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10 Chapter IX - Home Part. 2
Notas iniciais
Entramos no carro, sentei no banco do motorista e coloquei o cinto. Rachel não escondeu a surpresa ao entrar no carro:
"Piquenique?" — Ela aponta para o banco de trás, onde uma cesta simples e bonita estava acomodada. Sorrio para ela.
"Tive que pensar muito em onde levar você, decidi que eu resolveria isso na hora. Onde o momento me levasse."
Os olhos de Rachel brilham.
"E onde o momento está lhe levando?" — Eu fico nostálgica por um momento, lembrando do lugar onde pretendia levá-la.
Fazia bastante tempo que eu não ia até ele.
Sorri para ela, provocando sua curiosidade.
"Você não é capaz de esperar por alguns minutos?" — Ela bufa e então cruza os braços. Rachel é linda emburrada.
Ligo o rádio e então coloco o carro em movimento.
O caminho até o nosso destino é preenchido pela a música, olhares furtivos e algumas tentativas falhas de Rachel em descobrir para onde estávamos indo.
Estamos quase chegando no local e penso no que Stefan me disse, que era meu dever verbalizar o que sinto por ela. Lembro-me também que tenho que mostrá-la que estou lutando contra os meus monstros para tê-la. Conselho de Lincoln. Fico um pouco nervosa, mas já estou saturada de nervosismo. É hora de ficar segura. É hora de estar confiante.
Paro o carro do lado de uma estrada de pedras, em um local cheio de árvores. Não era um parque, era uma trilha. Rachel me encara confusa. Coloco uma mão em seu braço, dizendo-a para que ela permanecesse dentro do carro. Saio do mesmo, pego a cesta e então dou a volta e abro a porta para que Rachel pudesse sair. Ela sorri para mim, agradecendo pelo o cuidado.
"O que é... aqui?" — Ela olha para o caminho cercado de árvores e com algumas placas.
"Isso leva á uma antiga praça pública de Lima abandonada. Vamos ter que andar um pouquinho, é algum problema para você?" — Pergunto, preocupada.
Rachel sorri surpresa para mim.
"Não. Eu gostei, é... diferente."
Começamos a andar. Eu pego na sua mão, dando a equilíbrio em algumas partes do caminho que são desnivelados. Nós rimos algumas vezes e não demorou muito, chegamos no topo de uma pedra, que dava a visão de toda a antiga praça pública que estávamos.
Era lindo. A praça havia sido abandonada então a natureza decidiu cuidar dela por si só. Várias espécies de flores tomaram grande parte do solo, apenas com alguns pontos de gramado. Havia alguns bancos tomado por galhos e enfeitados por folhas. Mesas de xadrez sem peças com as superfícies cobertas pela as folhas que caiam das árvores e pelas pétalas que voavam. Porém, o que mais tirava o fôlego era o contraste de cores das flores no chão, nas árvores...
Olhei para Rachel. Sua respiração estava um pouco descompassada e seu olhar brilhando. Ela estava maravilhada.
Tomei uma atitude e parei atrás dela, passando a mão pela a sua cintura e colando meus lábios em seu ouvido.
"Eu ainda vou lhe explicar porque te trouxe aqui... Mas o primeiro motivo é esse.." — Apontei para a paisagem. — "... as flores. Sei que podia ter vindo aqui antes e pego algumas então levado até você, mas não vejo sentido nisso."
Rachel se afastou um pouco, me encarando confusa.
"Você não vê sentido em dar flores para alguém?" — Eu sorrio, negando com a cabeça.
"Não exatamente... Está vendo isso? É lindo e está vivo. A partir do momento em que eu rompo o contato da flor com a terra ela está morta. O quão romântico é presentear alguém com algo morto?" — Ela franze o nariz e então olha para paisagem.
"Eu penso diferente..." — Me aproximo de novo. — "Aqui... Estou lhe mostrando a vida, do jeito como elas são de verdade. Elas estão respirando, enfeitando a natureza e formando essa imagem espetacular. Porque retira-lás daqui? Fazer tamanha maldade? Privar você de ver tudo isso?"
