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4 Chapter III - Taking Chances
Notas iniciais
Acho que fiz uma amiga. Uma amiga de verdade.
Sim, uma amiga... No meio de todo o inferno que tenho vivido, alguém quis ser minha amiga.
Não era para isto ter acontecido antes? Enquanto eu era a capitã das Cheerios e ainda a garota puritana que todos amavam? Não era o normal as pessoas quererem estar perto de mim enquanto eu estou no topo? Acho que a resposta é não. Porque nunca, a palavra "amizade" teve um significado tão verdadeiro antes.
Rachel Berry. É o nome dela. A mesma garota que páginas e páginas atrás eu lhe disse que estava tentando roubar meu namorado. E roubou. Mas isso não importa muito agora, porque já faz tempo.
Foi a primeira vez que eu sentei e conversei com alguém por horas, depois da aula. Foi a primeira vez que tive vontade de que o tempo corresse rápido para que eu pudesse confidenciar os mais estúpidos assuntos para uma pessoa... É assim que a amizade funciona? Com essa perfeita sintonia entre duas pessoas que finalmente se acharam? Há realmente toda essa excitação no início?
Não sei ao certo, mas devo lhe dizer que o ar estoura quando finalmente encontro Rachel nos corredores do McKinley e lhe digo qualquer coisas que eu queria dizer. Porque sinto que mesmo se eu falasse em árabe, Rachel me entenderia.
Nunca tive amigos assim antes. Há momentos que não sei como agir, mas sinto que Rachel sabe disso. Sinto como se Rachel estivesse me ensinando á ser amiga dela.
E me surpreendo o quanto eu estou animada a aprender.
Minha cabeça está descansada quando acordo esta manhã. Faz uma semana desde que tive a importante conversa com Finn. Ao decorrer desse tempo, os ensaios para peça que o Glee Club vai apresentar para Julie Plec começaram. O tema? O mais clichê possível: Nazismo. De qualquer forma, não tínhamos tempo para pensar em outro. (Isso não impediu um monólogo de Rachel sobre falta de criatividade e previsibilidade) Os personagens foram distribuídos e isso foi algo bem clichê também:
Eu havia ficado com o papel de Gwen Dare, uma soldado que pertencia ao Reich. Eu possuía um irmão que vivia comigo e adivinhe quem era? Sam Evans! A storyline da minha personagem era voltada para libertar uma amiga judia da concentração e fugir para viver seu amor com um jornalista. Quem era a amiga judia? Rachel. Era dela o papel principal. O jornalista e meu par romântico era interpretado por Blaine. Finn interpretava um político que tramava contra o vilão principal que era interpretado — Essa foi uma surpresa para mim. — por Kurt. Puck era outro judio poderoso e rico que tinha algumas relações com a personagem da Tina e uma inimizade com Mike.
No final? Blaine matava seu namorado, Kurt, em vingança de não poder ficar comigo. E isso era tudo o que eu sabia até agora. Além disso, nós já havíamos separado algumas músicas para cantar na peça. Entre elas havia Bohemian Rhapsody, Smooth Criminal e Animals. Os ensaios vieram em boa hora, eu precisava de uma distração. Estava cada vez mais difícil conviver com a perda de Yale e a reaproximação de Finn e Rachel sem poder confessar nada á alguém.
Hoje era sábado e eu tinha ganhado folga de Elijah, então não precisaria ir até Ohio Letters hoje. Chego á sala e tenho a visão de Stefan jogado no sofá com o notebook no colo. Eu o cumprimento e tenho a velha vontade de sentar ao seu lado e despejar todas as frustrações e sentimentos que estou tendo há um tempo. Porém, de novo, ele está ocupado e não quero incomoda-lo. Penso em voltar para o meu quarto e por meus patins, para ficar correndo entre as ruas de Lima até minhas pernas arderem e meus pulmões implorarem por ar, porque era desse jeito que eu costumava liberar energia sem os treinos das Cheerios que costumava ter. Decido que irei fazer exatamente isso mas antes que eu pudesse dar meia volta e ir para o quarto, a campanhia da casa toca. Olho para a porta e então encaro Stefan, que também possue o cenho franzido e percebo que ele não estava esperando ninguém. Caminho até a porta da frente e paro por um segundo para checar a visita no olho mágico.
