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12 Chapter XI - Little Bird
Notas iniciais
Acho que nunca poderei chorar mais do que chorei hoje. Puck ficou do meu lado o tempo inteiro, mas sua falta de palavras só serviu como prova para mim que ele é um covarde. Shelby veio hoje até a casa dele e conversou comigo. Eu estava inconsolável.
Irrecuperável.
Ela tentou me convencer que eu tinha que ficar na casa dos Puckerman, que era o melhor lugar para mim e que ela saberia onde me encontrar caso precisasse. Eu não quis saber.
Eu não me sinto confortável. As tentativas ridículas de aproximação de Puck e os olhares rudes de sua mãe me expulsam facilmente da casa.
Eu não sou bem-vinda. Eu não quero ser bem-vinda. Eu sai de lá e peguei um táxi, sem destino algum. Eu apenas pedi ao senhor que ele me deixasse em uma lanchonete por perto e foi o que ele fez. Fiquei lá, até o horário do estabelecimento fechar e eu ser posta para fora. Perdida.
Na chuva, com uma mochila pesada e uma mala não muito grande. Procurando algum lugar para escapar das gotas, o medo terrível de ter que passar a noite na rua. Um frio na espinha provoca dor no meu compro.
Então eu o vi. A luz clara forte do seu carro parando ao meu lado no meio fio. Ele saiu do carro sem hesitar e colocou minhas malas no banco de trás. A principal vítima dessa situação toda acabava de me salvar. Finn.
Ele ficou alguns minutos comigo no carro, enquanto eu chorava compulsivamente. Nós não trocamos muitas palavras, eu sussurrei o nome de duas ruas que haviam surgido na minha mente como uma última esperança e ele colocou o carro para funcionar.
A expressão do meu padrinho ao me encontrar provocou uma dor alucinante em mim. Ele não me reconhecia, ele estava tão decepcionado... Mas de qualquer forma, apenas depois de eu balbuciar algumas palavras, ele me abraça e agradece Finn.
Eu desmaio em seus braços.
Agora eu moro com um padrinho distante, do qual não sou tão próxima quanto era. Não tenho ninguém na escola esperando saber como estou. Meus pais não falam comigo faz meses.
Completamente sozinha.
Me sinto como a própria Nevasca em pessoa.
Acordo com uma dor de cabeça terrível. Hoje era quinta-feira e completava cinco dias que não conversava direito com Rachel. Eu estava cansada. O corpo dormente. O coração angustiado.
Suspiro ao me levantar da cama, pensando quanto tempo mais ficarei nessa situação. Esperando, esperando...
Tenho medo de estar andando para trás, aos poucos. De que toda essa história me deixe sem ninguém novamente, e por alguns segundos, penso que ter me declarado para Rachel foi um erro.
Mas sei que não foi. Eu respiro fundo, porque até eu ter alguma resposta, eu preciso segurar a insegurança dentro de mim.
Me levanto pesadamente e tomo coragem para tomar um banho gelado. É um novo dia no McKinley para se enfrentar.
–
As coisas começaram a piorar assim que pus os pés no McKinley.
Me sentia novamente com o uniforme vermelho, branco e preto das Cheerios. Todas as cabeças do corredor, virando-se para me ver passar. Eles costumavam me observar, mas nunca abertamente assim. Nunca desde que deixei as Cheerios e engravidei.
Sinto minha orelha esquentar, como ela sempre faz quando estou desconfiando de alguma coisa. Para no meu armário e ouço alguns murmúrios enquanto recolho os livros. Estou começando a me irritar.
"Quinn?" — Me assusto ao ver que a voz pertence á Rachel. Ela se aproxima e fica ao meu lado. — "O que você está fazendo?"
Estranho a pergunta. Franzo as sobrancelhas.
"Nada. Eu não fiz nada." — Eu sussurro de volta. Estou um pouco chateada por sua recepção fria, porém tento não demonstrar.
Ela não fala nada, fecha seus dedos no meu pulso e me arrasta corredor afora, tentando fugir dos olhares incômodos. É o primeiro contato que temos em cinco dias.