Estou olhando para a paisagem, então volto a encarar Rachel. Seu olhar me arrepia toda.
"O que foi?" — Pergunto meio tímida. Ela cora.
"Você é muito fofa." — Ela sorri e eu retribuo.
"Espere para ver o que eu convenci Stefan a preparar para nós." — Ergo a cesta e então sigo até um ponto onde as flores não tomaram o chão, e abro um pano azul quadriculado no gramado. Rachel ri atrás de mim.
"Então a comida é do Stefan?"
"Sim. Eu prometi á ele que lavaria a louça por duas semanas direito, então sente aqui e aproveite." — Ela sorri para mim, mas de um jeito diferente. Meu coração bate mais rápido.
Nós comemos um pouco, se deliciando da culinária extraordinária de Stef. Conversamos sobre algumas besteiras e acabamos rindo.
"Então... Qual o outro motivo de você me trazer até aqui?" — Ela finalmente pergunta, transpirando curiosidade.
Eu respiro fundo, olhando o local ao redor.
"Antes de meu avô morrer, ele costumava trazer Frannie e eu aqui quase sempre. Papai não gostava porque eles nunca tiveram uma boa relação, apesar de vovô nunca ter sido o vilão da história. Podíamos dizer que a vovó não caminhava nos trilhos, e por causa disso os irmãos Fabray não tem uma boa relação hoje." — Eu ia continuar mas Rachel interrompeu.
"Foi ela que fez Stefan e Russel inimigos?"
"Quase isso. Ela incitava os dois a competirem entre si, mas tarde Russel tentou fazer o mesmo comigo e Frannie, mas vovô não deixou. Enfim... ele sempre nos trazia aqui e eram as melhores tardes da minha vida. Contava histórias, possuía as melhores brincadeiras. Quando ele morreu... Minha relação com Frannie mudou. Nós ainda éramos irmãs e nos amávamos, mas era uma relação um pouco fria. A dor foi muito grande." — Rachel sentou-se mais perto de mim, passou uma mão pelo o meu ombro e apoio sua cabeça no outro, enquanto eu olhava o redor cheio de memórias minhas. — "Acho que foi aí que a Ice Queen começou a nascer. Eu olhava ao redor e apenas me encontrava, mais ninguém. Eu aprendi a ser sozinha." — Suspirei, Rachel me fez um carinho sutil nas costas e a encarei.
"Eu nunca mais tinha voltado aqui... Até hoje." — Eu sussurrei. Ouvi ela respirar fundo.
"Eu tenho tanto orgulho de você. Quer dizer, olhe onde você está..." — Eu sorri envergonhada.
"Isso é graças a você." — Eu digo.
"Não é não. Você é forte, Quinn, acredite nisso." — Ela diz e eu suspiro apaixonada.
Ela...
Ela é tão perfeita para mim.
Chega a assustar.
"Vem cá." — Ela diz e eu fecho os poucos centímetros entre nós. Eu a beijo do jeito mais intenso que já a beijei. Ela segura meu maxilar e eu passo meus braços em sua cintura. Nós afastamos com um pequeno selinho.
"Eu estou tão apaixonada..." — Eu sussurro. Ela sorri gigantemente para mim e eu engulo seco.
"Era isso que você queria ouvir?" — Ela assente.
Eu a abraço e ela se aconchega em meu peito. Sei que ela quer conversar sobre a nossa situação. Eu sei que teremos que conversar sobre Finn, mas tenho medo. Muito medo. Tenho a noção que, apesar de nossos beijos, ela ainda pode o escolher. Ele ainda a convida para sair, como eu. Ele ainda flerta com ela, como eu.
Não sei se como sou aos olhos dela, mas tenho que acreditar que estou conseguindo algo, porque caso o contrário eu não irei ver nenhum resultado assim.
É ruim pensar nisso como uma "competição" para ver com quem fica com a garota, mas apesar de todos pensarem que isso é errado, é exatamente isso o que está acontecendo. Não trato Rachel como um prêmio, mas é impossível negar. Dou o melhor de mim porque tenho medo de Finn.
