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13 Chapter XII - Thoughts
Notas iniciais
Eu estava arrumando minha mochila enquanto ouvia o canto dos passáros do lado de fora da casa e Stefan cantarolando na cozinha. Era um dia ensolarado de sabádo, mas não era assim tão bom para mim. Estava pronta para ir ás compras dos figurinos da peça do Glee Club, tarefa da qual fiquei encarregada. Além disso, hoje acabava minhas férias da Ohio Letters. Ficarei a tarde toda ocupada. Talvez isso me impeça de pensar em certos problemas.
Talvez isso me impeça de pensar em Rachel.
Estou analisando pela a última vez a lista dos itens que preciso comprar para a peça quando sinto um aroma extremamente delicioso me invadir. Viro-me e encontro Stefan colocando o que parece ser uma torta de batata doce em cima da mesa. Salivo em antecipação.
"Nem pense." — Diz ele, antes mesmo que eu possa sequer imaginar o gosto da torta em minha boca. — "Não é para você."
"Hmm, se não é para mim, então é para quem?" — Sorrio maliciosamente. Tenho o prazer de ver meu padrinho corar.
"Samantha Ferrars." — Ele sussurra tímido. — "Quer dizer, ela é uma amiga, uma cliente do banco que estou ajudando. Ela vir almoçar aqui em casa não significa nada. Não acho que ela queira algo comigo."
"Oh, sim." — Digo, arqueando uma sobrancelha. — "Talvez ela queria algo. Algo como casar e ter filhos." — Brinco dando risada. Stefan faz cara feia para mim.
"De qualquer forma, não volte antes das 16h. Não quero você me constragendo aqui." — Eu sorrio. Stefan joga a chave do carro para mim.
"Não voltaria nem se eu quisesse. Volto para o meu turno na Ohio Letters hoje." — Eu digo, caminhando para a porta. Stefan suspira aliviado, exageradamente. Eu levanto meu dedo do meio para ele. Meu padrinho grita "Castigo!" um segundo antes de eu fechar a porta.
–
Estou caminhando entre um mar de pessoas no centro municipal de Lima. A praça pública está lotada por causa do novo festival, o que me fez ter que pagar um estacionamento para deixar meu carro e poder me locomover, mesmo a pé. Já estou cheia de sacolas em mãos e bufo ao perceber que ainda falta certos itens que tenho que comprar. Suspiro em frustração quando percebo que não há mais lojas das quais eu possa procurar no centro e tenho que caçar nas ruas alternativas.
Estou quase desistindo quando avisto uma Costura no final da rua. Saio de lá vitoriosa por completar a lista e cumprir minha parte para que a peça seja bem feita. Olho para o meu relógio e vejo que são 15h30. Tenho meia hora para voltar até meu carro e ir direto para a Ohio Letters.
Aperto o passo, estou na metade do caminho quando ouço um grito de dor. Paraliso, assutada e então olho ao redor procurando a origem do som, porém não vejo ninguém. Volto ao meu caminho, dessa vez andando mais rápido, quando ouço sons abafados. Chutes e socos. É uma briga. Me viro para trás e consigo ver quatro garotos em pés, não pareciam passar de 14 ou 15 anos. Um está no chão. Fico irritada com a covardia, mas ainda sou uma garota cheia de sacolas nas mãos. Não há nada que eu possa fazer. Faço menção de me virar e continuar meu trajeto quando consigo ter uma rápida visão do garoto que está no chão. Eu o reconheço. Ele costumava ser meu amigo.
Jacob Puckerman.
Engulo seco quando eu o vejo. Olho em volta, pensando no que fazer mas as pessoas estão longe demais. A música do festival certamente abafaria meus gritos. Encaro Jake no chão de novo, somente para ver um moreno baixinho e forte lhe chutar nas costelas. Fecho os olhos com forças quando ele grita.
"Hey." — Grito antes que minha consciência me pare. Eles olham para mim. — "Parem com isso ou eu chamo a polícia!" — Falo firmemente. O moreno baixinho olha para um outro garoto, esse que tem cabelos queimados quase ruivos e então acena para mim. Como se dissese "resolve isso."
