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11 Chapter X - The Father I Never Had
Notas iniciais
Era uma manhã de segunda-feira.
Fazia exatamente três dias que eu não falava com Rachel. Quer dizer, eu até falava... Perguntas simples e respostas simples. Nenhuma conversa séria e... nenhum contato próximo.
Eu estava com saudades.
Entrei pelo o corredor do McKinley. Caminhei até meu armário, tentando depressa arrumar meus livros e matérias, já que eu estava um pouco atrasada. Antes que eu pudesse terminar, senti um cutucão em minhas costas.
"Santana?" — Me virei, encontrando a latina. Terminei de fechar a minha mochila.
"Yo, Fabray."
"O que você quer? Eu estou um pouco atrasada ent-"
"Você precisa ser um pouco mais cuidadosa quando for provar o mel dos lábios da Berry." — Ela diz, rapidamente e eu paraliso. Eu a encaro extremamente confusa.
"Oi?"
"Um grupo de pessoas viram você beijando Rachel no refeitório há uma semana atrás. Não achei que você ia sair tão rápido do armário, quer dizer nem eu sai ainda..."
Me lembro da situação passada, quando Shelby esteve no colégio...
"As pessoas..." — Fico um pouco nervosa. — "Estão comentando sobre isso?"
Santana dá um sorriso malicioso.
"Não, elas não estão."
Fico aliviada mas confusa. Santana volta a falar antes que eu possa perguntar alguma coisa.
"O mesmo grupo que viu vocês resolveu ir fofocar no vestiário. Eu estava indo fazer um treino extra e ouvi tudinho, fiquei bastante surpresa. Mas logo quando eu percebi que eles queriam fazer um enorme drama sobre isso, eu simplesmente ameacei todos e eles estão calados até hoje..."
Eu arregalo os olhos. Santana havia me ajudado?
A latina revira os olhos.
"Porque você fez isso?" — Eu pergunto, desconfiada.
"Olha..." — Ela respira fundo. — "Eu fui uma vadia horrível com você. Eu pedi desculpas e agora estou tentando me redimir. Não sei se foi bom o suficiente mas tentei ajudar."
"Obrigada." — Digo, rápido. Não esperava que ela fizesse isso. Eu não tinha entendido como as pessoas que estavam no refeitório não haviam comentado sobre o beijo mas talvez o medo que elas sintam de Santana as tenham impedido de fazê-lo. Fofocas sobre mim e Rachel não iria fazer bem para nossa situação atual.
"Bom, acho que este foi o começo da paz definitiva." — Ela diz e me oferece a mão.
Eu sorrio e aceito seu cumprimento. A pele latina quente contra a minha palma pálida.
Talvez nós não fossemos amigas ainda. Parecíamos mais dois países que estavam em guerra, e agora perceberam que precisam um do outro. Como se Santana Lopez e eu tivéssemos feito um acordo silencioso de trégua.
Éramos aliadas agora.
–
Estava tentando sem sucesso prestar atenção na minha aula de Química II. Não que só o fato de eu já estar aprovada me faça jogar minhas notas do McKinley para os altos, mas Rachel ainda estava rondando minha cabeça. Eu a vi um pouco antes da minha aula, em uma conversa calorosa com Kurt, pensei em cumprimenta-lá, apenas educadamente mas o jeito que Kurt olhou para mim me deixou com uma pulga atrás da orelha.
Me seguro para não lhe mandar uma mensagem. Acho que, depois de tantos meses de uma amizade calorosa e um tempo trocando beijos me fez ter uma certa dependência de contato com Rachel.
Não gosto muito disso, mas de qualquer maneira, é como eu me sinto.
Eu estava saindo da minha última aula e estava caminhado para a minha atividade no Clube de Arte, quando senti uma mão em meu ombro e me virei encontrando Shelby.
"Oh... Hey, Shelby." — Passo meu livro para a outra mão para poder cumprimenta-lá.
"Quinn." — Ela sorri para mim. — "Então, amanhã é a apresentação do Vocal Adrenaline em Paradise e por isso preciso de uma resposta sua... Você irá ficar com Beth, não?"
Seguro uma respiração enquanto ela me encara em expectativa.
Sim, eu queria muito ficar com Beth mas... Eu sinto muito medo. Se eu fizesse algo errado? Deus, se Beth me estranhasse e não gostasse de mim? Eu não seria capaz de estar lá sem alguém ao meu lado. Eu perguntei á Stefan, ele pareceu triste mas teve que dizer não, ele teria um dia cheio de reuniões importantes. Outra pessoa que eu poderia pedir companhia seria Rachel mas... Não. Além da relação dela com Shelby, nós estávamos dando um "tempo", e acho que pedir este favor á ela não se encaixa na situação...
