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5 Chapter IV - Crystal Clear


Notas iniciais
Gostei muito dos últimos comentários! Eu sempre leio todos, se alguém dúvida disso :) Sinto que esse capítulo está mais longo que o normal, mas espero que não esteja cansativo. Não acho que preciso dizer algo sobre esse cap... Vocês vão ler, e vão saber...

Havia uma fina camada de suor sobre o meu corpo, por causa do esforço em ensaiar os passos da peça. Eu vestia uma camisa verde com mangas até os pulsos e uma calça bege com botas. Me joguei na cadeira do auditório enquanto ouvia Mr. Schue gritando com os garotos do time de futebol que estavam montando o cenário para o ensaio. Artie Abrams estava sentado ao meu lado, teclando em seu notebook, provavelmente editando o roteiro.

Eu fechei os olhos quando a voz de Rachel invadiu o espaço.

De repente, todo o cansaço anterior pareceu ficar mais leve.

Eu ignorei o fato da música ser um dueto com Puck e não tirei meus olhos dela.

É certo que eu e Rachel temos uma amizade e... Eu respeito muito ela mas...

...Porra, minha paixão era gostosa.

Muito mesmo.

Ela fazia passos de bale suaves enquanto Puck entonava alguns versos da música. A cintura fina, as pernas, a bunda... Deus, a bunda...

Certo. Não faz muito tempo que eu me descobri gay. Ou bi. Ou só extremamente louca por Rachel, mas eu não me importo tanto com isso. Tudo em Rachel apertava meus botões e eu saia muito fácil da linha. Estar ao lado dela era uma luta diária.

Eu engoli seco quando os músculos de sua perna flexionaram e ela deixou-se rebolar suavemente. Meu corpo ficou quente.

Merda. Merda. Merda.

O que me tranquilizava era que Puck estava há uns metros dela, longe demais para ficar tocando ou dar aquele seu sorriso safado estúpido. Finn estava logo abaixo do palco, enquanto eu estava há alguns cadeiras de distância, porém apesar da proximidade ele não estava dando muita bola para o ensaio. Ele conversava com Sam sobre alguma coisa que o estava fazendo rir toda hora...

Deixei um pouco da tensão sair do meu corpo para a irritação ocupar o lugar. Fazia umas... quatro semanas que eu havia descoberto meus sentimentos pela a Rachel e cada dia se torna mais difícil conviver com isso.

Eu gostaria de pensar no que fazer nos próximos dias mas eu não tinha a mínima ideia do que aconteceria. Eu ainda estava procurando novas universidades e não tinha contado sobre Yale para Rachel, daqui alguns dias saia o resultado das provas e eu ainda não sabia como tocar no assunto. Eu sei que ela me pediria para tentar Columbia e... Eu não sei mais o que queria e não poderia me dar o luxo de uma discussão com ela.

Os problemas pareceram distantes nos últimos dias. Eu, Rachel e Finn fomos a tal Feira Mundial e realmente, tudo lá era incrível. Eu tinha me esquecido que ainda era uma adolescente de 17 anos e que ter amigos era algo.... que não machucava. Bom, talvez não mais. O fato é que foi maravilhoso o jeito que Rachel trancou nossos braços e eu andei o percurso toda encaixada com ela. Finn logo atrás de nós, sempre rindo e disparando comentários. Quando sentamos para comer, eu devo ter tirado umas 50 fotos de Finn comendo macarrão e talvez... Talvez eu tenha o ameaçado de mandar para o twitter de Jewfro.

Eu estava com os olhos fechados quando senti alguém sentar ao meu lado.

"Você está okay?" — Era ela.

Abri meus olhos, a encarando. Ela estava pouco ofegante porém ainda cheirando incrivelmente bem. Ela bebeu um gole da sua garrafa d'água e eu perdi uma batida no coração. Aquele pescoço...