O ruivo começa a vir até mim. Sinto um medo na espinha mas mesmo assim coloco minhas compras no chão. Ele para á alguns passos de distância, o que me tranquiliza.
"Por favor, vá embora." — Ele diz e me assusto quando ele até parece cuidadoso. — "Estamos resolvendo questões."
"Não se resolve questões assim. Por favor, ele já está sangrando bastante..." — Olho nervosa para Jake no chão. — "Faça eles pararem."
O ruivo me parece envergonhado.
"Me desculpe. Não posso fazer nada, eles não me levam a sério..." — Ele olha para trás, inquieto. Tão nervoso quanto eu.
O moreno fortinho se vira mais uma vez e agora parece mais irritado.
"Nich! Você não presta para nada! Nem para se livrar de uma garota!' — Então ele começa a andar em nossa direção, pretendendo avançar em mim. Recuo para trás, assustada. Não sei se ele tem uma faca ou não.
Mas surpreendentemente, o ruivo fica em minha frente.
"Já chega, Pena. Vamos embora." — Ele diz e ergue a mão, chamando a atenção de seus outros dois amigos.
"Cale a boca, você não manda aqui, pirralho." — O mais baixo diz e empurra o ruivo. Ele parecia que ia revidar...
...Até que ouvimos pneus cantando contra o asfalto.
Um carro prata avança em cima dos dois, enquanto os outros atrás tentam deixar um Jacob quase desmaiado em pé. Eu ando para trás tentando não ser atingida. O carro freia mas só o susto faz com que os garotos caiem no chão e larguem Jake. Ele ameaça avançar de novo, mas um deles se levanta e grita para todos correrem. Eles fogem enquanto Jake murmura de dor na calçada.
Recolho minhas sacolas e tento correr até ele, mas antes a porta do carro se abre. Por um segundo eu temo quem está lá dentro. Então a pessoa sai de lá completamente e eu suspiro de alívio.
Norman.
Ele parece meio nervoso, eu me aproximo e ele solta um grito animado.
"Nossa! Nunca achei que ia ter coragem de fazer isso com o carro do meu pai" — Eu reviro os olhos.
"Me ajude!" — Eu digo e então empurro minhas sacolas em seu peito. Ele se atrapalha, mas consegue segura-lás. Eu corro até Jacob.
Me ajoelho ao seu lado e torço o nariz para seu estado. Seu maxilar está completamente destruído, seu supercílio cortado e o nariz sangrando. Devo apostar que suas costelas estão piores.
'Jake?" — Pergunto.
"Lucy." — Ele murmura em meio a dor e eu sorrio. Ele é uma das únicas pessoas da qual eu deixo me chamar por esse nome.
"Norman! Venha, preciso de ajuda para levanta-lo. Coloque ele em seu carro." — Norman assente e apoia um dos braços de Jake em volta de seu pescoço. Levantamos ele e devagar percorremos o caminho até o carro.
"O que faremos com ele?" — Norman pergunta.
"Eu sei onde a casa dele fica. Posso nos levar até lá." — Norman assente novamente e senta no banco de motorista. Eu vou atrás, segurando a cabeça de Jacob. Dou endereço á Norman.
"Eu estava indo até a Ohio para meu turno quando passei por essa rua e vi aquele anão avançando em você. Fiquei com medo. O que estava acontecendo?"
"Eu não sei. Ele estava sendo espancando e eu estava tentando ajudar."
"Você é louca." — Norman responde.
"Eu o conheço. É um amigo."
"Continua sendo louca. Era quatro garotos contra uma Miss Fabray. Acho que seu rostinho não continuaria tão lindo assim se eu não tivesse aparecido."
Reviro os olhos mais uma vez. Era uma ação comum toda vez que minha companhia era Norman Ellison.
Chegamos até a casa dos Puckerman. As luzes estão todas apagadas e não há nenhum carro na caragem.
"Tem alguém em casa?" — Pergunto para Jacob e ele dá uma negativa. — "Onde sua mãe esconde a chave?"