Paramos perto de uma sala vazia, entramos mas deixamos a porta aberta. Ela está irritada e enérgica, coloca seus livros na mesa e vira-se para mim.
"Eu ainda estou tentando entender como você pode fazer o que fez ontem e aparecer na escola assim..."
O quê?
"O quê?" — Dou voz ao meu pensamento, porque não estou entendendo nada e seu tom acusatório está me deixando nervosa de verdade.
"Você e Puck! Vocês dois estiveram na casa de Shelby! Eu sabia que você iria ver Beth qualquer dia desses, mas não sabia que era com ele!"
Estou em total confusão. Puck?
"Deve ter acontecido algum mal-entendido... Porque eu não falo com Puck há muito tempo."
"Não é isso que estão falando por aí."
Bato as mãos em minhas pernas, perdendo a paciência. Sua falta de confiança e seu olhar irritado direcionado a mim me tiram do sério.
"E você acredita neles? Quer dizer, sim... Eu estive na casa de Shelby para ver Beth mas não com Puck!"
O olhar de Rachel muda.
"Você foi ver Beth sozinha?" — Ela me pergunta, e parece estar preocupada com o meu estado. Não me deixo derreter. Estou brava com ela.
"Não." — Eu afirmo. — "Achei que você soubesse. Finn foi comigo."
Os olhos dela se arregalam em surpresa.
"Finn?" — Eu aceno positivamente.
"Ele se ofereceu. Finn sempre quis conhecer Beth, foi a chance dele." — Eu digo e ela fica em silêncio.
Sei que ela está envergonhada.
"Você realmente achou que eu iria dividir esse momento com Puck? Além do mais, você me pediu um tempo e estou respeitando, mas te vejo todos os dias grudada com Finn, rindo, sorrindo para ele.. Sei que não posso te cobrar nada mas em nenhum momento te acusei de alguma coisa. Você achar que eu te escondi um contato com Puck me ofende de maneiras... inexplicáveis."
Finalmente coloco para fora o que estive sentindo nós últimos dias. Ciúmes. Insegurança. Saudade.
Ela suspira.
"Me desculpe... Sei que não estou sendo muita justa com você esses dias..."
Respiro fundo. Tentando controlar a vontade de abraçá-la, de beija-lá. Sinto falta do seu cheiro, mas me seguro.
"Está tudo bem..." — Eu digo, fracamente.
"Não está." — Ela suspira mais uma vez e se aproxima. Eu ergo meus olhos para cima, tentando aguentar a atração magnética que sinto por ela. Um campo gravitacional mais forte do que eu. — "Estou te magoando e não quero isso. Só queria organizar mais as coisas e..."
"Está tudo bem." — Eu repito. — "É sério, eu entendo, é apenas... Difícil."
O silêncio cai entre nós. Não gosto disso.
"Você quer falar sobre Beth?"
O alarme do primeiro período toca. Olho para trás, para o corredor e então a encaro de novo.
"Agora não. Talvez... depois? Deve ter algum rumor sobre mim e Puck rondando e quero resolver isso."
Rachel assente. Ela me encara e sinto o carinho em seus olhos. Ela olha para o corredor também e volta aos meus olhos. Rachel se aproxima, coloca uma mão em meu ombro e fica na ponta dos pés para me dar um beijo suave na bochecha.
"Vejo você depois." — Ela diz, baixinho. Encaro seus olhos de perto por um instante antes de assentir. Sinto sua respiração bater em meu rosto antes dela ir embora.
–
Estou na sala do coral. Me sento perto de Artie e percebo que ele está cabisbaixo. Brittany está sentada do lado de Sam e Santana está na fileira atrás dele. Elas trocam olhares. Não sei se fico triste por Artie ou feliz por Santana. No final, não importa muito. A história é deles, afinal.