"Está... É só que... Blaine ainda não chegou e eu ainda tenho que treinar meu dueto com ele." — Eu disse e suspirei. Senti seus dedos na minha nuca, fazendo um carinho singelo. Logo depois, suas mãos desceram e massagearam meus ombros. Eu me controlei para não estremecer.

"Você está tensa. Tem certeza que não está passando mal?"

Pare com isso e minha respiração volta ao normal.

Ela subiu a mão e me fez um cafuné no cabelo.

"Eu ouvi Kurt comentando que Blaine está doente... Acho que você vai treinar o vocal sozinha."

Eu resmunguei.

"Não é fácil fazer primeira e segunda voz ao mesmo tempo, Rachel." — Ela gargalhou.

Ouvimos um barulho abafado do nosso lado. Santana Lopez havia deixado sua garrafa térmica cair perto de nós.

Ela se abaixou e quando levantou, nos encarou de um jeito estranho. Quase tímida.

"Ér... Desculpa aí." — Então se foi.

Desculpa aí?

Troquei um olhar desconfiando com Rachel, que só fez dar de ombros.

"Quinn!" — Mr. Schue me chamou. Eu me levantei e Rachel fez o mesmo.

"Sua vez de treinar seu dueto com Blaine, já que está sem a segunda voz acho que Puck poder-"

"Não, eu canto com ela Mr. Schue."

"Rachel sua voz não é masculina e-"

"É só um ensaio!" — Rachel profanou irritada. Meu maxilar estava tenso. Mr. Schue era tão babaca, sempre tentando fazer todos os inimigos virarem amigos os colocando para trabalhar juntos. Ele nunca viu que essa merda não funciona?

Mr. Schue se surpreendeu com o tom de Rachel e quando me encarou eu sei que meus olhos estavam frios. Ele cedeu.

"Okay, vão... Artie irá dar o play na música."

Por um minuto eu esqueci a questão de Mr. Schue querer me forçar ter contato com Puck para perceber que eu estava prestes a cantar uma canção de amor com Rachel.

Meu corpo formigou. Eu estava tão fodida.

Eu olhei para Finn, que agora estava perto do palco, porém sozinho. E ele estava me encarando com os cenhos franzidos. Eu suspirei fundo e encarei o chão.

E então comecei a andar até o palco e encarei Rachel do outro lado. Ela estava apoiada no piano e no decorrer da música, nos nos aproximaríamos. Era assim o script que eu iria performar com Blaine.

A música chegou na hora do vocal, me desliguei do redor e entonei a letra que pertencia á melodia.

Everything has changed since I met you
My heart was broken
Hope was overdue

Eu me aproximei dois passos. Tentei não pensar o quando aquela letra... se encaixava. Apesar de eu me reeprender mentalmente, não tirei os meus olhos dos de Rachel.

Running empty
Running out of time
Thought I lost my mind
But everything has changed since I met you

Ela era tão linda. Como Finn pode se dar o luxo de perdê-la? Duas vezes? Eu me aproximei e como no roteiro, Rachel estendeu sua mão e eu pus a minha sobre a dela, mas não a toquei. Era quase como um semi-toque. Muito perto, eu poderia senti-la mas nunca encostando.

Nothing is the same since I met you
My heart sometimes is easy to get due
With shadows of the past disturb my night
Make them run and hide

Cause nothing is the same since I met you

Engoli seco quando fizemos alguns passos da dança. Meu coração batia tão rápido que eu achei que fosse desmaiar. Esqueci que tinha platéia. Esqueci que Finn estava apenas há alguns metros de distância.

Os olhos de Rachel pareciam tão mais bonitos agora...

Everything has changed since I kissed you
I never thought the love could be this true
When I thought that feeling couldn't last
When you kissed me back
Cause everything has changed since I kissed you

Meu coração estava se retorcendo, querendo sair pela a boca e chegar até Rachel. Nós giramos em nosso próprio eixo e ela sorriu para mim. Deus, o sorriso dela era a melhor coisa do mundo... E este pertencia somente á mim.