Ele não responde. Leva pesadamente a mão até seu bolso e bate. Eu consigo ouvir um som metálico. Enfio a mão em seu bolso e puxo a chave. Me viro para Norman.
"Enquanto eu abro a porta, ajude ele a se levantar."
–
Agora estávamos na cozinha dos Puckerman. Jacob está deitado na bancada de marmore enquanto eu cuido dos seus ferimentos. Penso que se, caso a mãe dele estivesse aqui, iria pirar por eu estar usando sua cozinha. Provavelmente, se importaria mais com sua louça do que com seu filho arrebentado. Suspiro, lembrando dos meses que passei aqui. Eu não gostei nenhum pouco deles.
Mas tinha um lado bom. Tinha Jacob.
No tempo em que morei aqui, ele foi um amigo fiel. Cuidando de mim, de um modo que Puck não fazia. Brigava com o irmão por ser um idiota comigo. Brigava com a mãe para me defender. Me perguntava se eu estava bem, e no caso, era o único que realmente queria uma resposta. Além de um protetor, ele foi a minha única companhia. Quando sai da casa dos Puckerman, foi rara ás vezes que conversamos. Não queria muito contato com qualquer coisa que remetia á Puck. Percebo que não fui muito justa com ele. Não acho que agradeci o suficiente.
Passo um tempo limpando seus ferimentos. Norman está na sala, ligando para Elijah e contando do acontecimento. Suspiro e me deixo cair na cadeira, logo ao lado de Jake. Ele murmura alguma coisa que não entendo.
"Obrigada." — Ele diz e dessa vez eu entendo.
"O que você estava fazendo ali? Porque eles estavam te machucando?" — Pergunto, com uma voz suave para que ele perceba que eu não estou desconfiando dele, ou o acusando.
Ele suspira.
"Aqueles caras são do meu colégio." — Ele diz com dificuldade. — "Eu não gosto deles. Eles não gostam de mim. É uma longa história."
"Não há nada que você possa fazer? Denunciar eles ou alguma coisa?" — Ele ri fracamente em resposta. Sei que foi uma pergunta boba. Ohio não é lá um estado conhecido por sua luta contra o bullying.
O sorriso escapa de seu rosto e ele me encara sério. Sério demais.
"Você quer saber porque eu estava lá?" — Aceno positivamente. — "Estava procurando por você."
Franzo os cenhos imediamente.
"O quê? Você está precisando da minha ajuda?" — Pergunto, nervosa.
Ele nega.
"Alguém quer que eu fale com você. Alguém que não consegue te contatar diretamente e não confia em Puck para isso."
Fico confusa, mas Jacob não demora em esclarecer.
"Frannie. Sua irmã está atrás de você."
–
Passam alguns segundos enquanto eu estou fora do ar.
"Frannie?" — Murmuro fracamente. Jake assente.- "Você está brincando."
"Não estou." — Ele se defende.
Balanço a cabeça, não acreditando.
"Porque ela não fala comigo? Porque precisa usar você?"
"Parece que seus pais se divorciaram. Russel ficou com a guarda de Frannie. Judy está com a sua."
"Isso não é verdade. Eu não vejo minha mãe há meses."
"É, sim. Foi uma decisão da justiça. Seu pai ficou com raiva, ele queria vocês duas. Judy ficou aliviada por Frannie estar em Boston e longe dele. Mas como vingança, ele conseguiu uma medida que proibia Frannie ou Judy de chegarem perto de você. A polícia está em cima delas faz tempo, em influência do seu pai."
Sinto que meu mundo acaba de desabar novamente.
"Isso não é possível..."
"Gostaria de te explicar mais, porém Frannie não me disse muito. Ela só me avisou para te deixar a par da situação e dizer que ela estaria de volta em Ohio em uma semana."
Levo um tiro novamente.
"Minha irmã está voltando para Lima?"
"Sim. Quer dizer, não na verdade." — Fico confusa. — "Ela vem para Ohio mas para a cidade de Cleveland. Ela está fugindo do seu pai e dos olhos do advogado dele, por isso não pode vir para cá. Você terá que ir atrás dela lá."