Me surpreendo ao ver Rachel do outro lado.
Abro a porta e faço sinal para que ela entrasse. Ela dá dois passos para dentro com um sorriso gigante e extremamente feliz.
A visão dela sorrindo causa um ardor bom em meu coração. Mas em seguida, o mesmo se quebra ao lembrar que ela está assim provavelmente por causa de seu encontro com Finn na noite anterior.
Enquanto eu tranco a porta, ouço Stefan se levantar e abraçá-la. Os dois se dão muito bem e fico feliz com isso... menos quando eles se trancam em uma conversa sobre musicais — Já que meu padrinho é um exímio fã. — e não resta nada para mim além de ficar olhando ambos interagirem e jogando alguns centavos ás vezes.
"Bom tê-la aqui, Rachel." — Meu padrinho, que agora está de pé e com o notebook fechado debaixo de um braço, sorri.
"Você é sempre um doce, Stefan." — Rachel fala simpática e Stefan se afasta alguns passos.
"Fiquem á vontade... Vou até a cozinha pensar no que irei fazer de almoço para vocês duas, logo mais eu volto para mostrar o que farei." — Stefan fala com o seu jeito extremamente educado e Rachel lambe os lábios.
E isso é totalmente compreensível.
A comida de Stefan é magnifica e as combinações que ele faz é divina. Talvez, se meu padrinho investisse em um restaurante não demoraria nada para que ele se tornasse milionário.
Rachel se senta no sofá e eu me adianto para sentar ao seu lado. Ela sorri para mim e seus olhos brilham. Respiro fundo porque sei que ela irá querer me contar tudo sobre sua noite anterior e como ficou sua relação com Finn.
"Você parece feliz." — Eu sorrio suavemente para ela e tomo sua mão entre as minhas. Ela sorri para nossas mãos unidas e então me encara. — "Como foi sua noite?"
"Foi ótima, nada parecido com meus encontros anteriores com Finn... Ele foi bem mais atencioso."
Eu já estava esperando por essa resposta.
Eu não estava me arrependendo, mas o meu coração estava dolorido. Porque... eu havia ajudado Finn a planejar o encontro, indicado restaurantes veganos e até dado a dica de um filme em cartaz. E não me entenda mal, estou muito feliz por Rachel estar assim... Este é só o preço que tenho que pagar.
"Ele está mais maduro... acho que é isso." — Eu digo suavemente e levanto uma mão para bagunçar a franja de Rachel, que ri. Eu suspiro.
"Não é sobre ele estar maduro... Ele realmente tentou me agradar e eu gostei disso. Eu só gostaria que ele tivesse..."
Rachel não completa a frase. Ela está olhando para o tecido do sofá e quando ela ergue os olhos para mim eles me encaram, sérios. E eu não consigo decifra-lá.
Sinto que devo trocar de assunto e o faço.
"Posso saber o porquê da senhorita vir até a minha casa?"
"Depois de ontem eu estava precisando ficar com você... Fui até a Ohio Letters mas Elijah me explicou que te deu folga então vim para cá."
"Você poderia ter me mandado um SMS."
"Era para ser surpresa." — Ela diz, revirando os olhos.
Eu arregalo os olhos comicamente.
"Nossa que surpresa, um ser do jardim decide vir até a minha casa, de repente!"
"Você é muito sem graça." — Rachel fala, me encarando com os olhos semi-cerrados e eu caio na risada.
Esses momentos era os meus preferidos.
Stefan aparece na sala com uma toalha de pano nas mãos.
"Com os ingredientes que tenho aqui, dá para fazer uma coisa bem especial..." — Ele faz suspense e eu reviro os olhos. Stefan adorava que nós ficássemos babando por sua comida.
"Diz logo!" — Eu falo.