"Quinn?" — Ela diz, esperando uma resposta.
"Eu vou. É claro que vou." — Eu digo, antes que possa responder outra coisa e me arrepender. Antes que eu arranje outra desculpa. Shelby parece aliviada e então me abraça. Eu devolvo me sentindo um pouco tímida.
"Obrigada. Sei que isso irá fazer um grande bem á você também." — E com essa frase, ela vai embora e me deixa sozinha no meio do corredor vazio. Respiro fundo, controlando a ansiedade e o nervosismo.
Medo. Não quero estragar tudo. Beth é tudo que tenho de perfeito em minha vida.
"Você está bem?" — A pergunta é feita por uma voz grossa e baixa, vinda de trás de mim. Viro em meu próprio eixo e encontro Finn.
Ele está vestindo sua camiseta vermelha do time de futebol número 5, um jeans claro e tênis esportivos. A mochila azul despojada em um dos braços.
"Eu... Eu estou, só estou um pouco ansiosa..."
Ele sorri de lado, meio confuso e meio curioso.
"Posso saber porquê?"
"Shelby quer que eu passe a tarde cuidando de Beth amanhã. Sozinha. Não sei se sou capaz disso, Finn." — Ele deve ter visto o tamanho da minha inquietação, porque se aproxima e passa a mão por meus braços, tentando me acalmar.
"Hey... Porque você está assim? Ela é uma criança, você tem jeito para essas coisas."
Suspiro.
"Não sei.. Tenho medo de fazer algo errado. Vai ser eu e ela, para quem eu pediria ajuda? Stefan não vai poder ir e Rachel..."
Não preciso terminar a frase. Finn franze as sobrancelhas, como se estivesse analisando a situação.
"Eu tenho treino amanhã, mas saio cedo. Acho que posso ir com você, se for ajudar..."
Meus olhos se iluminam.
"Você iria? Quer dizer... Você me ajudaria com Beth?"
"Com certeza. Eu sei o quanto isso é importante para você. Também sei que sua insegurança pode fazer você fugir do encontro com sua filha..."
Era verdade.
Lembro-me de Finn ter me dito á um tempo atrás que gostaria de conhecê-la.
Imagino Finn e Beth, juntos. Sorrio com a imagem.
"Seria incrível se você viesse me ajudar, Finn."
Ele sorri para mim.
–
Chego em casa e conto á Stefan que Finn irá me acompanhar. Ele sorri e diz que gosta de Finn, que ele é um bom garoto. Eu fico feliz em saber que teria a companhia dele.
Me sinto tentada a ligar para Rachel e dizer para ela que amanhã será o dia que irei encontrar Beth. Que Finn iria comigo. Mas ainda estou muito insegura, e com medo do modo que ela irá me tratar, caso eu tente algum contato mais sério.
Suspiro frustrada quando me jogo na cama. Sei que quando acordar amanhã, irei encontrá-la na escola e não poderei me aproximar. Não do jeito que eu quero. Imagino quanto tempo ela passa pensando em nossa situação e tento ver o jeito que ela me enxerga.
Meu coração está batendo angustiado cada vez que penso que ela ainda pode escolher Finn ao invés de mim. Que na verdade, ela pode escolher ninguém e me deixar sozinha de novo.
Prefiro dormir e esvaziar minha mente. Amanhã seria um dia importante e tento não deixar que meu coração atrapalhe meu sono. Não quero ficar cansada.
Quero que tudo dê certo.
–
Estou em frente á porta de Shelby. Finn está estacionando o carro enquanto eu encaro a porta com hesitação. Estou a alguns passos de distância de Beth. Sinto um braço passar por trás de mim e vejo Finn me confortando. Ele mesmo ergue a mão em punho e bate na porta.
Shelby não demora muito em abrir.
Ela está sorrindo mas ergue a sobrancelha em surpresa quando vê Finn ao meu lado. Ele oferece a mão para ela e Shelby devolve o cumprimento. Seu olhar volta para mim.
"Que bom que você veio. Está pronta para vê-la?"
Não.
"Não." — Digo, baixinho. Finn sorri complacente para mim e Shelby ri baixinho.
"Imagino como você deve estar. Vamos lá, entrem." — Ela dá espaço para nós entrarmos.
Eu encaro Finn, com medo. Ele devolve um olhar acolhedor para mim. Penso por alguns segundos. Eu estava com tanto medo de ficar aqui sozinha, de encarar isso sem ajuda... Mas Finn está aqui. O meu primeiro amigo. Meu primeiro namorado. Um antigo conhecido, que me fazia sentir segura pela a presença.