Me sento novamente e levo as mãos até meus cabelos. Querendo poder me afogar em algum lugar onde eu não teria que lidar com todas essas questões.
"O que você vai fazer?" — Ele pergunta.
"Não sei." — É a resposta mais sincera que tenho.
O silêncio toma conta da cozinha até quando ouvimos uma buzina do lado de fora. Me levanto, o suficiente para olhar pela a janela.
"É Norman. Ele voltou com o meu carro que estava na praça."
"Acho melhor você ir. Gostaria que você ficasse, mas se mamãe chegasse aqui seria um estresse."
Suspiro.
"Eu sei... Tenho mesmo que ir. Já está de noite, meu padrinho deve estar preocupado." — Ele assente, se senta na bancada com dificuldade. — "Você vai se meter em problemas por causa da briga?" — Pergunto, preocupada.
"Não. Eu invento uma desculpa."
"Dê um jeito de ir ao hospital ver como suas costelas estão. Se sua mãe não lhe levar, vá sozinho. Ou me ligue. Não fique nesse estado."
"Pode deixar." — Ele diz e me puxa para um abraço. Me lembro de como sempre gostei dele. Me lembro que, desde da primeira vez que o vi, sabia que ele tinha o mesmo jeito malandro do meio-irmão, mas com uma índole completamente diferente. Bondoso, gentil, sem preocupações futéis sobre popularidade ou músculos. Jacob nunca se preocupou com aparência. Talvez seja por isso que ele tenha sido o único nesta casa que não tenha me julgado.
Me despeço dele e saio pela a porta da frente encontrando Norman. Ele se aproxima.
"O garotão está bem?" — Eu assinto.
"Elijah ficou chateado com a gente?" — Pergunto. Norman levanta a mão, em um gesto de despreocupação.
"O velho nem se importou, ficou preocupado com você. Até me perguntou se eu fui um gentleman e salvei a mocinha. É claro que eu disse sim." — Eu ri e lhe dei um leve empurrão.
"Eu conheço o arrebentado aí." — Norman diz, enquanto eu caminho até o meu carro. — "Ele é da minha escola. Não sei como você pode fazer isso, mas talvez devesse tentar ajuda-lô. Ele tem sido perseguido por uns caras da baixada. São perigosos.
Sinto uma pontada forte na cabeça. São muitas preocupações.
"Vou tentar ver o que eu faço." — Digo e abro a porta do carro. — "Hey, Nor." — Ele me encara.
"Obrigada. Você me ajudou muito hoje. Talvez você mereça o título de herói, mas só um pouquinho. Você é muito magrelo para ser super-homem." — Eu digo e ele ri antes de levantar o dedo do meio para mim. Eu jogo uma língua para ele e entro carro. Não estou tão preparada para lidar com minhas questões sozinhas. Frustrada, ligo o carro e vou para casa.
–
Abro a porta de casa cansada. Passo meus olhos pela a sala e vejo uma garrafa de vinho e duas taças de vidro sobre a mesa. Sorrio. Pelo menos Stefan se divertiu hoje. Coloco minhas sacolas que entregarei para Mr. Schue na segunda debaixo do armário e jogo minha mochila no sofá e logo em seguida caio sobre o mesmo. Ouço passos leves na maderia e me viro esperando encontrar um Stefan feliz e apaixonado. Mas não é exatamente isso que vejo.
Rachel. Ela está envergonhada e acabava de sair do meu quarto.
"Estive esperando por você. Fui até a Ohio Letters mas Elijah disse que você estava fora, resolvendo um problema. Tentei ligar para você mas seu celular estava fora de aréa." — Ela vê meu rosto confuso e se explica. Procuro pelo o celular em meu bolso e tento desbloquear a tela. Desligado.
"Minha bateria acabou." — Explico e mostro a tela do meu celular, timidamente. Tem algo esquisito no ar e eu não sei porquê. Fico apreensiva, porque Rachel apareceu aqui tão repentinamente e eu não sei nada sobre suas intenções.
Talvez seja porque nos beijamos tão intensamente na sala do coral. Ou talvez seja qualquer outra coisa.