Agora a minha história só tem dado dor de cabeça. Finn e Rachel estão sentados lado a lado. Finn está com o braço a apoiado em sua cadeira, com a mão sustentando a cabeça. Eu conseguia ver seu sorriso gigante e olhar apaixonado de longe. Rachel estava de costas para mim, mas eu conseguia ver que ela gesticulava muito. Imagino se fico do mesmo jeito que Finn está agora quando Rachel começa seus monólogos.
Talvez sim, talvez não.
Mr. Schue já deu um discurso e ofereceu algumas datas para apresentarmos a peça que estávamos ensaiando. Ele falou sobre o Vocal Adrenaline e o quanto Rachel foi corajosa em ir até eles, enfrenta-los e ainda entregar o coral para a coordenação da Carmel. Eles foram punidos, mas ninguém ficou sabendo como.
Após alguns minutos, a sala do coral voltou com suas conversas paralelas.
"Você foi mesmo até eles, Rachel?" — Ouço Finn dizer, a voz baixa porém irritada. Observo os dois com o canto dos olhos. Rachel parece ficar estressada.
"Sim, eu fui. E estou inteira." — Ela não dá muito papo. Finn bufa.
"Só estou tentando proteger você. Para quê ir até lá só para gritar que somos melhores que eles? Podemos fazer isso na competição."
"Você é muito pacificador, Finn. E eu admiro isso, eu também sou, mas ás vezes temos que pisar um pouco fora da linha." — Finn franze as sobrancelhas para ela e então se afasta um pouco, contrariado. Seguro um riso. Rachel é tão... Rachel.
Estava começando a me perder em pensamentos quando a porta do coral é invadida com força. Puck, que estava desaparecido pela manhã toda, entra na sala completamente furioso. Instantaneamente, Finn, Sam e Mike se levantam. Mr. Schue se afasta um pouco assustado, porém alerta.
"Você!" — Ele aponta um dedo para Finn. — "Primeiro minha garota e agora minha filha? Não mesmo, seu imbecil!" — Ele cospe. Vejo todos do Glee ficarem confuso. Ele avança e tenta prender Finn pela gola da camisa, mas com os braços compridos, Finn o empurra antes que ele consiga chegar perto.
"Fique longe cara. Você não quer alimentar essa merda." — Finn avisa. Sorrateiramente me aproximo e puxo Rachel para longe de Finn. Se uma briga estourar, ela não irá ser atingida. Ela olha para mim rápido, mas não dou chances. Porque logo ocupo o lugar em que ela estava atrás de Finn.
"Quinn!" — Escuto ela chamar, um pouco raivosa. Ignoro.
"O que você quer, Puck?" — Falo as palavras com nojo. Ele me encara magoado.
"Você longe dele! Ele longe de Beth!"
"Sem chances. Finn é meu melhor amigo. E acho que agora o melhor amigo de Beth também." — Sinto que Finn ficou feliz pelo que falei porque ele olha para mim e assente rápido, logo voltando para o embate de olhar com Puck.
Puck balança a cabeça negativamente, como se não aceitasse, não acreditasse.
"Desde quando você voltou a falar com ele? Merda, Quinn! Eu estive esperando esse tempo todo para tentar me aproximar de você de novo, e você aparece grudada com ele! E de bônus, leva ele para passar o dia com minha filha!"
"Desiste disso, cara." — Me surpreendo quando a voz de Sam se anuncia. Mike concorda com ele. Mr. Schue se aproxima, mas ainda não fala nada. É normal ele não intervir, ele é covarde quando se trata das minhas questões. Eu nunca tive um relacionamento muito bom com o professor.
Puck bate a mão uma na outra, com força. Uma veia salta do seu pescoço.
"Você não vê? Ele é um babaca! Está dando em cima de você mas não desiste de Rachel. Quer machucar você e machucar ela. Isso destruiria a nova amizade vocês duas." — Me surpreendo quando ele fala de minha amizade com Rachel. Todos sabíamos que nós éramos próximas, mas ninguém falava sobre isso. Como se desconfiassem que nossa relação fosse mesmo real, depois de tudo.
"Cale a boca, você não sabe de nada sobre isso. Não se meta." — Minha voz sai forte e altiva. — "Aproveite e me esqueça, não há nada entre nós. Apenas Beth. Se concentre em ser um bom pai, nada além disso."