Ele sorri para mim, me incentivando.
Não existia outra pessoa melhor para estar aqui agora.
Eu sorrio nervosa para Shelby e entro.
E lá está ela.
No berço que estava localizado no meio da sala. Havia um Simbá de pelúcia ao seu lado, junto com uma mamadeira. Ela acariciava a ponta da orelha do leãozinho e parecia gostar da textura do tecido.
Me aproximo devagar e sinto Finn se mexer atrás de mim. Apoio minhas duas mãos na grade do berço quando ela ergue o olhar e nossos olhares se encontram.
São os mesmos olhos do dia em que eu dei luz á ela.
Ela solta uma risadinha.
Eu me emociono e Finn passa o braço novamente pelo os meus ombros. Eu o encaro e vejo que ele também está emocionado.
Por alguns meses, ele acreditou que seria o pai da garotinha em sua frente. Ele imaginou uma vida com ela. Ele a amou, mesmo por um curto espaço de tempo. Ele tem o direito de estar emocionado.
Algumas lágrimas escapam dos meus olhos. Shelby se aproxima.
"Está tudo bem?" — Ela pergunta e eu aceno positivamente.
"Ela é linda." — Eu digo. Finn oferece a palma da mão para ela e Beth começa a mexer com um dos seus dedos, sorrindo para ele enquanto isso.
"Ela é completamente igual a você." — Finn sussurra e eu posso ver em seus olhos que ele está admirando Beth, assim como eu.
"Acho que vocês já estão certos por aqui, não? Já posso ir?" — Finn e eu sorrimos para ela. Shelby passa algumas instruções básicas e nós diz onde leite e algumas refeições estão guardadas. Ela termina com um "aproveite isso, é o dia de vocês." e então vai embora.
É meu dia com Beth.
Começamos tentando nos familiarizar com Beth. Colocamos desenhos na TV e sentamos no sofá. Finn a pegou no colo, brincando com ela e a deixou entre nós, sentada. Ela balbuciava algumas coisas sem sentido que nos fazia rir. Quando eu comecei a tomar coragem, eu a deixei subir no meu colo e senti seu corpinho contra o meu. Tentei não chorar de novo e sorri para ela. Ela começou a mexer nos meus cabelos e então troquei um olhar com Finn. Seus olhos claros estavam sorrindo para a imagem.
Fiz uma prece rápida para que a nossa situação sobre Rachel não acabasse com nossa amizade. Eu não poderia perdê-lo.
As horas passam rápido, ao mesmo tempo que elas parecessem parar. O dia de hoje é eterno, raro e especial. Finn tirou sua camiseta xadrez azul, ficando somente com a camisa básica cinza que vestia por baixo, logo depois que ele derrubou papinha de bebê em si próprio. Eu tive uma crise de riso.
Eu dei comida para Beth, mas descobri que se precisa de muita habilidade para isso. Porque ela ficava se mexendo toda a hora e a comida ou batia na sua bochecha ou caía em sua blusinha. Quando ela terminou de comer, eu tive que trocar sua roupa.
Agora, ela estava em sua caminha. Eu estava sentada do seu lado, enquanto ela brincava com os meus dedos e murmurava algumas coisas. Ela estava cansada, principalmente depois das cócegas que eu havia feito nela. Seus olhos lutavam para se manter abertos.
Finn entrou no quarto devagar e sorriu para nós duas. Ele se senta do meu lado e sussurra para mim:
"Ela é realmente perfeita."
Eu respiro fundo, vendo seus olhinhos verdes me encararam cansados mas com alegria.
"Como algo assim pode nascer de um acidente? De mim e Puck?"
"Não foi um acidente. Ela nasceu do destino." — Ele sussurra, olhando para ela. Deixo minha cabeça repousar em seu ombro largo, engulo algumas lágrimas emocionadas e me concentro em sua presença perto de mim. Após alguns minutos, ouço Finn cantar baixinho.
I come home in the middle of the night
My father says what you gonna do with your life
Well daddy dear you're still number one
Oh girls they wanna have fun
Oh girls they...
Eu fecho os olhos, apreciando sua voz grossa e baixa. Beth também parece sentir sua voz, porque ela fica um pouquinho mais quieta do que antes.
Some boys take a beautiful girl
And hide her away from the rest of the world
But not me
I wanna be the one in the sun
Girls they wanna have fun
Oh girls they...