Estou sentindo meu corpo reclamar de todo o estresse que vivi hoje. Jacob. Frannie. Não sei se aguentaria algo negativo vindo de Rachel, mas de qualquer forma, bato no sofá no lugar logo do meu lado e ela obedece.
Ela está sorrindo grandiosamente pára mim e isso me tranquiliza um pouco. Porém tem algo a mais. Um brilho mais forte em seu olhar. Uma inquietação no seu corpo.
"Aconteceu alguma coisa?" — Pergunto, de repente curiosa para saber o que houve para deixa-la naquele estado.
"Fecha os olhos." — Ela sussurra. Eu arqueio uma sobrancelha. — "Fecha logo!" — Eu ri de sua impaciência mas obedeço. Rachel faz com que minhas mãos descansem sobre minha própria coxa e então as abre. Se passa 1 segundo e então eu sinto um peso leve sobre minhas mãos. Um papel.
"Pode abrir." — Ela diz, e é quase um gritinho. Eu abro os olhos e encaro o papel em minha frente.
E eu leio a seguinte frase:
"Srta. Rachel Berry, a reitoria e diretoria da Universidade de Artes Cênicas de Nova York (NYADA) tem o prazer de aceitar o seu grande potencial e talento em nossa grade de alunos..."
Eu deixo meu queixo cair e a respiração ir embora.
Encaro Rachel. Ela não se segura, grita e se joga em cima de mim. Caímos no sofá.
Ela grita mais e eu grito com ela. A vizinhaça provavelmente já deve achar que somos loucas.
"Isso é sério? Você está em Nova York!"
"Sim!" — Ela grita e eu vejo que seus olhos estão um pouco vermelhos, provavelmente por causa de um choro. Mas dessa vez, não me preocupo. Sei que foi de felicidade.
"Oh meu Deus." — Estou eufórica. — "Parabéns! É o primeiro passo para tudo!" — Ela assente e se joga mais uma vez em meus braços. — "Estou tão orgulhosa!"
"É o primeiro passo para tudo." — Rachel repete. — "E espero que você esteja lá."
"Eu estarei."
E espero que essa não seja uma promessa que terei que quebrar.
A questão de Frannie ainda está me assombrando mas não pertubarei Rachel com essa questão agora. Ela está tão feliz... E de qualquer jeito, mais tarde conversarei com Stefan, até eu preciso pensar no assunto antes disso...
Antes que eu perceba, Rachel liga sua locomotora verbal e de boa vontade me coloco em disposição para ouvi-la. Ela está animada. Me conta seus planos, seus sonhos. Me conta sua reação quando viu a carta, conta a reação dos seus pais. Rachel está tão feliz que preciso tatuar sua imagem em minha mente. Os olhos brilhando, as mãos inquietas, as bochehas coradas e o maior sorriso do mundo.
Acho que me apaixonei mais uma vez.
Trocamos carícias sutis, de um casal tímido. Rachel decide dormir comigo e fico feliz por ela tomar essa decisão justo hoje, sem perceber, ela está presente no momento em que mais preciso. Conversamos por muito tempo na cama antes de adormecer, não toco em nenhum acontecimento de hoje. Não por enquanto. Quero aproveita-la e além do mais, não sinto a necessidade de fazer isso. Somente sua presença e a consideração que, ela quis passar a noite do dia em que um dos seus sonhos se realizou justamente comigo, já me faz bem por si só.
Durmo com ela entrelaçada em meu corpo e percebo o quanto a desejo. Quanto eu a quero para ser o remédio de todos os meus dias, especialmente dias difíceis como os de hoje. Eu a quero como uma certeza e não com essa timidez sentimental que apresentamos agoira. Sei que ela também está passando por um momento complicado e eu não a forço nada.
Mas pelo o simples gesto, eu percebo que Rachel é mais poderosa sobre mim do que eu mesma sei. Somente seu contato, seu cheiro e sua respiração sobre o meu peito agora já é capaz de expurgar todos os pensamentos ruins que tive hoje.
E também realizo que, aos poucos, ela está atendendo ao pedido que fiz á ela há um tempinho atrás.
Rachel está se tornando a minha casa.
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