"Para quê? Você escolheu dar ela para adoção! Eu sou o único que ainda está tentado fazer as coisas voltarem a ser como elas eram antes! Sou o único tentando por as coisas em seu lugar!" — Ele grita e suas palavras me afetam. Não demora muito, sinto as mãos de Rachel abraçarem meu tronco, de lado. Coloco uma mão sobre o seu braço, agradecendo o contato.
"Estou tentando me redimir, Puck. Mas é certo quando é dito para você desistir. As coisas mudaram, e não voltarão nunca a ser como eram antes."
Minhas palavras o machucam. Ele se vira para Finn e seus olhos queimam em fogo.
"É tudo sua culpa." — Então avança no mais alto. Puxo Rachel para longe o mais rápido possível quando os corpos fortes se colidem. Mr. Schue grita mas Finn abaixa a mão grande contra o maxilar de Puck, o menor cai no chão. Sam se adianta e tenta segura-ló, sem sucesso. Puck chuta o estômago de Finn com força, o que só provoca o descontrole do mais alto. Finn chuta as costelas de Puck com raiva.
Mike pula em Puck e Sam ergue a mão contra o rosto de Finn, trazendo-o de volta para realidade. O mais alto para e cai na cadeira cansado. Puck ainda é segurado por Mike e Sam se aproxima para ajudá-lo.
"Isso é ridículo. Inaceitável!" — Mr. Schue grita enquanto Artie vai espiar o corredor para saber se alguém ouviu a confusão. Puck ainda é segurado com força. Rachel e eu nós aproximamos de Finn, que mantêm a mão sobre o abdômen.
"Isso vai ficar roxo." — Ele murmura e sei que ele está bem. Um jogador de futebol está acostumando com isso, apesar de doer mesmo assim. O estrago foi feito no rosto de Puck, que está sangrando muito pelo lábio inferior.
As mãos de Rachel vão até o cabelo de Finn, e eu desvio os meus olhos rapidamente. Mr. Schue está brigando com Puck no momento. O garoto ainda está com muita raiva, porém mais calmo e não precisa ser contido.
Estou com raiva, muita raiva. Ela é pesada e sinto vontade jogá-la em alguém. Me aproximo á passos duros de Puck.
"Escute aqui, seu pedaço de bosta." — Empurro Mr. Schue para o lado, ficando na frente dele. — "Você nunca mais tocará em Finn. Ou em Rachel. É uma pena não poder te proibir de ver Beth, mas ainda assim nunca mais me olhe na cara. Não fale comigo. Não tente mais nada. Você é irrelevante. E uma pessoa irrelevante não é capaz de fazer nada." — Digo, estou furiosa e aponto meu dedo no seu rosto. Me seguro para não lhe dar um tapa, porque ele já está sangrando o suficiente. Ele não faz nada. Me afasto alguns passos e me viro para Sam. — "Tire-o daqui, por favor. Ou vou pedir para Mr. Schue levá-lo até Figgins."
Sam me obedece. Puck parece um pouco fora do ar.
"Alguém comentou que viu você saindo com o Finn da casa de Shelby ontem, no vestiário. Puck ouviu. O time começou a zoar, dizendo que ele tinha perdido a garota e que era corno, algo do tipo... Ele ficou furioso. Disse que não tinha sido Finn, e sim ele. Que a pessoa tinha se confundido." — Mike explica e eu entendo porque as pessoas estavam me encarando nos corredores. Elas achavam que o drama entre Finn, Puck e eu estava oficialmente de volta. Encaro Rachel, para que ela saiba que ainda estou um pouco chatiada por sua desconfiança e então me jogo em uma cadeira próxima, sentindo minha cabeça doer. Não demora muito, Rachel senta do meu lado.
Mr. Schue dispensa todo mundo. Troco um olhar significativo com Finn antes dele sair pela porta. Nem todo mundo sai, Brittany e Santana também estão sentadas, mas do outro lado sala, conversando baixinho. Sei que não vão nos atrapalhar, estão muito concentradas em si mesmas. Sorri para a imagem das duas.