"Dois pratos diferentes para cada. Já que Quinn não consegue comer nada que não estivesse vivo anteriormente... Eu vou preparar um peixe ao molho limão, o que acha?"
Eu praticamente me babo por completo. Rachel faz uma cara feia para os meus gostos culinares e eu pressiono o meu dedo indicador contra seu nariz franzido. Ela defere um tapinha contra a minha mão e ri.
"E para Rachel... Um arroz á piamontese com uma salada caprichada está por suficiente?"
"Com certeza!" — Rachel diz animada. E eu aprecio o momento... Nunca foi tão bom dividir esses momentos especiais e ao mesmo tempo simples com alguém.
Rachel faz com que eu sinta tudo de uma maneira amplificada.
Um pouco mais tarde, nos sentamos á mesa e ficamos conversando sobre amenidades. Meu corpo fica rígido quando Rachel menciona o campus de Yale mas vou bem em fingir que não há nada de errado. Percebo que, mesmo não preparada para contar sobre meu fracasso á Rachel, eu devo satisfações á Stefan. Depois de um tempo, meu padrinho se retira e Rachel e eu vamos até meu quarto.
Meu canto não era lá essas coisas, principalmente quando comparado ao meu quarto antigo na Mansão Fabray, mas me sinto bem aqui como nunca me senti antes. O quarto não é muito personalizado, já que abandonei muitos pertences na minha antiga casa e nunca terei coragem de voltar para buscá-los. Havia uma estante pequena, uma escrivaninha, minha cama de solteiro que era visivelmente grande e apenas um pôster em desenho apresentando Michael Jackson e Elvis Presley na Times Square. Este pertencia ao meu padrinho que deixou que eu pendurasse no meu quarto.
Rachel jogou-se na cama, familiarizada com ela. Eu puxei o seu sobretudo para fora de seus ombros e ela me ajudou. Eu pus o mesmo pendurado na minha cadeira da escrivaninha. Me sentei ao seu lado na cama e esperei ela falar. Não que eu esperasse que ela tivesse algo a falar mas... Rachel sempre falava.
"Eu estou muito confusa."
Eu a encaro, meu cenho franzido esperando que ela continuasse.
"Antes eu achei que Finn e eu só precisássemos nos acertar e pronto. Mas acho que vai além disso."
Eu me aproximo e seguro sua mão, ela me encara.
"O que você quer dizer, Rach?"
"Que talvez... Eu não esteja mais apaixonada por Finn. Eu o amo, sabe? Isso é uma certeza. Mas a paixão... ela parece distante."
Sua frase praticamente me dá um tapa na cara.
Uma realidade que Rachel Berry não fosse apaixonada por Finn Hudson era possível?
"Rachel, você tem certeza?" — Perguntou, cautelosa. — "Você pode estar apenas insegura..."
"Certeza? Eu não tenho... Mas não estou insegura. Não é sobre mim em si mas sobre meus sentimentos..."
Eu não respondo. Fico um tempo admirando seu perfil. O maxilar, o nariz, a boca.... Eu suspiro profundamente.
"Tudo o que você pode fazer é continuar saindo com ele e tirar suas dúvidas."
"Tenho medo de machuca-lo." — Rachel responde rapidamente.
"Você só irá machuca-lo se não der a chance que ele precisa ou... se entregar sem certeza de nada. Apenas... " — Engoli com dificuldade. — "Apenas vá com calma."
Eu me surpreendo. Logo após eu terminar a frase, Rachel se joga em mim em um abraço apertado. Sua respiração batendo em meu pescoço e seu aperto em minha volta ritmando meu coração.
Eu me arrepio toda.
Decido que tenho que distrai-lá.
"Você não vai encontrar suas respostas agora, então... Você apareceu na minha casa do nada, tem pelo menos algum plano do que faremos agora?" — Eu digo calmamente, ainda a abraçando. Sinto sua risada leve e ela se afasta, me encarando novamente.
"Não, não tenho ideia alguma... Você é anfitriã, o que me oferece?" — Ela diz com um sorriso travesso.