Mas a outra e profunda verdade, é que dou o melhor de mim também porque isso se trata sobre Rachel. E ela vai sempre ter o melhor de mim, independente de qualquer situação.
Sei que isso não o suficiente. Preciso me abrir, preciso me mostrar para ela. A verdadeira Quinn Fabray. O meu coração bate rápido e não sei se ela pode senti-lo, porque talvez o meu próximo passo seja o mais corajoso que farei em minha vida.
Estarei descartando para sempre a máscara que me protege há anos. Meu rosto e minha alma, de cara limpa. Somente para ela.
Respiro fundo e aproximo meus lábios do seu ouvido, então começo a cantar baixinho, em um sussurro suave:
I’ve been, lost in the mazes
Sinto sua respiração mudar e sei que ela está prestando atenção na música. Me concentro para não sair do tom e inalo ainda mais coragem para continuar cantando.
My heart locked in cages
Unlock the cages
O pedido. Ela era a única que eu queria. Ela era a única que eu desejava. A que eu confiava o suficiente para me ver, para me ter...
Cus I’m like a road
Like a road that needs paving
Just like a storm
Like a storm needing shaping
Don’t care if it breaks my bones
Relembro alguns dos nosso momentos passados. Tento controlar a emoção, porque a canção cobra muito isso de mim e não posso perder o controle. Se Rachel acredita que sou forte, então vou mostrar o quão forte eu realmente sou... por causa dela.
Could you be home?
Could you be safety?
A place to rest my soul?
Era tudo o que eu queria dela.
Cus I’ve been on my own
For too long
Don’t leave it alone
Cus I’ve been losing hope
I've been bruised so
Could you be home, home?
Vejo pelo o canto dos olhos e do ângulo que tenho, que ela está sorrindo. Queria ver seus olhos agora, mas não sei se me manteria firme. A música era algo como uma declaração de amor com um pedido de socorro. Talvez seja por isso que, mesmo depois de anos que a escutei, ela tenha vindo até mim.
Sleeping, sleeping on benches
Lost in the trenches
You pull me from trenches
Cus I’ve been alone, been alone
I’ve been taking
Just like a ghost
Like a ghost reawaken
Don’t care if it breaks my bones
As letras que cantava eram uma perfeita definição de mim. Eu estava me pondo, oficialmente, em suas mãos. Basta ela decidir o que fazer comigo. Me amar, me aceitar, me rejeitar...
Could you be home?
Could you be safety?
A place to rest my soul
Cus I’ve been on my own
For too long
Cus I’ve been losing hope
I’ve been losing
I’ve been bruised so
Could you be home?
Eu terminei a música. Não sei como isto irá terminar, mas estou orgulhosa de mim, porque desde do primeiro minuto que me descobri apaixonar por Rachel Berry acreditei que era impossível a situação atual acontecer. Eu achei que um milhão de coisas eram impossíveis, e hoje elas são minha realidade. Nunca pensei que iria superar a perda de Issac, meu avô. Nunca acreditei que me recuperaria depois de Beth. Nunca achei que seria a mesma depois de ser expulsa. Mas hoje eu sou... e sou melhor.
É claro que tenho que agradecer á Stefan, mas foi Rachel quem nunca desistiu de mim, mesmo quando eu a tratava á patadas. Eu precisei me reaproximar de Stef, foi algo importante mas fácil. Aceitar Rachel em minha vida foi outro nível, que exigiu muito de mim... E que hoje exige muito mais.
Eu respiro fundo, ao terminar a música. Rachel se desprende de mim e então se vira, para me encarar.
Seus olhos estão lacrimejados.
"Isso foi lindo..." — É o que ela diz. Não sei se espero que ela diga algo mais, porém a inquietação dentro de mim não acaba.
"O que eu sinto por você..." — Ela começa e meu coração acelera tão rápido que tenho medo que ele exploda. — "É muito novo, mas tão tão forte..." — Ela se aproxima, deixa nossos lábios á centrímetros de distância. — "Me desnorteia, ao mesmo tempo que parece fazer todo o sentido do mundo e isso me deixa um pouco confusa."
