Rachel, que balançavam por causa da cavalgada. Seu corpo começou a estremecer e eu soube que ela estava perto. Meus músculos também começaram a se contrair e eu fiquei surpresa. Iria gozar apenas de ver Rachel gozar.
"Est-ou tão per.. to" Ela gemeu, aproveitei e levei minha mão livre ao seu seio, beliscando seu mamilo.
Ficamos mais alguns minutos ali, até que seu corpo estremeceu violentamente e minha mão encharcou-se. Rachel soltou um último longo gemido e caiu sobre mim, ofegante. Eu vim logo depois. Ela se aconchegou em mim e ficou em silêncio.
"Nós somos tão boas nisso." Ela disse, de repente e eu gargalhei. Rachel sorriu para mim, tímida.
"Tá rindo porquê?" Perguntou, corando.
"Você é incrível." Eu falei, deixando um beijo em seus lábios.
E ficamos assim por um bom tempo, apenas sentindo o calor da outra.
"Segunda começa a última semana de aula e então vamos para Nationals. Já tem algum plano?"
Eu tinha alguns, na verdade. Mas era surpresa.
"Nada ainda e você?"
"Estou preparando o que irei levar para NYC." Sorri com seu tom animado.
"Vai me levar também?"
"Vou, sua boba."
Ela riu e eu lhe apertei ainda mais nos meus braços.
"Eu te amo."
"Também te amo, minha pequena."
Ela sorriu e distribuiu beijinhos no meu maxilar.
Senti meu coração se acalmar da bagunça que os últimos dias foram e sorri. Rachel era assim; apaixonante, quente, exagerada. E eu decidi que daria a ela o que ela desejava, mesmo que secretamente, eu cantaria para ela. Na última aula do Glee Club. Meu namoro com Rachel já era rumor no McKinley, mas parece que por causa de Puck as coisas ficaram abafadas. Pensei que isso não combinava mais comigo. Estava na hora de dizer para o mundo que a Cheerleader Quinn Fabray e a loser Rachel Berry estavam juntas e apaixonadas.
Segurei uma risada quando senti Rachel cochilar em meus braços. O McKinley não sabia o que lhe esperava.
A antiga Quinn Fabray estava voltando; mas não a fria, arrogante e neurótica. Estava voltando a antiga Quinn que era dominante, forte e que gostava da atenção, em seus limites é claro.
Sorri maliciosamente enquanto acariciava os cabelos de Rachel, deixando o seu cheiro impregnar-se
Eu iria fechar a última semana do McKinley com chave de ouro.
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