Eu olho ao redor do meu quarto, tentando ter alguma ideia.
"Hmmm..." — Eu volto a encara-lá. — "Que tal uns Cup Noodles como lanche mais tarde e uma mini-maratona de Star Wars?"
Ela ri e então revira os olhos.
"Vou aceitar porque já vi que não tenho opção... Mas por favor, não fique falando sobre sua obsessão por Natalie Portman durante o filme todo!"
Ela se levanta e começa a procurar os meus DVDs ao lado da TV modesta que eu possuía no quarto. Eu encaro suas costas.
"Rainha Amidala sempre vai ser minha paixão maior..."
Ela solta um som de escárnio com a boca.
"Achei que fosse Sue Sylvester."
Eu solto uma gargalhada, enquanto ela põe o disco no aparelho de DVD.
"Melhor a treinadora das Cheerios do que o Mr. Schue, vamos ser honestas..." — Eu digo com um som de risada entre as palavras.
Rachel se volta para mim, acomodando-se ao meu lado na cama e pegando o controle na cabeceira. Ela me encara, cética e eu seguro o riso de novo.
"Cale a boca, Anakin."
Nós terminamos de ver o filme mesmo que Rachel tenha quase arrancado os olhos da órbita por causa do casal principal. Ela ficou um par de horas aconchegada em mim e eu estava muito bem com isso. Eu me surpreendia ao perceber o quão boba eu era ás vezes.
É claro, eu já tinha me apaixonado antes. Finn, Puck...
Mas nenhuma vez foi desse jeito, como se fizesse todo o sentido eu me apaixonar por ela assim, como se eu tivesse todos os motivos...
Minha paixão por Rachel é uma paixão mais madura. E eu não sei até que ponto isso é bom.
Rachel sentou-se enquanto eu continuei deitada. Ela se espreguiçou e olhou em volta, analisando meu quarto. Até que seu olhar parou no meu quadro/mural de anotações. Por um segundo, eu paralisei.
Eu possuía algumas fotos no meu mural. Algumas eram minhas na época da Cheerio, Beth, eu bebê no colo de Stefan, algumas com Rachel... Mas recentemente eu havia colocado uma foto novo amostra.
Era de mim com Finn.
Eu estava trajada no meu uniforme das Cheerios e ele com sua jaqueta letterman. Nós estávamos no Breadstix, a equipe Cheerio e a equipe de futebol estavam comemorando a vitória da noite juntos no restaurante. Eu estava sentada no coloco dele, enquanto ambos sorriam para a câmera. Ao fundo, como penetra na foto, Sue Sylveter aparecia com uma cara braba.
A foto era hilária. E ao mesmo tempo, não remetia que eu tivesse um relacionamento com o garoto. Após ter nossa amizade de volta, eu achei que pendurar essa foto de novo era aceitável. Mas agora que Rachel analisava ela curiosamente... Eu não sabia de nada.
Ela suspirou e sentou-se de novo na cama. Eu fiz o mesmo e me aproximei. Ela tinha ficado estranha, de repente.
"Vocês voltaram a ser amigos de novo, não é?"
Ela não parecia feliz, mas também não estava irritada...
"Sim, eu sentia falta da amizade dele." — Preferi falar a palavra amizade, antes que Rachel confundisse as coisas. Era possível que ela pensasse que eu estava querendo Finn novamente?
"Estou feliz por vocês dois estarem amigos de novo." — Ela disse e sorriu para mim fracamente. Não senti verdade.
"Tem certeza? Você parece estranha..."
"Não é nada, não é sobre vocês dois é... Outro assunto." — Eu franzo o cenho, percebendo como ela estava tentando escapar da minha pergunta. Sei que não adiantaria eu insistir, então deixei ela á vontade.
Suas sobrancelhas se levantam em surpresa e ela se levanta. Observo ela ir até a minha escrivaninha e mexer em meu caderno e pincéis novos.
"Nossa... que máximo. Isso deve ser muito bom para desenhar." — Ela diz. Tateando seus dedos envolta de alguns lápis.