Here and now
Just hear me out
Through fear and doubt
I'd never let you down
I'd never let you down

Esta era a única promessa que eu poderia fazer a ela. De nunca deixá-la... Mas, eu penso, quando tanto amor assim é guardado... Chega alguma hora que ele costuma pesar demais, certo?

Espero que não.

Everything has changed since I met you

And I hoped that I have changed your whole world too...

A música acabou e nós estávamos de frente uma para outra. Ela sorriu aquele sorriso 1000 watts e me abraçou. Ouvi aplausos e uns assobios. Então a voz de Mr. Schue chegou aos meus ouvidos, por cima do barulho.

"Sua voz amadureceu muito, Quinn. Parabéns! Mas alguns ajustes e estará perfeita para o dia da estréia."

"Obrigada." — Eu disse meio aérea, ainda anestesiada pelo o que acabou de acontecer.

"É isso aí pessoal, vejo vocês daqui há alguns dias para o ensaio final." — Então ouviu um murmúrio como resposta, e o Glee Club começou a sair.

Finn subiu no palco e parou na frente de nós duas.

"Eu espero vocês irem se arrumar, posso levar vocês para casa." — Rachel assentiu. Eu não disse nada. Estava muito tímida pelo o que acabou de acontecer e a forma como Rachel estava segurando a minha mão não estava ajudando. Eu discretamente, liberei minha mão da sua.

"Sim, sim.." — Minha voz saiu rouca. — "Só vou arrumar minha mochila e encontro vocês." — Finn assentiu e saiu arrastando Rachel para o estacionamento.

Eu estava terminando de arrumar minha roupa que levei para trocar dentro da mochila quando ouvi um pigarro. Quando levantei os olhos, não acreditei no que vi.

Santana Lopez.

Ela não estava usando o uniforme das Cheerios. Vestia um jeans e uma camisa fofinha amarela que ia até os pulsos. O jeito que ela me encarava era... diferente? Não estava acostumada em ver Santana sem a máscara do sarcasmo lhe cobrindo a face.

De qualquer forma, não tenho o menor interesse nisso. Eu passo por ela, sem dar a mínima importância ao fato de que ela estava tentando chamar minha atenção. Porém, eu sinto seus dedos se fecharem em meus ombros de maneira firme.

Há duas semanas, ela tinha feito a mesma coisa para me agredir. Mas hoje, havia algo diferente no seu toque.

Relutante, como se tivesse medo de me tocar.

"Por favor, e-.. Eu preciso falar com você, Quinn."

"Não tenho tempo nem interesse nisso, Santana." — Tento dar meia volta mas sua mão envolve meu pulso.

"Merda, eu estou pedindo." — Ela fecha os olhos com força, como se verbalizar isso fosse muito difícil para ela. — "De verdade, eu não quero guerra.. É só... 2 minutos?"

Eu a encaro. Ela sente minha indiferença mas eu aceno com a cabeça, lhe dando permissão para falar.

"Eu fui uma puta quando revelei para escola toda que você estava grávida. E sim, eu quis foder você. Quis foder sua vida, mas... Mas eu nunca imaginei que você poderia ser expulsa de casa."

"Isso não muda nada, Santana. Eu tenho q-"

"Por favor, merda... Eu estou tentando pedir desculpas! E eu não sei fazer isso, tá legal? Deixa eu falar e depois se você quiser chutar a minha bunda, você chuta."

Arregalo os olhos com a sua sinceradade, ela vê que não tenho objeções e continua seu discurso.

"Você sempre foi tão amada por todos, sempre teve tudo que quis, que eu nunca pensei que seus pais poderiam por você para fora de casa. Nunca! Eu queria desequilibrar você, e consegui. Você saiu das Cheerios e eu me tornei a capitã. Eu finalmente não era mais só um segundo lugar ou a vice-capitã. Eu estava no topo!"

Ela começa a andar no palco, de um lado e pro outro. Inquieta.