"Você está bem?" — Rachel pergunta, baixinho.
"Não muito."
Ela se aproxima. Passa um braço nas minhas costas e acaricia, pousa sua cabeça sobre meu ombro e automaticamente deixo a minha cair contra a sua. Respiro fundo.
"Me desculpe." — Ela repete.
"Você já pediu desculpas hoje."
"Eu... estou sendo muito estúpida. Você não merece isso." — Ela levanta o olhar e eu me afasto um pouco.
"Eu já fui estúpida com você diversas vezes, talvez você tenha o direito de ser um pouquinho." — Digo, em um tom suave. Tentando desnuviar o clima entre nós.
Rachel entrelaça nossas mãos sobre minha coxa. Ela brinca com os meus dedos.
"Você nem me contou como foi na Carmel." — Eu tento puxar um assunto.
"Foi bem legal, na verdade." — Ela ri. Admiro seu sorriso. — "Tem um garoto bem burro chamado Clint como líder. Ele praticamente entregou o coral na frente de todo mundo, eu nem tive muito trabalho." — Ela sorri de novo. — "Além disso, acho que arrumei alguns fãs lá dentro da Carmel."
Sorrio.
"Você arruma fãs por onde passa, sem esforço algum." — Eu digo, em tom de elogio. Rachel me encara, os olhos cor de café me hipnotizando, a cabeça inclinada para o lado.
"Gosto do jeito que você acredita em mim." — Ela sussurra.
"Não é muito diferente do que o pessoal aqui no coral. Todos acreditam muito em você." — Bato o meu dedo de leve na ponta de seu nariz e ela sorri.
"É diferente sim, talvez eu só não saiba como explicar." — Ela diz.
"Eu sei explicar." — Nos assustamos quando Brittany se aproxima de nós. Santana olha para mim com os olhos arregalados e até meio corada. Sem pensar duas vezes, Britt senta do lado de Rachel e encara nós duas. — "Querem saber como?"
Rachel sorri confusa para ela. Eu encaro Santana, pedindo explicações. Ela dá de ombros, completamente confusa também.
"Sabe, semana passada Santana me deu um livro sobre pássaros de presente." — Ela começa. Olho para Santana de novo e vejo ela corar ainda mais. Sorrio. — "E é um livro lindo, tem quase todos os pássaros mesmo. Acho que é meu favorito."
"Brittany... Não consigo ver o que isso tem haver comigo e com Quinn." — Rachel diz e quase rio da sua expressão. Nossas mãos continuam unidas.
"Espera." — Brittany fala, um poço chatiada por ser interrompida. Santana ri. — "O que eu mais gostei de todos deles foi o beija-flor. Santana desenhou ele para mim." — Ela tira um desenho dobrado de sua mochila roxa e coloca na mão livre de Rachel. É um desenho simples, mas cheio de detalhes bonitos. Encaro Santana surpresa. Ela parece querer se enterrar.
"Ainda não estou entendendo nada." — Rachel anuncia e eu rio. Olho para Brittany e ela me pisca um olho.
"Quinn é seu beija-flor, Rachel."
Me surpreendo com a frase, mas não entendo também. Encaro Rachel que tem as sobrancelhas erguidas.
"Oh, sim. Hmmm... faz todo o sentido." — Rachel diz e eu não me seguro. Rio de verdade e Santana ergue uma sobrancelha. Brittany bufa.
"Eu ainda não expliquei." — Britt diz em um tom como se Rachel fosse uma mongolóide. Vejo Rachel ficar ofendida e quase volto a rir com sua expressão.
Percebo que estou amando essa conversa. Estou amando esse momento.
"No livro diz que o beija-flor é um pássaro bem pequeno, porém incrivelmente forte. Ele é capaz de enfrentar pássaros três vezes maiores do que ele. Nem sempre vence, mas ele nunca foge quando outro pássaro tenta feri-lo." — Brittany diz em uma voz suave e tão me encara. — "Quinn já enfrentou Finn. Acabou de enfrentar Puck... e bom, eles são bem maiores que ela. Além, nunca vi Quinn fugindo de ninguém."