"Eu entrei para o Clube de Arte e eles tem um espaço só para desenho. Eu ganhei esse conjunto deles." — Eu expliquei, olhando ela parecer uma criança com todos os lápis e pincéis coloridos.
"Não sabia que você desenhava... Você é boa?" — Ela pergunta, voltando a sentar do meu lado.
"O suficiente." — Respondo, tímida.
"Hmmm você vai desenhar para mim. E eu serei sua crítica." — Ela brinca e eu balanço a cabeça postivamente. — "Promete?"
"Prometo." — Eu me inclino até ela, sem poder ficar tão perto dela assim sem agir carinhosamente, e dou um beijo inocente em seu ombro.
"O que faremos agora?" — Ela pergunta.
Eu penso e estou sem nenhuma ideia.
"Que tal... Funny Girl?"
"Você está brincando, Rachel."
"Ahh sério! Acabei de ver Star Wars com você... sei lá, pela a quarta vez?"
"A diferença é que Star Wars é um filme diferente por vez... Funny Girl é sempre a mesma coisa!"
"Por isso que é sempre perfeito."
Frustrada. Deixo meu corpo cair para trás na cama e ela se levanta, muito feliz em me fazer assistir o mesmo filme pela a décima quinta vez.
Eu tento ficar irritada, porque já estou farta do filme. Mas quando Rachel volta para cama e joga em meus braços, sorrindo feliz... Tenho certeza que eu assistiria aquele filme muitas mais vezes se ela me pedisse.
Após algumas horas de Rachel cantando a pleno pulmões em minha cama, eu tiro o disco do aparelho e faço uma promessa silenciosa que o esconderia da próxima vez que Rachel viesse passar a tarde em minha casa. Eu já estava gravando todas as falas do filme e eu nem ao menos era fã ou algo do tipo. Depois de alguns minutos ainda na cama, Rachel recebeu a ligação de um dos seus pais e anunciou que teria que ir para casa. Eu me ofereci para levá-la em casa mas ela disse que era meu dia de folga e que eu deveria descansar. Acabei aceitando e me despedindo de Rachel. E eu gostava de nossas despedidas, era a desculpa perfeita para abraçá-la e sentir sua pele perto de mim, seu cheiro...
Eu era realmente uma causa perdida.
Fui até o sofá da sala e me joguei pesadamente.
O que aconteceria nas próximas semanas? Eu não tinha mais Yale e nem tinha ideia de qual outra faculdade tentar. Eu não saberia se Finn iria pedir minha ajuda novamente, já que minha mãozinha havia funcionado da primeira vez. Eu não tinha noção do que poderia acontecer.
Eu estava com os olhos fechados e a cabeça caída para trás quando senti o lugar ao meu lado no sofá afundar. Abro meus olhos encontrando Stefan me encarando curiosamente.
"Problemas?" — Ele perguntou.
Eu estremeci. Sei que eu devia contar ele a verdade, porém seria a primeira vez que eu iria verbalizar meu fracasso em Yale e não sei como ele reagiria. Eu não sei como eu reagiria.
"Você acredita em mim, Stefan? No meu potencial?" — Ele franze a testa com o meu tom depreciativo e com a pergunta inesperada.
"É claro que sim... Porque a pergunta?"
Eu respirei. Eu tinha que contar.
"Eu não vou conseguir minha vaga em Yale." — Falei olhando em seus olhos, com a voz quebrada. Sua expressão não mudou, ele calmamente pousou o livro que segurava na mesinha de centro e voltou a me encarar.
"Por que você fala isso?"
"Não estou falando isso porque não acredito em mim, Stef. É porque minhas chances acabaram. Estou fora!" — Explodi. Meu rosto ficou vermelho então apoiei meus braços nos joelhos e larguei o rosto entre as mãos.
"Ei, ei... Me explique isso..." — Seu tom era cuidadoso. Ele passou um dos seus braços fortes ao meu redor e me senti pequena em relação á ele. Stefan era um homem muito bonito. Cabelos um pouco mais escuros que eu, um loiro meio bronze/cobreado, olhos verdes com pontas de avelã. Maxilar definido que nem o meu, ombros largos e corpo forte. Ele poderia fazer qualquer pessoa se sentir protegida.