"Quando eu era criança... As garotas me excluíam porque eu não agia como elas. Então eu cresci, e fiquei gostosa. E quando cheguei no McKinley, eu finalmente acreditei que poderia ser a número um em algum lugar. Que finalmente poderia ser idolatrada... mas então... tinha você. E porra, sério... Eu nunca vi tanta gente amar uma única só pessoa como amam você..."

"Santana, não seja idiota, esse amor não é verdadeiro. É idiota, falso e mesquinho. Você me tirou isso, mas de qualquer forma, eu nunca o precisei."

"Não, não... Eles amam você, Fabray. Sua imagem foi destruída. Você foi do topo direto pro fundo do poço. Você foi expulsa de casa. Merda, você engravidou e o Puck terminou com você! E mesmo assim, mesmo assim... O seu nome é o único que ainda está nas bocas de todo mundo."

"O quê?" — Pergunto, minha voz baixa e meio irritada. O discurso de Santana estava me estressando, apesar de alguma coisa me dizer que ela estava tentando realmente pedir desculpas.

"É isso aí!" — Ela bateu as palmas e ergueu os braços acima da cabeça. — "Parece que você ainda é a dona desse lugar! Eu sou a Head Cheerio e estava namorando o quarterback, mas o simples fato de eu não ser você... Não os agradou. Eles... eles ainda fofocam sobre você, tentando adivinhar o que está acontecendo com você. Ainda é você com quem eles se importam."

"Você passou mal e então foi um pandemônio no vestiário das líderes, todas queriam descobrir como e porquê. Todas preocupadas... até Sue Sylvester perguntou por você! E não foi só isso! Você apareceu com Finn de novo e então as fofocas voltaram, dizendo que você estava metida com ele de novo, que estava entre ele e Rachel, que Puck ainda iria dar porrada em Finn por isso... Merda, ainda é tudo sobre você."

Eu tinha deixado minha mochila escorregar até o chão. Meu queixo um pouco caído, tentando absorver aquelas palavras...

Ainda é tudo sobre você.

"Eu precisei foder com a sua vida e com a minha para perceber que é verdade, isso não importa. Nada disso importa."

E então aconteceu algo que nunca pensei em ver na vida.

Santana explodiu em um choro intenso.

Ela apoiou as mãos no piano, tentando se recompor sem muito sucesso.

Eu fiquei constrangida. Porque eu não tinha intimidade para presenciar essa cena e nem sabia como consolar Santana naquela hora. E Santana nunca pareceu o tipo de pessoa que precisa ser consolada.

Ela soluçou e eu ponderei em ir embora, mas não pareceu muito certo.

"Você estava certa... Eu a perdi." — Ela disse, o rosto vermelho e com lágrimas, ela apoiou a base da coluna no piano atrás de si e olhou para o chão, derrotada.

Eu sabia que ela estava se referindo a Brittany.

"É tão difícil ver o quando ela está bem com ele... O quando ele a ajuda, até as notas dela melhoraram, isso é..." — Ela suspirou e mas algumas lágrimas caíram.

"Santana..." — Eu comecei, sem nem saber como iria terminar a frase.

"Serve para você, se eu disser que também fui expulsa de casa?"

O quê?

Ela percebeu minha confusão e não demorou em voltar a falar.

"A situação lá em casa estava foda... Meus pais não paravam de brigar e Puck apareceu uns dias lá terminando comigo. Não que isso realmente me quebre, mas o fato de eu espancar ele na frente da minha casa não ajudou minha situação."

Inevitavelmente eu ri, uma risada sem humor.

"Quando eu voltei para dentro, minha avó veio brigar comigo e eu estava tão, tão cansada... Então simplesmente saiu, eu me assumi lésbica. Para ela, para os meus pais..."

Eu a encarei, surpresa. Eu nunca pensei que ela fosse capaz de fazer isso um dia.

"Meus pais foram legais, mas minha avó... Um inferno. Ela me falava coisas horríveis todos os dias, até que não aguentei e tive que ir morar na casa de um primo mais velho. E nem devo dizer que agora meus pais estão quase separando já que minha avó está fazendo a vida deles um inferno por causa de mim."