Me surpreendo com a comparação, porém fico incrivelmente lisonjeada. Não sei como Britt enxergou isso em nós, mas começo a acreditar que foi fruto de sua inteligência.
Rachel sorri para mim.
"É verdade." — Ela diz. Brittany sorri para nós.
"Isso não é tudo. A parte mais importante para um beija-flor, é a própria flor." — Ela olha para Rachel. — "Ele é encarregado de retirar seu pólen e distribuir para outras flores. Outros jardins." — Todos nós ficamos em silêncio, absorvendo as palavras da loira. — "Mas não é só o pólen que ele leva. É a essência. Ele tira tudo o que é de bom da flor e espalha pelo o mundo. Para que outros vejam o quanto ela é bonita e importante."
Percebo que os olhos de Rachel estão brilhando.
"Quinn é assim para você. Ela é seu beija-flor. Ela te protege, mesmo quando acha que não vai conseguir. Ela acredita em você, mas não só acredita, como te ajuda a ter o mundo. Eu vejo isso, sabe? Ela absorve o que você dá de bom para ela, e ela usa isso em todos. Tenta fazer dela mesma uma pessoa melhor e ajudar os outros envolta.
O aperto de Rachel em minha mão ficou mais forte.
Me emociono com as palavras de Brittany, porque mesmo não tendo visto isso em mim antes, eu sei que é verdade.
E agora Rachel vê isso também.
Tenho vontade de abraçar Brittany e dizer obrigada.
Em silêncio, Brittany se levanta e faz sinal para Santana lhe acompanhar.
"Espere..." — Rachel diz e ergue o papel que tem em mãos. — "Seu desenho."
Brittany nega.
"Fique com ele. É seu." — Então entrelaça seus dedos nos de Santana e começa a caminhar para fora. Vejo que Santana está sorrindo orgulhosa para nós.
Um silêncio suave preenche a sala do coral. Rachel está sorrindo para o desenho em suas mãos.
"Brittany é muito inteligente." — Ela sussurra.
"Ela é." — Respondo no mesmo tom.
Rachel me encara. Eu a puxo para perto. Passo um braço pela a sua cintura e com a outra engancho uma mão em seu cabelo, antes arrumando sua franjinha. Ela suspira. Eu sei no que ela está pensando, por isso não pergunto nada. Não exijo nenhuma resposta.
"Se eu pedisse ao meu beija-flor para ele esperar mais um pouquinho, ele esperaria?" — Ela pergunta, a voz baixa e insegura. Ela está com medo que eu desista. Ela está vendo o que eu estou passando e está preocupada.
Não respondo. Ergo minha cabeça um pouco e lhe dou um beijo na testa e permaneço ali. Aproveitando sua presença, deixando minha respiração bater em seu rosto enquanto sinto seu cheiro e sua pele. Ela passa a mão pelo o meu abdômen e me abraça mais forte.
"Se eu pedisse para minha flor um beijo, ela me daria?" — Eu sussurro e a sinto sorrir contra a pele do meu pescoço. Rachel se afasta, coloca a mão em meu maxilar e com o polegar faz um carinho suave no meu lábio inferior. Eu fecho os olhos.
Então ela me beija.
E é o melhor beijos que nós já trocamos. Não preciso tomar a iniciativa, eu abro meus lábios e ela invade minha boca com a língua. É um beijo em câmera lenta. Aquele que você pode ver e sentir tudo. Tem tanto sentimento que sinto vontade de chorar, mas não o faço. Ela leva a mão até minha nuca e aperta forte o local.
E eu amo isso.
Eu a amo.
Guardo isso só para mim. Guardo isso em algum lugar desse beijo, onde posso esconde-lô e então mostrá-lo para ela quando for o suficiente seguro para fazê-lo.
O beija-flor tem seu beijo.
Mas ainda não tem sua flor.
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