"Eu passei mal na última prova." — Falei, a voz embargada. Algumas lágrimas descendo pelo o meu rosto, até a linha do maxilar. — "Era a de cálculo, os pontos mais valiosos... Eu nem consegui completar a prova até o fim."
Ele me abraçou por completo e senti sua mão fazer círculos em minha costas.
"Como eu não soube disse antes?"
"Não queria que ninguém soubesse. Estou tão frustrada e... envergonhada."
"Envergonhada? Quinn..." — Ele ergueu meu rosto para encara-lo e eu o fiz. — "Não foi falta de competência, foi só..."
"Azar?"
"Não... Olhe, eu sei que você está chateada está bem? Mas perceba que há milhares de outras universidades tão boas quanto Yale... Você ainda tem chance de entrar em todas elas e sei que é capaz."
"Eu sei, eu sei..." — Eu me acalmei. Limpei meu rosto e o encarei de novo. — "É só que... Eu sonhei com Yale por muito tempo."
"Então se permita sonhar com outra faculdade agora." — Ele disse de forma firme. — "É triste quando você perde algo pelo qual tentou tanto mas... Preste atenção..." — Ele me olhou cauteloso. — "Não jogue todas as chances de ser feliz apenas porque UMA não deu certo."
Eu ponderei e então analisei seu rosto.
Ele não estava se referindo apenas á Yale. Eu me arrepiei.
"Prometa pra mim que irá pesquisar outras faculdades até o final de semana."
"Prometo." — Eu disse e ele me abraçou então se levantou. — "Vou preparar um jantar bem legal para nos dois, enquanto isso... Descanse um pouco." — Ele foi em direção a cozinha mas eu o parei.
"Stef..." — Ele se virou e me encarou. — "O que você quis dizer com todas as chances de ser feliz?"
"Yale foi só uma chance, Quinn."
"Não foi só isso." — Eu disse, me apoiando no braço do sofá, lhe pedindo pela a verdade.
"Você sabe ao que eu estava me referindo." — Ele deu um passo até mim novamente e se inclinou. — "Não deixe que as cicatrizes do seu passado lhe assustem no seu presente. Corra atrás do que quer, até mesmo quando você pensa que perdeu todas as chances." — Então sorriu, com seus dentes brancos e alinhados. E saiu pelo o arco da sala-cozinha.
Me joguei no sofá e suspirei profundamente. Meu corpo formigando por ter conhecimento do fato que Stefan sabia dos meus sentimentos por Rachel e... não me expulsou de casa mesmo assim. Fecho os olhos e penso nela, quando sinto meu celular vibrar.
Meu pai conseguiu três ingressos para o festival da feira mundial aqui em Lima, você quer ir??? Vamos lá, não me deixe ir sozinha com Finn, eu ainda estou nervosa sobre os meus sentimentos e... Ah, vai ser legal e eu quero que você vá! Por favor, por favor... — R. B
Eu rio com o seu despero e, mesmo sendo uma saída á três e que Finn estaria conosco, eu aceitei com animação. Eu imaginei a cena de nós três caminhando entre as milhares de barracas que possuíam culturas de todo o canto do mundo. Comprando roupas lindas, provando comidas estranhas e rindo das coisas bizarras...
Eu poderia ficar muito bem isso.
E de repente percebi que a felicidade estava batendo na porta de novo, e que eu deveria apenas abri-lá na hora correta. Eu tinha Finn. Eu tinha Rachel. Eu tinha Stefan, que não havia me expulsado depois de saber que eu havia fracassado e estava apaixonada por uma garota.
Nem tudo estava perfeito. Mas pela a primeira vez, eu tinha pessoas que estavam me passando esperança... Eu podia ainda ter cicatrizes, elas ainda poderiam doer... Mas pela a primeira vez eu possuía pessoas que são capazes de me fazer esquecê-las.
Eu só precisava seguir em frente.
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