Ela estava acabada. Exaurida. E é incrível como ela se esconde perfeitamente bem dos outros, que só pude perceber isso agora, depois de tudo o que ela despejou sobre mim...

"Você está desculpada." — Eu disse.

Seus olhos vermelhos me encararam, sem acreditar.

"Você veio aqui se desculpar comigo para se sentir uma pessoa menos horrível, estou certa?"

"Está." — Ela sussurrou. De repente, insegura.

"Você está desculpada. Completamente. Eu não preciso disso, Santana. Não mais. E estou meio que feliz por você estar começando a se livrar dessa merda toda também..."

Ela sorri para mim. Mas eu consigo ver a dor em seus olhos.

Seu orgulho. Seu amor. Sua família.

Nossas situações não eram tão diferentes. E mesmo que eu quisesse taxar Santana como vilã... Eu não era exatamente uma heroína.

Ela continuava me encarando. E então riu, uma risada de verdade.

"A Berry realmente mudou você, hein?"

Eu sinto um tapa na minha cara.

"O que você quer dizer com isso?" — Digo, de repente nervosa. Recolho minha mochila do chão e a ponho sobre os ombros. Pronta para correr a qualquer momento.

"Você precisa ser menos óbvia, Fabray."

"Nós somos amigas."

"Claro. Eu e Brittany também éramos só amigas."

Eu a fulmino com o olhar. Então suspiro, pesadamente.

"Se você fosse a mesma Fabray de antes... você nunca me desculparia. Você se vingaria, como eu fiz."

Era uma completa verdade.

Santana se aproximou alguns passos.

"É... Nós somos bem parecidas." — Ela dá um sorriso fechado. E então faz um som estranho com a garganta. — "A diferença é que você deixou a sua paixão lhe tocar. E eu ignorei a minha completamente."

E então ela se afasta, se afasta... E vai embora.

E eu continuo no mesmo lugar. Tentando absorver o fato que Santana sabia dos meus sentimentos. Tentando saber como ela pode me ler tão facilmente. Por um segundo, tenho medo.

Santana teria sido a única?

Respiro fundo. E penso que não. Não, ninguém teria me lido assim... Santana só o fez porque passou pela a mesma coisa.

Minha cabeça ainda está meio pesada pelos os últimos acontecimentos quando chego até o estacionamento. Encontro Finn e Rachel, perto do carro do grandão.

Eles estão discutindo.

Finn estava irritado, com a veia saltada no pescoço. Mas não parecia agressivo, nem mesmo que iria chutar alguma coisa. Rachel foi a primeira a me ver, me encarando com cuidado. Logo Finn se virou e ele me encarou, por cima dos ombros.

Raiva.

Era tudo que havia nos olhos dele. E essa raiva não era originada da sua briga anterior com Rachel. Ela estava direcionada á mim.

Ele murmura alguma coisa e senta no banco de motorista. Eu me aproximo e pergunto baixinho para Rachel.

"Está tudo bem?"

Ela suspira, triste. Sinto vontade de passar a mão pelo o seu rosto e tirar os seus cabelos dos seus olhos.

"Sim... Não foi nada demais. Vamos? Preciso ir para casa." — Eu aceno e então entro no banco do passageiro. Rachel vai no banco de trás, mantendo distância de Finn.

Analiso os dois e tento descobrir o porquê dessa briga. Há dez minutos atrás estava tudo perfeitamente bem.

Finn parecia mais aplacado. Não parecia irritado, e sim chateado, magoado... E isso é mil vezes pior. Encaro Rachel pelo o retrovisor do carro e ela devolve meu olhar. Os olhos cor de café me perfurando e eu me sinto frustrada quando não consigo decifra-los.

Chegamos até a casa de Rachel e ela murmura um "tenham um bom dia" antes de sair do carro e desaparecer dentro de casa. Finn nem ao menos se virou para vê-la antes de ir embora.