Ele estava cantando e sorrindo docemente ao mesmo tempo. Eu tento gravar todas as sensações para sempre em minha memória. Nunca quero esquecer de hoje, de agora. A imagem de nós três parece tão linda para mim....
Pela primeira vez percebo o quanto eu tenho de sorte. Eu só gostaria de saber aproveita-lá.
That's all they really want
Those girls they wanna have fun...
Beth dormiu. Eu a admiro e Finn faz o mesmo, em silêncio.
"Obrigada." — Eu sussurro. Ele segura meu rosto e me dá um beijo na cabeça, me afundo em seu abraço.
"Eu sempre vou estar aqui." — Finn sussurra.
E eu acredito.
–
Shelby não deve demorar muito para chegar, 30 minutos no máximo.
Depois de alguns minutos ainda vigiando Beth, Finn e eu levantamos e vamos para sala. Eu passo alguns minutos catando os brinquedos que Beth espalhou pelo o chão, então depois volto e me sento ao seu lado.
Ele está calado e eu estranho isso um pouco.
Finn suspira e leva sua mão até a minha e entrelaça nossos dedos.
"Eu estou com medo." — Ele diz baixinho. Franzo minhas sobrancelhas, porque não sei ao que ele está se referindo. Sei que não preciso perguntar, então só espero.
"Passar essa tarde aqui com ela... Me lembrou como me senti quando achei que era o pai dela." — Ele diz e engole com dificuldade. Está prendendo o choro. — "Eu estava tão inseguro, Quinn... Eu nunca tive um pai. Eu nunca tive um exemplo. Então sempre sinto que estou fazendo tudo errado, que estou falhando..." — Algumas lágrimas começam a escapar e seu rosto fica um pouco vermelho, me aproximo e acaricio suas costas.
"Quando Rachel terminou comigo, eu fiquei tão mal... Mas tentei não deixar isso transparecer, tentei arranjar forças para continuar indo atrás dela. Não foi diferente quando nós nos afastamos, senti que errei com você mesmo quando você me enganou. Senti que poderia ter sido mais suficiente como namorado, então nada disso teria acontecido." — Ele suspira, começo a negar com a cabeça, porque nada é culpa dele. A culpa era minha. A culpa era de Puck, mas não dele. — "Minhas notas não são tão brilhantes assim e sinto que decepciono minha mãe ás vezes. Sinto que ela não acredita muito em mim, apesar de dizer ao contrário. Me sinto insuficiente para todos."
Ele termina e está chorando um pouco mais forte, eu o abraço por completo e ele devolve.
"Nada do que você disse faz sentido, Finn..." — Eu sussurro para ele.
Ele aperta o rosto em meu ombro e eu respiro fundo.
"Você é o cara mais incrível que eu já conheci. Tens que começar acreditar nisso..."
E é verdade. Porque sei que ele seria o melhor pai possível para Beth. Um pai que eu nunca tive, um pai que ele nunca teve.
Um pai que, talvez, Beth nunca vá ter.
"Eu estou com medo, Quinn." — Ele repete quando se afasta. Ele se deixa cair no sofá e eu me aproximo. — "Estou com medo de perder Rachel de vez. Estou com medo que essa situação também afasta você de mim. Estou com medo de no final do ano não passar nas faculdades que estou tentando e magoar minha mãe. Sinto que estou á um passo de perder tudo..." — Ele diz com a voz quebrada, mas não esteve mais chorando. Sua respiração estava mais lenta.
"Você não vai se afastar de mim, porque eu não vou deixar. E eu posso dizer que você nunca vai perder Rachel para sempre, sei que ela não é capaz de te deixar longe." — Eu digo, e sei que é verdade. — "Além do mais, eu acredito em você e no seu potencial. Sei o quanto você está estudando e se esforçando para ganhar créditos extras. Você vai conseguir, Finn."
Ele olha para por alguns segundos e então me abraça rápido e apertado.
"Obrigada. Milhões de vezes... Obrigada." — Finn se afasta novamente.
"De qualquer forma, sei que apesar de acreditarmos que nós não iremos nos afetar por causa de Rachel, sei também que nenhum de nós três sabemos como isso vai acabar... Ninguém pode afirmar nada..."
Infelizmente, isso também era verdade. Shelby demora um pouco mais para chegar do que o esperado. Acabo dormindo no colo de Finn. O coração um pouco angustiado pelas suas palavras.
Realmente, dois amigos completamente apaixonados e inseguros. Não era nada fácil.
Nós dois acordamos com o barulho de chave na porta. Abro os olhos em tempo de ver Shelby entrando e ergo a cabeça pesadamente e cutuco Finn. A mulher sorri para nós.