"Você não precisa se explicar, eu entendo." — Eu digo, de maneira muito rápida.
"Calma... Eu sei que você está insegura. Você está sendo forte e me mostrando tudo isso e eu estou tão tão feliz por você fazer isso, por confiar em mim, por se abrir comigo." — Ela coloca uma mecha do cabelo para trás de sua orelha. — "Mas eu quero que você tenha noção, quero que você ouça da minha boca o quanto a situação também é difícil para mim..."
Era a hora que nós falávamos sobre Finn.
"Ele é seu amigo e significa muito para mim. Eu o amo e..."
"Rachel." — Eu a interrompo novamente. — "Você não precisa se explicar."
"Sim! Eu preciso. E você, tem o direito de exigir respostas de mim, caso as queira. Finn as exigiu. Você tem os mesmos direitos dele."
Eu suspiro, cansada.
"Ele tem muito mais de você do que eu." — Dou voz ao meu pensamento mais assombroso. A história deles era tão longa que me amendrotava. Finn a conhecia, não só como eu a conheci, mas romanticamente também.
Eu estava em uma terrível desvantagem.
Ela me encara, com um sorriso meio bobo para mim e enxergo o quão mais madura ela é sobre isso do que eu.
"Não pense assim." — Ela diz. — "Por favor, não pense assim..." — O tom dela muda, tons mais baixo e até um pouco sexy, admito. — "Você não tem ideia do que causa em mim. Não deixa que isso te segure."
Eu estremeço e entrelaço nossas mãos.
"Tudo bem, eu digo." — Ela suspira, e então se levanta. Franzo os cenhos com o afastamento. Me levanto em seguida.
"O que foi?"
"Talvez... talvez deixar com que vocês dois soubessem sobre toda essa situação tenham dado uma ideia diferente sobre o que isso realmente é para você e Finn." — Ela fica de costas para mim e fala mais baixo. — "Estou um pouco confusa e... Acho que preciso de um tempo."
Sinto meu coração afundar. Se distanciando da luz novamente, muito esperançoso e bobo para tentar te-lá tão rápido assim.
"Claro." — Tento dizer, minha voz quebra. Rachel se vira para mim.
"Por favor... Não pense que isso é algo ruim, mas eu... Eu preciso pensar sobre mim agora, você entende?" — Eu assinto.
Ela se aproxima novamente de mim e pega meus braços, junta minhas mãos atrás de suas costas, forçando que eu a abraçasse. Me deixo levar.
"Você está com raiva de mim?" — Ela pergunta, soa voz um pouco chorada. Me apresso em acalma-lá.
"Não. Não estou..." — Suspiro, a abraçando por completo. Apoio meu queixo em sua cabeça e ela agarra minha cintura com força. Sinto o seu cheiro bom tomando conta de mim. — "Posso dizer que sou como o seu Dante. Já passei pelo o inferno, o purgatório me testou... Estou esperando se finalmente posso ter o meu paraíso." — Eu sussurro. Sinto seu corpo estremecer.
Muito rápido para eu pensar em outra coisa, ela me beija. Eu retribuo, seguro seu rosto e acaricio sua bochecha quente com a ponta de meu dedão.
Esse é o ponto sem volta.
Estou em suas mãos, completamente. Esperando em uma tortura quente e apaixonada, o que ela irá fazer comigo.
Penso no quão bonito o dia foi hoje e me imagino no futuro, o contando para os meus filhos tudo o que passei até aqui.
A rápida visão e desejo que, quem estivesse do meu lado nesta hora fosse Rachel me dá uma noção, um sentimento... que foi recebi de bom grado.
Talvez eu estivesse realmente a amando.
Meu coração, há tanto tempo tomado pela a covardia e pelo medo, começava a se livrar dos últimos pedaços de gelo que ainda o cobria, ganhando vida novamente, como se tivesse ganhado uma nova fonte de energia, como as flores em nosso redor agora.
Assim como os homens há milhões de anos atrás descobriram o fogo...
...Meu coração descobriu Rachel Berry.
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