Ele está me levando até a minha casa. O maxilar trincado e a respiração lenta de uma forma estranha. Ele engoliu com força e eu percebi que ele estava... Triste. Quando Finn parou o carro na frente da casa de Stefan, tento pensar em algo para puxar assunto. Descobrir o que aconteceu. Mas nada me vem á cabeça então ponho a mão na porta, pronta para ir embora. Mas meu movimento não termina e percebo que as portas ainda estão trancadas.

Eu encaro Finn. E ele está me encarando de volta.

Me senti desconfortável. Seus olhos castanhos claros estavam indo fundo dentro de mim, me analisando de uma forma indesejada.

"Você não tem a mínima ideia, não é?"

Ele continua me encarando. Seus olhos nunca se desviam dos meus e eu penso que é a primeira vez que ele olhou assim para mim na vida.

"Sobre o por que da briga? Sim, eu não tenho a mínima ideia..."

Ele ri.

"Merda..." — Algumas lágrimas ameaçam sair dos seus olhos e eu me surpreendo. — "Merda! Eu sempre soube. Eu sempre soube. Mas eu nunca imaginei que..."

"Qual é a merda Finn?" — Eu me estresso. Porque ele está me deixando nervosa e me olhando desse jeito estranho. E há esse medo enorme dentro de mim que está me destruindo.

E ele me destrói.

"Você a ama, não é?"

Eu estou morta.

"Diga!" — Ele grita. Soca o volante e me encara de novo. — "Diga para mim, por favor... Eu preciso saber. Diga!"

"Eu.. Eu não sei o que está acontecendo, Finn."

Eu não sabia mesmo. Eu estava perdida.

"O jeito que você olha para ela..."

Santana não tinha sido a única.

Eu emudeço. Não há nada que eu possa dizer. Ou falar.

Sou um peso morto agora.

"Eu realmente achei que eu tinha que reconquista-lá, provar que ela é tudo para mim.. Mas nunca pensei que você realmente entraria no jogo."

"Isso não é um jogo. Que porra é essa, Finn?" — Eu estava a ponto de explodir.

"Eu sabia. Mas não quis aceitar, porque só sua amizade com ela me ameaçava. Porra, só sua amizade com ela me deixava morrendo de medo... E agora isso."

"Por favor, me diga... Eu não sou idiota. Eu preciso ouvir de você, por favor..."

O jeito que ele estava murmurando. Que ele estava nervoso. Como se acabasse de provar seus piores temores, suas mais loucas teorias... Eu estava desmoronando.

"Eu sou louca por ela." — Eu sussurro, fraca. Exausta.

É a primeira vez que digo isso alguém. E é justamente Finn o primeiro a escutar.

Se ele quisesse, ele poderia me pegar nas mãos e quebrar.

Finn me encara por alguns milésimos e então passa as mãos pelo cabelo, completamente angustiado.

"Eu não sou uma ameaça." — Eu digo. Porque eu não sou. E eu não quero que ele me odeie, eu não quero perdê-lo de novo e...

Ele ri de novo.

"Você é." — Ele afirma, sem nem um pingo de dúvida. Aponta um dedo acusatório para mim. — "Você é a única ameaça."

Meu rosto está pegando fogo. Meus olhos estavam ardendo, estava no meu limite... Eu poderia chorar a qualquer momento.

"Não é como se eu fosse uma opção, Finn." — Minha voz sai quebrada.

Finn me olha daquele jeito de novo, de um jeito longo e silencioso.

Seus olhos cor de mel, tristes. Mas até de certa forma, estão carinhosos pela a primeira vez desde que o vi no estacionamento.

"Você é uma opção sim, tanto que ela escolheu você."

Notas finais
Ops? Hm. Não sei quando vou postar o próximo. Talvez, terça-feira que vem. Talvez antes, ou depois. Música: Everything Has Changed - Heffron Drive @fabrayers ask.fm/fabrayers