"Cuidar dela foi cansativo?" — Ela pergunta baixinho.
"Foi um pouco corrido para gente, mas ela é bem tranquila..." — Respondo enquanto Finn se espreguiça.
"Não deve ser assim tão corrido para você. Você já deve ter se acostumado com a dinâmica dela." — Finn diz para Shelby e ela solta uma risadinha.
"É verdade. Olha, me desculpem pelo o atraso... Choveu bastante e fecharam muitas ruas. Tive que dar uma volta enorme e perdi um bom tempinho procurando uma rota alternativa..."
"Está tudo bem, Shelby." — Eu digo me levantando e Finn faz o mesmo. — "Ela está dormindo agora e... O dia foi ótimo." — Me aproximo dela e fico parada em sua frente. — "Muito obrigada por isso." — Eu a abraço e ela devolve na mesma intensidade. Nós sabíamos que o que estávamos compartilhando.
Era lindo, profundo e extremamente importante.
Uma filha.
Finn e Shelby trocam algumas palavras sobre a tarde de hoje enquanto eu vou até o quarto me despedir de Beth. Ela está dormindo, então só a admiro por alguns segundos e no final lhe dou um beijo de leve na testa.
Ela era minha. Filha de Shelby, mas ainda minha. E agora eu sabia disso...
Alguns segundos depois estou no carro com Finn e ele está me levando para casa. O rádio preenche o ambiente.
"Ela sabe que estávamos na casa de Shelby hoje?"
Eu suspiro antes de responder.
"Não... Eu estou sem falar direito com ela faz uns quatro dias..." — Finn acena enquanto dirige e então balança a cabeça.
"Rachel pediu um tempo?" — Ele pergunta.
Não respondo.
"É... Eu sei o quanto é difícil essa situação. Eu não tenho ninguém para conversar sobre isso. Kurt não me ouve e bom... Sam não serve muito para me dar conselhos." — Ele diz e eu entendo. Eu também não tenho ninguém para conversar.
"Posso dizer que me sinto da mesma maneira que você... Eu também tenho medo, Finn." — Eu digo simplesmente e ele fica em silêncio.
Sinto o carro ficar devagar e Finn para o carro na frente da casa de Stefan. Ele me encara.
"Eu realmente a amo." — Ele diz. Não está me provocando, ou iniciando uma discussão sobre isso. Ele somente diz, mas de qualquer forma, um desconforto nasce em mim. — "E eu também amo você... É uma situação muito estranha. Puta merda, isso é... quase incompreensível. Nunca sei como agir com ela e com você nesses momentos tensos... Eu entendo você, eu só... entendo."
Era verdade. Eu sempre sentia que estava traindo Finn quando estava com ela, apesar de deixar isso de lado na hora... Eu ainda me sentia assim. É estranho, porque você tem o direito de tentar algo com a garota que o seu amigo ama. Ele tem o mesmo direito. É difícil pensar no certo e no errado...
"Ela disse que talvez tenha sido um erro que você e eu soubéssemos como ela está se sentindo assim, tão abertamente. Ela disse que só deixou as coisas mais confusas."
"Não acho." — Finn diz. — "Isso sempre é bem confuso, acho que só deixou tudo bem claro."
"E quando tudo está claro, nós temos a liberdade para interpretar as coisas do jeito que queremos. É verdade, as vezes nós erramos. Tenho medo de ter errado, de estar errando..."
Finn não responde.
"Acho que devo ir." — Ele assente. Dou um beijo na sua bochecha e saio do carro.
Minha cabeça está pesada. O dia foi cheio e cansativo, e meu corpo ainda está reclamando pela a falta que Rachel faz.
Entro na sala e encontro Stefan dormindo no sofá. O notebook e alguns papéis e pastas espalhados na mesinha do centro. Sorrio para imagem e vou até o quarto dele. Pego um lençol, voltando até a sala e ponho por cima do seu corpo e coloco um travesseiro debaixo do seu braço, já que seria impossível colocar debaixo de sua cabeça sem acorda-ló.
Vou até meu quarto e me jogo na cama. Encaro a tela do meu celular, esperando alguma mensagem de Rachel, mas não há nenhuma. Coloco a foto que tirei hoje de Finn, Beth e eu no chão como proteção do bloqueio. Uma minha pequena com Stefan enfeita a tela principal.
Penso em quantas fotos quero tirar com Rachel assim....
Penso o quanto a quero de verdade. E também penso o quanto o dia de hoje foi bom.
Adormeço rezando para que minha vida não saia bruscamente dos bons trilhos em que ela está seguindo.
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